Rodízio de delícias nos jantares do Café com Arte

Essa semana o Café com Arte me convidou pra conhecer os queridos expositores da Autoral Feira Criativa, que vai ter uma edição por lá no dia 02 de dezembro, com lindas peças cheias de história pra gente resolver a questão de presentes natalinos. Além dessa troca de cartões com os artesãos, que foi muito especial, tivemos um farto e colorido almoço pra conhecer a nova proposta de jantar do Café com Arte.

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Para gregos e troianos se refestelarem, porque todo mundo tem seus dias de apetite insano, o Café com Arte criou um rodízio completo, mas, ao mesmo tempo, autoral e delicado. A coisa toda começa nesse Black Friday e, a partir da semana que vem, você pode desfrutar de um jantar completo e ilimitado por R$ 65 de terça a sexta.

Por que você precisa conhecer: massas feitas na casa, ingredientes com procedência e qualidade e respeito às receitas.

A salada de culatello com parmesão e tomate seco abre a sequência.

Fetuccini de manjericão ao molho de tomate

O risoto caprese foi a minha etapa preferida: com muçarela de búfala mesmo

Um franguinho grelhado pra quem é das carnes

Essa receita de ravióli é superbem executada e tudo feito à mão, delicadamente. Dentro dele, cebolas caramelizadas. Servido com manteiga e sálvia.

Um filezinho pra quem curte, que fica muito bom com a calda de frutas vermelhas ao vinho.

Ainda um risoto de bacon com alho poro

E fechando, um último espaguete com culatelo.

A sobremesa é coisa que eu adoro demais: simples e infalível banana flambada com sorvete de creme.

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Essa é toda a sequência do que há pra comer no rodízio. Adicione-se a música, a arte em todos os cantos e o cafezinho do final. Mais uma experiência bem bolada do Café com Arte Bistrô <3

 

Café com Arte Bistrô

Nota no Google: 4,7 de 5,0

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Rua Marques de Souza nº 354, Bento Gonçalves

Aberto de terça a sábado, no almoço e no jantar

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Rolha livre nas quartas e quintas do Valle Rustico

O menu confiança do Valle Rustico, must have da gastronomia conceitual na Serra Gaúcha, há muito já ultrapassou as barreiras do que se espera para um jantar, alcançando nuance de uma quase aula sobre resgate e aproveitamento de ingredientes não-usuais e combinações extraordinárias. Nessa temporada, o Valle Rustico facilita a vida do cliente liberando a rolha nas noites de quarta e quinta. Menu de nove etapas por R$ 130,00 e você pode levar de casa o vinho ou espumante sem custo de serviço.

Como ativista do movimento Slow Food, o chef Rodrigo Bellora reforça na mesa o que vem defendendo em suas palestras e cook shows Brasil afora: a valorização do produto e do produtor local.

Em nove passos, o menu confiança apresentado pelo Valle Rustico surpreende não pela finesse das matérias-primas. Ao contrário: será servido urtigão, mas num conceito e empratamento que poderia facilmente ser emoldurado e pendurado na parede como adorno. A apresentação de cada prato é cuidadosa e a escolha do que nele vai, mais ainda. Os pratos já não são da estação, mas refletem a oferta da horta na semana. Por isso, já há alguns anos, o restaurante não tem menu. Você paga pela surpresa.

O menu confiança que testei é esse abaixo, mas é como dito antes: muda todo dia , de acordo com a oferta da horta e dos fornecedores.

O que sempre tem é essa primeira tábua de pães frescos: pão branco, pão de fermentação natural, pão de queijo e broa de milho – aqui, servidos com pesto.

A segunda entrada é uma cama de crocante de aipim com maionese picante. Sobre ela, carne de coelho. O quadradinho é um tijolinho de porco griss com mostarda de crem e urtigão, Plantas Alimentícias Não-Convencionais (Pancs) são especialidade do Valle Rustico e aparecem mais de uma vez nesse menu confiança.

Aí, começam os pratos. Eis o espaguete de chuchu aos cogumelos. Fora os pães da entrada, o menu confiança do chef Rodrigo Bellora é sempre mais baseado em carnes e vegetais. Essa adaptação com o chuchu é a melhor imitação de pasta da vida.

Quando chegou o magret de pato, torci o nariz. Já me decepcionei algumas vezes com carnes muito duras…mas essa tinha maciez e sabor. São patos criados soltos. Produção local. Aqui, é servido com azedinha e calda de butiá que dá uma acidez bem proeminente.

A carne seguinte é um peixe Meca com caldo de peixada, servido com uma farofinha de camarão e o raminho de funcho por cima, que dá outro significado ao prato.

Variedades diferentes de milho dão origem a essa polenta, servida com cogumelos e o ovo perfeito.

