São Paulo: o melhor do Mercadão e uma armadilha pra fugir

No meio do caos, na Cantareira, na gente apressada e motos buzinantes é que se conhece a São Paulo real. Saltei do Uber e o sol brilhava alto quando pus os olhos no Mercadão. Lá se vão 84 anos desse ícone do cotidiano paulista que, em fato, é passagem obrigatória pra qualquer turista. Entrei pelo imponente acesso principal e, mal a rua estava nas minhas costas, me veio a primeira oferta tentadora do primeiro vendedor de frutas. Recusei – em inglês, pra ver se me deixavam em paz, mas eles estão treinados nisso também (risos).

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Há que se encantar com a riqueza arquitetônica do prédio, suas abóbadas e colunas. O mercadão foi inaugurado em 1933 e tinha a intenção de consolidar a imagem de São Paulo como Metrópole do Café. Os vitrais são uma atração extra. Aprecie as cenas retratadas e o efeito do sol sobre eles. É lindo.

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Meu irmão, a quem fui encontrar, me esperava lá adiante, no outro extremo do Mercadão. Até finalmente apertar o guri de saudades, flanei por entre as frutas, as carnes e os peixes, numa sobreposição de aromas que terminou num salivante cheirinho de pastel frito na hora para o cliente. A confusão babilônica que acontece ali é realmente empolgante. Meio segundo de distração e me vi novamente enredada num vendedor de frutas. Ninguém está imune.

Não caia na armadilha dos vendedores. Eles são agentes altamente treinados em te seduzir pelo paladar…eles vão te presentear com sabores maravilhosos, mas você nunca saberá o preço de nada. Em 15 minutos, eles podem facilmente te convencer a comprar 400 reais em frutas. Acredite em mim: já passei exatamente por isso e contei tudo nesse post!

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O que comer é uma decisão difícil no Mercadão, mas pra fugir do burburinho, depois de explorar um pouco as bancas do piso térreo, eu prefiro sentar com calma no mezanino, onde há grandes ícones da gastronomia paulista, como o Hocca Bar, “O Famoso”. Pegar fila é quase certo, mas se você tiver um pouquinho de paciência, não aceite a oferta dos outros restaurantes que te abordarem.

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Estando acomodado, você não pode escapar de dois clássicos da casa: o bolinho de bacalhau, que dessa vez troquei por um pastel.

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…e o inigualável, incomparável, excepcional sanduíche de mortadela. É obrigatório, até pra alguém como eu, que não gosta de mortadela.

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Se for impossível pra você, peça um hambúrguer que também não tem erro. Ele era realmente uma delícia e, sim, eu comi, embora fosse do meu irmão. Carne molhadinha, sal no ponto, queijo de qualidade. Não provei as fritas porque fritas eu como em casa (risos).

Um garçom espertalhão vai tentar te empurrar cada vez mais chopp. Antes do seu copo estar vazio, ele vai trazer outro e colocar na sua frente. Se encostou na mesa, tem que pagar. Cuidado com essa armadilha! E mais uma coisa: não peça sobremesa no Hocca. Você tem todo o Mercadão pra explorar.

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Volte pro térreo e aproveite os morangos…mas cuidado com os vendedores de frutas….olha o flagrante ali. Tem dois deles cooptando pessoas inocentes (risos) !!!!

 

Mercado Municipal Paulistano (Mercadão)
Rua Cantareira, 306, Centro, São Paulo.
Aberto de segunda a sábado, das 6h às 18h. Domingos e feriados, das 6h às 16h
Face do Hocca: clique aqui!