Inverno e sopas no Dolce Mattina Café

Inverno é aquela dobradinha de vinho e sopa, que a gente complementa com cobertinha de soft e maratona Netflix. Mas isso não significa que você precise se matar na cozinha. Eu, quando mordida pelo bicho da preguiça, pego uma mesa perto da brinquedoteca no Dolce Mattina Café e resolvo ao mesmo tempo a questão do tédio da Joana e da não-louça-pra-lavar.

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O cardápio de inverno da casa (bem no centro de Garibaldi) arrasa nas sopinhas, com receitas naturais, sem caldos industriais, sem creme de leite, sem temperos prontos. Peça um vinho de sua preferência e mentalize: o inverno tem seu lado bom, o inverno tem seu lado bom.

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Te provo: esse creme de queijos no pão é dos deuses. Comecei a comer, já tirei um casaco. Aprovado.

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Se a ideia não for jacar tão fundo, você pode passar pra uma sopinha de ervilhas frescas servida com croutons ao alho e óleo. Na verdade todas as opções de sopa podem vir naquele pão delícia gigantesco. A opção da gordice é sua! Essa receita é simplesmente divina.

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O tradicional creme de moranga ganha uma versão autoral no Dolce Mattina, com gengibre, chia e sem laticínios. Não tem restrição e o sabor realmente ficou bem diferente – e tão delicioso quanto.

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Levemente salgadinho e bom também como entrada, o caldo de aspargos com temperinho verde pra mim fechou a noite de sopas e vinhos do Dolce Mattina. Se o inverno vem pra ficar, é bom saber onde você pode aquecer o corpinho e a alma 😉

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PS: não tente escapar do balcão de sobremesas. #ficaadica

Dolce Mattina Café

Rua General Osório, 256, Centro, Garibaldi

Atendimento de terça a sexta, das 11h às 22h; sábados, das 9h às 22h; domingos e feriados, das 15h30min às 22h.

(54) 3462 4053

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Ricordare la bella Italia

Um café pra concentrar, uma taça de vinho pra acalorar, um gelato pra viajar direto à Itália, relembrando velhos dias de passo descompassado à beira do rio Arno. Um jovem músico tocando seu violino na Duomo. A buzina estridente das bicicletas pedindo passagem. O sol de outono refestelando-se nas minhas bochechas. Quando a Itália dentro de mim acende essas doces lembranças, é que eu sento no Ricordare e deixo a mente voar longe.

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Gosto do clima despretensioso, da cadeira de balanço e do pôr do sol privilegiado que a casa oferece, lembrando a todo momento que a dolce vita está onde eu estiver em paz comigo mesma.

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A história de Pablo e Vanessa, os jornalistas que abandonaram carreira pra viver esse sonho de receber e servir, é cheia de inspiração. Na Irlanda, eles fizeram dinheiro para o negócio. Na Itália, buscaram referências estéticas e receitas consagradas. É um lugar sem cerimônias, onde você senta e cruza as pernas, como no sofá de casa.

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Com grãos da irretocável Illy e usando apenas as receitas originais da marca, o Ricordare está sempre aromatizado pelo café. As receitinhas da chef Idana Spassini seguem a proposta descompromissada, os pedidos se fazem no balcão, a música naturalmente é italiana. Para o panini, pão especial da Pannero Panneteria.

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Tão bom quanto o café é o gelato, delicado, cremoso e servido com um toque da casa que faz toda a diferença: o sorriso vem de brinde. A receita italiana, artesanal e com base em ingredientes naturais, tem metade da gordura de um sorvete comum. Mais sabor, menos culpa.

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Correm notícias de que o pistache usado no sabor de mesmo nome vem realmente da Itália – o que, a mim, não soa estranho.  O sabor inesquecível é como uma obra de arte esculpida desde a escolha de sua matéria-prima. Afinal, em pedra vagabunda não se esculpe um David de Michelangelo 😉

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Olha a minha obra prima, sempre companheira dessas aventuras culinarísticas. Íntima de Vanessa e Pablo. 😀 <3

Ricordare

Avenida Planalto, 1029, Bento Gonçalves (RS)

Aberto de terça a quinta, das 14h às 20h; sexta e sábado, das 14h às 21h; domingos, das 15h às 20.

