Clô Restaurante: poesia pura em Flores da Cunha

A linha do horizonte não dá conta dos vinhedos que emolduram o cenário da vinícola Luiz Argenta, em Flores da Cunha. O primeiro impacto é de um deslumbre que a vista não alcança e de um silêncio providencial cortado pelo revoar dos passarinhos.


Despidas, mas não mais dormentes, as videiras preparam seu rebrotar para a próxima safra. E eu, de olhar apertado pelo sol dessa primavera precipitada, tive meu primeiro almoço no Clô Restaurante, que vai povoar minhas lembranças por algum tempo mais, tenho certeza.

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Depois de uns minutos necessários diante da vista, do silêncio cortado pelos passarinhos e do sol imponente, entrei e precisei de mais algum tempo contemplando o lugar, que tem um projeto realmente deslumbrante assinado pela arquiteta Vanja Hertcert, que realmente trouxe uma alma elegante para o restaurante.

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Pois sobre a comida, o menu completo com couvert, salada, entrada, prato principal e sobremesa sai por R$ 95,00. Não dispense de modo algum a tábua de focaccia e pães frescos.

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A entrada, o prato principal e sobremesa são à escolha do cliente e eu fiquei bem contente com os delicados nhoques ao molho rosé. Os tomates aqui tinham uma acidez que deixou o prato bem marcante.

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A partir daí, as escolhas foram emocionais. Memórias dos anos em que vivi no Pará me levaram a escolher o pirarucu com risoto de alcaparras e limão. Um prato bem fresco, mas forte pela presença desse peixe amazônico firme e carnudo. Amei o prato.

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Voltando bem pro interior gaúcho, a sobremesa foi um remember dos pacotes e pacotes de mandolate que comia na casa da minha vó. Aqui, o semifredo de mandolate veio adornado por calda de caramelo e poeira de amendoim. Achei um pouco pesado, talvez influência do peixe que comi antes.

Como arremate dessa refeição, ficou a vontade de voltar. Merece!

Clô Restaurante, o restaurante da vinícola Luiz Argenta

Nota no Google: 4,8 de 5,0
Nota no Foursquare: 8,0 de 10
Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Avenida 25 de Julho nº 700, Flores da Cunha/RS
Aberto de terça a domingo, das 12:00 às 15:00
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Cooking class Amrit: pratos veganos e proteicos

Essa semana, o Culinarismo trocou os salões dos restaurantes pela cozinha da Amrit, porque conhecer e valorizar os alimentos é útil para o dia a dia e para trazer os melhores roteiros ao blog. A Kelly Todescatto, além de nutri, é professora de yoga e estudiosa da medicina Ayurvédica. Suas aulas de culinária são um convite à reflexão sobre o poder dos alimentos na nossa vida. E não apenas sobre a comida, mas sobre a energia que alimenta nosso corpo.

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Levei a Joana comigo para um curso de leguminosas como opção proteica e vegana. É bem importante abrir espaço para as crianças na cozinha, permitindo que elas ajudem de acordo com suas habilidades e participem dessa alquimia que é transformar ingredientes em receitas. Aos seis anos, pelo menos lá em casa, a Joana já pode se envolver em todas as etapas que não envolvam facas.

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Na aula da Amrit, a pequena ajudante de Culinarismo colocou o dedinho em todas as receitas, incluindo essa delícia de sopa que teve a receita especialmente cedida pela Kelly para o Culinarismo. É ultrassimples e fica uma delícia.

Creme Vermelho de ervilha partida 

  • 1 xíc de ervilha partida
  • 1 beterraba média
  • 1 tomate
  • 1 cebola
  • ½ colher de chá de gengibre em pó
  • 1 folha de louro
  • Sal e pimenta a gosto

 

Modo de preparo:

Cortar em pedaços as hortaliças, em uma panela cozinhar todos os ingredientes por cerca de 30 minutos, retirar a folha de louro no final. Processar ou liquidificar.

 

Dica da nutri: o empratamento pode ser finalizado com algum óleo prensado a frio, para melhorar a biodisponibilidade de nutrientes solúveis em gorduras. 