Ainda vem um matambre, outra surpresa da cozinha do Valle Rustico. Macio, poderia ser comido de colher. Nessa receita bem campeira, vem recheado com farofa de pinhão e servido sobre cama de purê de batata cará, farofa e torresminho. Sobre a carne, um enfeite de salsão e mais uma Panc: Major Gomes, uma ervinha suculenta e que já foi muito desprezada por ser considerada daninha.

Depois disso, chega. É hora de adoçar a vida. O penúltimo passo do menu confiança é uma tábua de doces pra compartilhar: bananinha, pien de doce de leite, tortinha e um creme de erva mate que poderá não agradar totalmente os paladares convencionais.

O último passo do menu confiança não é de comer, mas de passar. São pétalas perfumadas pra fazer um carinho nas mãos enquanto você pede uma dose do limoncello da casa – aconselho com veemência!

Pro meu jantar de rolha livre, levei um Chardonnay ótimo da Bertolini, que o Valle Rustico também oferece na carta.  <3

 

Valle Rustico

Nota no Google: 4,6 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,9 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Via Marcílio Dias, Garibaldi (Vale dos Vinhedos)

Aberto de quarta a sábado para o jantar; aos domingos para almoço

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Nova Petrópolis: o fogo é rei na Osteria di Valli

A brasa viva dançava de um lado ao outro sob a grelha, espalhada e acomodada e pelo suis chef pra tomar conta da parrilla inteira. A cozinha de fogo é tudo o que existe de mais ancestral na gastronomia: você precisa de bons ingredientes e, sobretudo, de tempo.

Eu, que gosto de observar a cozinha e as traquitanas do cozinheiro, fiquei realizada com as mesas ao ar livre da Osteria Di Valli, em Nova Petrópolis, com vista direta para o preparo dos pratos assinatura do chef Enio Valli.

No centro de Nova Petrópolis, a casa tem um menu de massas e carnes e mesas silenciosas num salão sóbrio – quem sabe para um almoço de negócios ou um dia de chuva – mas a grande atração é mesmo comer na varanda, observando os movimentos do cozinheiro e a montagem dos pratos. E, estando acomodada com vista para o braseiro, não existe melhor opção do que se permitir o menu degustação – disponível em duas versões: filé ou cordeiro.

Ponto de partida: espetacular salada de abobrinhas finíssimas com pimentões assados na brasa, pesto, copa defumada, nozes tostadas e raspas de limão. Uma combinação harmoniosa.

A empanada assada na brasa da parrilla vem coroada por uma salsa criolla ótima…

…e abre caminho para o ravióli colorido na manteiga e sálvia, que eu pontuo como bem suculento.

Eis que chega a estrela da osteria: sobre a cama de batatas ao murro, o cordeiro preparado na lentidão do braseiro, o limão braseado e a geleia de uva. Aroma intenso e sabor ancestral, como a comida feita no fogo deve ser.

Depois de um prato tão marcante, é bom encerrar com a doçura delicada do tiramisù – molhadinho, como se pode ver na foto.

 

Osteria Di Valli

Rua Quinze de Novembro, 1860, Nova Petrópolis (RS)

Aberto de quarta a domingo: nas quartas para o almoço; de quinta a sábado para almoço e jantar e no domingo para o almoço

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Monte Belo do Sul: Casa Olga te espera com ares de nostalgia

Eu gosto mais de feijoada que de pizza. E vejam bem: eu gosto muito de pizza, mas em se tratando de feijoada é uma paixão das antigas, daquelas com cheiro e gosto da infância. Eu gosto mais de couve que de batata frita. Não adianta. São meus oito anos batendo à porta e quando eu era criança comi muita muita couve.

Então que almoçar na casa da vó Olga é tipo almoçar na minha própria casa, num domingo de manhã, vinte e tantos anos atrás. Nessa casa em Monte Belo do Sul, bem ao pé da praça e com vista pras torres símbolos da cidade, as irmãs Marta e Morgana prestam uma justa homenagem à vó delas, abrindo as portas para quem queira um almoço de fogão a lenha, sem mistério e com ternura A feijoadinha já é clássica, mas os sábados em que a Casa da Vó Olga funciona também se intercalam com massas frescas e outras coisas.

Uma voltinha na casa é mais que necessária. Tudo preservado numa memorabilia que levam o pensamento direto pra nossas avós. A cristaleira, as imagens santas, despertadores à beira da cama – um de cada lado. Esperando pela nona que agora mora na saudade, a máquina de costura e o forrador de botões dividem espaço com a cafeteira que faz um mimo aos convidados.

Mas isso é papo pra depois do almoço. Antes disso, na chegada, a recepção vem numa dose generosa do bom e velho limãozinho. Cumbucas de torresmo acompanham pra firmar que em almoço de fim de semana a pressa não é bem-vinda. Caminhei pela casa, percorrendo o corredor e os cômodos, agora, já não lembrava mais da minha própria casa de criança, mas das coisas que se passavam na casa da minha vó materna. Como a sala e a lareira pareciam tão grandes quando, na verdade, eu que era tão pequena.