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Com mi madre no La Madre!

Arriba muchachos! O primeiro restaurante mexicano de Bento Gonçalves chegou causando, com direito a tequileiro cara de mau e garçons fantasiados de Quico e Chaves. Vá com bom humor e em boa companhia e você terá uma noitada divertidíssima, aos embalos da sacolejante música mexicana.

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Como toda novidade gastronômica local, o La Madre vem atraindo muita gente e o salão é relativamente pequeno – são apenas 10 mesas. Pra não ter erro, melhor reservar, mas eu cheguei sem aviso e também não esperei nenhuma eternidade. Em 15 minutos, vagou uma mesa e tudo certo.

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A carta de drinks do La Madre é bem servida. Você pode entrar no clima de um mojito ou degustar a cerveja da casa e sentir seu toque apimentado. O cardápio traz adaptações dos clássicos da cozinha mexicana, tudo com um grau comedido de pimenta para não espantar o freguês não habituado.

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Nessa primeira visita, por medo de errar fui no combo da casa, com preço excelente (R$ 68,00) e que inclui nachos, tacos e burritos. Os nachos chilli caliente eram frescos, não estavam mui calientes, mas tem bastante opções de pimenta à parte na mesa.

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Fui curtindo meu mojito e a sequência do combo foi chegando. Notei de imediato que era bastante comida pra duas pessoas – eu e ‘mi madre’. Os tacos de filé estavam bem temperados e crocantes. #delicious

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O burrito, esse era realmente grande. Não tivemos como dar conta dele, mas não sou boba nem nada, levei uma parte para casa e ainda foi um belo almoço no dia seguinte.

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O clima notívago, a batida da música mexicana e o bom humor dos anfitriões fizeram valer a pena sair de casa nesse inverno.  Papo vai, papo vem, chegamos com o restaurante lotado, saímos com a equipe fechando as portas. hehehe. Não tive como provar a sobremesa depois de tamanho jantar, então fico devendo outra visita!

 

La Madre Cozinha Mexicana

Rua Olavo Bilac, 337, Bento Gonçalves (RS)

Telefone:  3702-2364

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Menu lentamente cozido no Cannelè Bistrot

Pessoas ansiosas como eu brigam com o tempo, com o relógio e o ritmo das coisas. Pessoas como eu suspiram profundamente, como que pegando o último fôlego antes de um mergulho em águas turvas. É sem efeito. A vida tem o seu ritmo e ele está mais para uma clássica sopa de cebolas do que para um steak salteado em chapa quente.

Quando você recebe a sopa, ela é suave, conforta e esquenta a alma. Mas a natureza da cebola é ser um mistério de camadas e ferir os olhos de quem abruptamente lhe crava a faca. Para dar o melhor de si, a cebola precisa de um longo tempo em fervura, de um calor baixo e seguro que aos poucos revela sua doçura. Caros amigos, a vida e a gastronomia francesa têm muito em comum.

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Neste jantar no Cannelè Bistrot, em Canela, provei dignas adaptações da cozinha francesa. Todas lentamente cozidas, a seu tempo, revelando profundos sabores. Essa foi uma coincidência que só depois chamou minha atenção. Entre tantas opções de entradas e pratos frescos, sabe-se lá porque pedi tantos cozidos.

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Sobre o lugar, ele se mostra sóbrio, com sua luz baixa e suas pinturas da vida e personalidades parisienses. Bom para estar numa noite fria desse inverno que chega.

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Para entrada, nada mais invernal que a dita sopa de cebolas, aqui gratinada com Gruyère. Um prato que preenche.

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O prato principal já o tinha como indicação: bochecha de porco confitada ao molho de damasco e limão siciliano com purê de mandioquinha e ratatouille. Tão Paris esse prato. A gerente do Cannelè me contou que leva dias pra fazer. Estava realmente delicioso – e olhe que ultimamente não muitas receitas têm conseguido me seduzir.