 

A aula de leguminosas também teve outras delícias:

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Grão de bico à baiana

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Falafel

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Refogado de cogumelos

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E biscoitos de amendoim…. tudo sem glúten, sem lactose, sem ingredientes de origem animal.

A Amrit tem uma programação bem variada de oficinas e também o serviço de personal cooking para quem planeja uma reeducação alimentar completa: introdução de novos hábitos, planejamento familiar, bases culinárias e substituições.

Segue a Amrit no Facebook pra acompanhar a programação. Clique aqui!

O menu Del Pomodoro adaptado a intolerantes e vegetarianos/veganos

A cozinha da nona italiana, que os restaurantes da Serra Gaúcha tão bem reproduzem, é aconchegante e farta, mas inacessível a uma parcela considerável de pessoas que convivem com a intolerância à lactose ou glúten, sem contar quem não come carne ou é totalmente vegano. O Restaurante Del Pomodoro pensou nisso e adaptou sua sequência tipicamente italiana para servir o máximo de opções possíveis aos clientes com restrições alimentares.

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A ideia é muito boa porque, em geral, essas pessoas acabavam sem chance de provar a maior parte dos pratos de uma sequência e a experiência delas acabava não sendo completa. Agora vejam comigo tudo o que o Del Pomodoro fez pra servir melhor clientes com diferentes necessidades. O restaurante fica junto à Casa do Tomate, nos Caminhos de Pedra, e o fio condutor do cardápio, como o nome entrega, é o bom e velho tomate – esse, sim, vai em praticamente tudo.

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Na abertura dos trabalhos, pra acompanhar a caponata, a pasta de tomate seco e o molho de bruschetta, a casa serve um pãozinho sem glúten nem lactose fornecido pela Domus, de Bento Gonçalves.

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A caprese clássica da casa aqui vem sem a muçarela de búfala.

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Depois começa aquela festa gastronômica e a mesa vai ficando cada vez mais cheia de pratos. A fortaia, aqui, é um omelete suculento – sem queijo e sem salame – pra atender vegetarianos e intolerantes a lactose. Veganos podem se fartar na polenta com molho de tomates.

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O arroz bem temperadinho é servido sem bacon, somente tomates e o açafrão que deixa seu perfume no ar. Pimenta a gosto.

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Essa, pra mim, é a especialidade da casa e o Del Pomodoro também acha que todo mundo deve provar. Originalmente, o tomate seria recheado com bacon, molho branco e espinafre, mas a casa fez diferentes adaptações pra poder servi-lo a todos os clientes.

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A massa sem glúten nem lactose, também da Domus, vem ao molho de tomates, sem queijo e sem carne. IMG_7267Minha melhor amiga é intolerante a glúten e lactose. Pensei nela em cada minuto desse almoço….primeiro, pela saudade, porque moramos longe uma da outra. Depois, porque fiquei imaginando ela farta e contente por ter podido comer tanta coisa. <3

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A sobremesa pode ser figos da casa em calda, mas eu não pude resistir ao arroz doce que vagenos e intolerantes à lactose não comeriam. É porque foi a sobremesa da minha infância <3

E assim foi. O preço do almoço adaptado é o mesmo para clientes habituais: R$ 45,00 a refeição completa (sem bebidas).

 

Ristorante Del Pomodoro

Nota no Google: 4,4 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,5 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Caminhos de Pedra, distrito de São Pedro, Bento Gonçalves

Aberto diariamente, das 11h30min às 17h

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Ler sobre Paris faz parte da viagem <3

#comerecorreremParis

Em um mês, o Culinarismo embarca para uma aventura em Paris que vai se dividir entre restaurantes, festividades e quilômetros percorridos. Será uma dupla jornada. Vou especialmente para Festa da Gastronomia da França, que se realiza desde 2011 e nessa edição vai ter centenas de programações direcionadas ao tema “no coração do produto”. Ao mesmo tempo, vou correr minha primeira prova internacional: La Grande Classique Paris, da torre Eiffel até o palácio de Versailles.