Lembro bem de um fogão a lenha como esse na cozinha da minha vó, que, ao contrário dessa, ficava no fundo da casa. Fosse dia ou fosse noite, tinha sempre uma chaleira esquentando água e um pequeno bule de chá ao lado. Das minhas férias, na Campanha Gaúcha, é vivo na memória o chimarrão que se tomava na soleira da porta a cada entardecer. Os adultos papeando e as crianças – como eu – inventando traquinagem.

Voltei dessa viagem astral quando a anfitriã liberou os trabalhos no fogão a lenha. Hoje era dia de feijoadinha, a última do ano, mas a Casa Olga abre aos sábados com cardápio itinerante que tem também massas, carnes e o que mais vier da inspiração. A feijoadinha estava lendária e, depois desse prato montado esteticamente para a foto, ainda me servi outras duas vezes (risos!).

Depois o mousse de limão nos copinhos originais da vó. Muito amor.

A Casa Olga me trouxe um sentimento de boas lembranças que às vezes passa anos sem reviver na memória. Um almoço, um passeio na máquina do tempo. Voltarei mais vezes porque aquela menina Carol é uma companhia sempre boa de ter por perto.

Quero sempre voltar!

 

Casa Olga

Rua João Salvador, 305, Monte Belo do Sul

Aberto para almoço aos sábados ou sob reserva

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Capone Drinkeria: o prazer de um mundo clandestino em POA

Prazeres secretos moram ao lado das pequenas subversões e, embora não haja nada de proibido nos bares secretos de hoje em dia, a energia Speakeasy é uma ímã. O que acontece no lugar irrevelado, a permissão de apenas ser, a música passeando pelas entranhas, a sedução do imaginário. Al Capone dá o tom e o nome a esse lugar sem fachada, por onde detrás da pequena porta soturna existe um universo paralelo de drinks abençoados. Um lugar de imersão.

Pra chegar no Capone Drinkeria, não há placas nem letreiros. Sem luminosos ou burburinho de gente na porta. É mais um daqueles lugares que você encontra pelo número da casa e, pra mim, é quase incontrolável o desejo de encontrar o que se esconde atrás desse breu. Desci do Uber e não havia marquise contra a chuva. Foi um pulo até a porta e, num piscar, o lado chuvoso estava às minhas costas. Eu dentro, o resto fora.

 

Sentei no balcão que é o lugar dos notívagos. E ali tive uma noite embalada pelo balé das coqueteleiras e o tilintar do gelo nas taças. Distintos perfumes se elevavam no ar a cada macerar de ervas e picotar de frutas. Hipnotiza o balé coreografado dos bartenders. Por que pensar no mundo lá fora?

 

Não se espante com a longa sequência de drinks que provei. Minha passagem pelo Capone foi sem pressa e sem carro. Só o balcão, o balé dos bartenders e aquelas conversas de olhar, de drama e risada que a gente só tem com a melhor amiga.

Scarface, como Al Capone era conhecido, é um clássico da casa que leva conhaque, limão, soda e calda de gengibre. R$ 20,00

Pergunte como a casa pode te surpreender com algo que não esteja na carta e receba esse drink ainda sem nome, mas belamente preparado com gin, bergamota e manjericão.

Depois disso, sim, era justo comer uma coisinha e o menu do Capone tem muitas e várias delicinhas de bar com preço excelente. Essas batatinhas fizeram uma cama maestral para a segunda rodadas de drinks.

Segue o baile com um Mob bubbles e o cheirinho irresistível de uvas brancas, brut, limão e vodka; e mais um French 75: gin, mais espumante, limão e uma cereja pra lembrar que o mundo é sempre cor-de-rosa dentro da taça!

O que acontece depois disso é a clara precisão de um doce. E essa taça cuja foto já não se faz satisfatória tem deixado uma lembrança saudosa. É o Oreos Cheesecake: fundo de brownie, uns biscoitos picados, chantilly e castanhas. Quero mais!

Só pra arrematar, um gin tônica com pepino e os trabalhos do Capone se encerram.

 

A casa tem suas regras e a primeira delas é que bons drinks demandam tempo e carinho e bons clientes devem ser pacientes em relação a isso. A vizinhança deve ser preservada do barulho de quem chega, de quem vai e de quem precisa fumar. Você deve estar aberto a novas experiências porque muitos drinks da casa são autorais e não convencionais. E a melhor delas: celulares não são proibidos, mas não exatamente bem-vindos.

 

Capone Drinkeria

Nota no Google: 4,7 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,6 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Rua Castro Alves, 449, Porto Alegre

Aberto todos de segunda a sábado: das 19:00 às 23:00 até quarta e até a meia noite nas quintas, sextas e sábados

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