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Tarte Tatin é uma torta francesa que leva o nome das irmãs que a criaram. Para as maçãs ficarem num perfeito ponto de cozimento, leva tempo. Ela não é doce em si, mas perfumada. Servida morna e com sorvete de creme, encerra um jantar que deixa uma lição às nossas vidas. O tempo é soberano de todas as coisas.

Cannelè Bistrot

Rua Danton Corrêa da Silva, 307, Canela (RS)

Reservas: (54) 3278-1499

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Bêrga Mótta, uma refeição, uma expedição natural

Fui às Hortênsias torcendo por um dia sem chuva para aproveitar o fim de semana ao ar livre, mas não imaginei que o sol ia brilhar tão forte. Ele queimou forte, sem chance de ar fresco, sem cara de outono, escaldante. Pra encontrar um pouco de brisa, só mesmo em contato com a terra.

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A 10 km do centro de Gramado, existe um refúgio natural que merece a contemplação. É o Ecoparque Sperry, com suas trilhas, cachoeiras e seu bonito projeto de preservação ambiental do Vale do Quilombo. Junto dele, um simpático restaurante de clima absolutamente familiar chamado Bêrga Mótta. Um rebuliço gostoso de crianças correndo e conversas animadas.

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O parque tem pequenas trilhas muito bem sinalizadas, que são um convite à aventura. Plaquetas identificam as espécies de várias árvores pelo caminho, os pássaros cantarolam e o voo das borboletas deixa o caminho ainda mais colorido. Vista-se apropriadamente para aproveitar o melhor das trilhas.

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Eu não pensaria duas vezes em trocar o zoológico por esse parque. Aqui, eu realmente pude sentir o contato com a natureza. Caminhei de mãos dadas com Joana, até que ela tomou coragem e foi à minha frente, abrindo caminho. Molhamos os pés na cachoeira, deixei meu celular cair na água, comemos bergamota direto do pé. Daquelas coisas que só acontecem quando a gente está no mundo real.

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O percurso é curto, não chega a dois quilômetros, mas fi-lo lentamente e curtindo cada descoberta de Joana sobre folhas, insetos e a coleta de pinhas secas para próximo Natal. Expedições como essa abrem o apetite, então desembocamos direto no restaurante que, apropriadamente, define sua comida como comfort food.

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Pra começar os trabalhos, serviram-nos um bolinho de arroz com banana e canela. Parece esquisito, mas é muito, muito bom. Queria ter a receita :)

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Uma mesa farta de entradas e saladas são um convite à vida natural. Muitas opções sem glúten, sem carne, mas ricas em sabor.

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Depois, o menu principal do dia com sabor de comida da minha vó. Havia uma vaca atolada di-vi-na.

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A mesa de sobremesas merece reverências. Segui as instruções da plaqueta.

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É tudo especial. Não diria um clima de paz, mas de alegria. Muita gente sorrindo e buscando bons momentos com pessoas queridas. É disso que se faz a vida.

Dicas úteis e importantes: o lugar é longe e a conectividade não é boa. Por isso, nem o parque nem o restaurante aceitam cartões. Eles até podem quebrar seu galho aceitando cheque, mas preferencialmente leve dinheiro. A visitação custa R$ 12,00, mas o almoço no buffet isenta essa taxa. Você paga R$ 55,00 por uma refeição com cheirinho de família – muitas saladas frescas, panelas de ferro sobre o fogão a lenha e sobremesas de tirar o fôlego. Bebidas não inclusas e crianças até seis anos não pagam.

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Ecoparque Sperry e Restaurante Bêrga Mótta

Linha 28 (Est. Professora Elvira A. Benetti) – Vale do Quilombo – Canela/RS
Acesso principal localizado na RS-235 entre Gramado e Canela. (na esquina do Outlet Sierra e Chocolate Prawer)

Horários:
De terça-feira a domingo das 9h às 17h
Aberto durante todo ano.