A Cidade Luz é uma fonte de inspiração de onde bebem a gastronomia, o turismo, os artistas, os românticos e os entusiastas da história. Ler sobre Paris faz parte da magia da viagem, antes, durante e depois. Os livros me transportam pra lá num segundo, e num segundo me sinto a garçonete do Michaud, acomodando o galante Hemingway à mesa para seu almoço com Fitzgerald.

Separei alguns dos livros mais apaixonantes que já li sobre Paris e um título que ainda não li, mas que foi super-recomendado e vai na mala como companhia. Todos eles estão te esperando nas prateleiras da livraria Dom Quixote, em Bento Gonçalves, que está com um bazar bem legal até o dia 20 de agosto: tudo com 15% off e uma seleção enorme de livros por 15 pilas!

 

# Paris é uma festa, Ernest Hemingway

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Quando o nome do autor aparece na capa com mais destaque que o título do livro, estamos diante de alguém certamente notável. Hemingway é um autor obrigatório para os estudantes de jornalismo: são clássicos do romance-reportagem. Mas esse livro autobiográfico é diferente. Traz a intimidade suja do autor, as loucas festas da geração perdida em Paris, suas apostas nos cavalos e a infidelidade dele à esposa. Tudo isso emoldurado pela Paris dos anos 1920, numa narrativa que é, no mínimo, hipnotizante. No meio do livro, odiei Hemingway. Depois, o amei ainda mais.

 

# E foram todos para Paris, Sérgio Augusto

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Depois de ficar enlouquecido pelo detalhamento de Hemingway sobre seus anos em Paris, você possivelmente vai desejar percorrer os mesmos caminhos da geração perdida na Cidade Luz. Então esse livro do brasileiro Sérgio Augusto passa a ser uma leitura indispensável. Aqui, o autor lista os endereços frequentados por Hemingway, Fitzgerald, Picasso e outros: suas casas, os cafés e restaurantes prediletos, os bordéis. Tudo com fotos e mapas roteirizados pra quem realmente quer percorrer os passos desses grandes nomes da literatura e das artes no século 20.

 

# Paris para um e outros contos, Jojo Moyes

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Um graça de livro, pra devorar numa tarde de sábado, sem culpa e com a mente leve. Aqui, a autora do Best seller Como eu era antes de você traz uma coletânea de textos fluidos sobre amores passageiros, viagens e casamentos fracassados – mas calma, tudo com grande dose de leveza. O melhor deles, pra mim, realmente é o conto que dá título ao livro. Uma história divertida sobre uma moça insegura que decide aproveitar Paris sozinha depois de um bolo imperdoável do namorado pilantra que nunca chegou para encontrá-la no hotel.

 

# A livraria mágica de Paris, Nina George

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É um livro sobre aventuras e sobre como os livros têm o poder de nos curar. Uma narrativa delicada sobre um livreiro de Paris que tem um barco-livraria e que se amargura pela perda de sua amada. Acontecimentos mágicos o levam a desancorar das margens do Sena e partir com seu barco para uma aventura pelo interior da França. É um livro pra todo mundo que, assim como eu, acredita no poder que as histórias têm de mudar nossas vidas.

 

# Uma mulher livre, Danielle Steel

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Bem, desse eu não muito a falar, ainda não o li. Mas foi altamente recomendado e vai comigo na bagagem pra fazer companhia em Paris. O que eu sei sobre o livro é exatamente o que me atraiu a ele: embora seja ficcional, é uma história repleta de detalhes históricos e que se passa no contexto da Primeira Guerra Mundial. É a jornada de uma rica moça nova-iorquina que perde parte da família na tragédia do Titanic e, por força dessa e outra tragédia em sua vida, vai parar na Europa, onde ajuda os feridos do front.

