Monte Belo do Sul: Casa Olga te espera com ares de nostalgia

Eu gosto mais de feijoada que de pizza. E vejam bem: eu gosto muito de pizza, mas em se tratando de feijoada é uma paixão das antigas, daquelas com cheiro e gosto da infância. Eu gosto mais de couve que de batata frita. Não adianta. São meus oito anos batendo à porta e quando eu era criança comi muita muita couve.

Então que almoçar na casa da vó Olga é tipo almoçar na minha própria casa, num domingo de manhã, vinte e tantos anos atrás. Nessa casa em Monte Belo do Sul, bem ao pé da praça e com vista pras torres símbolos da cidade, as irmãs Marta e Morgana prestam uma justa homenagem à vó delas, abrindo as portas para quem queira um almoço de fogão a lenha, sem mistério e com ternura A feijoadinha já é clássica, mas os sábados em que a Casa da Vó Olga funciona também se intercalam com massas frescas e outras coisas.

Uma voltinha na casa é mais que necessária. Tudo preservado numa memorabilia que levam o pensamento direto pra nossas avós. A cristaleira, as imagens santas, despertadores à beira da cama – um de cada lado. Esperando pela nona que agora mora na saudade, a máquina de costura e o forrador de botões dividem espaço com a cafeteira que faz um mimo aos convidados.

Mas isso é papo pra depois do almoço. Antes disso, na chegada, a recepção vem numa dose generosa do bom e velho limãozinho. Cumbucas de torresmo acompanham pra firmar que em almoço de fim de semana a pressa não é bem-vinda. Caminhei pela casa, percorrendo o corredor e os cômodos, agora, já não lembrava mais da minha própria casa de criança, mas das coisas que se passavam na casa da minha vó materna. Como a sala e a lareira pareciam tão grandes quando, na verdade, eu que era tão pequena.

Lembro bem de um fogão a lenha como esse na cozinha da minha vó, que, ao contrário dessa, ficava no fundo da casa. Fosse dia ou fosse noite, tinha sempre uma chaleira esquentando água e um pequeno bule de chá ao lado. Das minhas férias, na Campanha Gaúcha, é vivo na memória o chimarrão que se tomava na soleira da porta a cada entardecer. Os adultos papeando e as crianças – como eu – inventando traquinagem.

Voltei dessa viagem astral quando a anfitriã liberou os trabalhos no fogão a lenha. Hoje era dia de feijoadinha, a última do ano, mas a Casa Olga abre aos sábados com cardápio itinerante que tem também massas, carnes e o que mais vier da inspiração. A feijoadinha estava lendária e, depois desse prato montado esteticamente para a foto, ainda me servi outras duas vezes (risos!).

Depois o mousse de limão nos copinhos originais da vó. Muito amor.

A Casa Olga me trouxe um sentimento de boas lembranças que às vezes passa anos sem reviver na memória. Um almoço, um passeio na máquina do tempo. Voltarei mais vezes porque aquela menina Carol é uma companhia sempre boa de ter por perto.

Quero sempre voltar!

 

Casa Olga

Rua João Salvador, 305, Monte Belo do Sul

Aberto para almoço aos sábados ou sob reserva

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