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Cogumelos outonais no Primo Camilo

As primeiras brisas do outono estão por aí. As mantinhas de soft já desceram do maleiro e quase nada me seduz mais que uma taça de vinho esticada no sofá e maratonando alguma coisa no Netflix. Mas o outono também traz outros aconchegos valiosos, como a temporada de cogumelos e a alquimia que eles provocam na cozinha do Primo Camilo.

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Sabe aqueles lugares que te fazem sentir bem-vinda? Nem muito barulho, nem muita cerimônia, cordialidade acima da média e comida calorosa.  É um tesouro de Garibaldi.

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Existe um menu, mas saiba que você terá uma experiência mais genuína se aceitar a sugestão do dia e os conselhos do seu anfitrião.

 

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Com uma adega a seu dispor, é divertida a busca pela melhor harmonização. Essa é uma das qualidades que o idealizador Altemir Pessali replicou depois no Pizza Entre Vinhos e que é sucesso garantido, porque insere o cliente no verdadeiro espírito do lugar.

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A casa já tem seus clássicos, como os filés, massas e risotos, que são sucesso de público e crítica. Com a farta colheita de cogumelos silvestres, a cozinha incorporou diferentes espécies a seus pratos principais e também criou novas receitinhas, como essa entrada de cogumelos Lactarius no pão. O resultado é quente e suculento, digno de uma noite de brisa fresca.

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Para o prato principal, nada mais singelo e outonal que um talharim ao funghi Porcini com pedacinhos de bacon e temperinho verde. Essa é a verdadeira comida que conforta, como um colinho de mãe ou aquela mantinha de soft.

A Trattoria Primo Camilo é um dos empreendimentos da Região Uva e Vinho que integram o Tour da Experiência, um projeto do SEGH em parceria com o Sebrae que  valoriza e promove experiências turísticas na Serra Gaúcha e outras quatro regiões no Brasil: Costa do Descobrimento, Caminhos do Brasil Imperial, Bonito e Belém.

Trattoria Primo Camilo

Av. Rio Branco, 1080

Contato: 54 | 3462.3333

Aberto de segunda à quinta, das 19h30min às 22h30min; sextas e sábados, das 19h30min às 23h

Site: clique aqui!

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O mágico clichê de um jantar na Torre Eiffel

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Um bom viajante sabe que as melhores descobertas estão no inusitado, no improvável. Apesar disso, não se pode desprezar as atrações turísticas consagradas. Deve haver um bom motivo pra elas serem consagradas. Em Paris, por exemplo, você pode dedicar todo tempo do mundo pra se perder nas ruelas de Montmartre ou percorrer todos os cafés e livrarias da Geração Perdida, mas se você não curtir uma noite aos pés da Torre Eiffel, é como se não estivesse estado na Cidade Luz.

 

DSC_8049Andando a passos curtos e com olhar fixado no céu, a multidão reflete a imponência metálica do monumento erguido em honra à Exposição Universal de 1899. É o suprassumo do turismo clichê, mas ainda assim é extasiante. Cada pilar da Torre Eiffel é, certamente, maior que o meu apartamento e se a sensação já é de pequenez estando na base da torre, você mal pode imaginar como me senti lá em cima. Se você tiver uma chance na vida, reserve um jantar no 58 Tour Eiffel. Não existe chance de arrependimento.

 

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A reserva no restaurante isenta a taxa para acesso ao elevador e no primeiro andar, que está a 60 metros do chão, já é possível ter uma espetacular vista da cidade em todos os ângulos. O elevador é ainda o original – é como entrar na Belle Époque. Circulando no primeiro andar, você encontra um memorial à obra de Gustave Eiffel e alguns pontos de romance. <3 <3 <3

Certa dose de medo também parte da visita. No primeiro andar, parte do piso é de vidro. Olhar pro chão e ver as pessoas minúsculas lá embaixo é um pouco desconfortável. E olha que nem tenho medo de altura.