São Paulo: deslumbrada pelo despojado Tavares

Quando eu dou aquela suspirada e meus olhos brilham logo na porta de um restaurante, não tem explicação. Existem lugares de comida impecável, outros que me contagiam pela alegria dos anfitriões e aqueles que apaixonam pela filosofia que carregam – mas, assim, de impacto na chegada, não é sempre. Então cheguei ao Tavares cansada de um dia de trabalho e de cara o que se apresenta na entrada é o bar despojado e o barman atrás do balcão com uma coqueteleira dançando entre as mãos.

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O Tavares funciona num casarão dos anos 1950, todo reformado, mas sem perder a aura residencial. O ambiente é reflete isso, com toda aquela coleção de objetos cuidadosamente escolhidos pra compor a decoração, mas que parecem as lembranças de uma vida toda.

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Num jardim de inverno, logo à esquerda de quem chega, uma pequena sequência de mesinhas para dois emolduradas pelo grande letreiro que celebra o amor.

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Mais adiante, o salão principal do Tavares se abre no grande quintal onde tudo acontece – ao ar livre, vista para as estrelas, mas com uma cobertura retrátil para dias não tão amenos. Dali se pode ver a cozinha e o chef trabalhando, o forno de barro para dias de pizza, um piano esperando pelo musicista e uma imponente estante de recheada de livros.

O menu é descomplicado, aconchegante e representa bem o que podemos chamar de comida brasileira. As opções são poucas, o que particularmente me agrada porque sempre reforça a impressão de comida fresca. A casa tem sempre um prato do dia para o almoço com preço girando entre R$ 30,00.

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Nesse dia estive para jantar e acabei provando um pouco de tudo. De suspirar os bolinhos de arroz, servidos com pimenta da forte. Memórias da infância voltaram nesse exato instante.

É tão bom que deixo pra vocês a receita exclusiva do bolinho do Tavares, que, de fato, é diferente daquele que minha mãe fazia pra não jogar arroz fora.

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Esse prato. Tão deliciosamente despretensioso. Peixe amarelo, legumes e salada – o palmito delicioso, os aspargos no seu melhor ponto.

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E a sobremesa amiguinhos: cama de goiabada, sorvete de tapioca, queijo canastra. Era tipo um cheesecake desconstruído, só que melhor.

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Ah, teve o gim tônica pra fechar o espetáculo com cortinas de veludo. Essa versão famosa do Tavares é aromatizada com gengibre, mel e tangerina (que, definitivamente, não era bergamota, então vou chamar como eles apresentaram). Essas bolinhas de zimbro, que são a plantinha de onde sai o maravilhoso gim, era só de enfeite. O garçom me avisou imediatamente depois de eu comer duas delas.

Com isso, encerro esse post. Visite o Tavares. Não coma as bolinhas de Zimbro (risos e mais risos)!

 

Tavares

Nota no Google: 4,4 de 5,0

Nota no Foursquare: 9,1 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Rua da Consolação, 3212, Jardim Paulista, São Paulo

Aberto diariamente: de segunda a sexta, das 11:30 a 0:00; sábados, das 10:00 a 1:00; domingos, das 10:00 às 17:00

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São Paulo: o melhor do Mercadão e uma armadilha pra fugir

No meio do caos, na Cantareira, na gente apressada e motos buzinantes é que se conhece a São Paulo real. Saltei do Uber e o sol brilhava alto quando pus os olhos no Mercadão. Lá se vão 84 anos desse ícone do cotidiano paulista que, em fato, é passagem obrigatória pra qualquer turista. Entrei pelo imponente acesso principal e, mal a rua estava nas minhas costas, me veio a primeira oferta tentadora do primeiro vendedor de frutas. Recusei – em inglês, pra ver se me deixavam em paz, mas eles estão treinados nisso também (risos).

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Há que se encantar com a riqueza arquitetônica do prédio, suas abóbadas e colunas. O mercadão foi inaugurado em 1933 e tinha a intenção de consolidar a imagem de São Paulo como Metrópole do Café. Os vitrais são uma atração extra. Aprecie as cenas retratadas e o efeito do sol sobre eles. É lindo.