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Em geral, restaurantes turísticos não são indicados. Há muita gente, a comida costuma ser ruim e o saldo final é muito gasto e pouca felicidade. Esse jantar estava reservado seis meses antes e, mais de uma vez, pensei em cancelar. Ainda bem que não fiz isso, porque a experiência no 58 Tour Eiffel foi bem legal. O restaurante tem dois andares: o primeiro dá vista para a cozinha aberta, mas no segundo você pode jantar tranquilamente apreciando a vista de Paris. Por sorte ou destino, fomos acomodados atrás desse casal, no segundo piso, numa mesa com vista privilegiada do Rio Sena.

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Havia três opções de cardápio e eu comi uma sopa de cogumelos que não faço ideia de como, mas esqueci de fotografar. Outra opção de entrada era esse salmão defumado com molho tartárico, um waffle recheado com queijo e ovas de salmão.

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O prato principal que vinha após a sopa era o salmão grelhado com purê (tudo na França leva purê), tomate confitado, alho assado maravilhosamente aromático e duas – sim, somente duas – unidades de nhoque.

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O outro prato foi carne com cogumelos também vinha acompanhada de purê, porque batatas são majestade na gastronomia francesa.

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Sobremesas, para mim, são algo dispensável quando você tem um bom jantar e um bom vinho. Mas estava inclusivo no pacote, então escolhemos essa espécie gigante de profiterolis e…

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…a tortinha com mousse de chocolate com esguicho de calda de maracujá (hehe).

Como em todos os lugares de Paris, no 58 Tour Eiffel o jantar é mais caro que o almoço. Para a noite, existem várias opções de serviço com preço entre 85 e 180 euros por pessoa. O nosso era é mais barato e super valeu a pena. Se você não estiver disposto a isso, pode almoçar no restaurante por 41,50. De qualquer forma, pense bem. A noite é mágica na Torre Eiffel.

Existem outras opções de alimentação na torre. Para conhecer, clique aqui!

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Uma ode ao bom e velho pomodoro

Nessas andanças de restaurante em restaurante, a gente se acostuma a experimentar de tudo e, por vezes, cambiar do gourmet ao pé sujo num mesmo dia. A gastronomia tem esse poder de vestir o traje conforme a ocasião. É sábio reconhecer a beleza da simplicidade. O real sentido da Páscoa, por exemplo, passa longe da indústria do chocolate industrializado e seus brinquedos surpresa. Ainda que uma bela cesta espere seu filho no despertar, há coisas muito mais singelas capazes de evocar o sorriso sincero de uma criança. Foi uma caça ao ninho no meio do milharal que nos levou ao Ristorante Del Pomodoro no domingo de Páscoa.

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O que encontramos lá foi uma justa homenagem ao tomate, esse fruto onipresente em qualquer cozinha, mas que raramente ocupa lugar de protagonista.

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No Del Pomodoro, experimentei a contradição do simples e da fartura. O galpão anexo à Casa do Tomate, uma das atrações dos Caminhos de Pedra, tem aqueles objetos de família que são supercaracterísticos da Serra Gaúcha: um ferro a carvão, uma caixa registradora manual, Frigidaires nas cores de sucesso dos anos 1950: vermelho, amarelo, azul bandeira.

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O significado da família está em cada objeto do lugar e não apenas nas coisas, mas também nas pessoas. A decoração é à moda da nona, com todos aqueles retratos de época e a memorabília do imigrante italiano. Mas a própria nona também estava lá – discreta, sorrindo aos netos, acompanhando o movimento da casa e supervisionando a todos.

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Quando o serviço iniciou, eu estava faminta e cometi o erro de esvaziar a cestinha de pão caseiro com trio de pastas: queijo com salame, tomate seco a caponata. Minha atitude precipitada acabou prejudicando o desempenho com os pratos seguintes, que são muitos, muitíssimos. O resumo, em imagens:

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Polenta mole com molho de carne de panela e fortaia

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Um tomatinho fresco com queijo e manjericão

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Almôndegas ao molho sugo e arroz com tomate seco

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Tomates recheados

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Tortelinni ao molho de queijos – pra dar um pause no tomate

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Massa ao molho da casa – não precisamos detalhar qual o ingrediente principal do molho da casa!

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Um porquinho sapecado com limão pra dar sustância à refeição (alerta máximo de ironia)

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E a sobremesa, que não contém tomates e você pode escolher entre arroz doce e pavê de café – o que a essas alturas é uma escolha quase impossível. Quem, com um estômago de tamanho médio, ainda teria apetite para a sobremesa?

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Apesar de simples, esse banquete pascal foi de uma exuberância festiva, porque diante de nós havia uma criança ansiosa por caçar seus ovinhos de Páscoa. Nada pode ser mais alegre do que ver nossos filhos nutrindo seus sonhos infantis e festejando suas conquistas. À noite, antes de dormir, ela disse baixinho no meu ouvido: “Foi o melhor dia de todos!”. E pronto – valeu a pena os sapatos de molho para esfregar amanhã!

Quase esqueço que mencionar que a refeição por pessoa, completa, com sobremesa, sai por R$ 39,00!

Ristorante Del Pomodoro

Caminhos de Pedra, Bento Gonçalves

Aberto de quintas a terças-feiras das 11h30min às 17h
Período de férias de segunda a segunda. À noite, sob reserva.

Informações: (54) 3455-6292 e 9104-0580

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Felice como nunca antes

Este post tem apoio de Jornal Design Serra

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Felice foi um restaurante altamente recomendado. Enfrentamos uma longa caminhada para chegar a ele e por muito pouco não saímos de mãos abanando no último dia em Roma. Teria sido uma verdadeira lástima, mas serviu como lição: se um restaurante tem boa fama, não pense que conseguirá uma refeição tranquila sem reserva.

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Tivemos sorte de cruzar com um garçom prestativo que nos encaixou numa mesa de canto para um almoço cronometrado de meia hora. Foi bom percorrer a pé o trajeto do centro até a Via Mastro Giorgio, porque isso revelou muito sobre a vida local. O pequeno bairro de Testaccio, onde o restaurante funciona no mesmo endereço há 80 anos, tem origens operárias, mas hoje é o ponto mais cult da cidade. Soube depois que é o único caso de urbanização programada dentro da cidade de Roma. Lá estão os bares mais frequentados e as origens do time de futebol Roma. Sem saber, cruzei na ida e na volta por um dos ícones arquitetônicos do período fascista: o prédio dos Correios,  na Via Marmorata – uma obra de 1933.

Enfim que, ao chegar no Felice, fomos calorosamente recebidos e acomodados na tal mesa de cantinho – ao que nem posso reclamar, pois poderia ter ficado sem almoço. Havia um cardápio, mas isso não diz muita coisa, já que o restaurante serve um prato tradicional em casa dia da semana e o garçom se deu ao trabalho de explicar uma a uma as opções em espanhol.

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Essa foi uma refeição mais rápida do que deveria, mas envolta em descobertas que me acompanhariam desde então. No Felice, provei o mais singelo e robusto prato romano – que leva apenas três ingredientes, mas desafia até o mais experiente chef de cozinha. Falarei mais adiante.

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Descobri também que a água de Roma é gaseificada naturalmente.

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As refeições em Roma são fartas, fartas demais para uma garota comum, como eu! O primeiro prato, essa porção generosa de massa, apenas precede um belo prato de carne que ainda vem acompanhado de legumes ou salada. Chegar na sobremesa é trabalho a beça, mas vale a pena tanto quanto uma longa caminhada de volta ao hotel pelas ruas milenares de Roma. Pedi para mim um generoso Ravioli a Felice, com tomates cereja e ricota.

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Uma delícia, mas nada que se compare à hipnotizante simplicidade do Tonnarelli Cacio e Pepe…

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A receita tipicamente romana leva tão e somente massa, queijo pecorino e pimenta do reino. O segredo é a misturada que o garçom dá diante do cliente. O resultado é indescritível.

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Cordeiro é, também, uma carne tipicamente romana. Então pedimos em duas versões: assado com batatas…

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…e a milanesa com abobrinhas.