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Meu irmão, a quem fui encontrar, me esperava lá adiante, no outro extremo do Mercadão. Até finalmente apertar o guri de saudades, flanei por entre as frutas, as carnes e os peixes, numa sobreposição de aromas que terminou num salivante cheirinho de pastel frito na hora para o cliente. A confusão babilônica que acontece ali é realmente empolgante. Meio segundo de distração e me vi novamente enredada num vendedor de frutas. Ninguém está imune.

Não caia na armadilha dos vendedores. Eles são agentes altamente treinados em te seduzir pelo paladar…eles vão te presentear com sabores maravilhosos, mas você nunca saberá o preço de nada. Em 15 minutos, eles podem facilmente te convencer a comprar 400 reais em frutas. Acredite em mim: já passei exatamente por isso e contei tudo nesse post!

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O que comer é uma decisão difícil no Mercadão, mas pra fugir do burburinho, depois de explorar um pouco as bancas do piso térreo, eu prefiro sentar com calma no mezanino, onde há grandes ícones da gastronomia paulista, como o Hocca Bar, “O Famoso”. Pegar fila é quase certo, mas se você tiver um pouquinho de paciência, não aceite a oferta dos outros restaurantes que te abordarem.

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Estando acomodado, você não pode escapar de dois clássicos da casa: o bolinho de bacalhau, que dessa vez troquei por um pastel.

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…e o inigualável, incomparável, excepcional sanduíche de mortadela. É obrigatório, até pra alguém como eu, que não gosta de mortadela.

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Se for impossível pra você, peça um hambúrguer que também não tem erro. Ele era realmente uma delícia e, sim, eu comi, embora fosse do meu irmão. Carne molhadinha, sal no ponto, queijo de qualidade. Não provei as fritas porque fritas eu como em casa (risos).

Um garçom espertalhão vai tentar te empurrar cada vez mais chopp. Antes do seu copo estar vazio, ele vai trazer outro e colocar na sua frente. Se encostou na mesa, tem que pagar. Cuidado com essa armadilha! E mais uma coisa: não peça sobremesa no Hocca. Você tem todo o Mercadão pra explorar.

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Volte pro térreo e aproveite os morangos…mas cuidado com os vendedores de frutas….olha o flagrante ali. Tem dois deles cooptando pessoas inocentes (risos) !!!!

 

Mercado Municipal Paulistano (Mercadão)
Rua Cantareira, 306, Centro, São Paulo.
Aberto de segunda a sábado, das 6h às 18h. Domingos e feriados, das 6h às 16h
Face do Hocca: clique aqui!

Bento Gonçalves: um guia completo de sushis

Pela segunda vez, promovi aqui em casa uma divertida degustação comparativa às cegas. Depois do ranking dos xis de Bento Gonçalves, agora avaliamos os principais restaurantes de sushi. Em cada um deles, pedimos os quatro clássicos dessa culinária, garantindo uma avaliação bem linear, porque provamos os mesmos tipos de sushis em cinco lugares. Provamos também uma especialidade de cada, deixando livre para casa restaurante enviar uma sugestão entre suas peças mais pedidas.

Sobre as regras ::::: Essa foi uma degustação às cegas. Os convidados só souberam a procedência de cada sushi no final da noite. Numa planilha, seis pessoas deram notas de 5 a 10 para a apresentação e + as cinco peças pedidas em cada lugar: sashimi, niguiri, hossomaki, uramaki e a especialidade da casa. A degustação foi sequencial. Ou seja, provamos todos os sashimis e pontuamos, para só então seguir para os niguiris, e assim sucessivamente.

Pra esse evento degustativo, o Culinarismo buscou referências da melhor qualidade com o dono do Umai-Yoo, que não entra nesse ranking porque fica em Caxias e cuja qualidade da gastronomia oriental ninguém discute. Foram dicas valiosas que nos ajudaram a melhor degustar. Além do padrão e espessura dos cortes, que faz muita diferença na apresentação e sabor do sushi, tivemos um cuidado na avaliação do arroz, atentando para o sabor (não pode ser muito doce), a textura (tem que ser levemente “passado” mesmo) e a acidez (tem que estar presente, mas bem levemente).