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Quando a coisa já parecia muito boa e nossa meia hora estava esgotando, o garçom que misturava italiano e espanhol pra falar conosco apareceu com uns recortes velhos de The New York Times e decretou que não poderíamos ir embora sem provar aquele tiramissú citado várias vezes no jornal. Particularmente, não gosto de sobremesas que levam creme e bolacha (condene-me por isso, mas não, não gosto de torta de bolacha). Provei porque estava ali e realmente era muito bom pra quem gosta. De minha parte, voltaria mil vezes para uma simples massa ao cacio e pepe.

Barato não foi, mas quem se importa numa hora dessas? Foram os últimos instantes dessa viagem incrível que agora está na memória e no coração. Estando em Roma, não deixe de reservar um momento Felice!

Felice a Testaccio

Via Mastro Giorgio, 29, Roma, Itália

www.feliceatestaccio.it

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Hoje é dia de burger, bebê!

12784321_10208931497463975_1595463845_nA doceria delicada da chef de cozinha Catherine Tedesco ganha acordes bem mais rock n’ roll no menu renovado do Retrô Classic Pub, em Garibaldi. Se, de dia, sua cozinha se perfuma de geleias e brownies, na noite, a chapa esquenta num repertório megamente salivante para beliscar ou jantar. É bar, é beer, mas o show aqui é de gastronomia.

Neste verão, a casa ampliou seus dias e horários de atendimento e incrementou o cardápio. A seleção de hambúrgueres rouba a cena: curte sabores agridoces? Tem um burguer pra você! Gosta de um diferentão? O mais vendido da casa leva pão de malte de cerveja! Carne está fora de cogitação? Lá tem o melhor burguer vegetariano que já provei. Tá bom, não abre mão do tradicional? Tem burguer pra você também!

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Como uma alquimista, Catherine testou ingredientes, combinações e desenvolveu pães especiais para cada hambúrguer em parceria com um fornecedor. A cozinha prioriza ingredientes frescos e dá um toque de boteco em suas preparações. Uma pitada de whisky aqui, uma redução com cerveja acolá.

A chef contou um segredinho valioso: ela prepara seu próprio molho barbecue, o que á muito trabalho, mas garante um hambúrguer sem gosto de prateleira de supermercado. As maioneses também são caseiras, o que conta muito. Esse traquejo para a pesquisa e criação de novas receitas – sempre evitando insumos industrializados – Catherine trouxe da França, onde fez o estágio de sua graduação em Gastronomia.

Provei três exemplares do novo menu de hambúrgueres do Retrô Classic Pub, com estilo e propostas totalmente diferentes: o campeão de vendas Beer Burger e os lançamentos Green Burger e Patagônia. Vêm acompanhados de fritas tradicionais ou rústicas, a escolha, e custam de R$ 25,00 a R$ 30,00. Ei-los:

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Green Burger, você jamais desconfiaria que está comendo feijão | O limão siciliano se pronuncia nessa versão surpreendente de hambúrguer vegetariano de feijão branco com couve flor. O pão delicado é de fubá e o toque de botequim fica por conta da maionese de cenoura.

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Beer Burger, a magia do pão de malte | Com malte fornecido por uma cervejaria parceria, Catherine criou o pão para essa receita que é sucesso de crítica. Um generoso hambúrguer bovino recheado com gorgonzola serve de caminha para a camada de cebola caramelada e mostarda.

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Patagônia Burger, sabores da América Latina | O cordeiro para esse hambúrguer é fornecido por criador local e, como nas demais receitas, a carne é processada e preparada na cozinha do Retrô. Nessa receita, leva especiarias como canela e noz moscada. No ponto exato de suculência, o hambúrguer deixa molhadinho o pão de brioche com gergelim negro. Com lascas de permesão e rúcula, tem finalização é tipicamente argentina com uma maionese de chimichurri.

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Pra finalizar, uma boa dose daquela que é a marca registrada de Catherine: a sobremesa. Para esse lindo brownie com sorvete, uma cobertura generosa de geleia com as frutas da estação. Também   está no menu do Retrô. <3

Retrô Classic Pub

Rua Irmão José Sion 390, Garibaldi

De quarta a sábado, a partir das 17h30min

Site: acesse aqui!

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Culinária com uma pitada de jornalismo