Inclusive, descobrimos que o sushi pode ser feito com arroz de grãos curtos ou longos. Isso é parte da assinatura de cada restaurante. Também apontamos os restaurantes que enviaram gengibre, wasabi e shoyu. Enfim, seguimos esses critérios e outras dicas específicas que divido com vocês:

 

# O sashimi: deve seguir um padrão, principalmente de espessura.

 

# O niguiri: arroz com uma fatia de salmão por cima. O ponto do arroz e o aperto no preparo é o que evitam que a peça quebre ao pegar. O ideal de tamanho é o tamanho da boca. Uma peça muito grande se torna difícil de comer.

 

# O hossomaki (arroz por dentro, alga por fora):  é difícil manter a crocância da alga, principalmente em serviços de delivery, em que o cliente vai comer as peças bem depois do preparo. Mas a alga não pode estar muito mole ou muito úmida.

 

# O uramaki (alga por dentro, arroz por fora): o Filadélfia é o tipo mais comum, mas é nesse tipo de sushi que os restaurantes acrescentam outros peixes e ingredientes por cima, como abacate, molho de pimenta, geleias, etc, criando sabores além do convencional.

 

# Especialidade da casa: aqui a coisa variou bastante – inclusive um dos restaurantes mandou um temaki como especialidade. Avaliamos a criatividade, a execução e a apresentação.

 

Isso não é um ranking, ninguém aqui se coloca como avaliador profissional de sushis (risos), mas precisamos concordar que nenhum restaurante é o salão do Master Chef, onde os candidatos são avaliados por experts do ramo. Restaurantes fazem comida para clientes – consumidores padrão como nós. Dito isso, espero que você se divirta na leitura como nós nos divertimos na missão!

ATENÇÃO: locais por ORDEM ALFABÉTICA. As placas se referem apenas à ordem de degustação!

# Armazém do Peixe 

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Pontuação média: 9,1 

Especialidade enviada: foram enviadas várias especialidades, então cada degustador provou uma delas. 

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Comentários da degustação:

Um dos degustadores apontou essa como a apresentação mais elegante e delicada, com uma boa aparência das peças. Foi o único que veio com saladinha de pepino, gengibre e wasabi. As peças tinham bom tamanho, o hossomaki veio com creamcheese, mas o niguiri poderia ter mais sabor. 

 

# Bento Sushi Delivery

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Pontuação média: 8,4

 Especialidade enviada: temaki Filadélfia DSC_3963

Comentários da degustação: o sashimi desse lugar foi considerado o melhor e o único com todas as peças seguindo perfeitamente um padrão de corte. Elogiou-se a espessura e o adicional de gergelim. Entretanto, tivemos um problema de arroz cru aqui, o que, de fato, foi apontado por todos os seis degustadores.

 

# Katsu

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Pontuação média: 8,4 

Especialidade enviada: uramaki maçaricado de salmão com geleia de pimenta DSC_3964

Comentários da degustação: A consistência do arroz foi considerada ótima, nesse lugar tivemos um excelente niguiri. A apresentação ficou comprometida pela especialidade, que, embora tivesse um bom sabor apimentado, não estava crua nem completamente maçaricado, deixando a peça com aspecto ruim. Foi um dos poucos que enviou shoyu.

 

# Sushi Mania

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Pontuação média: 8,0 

Especialidade enviada: uramakis com lula defumada e camarão 

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Comentários da degustação: Os degustadores acharam os niguiris, hossomakis e uramakis um pouco grandes. O salmão tinha ótima aparência, o que elevou a pontuação. Uma pessoa elogiou o arroz com gergelim. Além do Katsu, foi o único que enviou shoyu.

 

# Yoko Oriental Lounge

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Pontuação média: 8,5 

Especialidade enviada: diferentes uramakis com salmão flambado, cream cheese e crispy de alho 

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Comentários da degustação: os niguiris estavam bastante grandes, dificultando comê-los por inteiro. Os hossomakis, ao contrário, estavam bastante pequenos. A pontuação que pesou foi o sabor. O tal do crispy fez muito sucesso!