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Uma viagem à Ásia com o menu do China Thai

DSC_0088De volta a Bento Gonçalves depois de 10 anos na Austrália e Indonésia, o chef Leandro Scotta criou aqui um cantinho asiático de sabores exóticos. Uma viagem para o outro lado do mundo em pratos da gastronomia chinesa, tailandesa e indonésia. O restaurante fica no bairro Santa Rita, mas não é difícil de encontrar. Você precisa entrar no salão para sentir o clima hinduísta e natural a que o lugar se propõe.

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Para chegada, você pode curtir um chá oriental ou pular essa etapa direto pra carta de vinhos, o que, por vezes, é mais do que necessário. A proposta étnica exige paladar curioso, mas não se preocupe: apesar da característica apimentada da maioria dos pratos, o chef deu uma dosada para as preferências locais e há opções no cardápio que não vêm com pimenta.

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Uma boa pedida para entrada são os guiozas de carne suína com pimenta doce à parte. Já tinha provado similares em Três Coroas, no restaurante ao pé do templo budista, e é algo que eu adoro. Aqui, você pode comer de uma forma bem original, com hashis. A louça e boa parte da decoração vieram direto do Oriente, na mala do chef 😉

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Do cardápio chinês, provei a massinha de arroz com camarões, repolho e carne suína. Recomendo pra quem não pode ou não gosta de pimenta.

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Um aperitivo do menu que eu amei mesmo depois de saber que não é nada light são as coxinhas BBQ. Comeria várias, mas meu prato favorito (já voltei e já repeti, que conste)…..

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É o Kho Phi Phi, a massinha tailandesa com frutos do mar, umas castanhas, uma misturinha muito louca e, por que não, uma certa dose de pimenta – grau 1, no meu caso. Se você é indeciso como eu, quando for ao #chinathai aposte logo na sequência da casa e aproveite um pouco de cada vertente da casa por R$ 100,00. Como sempre, não me sobraram forças para a sobremesa.

A tele-entrega do China Thai vem fazendo sucesso, mas, pelo menos uma vez, indico visitar o restaurante pra conhecer o verdadeiro clima asiático e receber os cumprimentos do chef.

China Thai

Rua Antônio Fornazier, 245

54 9666-3801

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O mágico clichê de um jantar na Torre Eiffel

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Um bom viajante sabe que as melhores descobertas estão no inusitado, no improvável. Apesar disso, não se pode desprezar as atrações turísticas consagradas. Deve haver um bom motivo pra elas serem consagradas. Em Paris, por exemplo, você pode dedicar todo tempo do mundo pra se perder nas ruelas de Montmartre ou percorrer todos os cafés e livrarias da Geração Perdida, mas se você não curtir uma noite aos pés da Torre Eiffel, é como se não estivesse estado na Cidade Luz.

 

DSC_8049Andando a passos curtos e com olhar fixado no céu, a multidão reflete a imponência metálica do monumento erguido em honra à Exposição Universal de 1899. É o suprassumo do turismo clichê, mas ainda assim é extasiante. Cada pilar da Torre Eiffel é, certamente, maior que o meu apartamento e se a sensação já é de pequenez estando na base da torre, você mal pode imaginar como me senti lá em cima. Se você tiver uma chance na vida, reserve um jantar no 58 Tour Eiffel. Não existe chance de arrependimento.

 

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A reserva no restaurante isenta a taxa para acesso ao elevador e no primeiro andar, que está a 60 metros do chão, já é possível ter uma espetacular vista da cidade em todos os ângulos. O elevador é ainda o original – é como entrar na Belle Époque. Circulando no primeiro andar, você encontra um memorial à obra de Gustave Eiffel e alguns pontos de romance. <3 <3 <3

Certa dose de medo também parte da visita. No primeiro andar, parte do piso é de vidro. Olhar pro chão e ver as pessoas minúsculas lá embaixo é um pouco desconfortável. E olha que nem tenho medo de altura.

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Em geral, restaurantes turísticos não são indicados. Há muita gente, a comida costuma ser ruim e o saldo final é muito gasto e pouca felicidade. Esse jantar estava reservado seis meses antes e, mais de uma vez, pensei em cancelar. Ainda bem que não fiz isso, porque a experiência no 58 Tour Eiffel foi bem legal. O restaurante tem dois andares: o primeiro dá vista para a cozinha aberta, mas no segundo você pode jantar tranquilamente apreciando a vista de Paris. Por sorte ou destino, fomos acomodados atrás desse casal, no segundo piso, numa mesa com vista privilegiada do Rio Sena.

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Havia três opções de cardápio e eu comi uma sopa de cogumelos que não faço ideia de como, mas esqueci de fotografar. Outra opção de entrada era esse salmão defumado com molho tartárico, um waffle recheado com queijo e ovas de salmão.

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O prato principal que vinha após a sopa era o salmão grelhado com purê (tudo na França leva purê), tomate confitado, alho assado maravilhosamente aromático e duas – sim, somente duas – unidades de nhoque.

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O outro prato foi carne com cogumelos também vinha acompanhada de purê, porque batatas são majestade na gastronomia francesa.

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Sobremesas, para mim, são algo dispensável quando você tem um bom jantar e um bom vinho. Mas estava inclusivo no pacote, então escolhemos essa espécie gigante de profiterolis e…

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…a tortinha com mousse de chocolate com esguicho de calda de maracujá (hehe).

Como em todos os lugares de Paris, no 58 Tour Eiffel o jantar é mais caro que o almoço. Para a noite, existem várias opções de serviço com preço entre 85 e 180 euros por pessoa. O nosso era é mais barato e super valeu a pena. Se você não estiver disposto a isso, pode almoçar no restaurante por 41,50. De qualquer forma, pense bem. A noite é mágica na Torre Eiffel.

Existem outras opções de alimentação na torre. Para conhecer, clique aqui!

Paris: a versão econômica de um estrelado Michelin

Esse post tem apoio de Café Com Arte

 

A Igreja de la Madeleine e seu aspecto de templo romano, sem janelas, sem sinos e com uma estátua de Joana d’Arc no interior, é ponto de visitação obrigatório em Paris. A estética incoerente é intrigante, digna de uma obra construída ao longo de 82 anos e que leva o dedinho de Louis XV, dos anticlericais da Revolução Francesa, de Napoleão e Louis XVIII. Se você estiver em Paris, certamente passará por Madeleine – o que nos leva ao circuito gastronômico a seu redor, onde está um dos tesouros da Cidade Luz, um restaurante que tem sempre 2 ou 3 estrelas Michelin, mas oferece um anexo muito mais acessível, onde, ainda assim, tive uma bela experiência.

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Lucas Carton é um dos primeiros restaurantes gastronômicos de Paris, aberto em 1880 e adorado pelos parisienses na Belle Époque. Em 1933, quando o Guia Michelin passou a conferir 3 estrelas, foi um dos primeiros a receber a honraria. Com algumas mudanças de dono e estilo, o restaurante escreveu seu nome na história da gastronomia francesa. Seu salão, concorridíssimo, tem vista direta para Madeleine.

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É uma tentação ceder a esse luxo, mas é possível conhecer uma versão mais econômica por uma portinha lateral que leva para ao superior do restaurante, onde fica o Le Marché de Lucas.

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Tratamento de princesa em um salão com não mais do que 10 mesas e também uma bela vista. E o melhor de tudo: menu degustação a 45 euros. Dá pra sentir, de uma forma bem mais simplória, claro, do que se trata o restaurante ao lado. Uma boa amostra da alta gastronomia francesa – aqui, apresentada sem complicação, mas muito esmeradamente.

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Três pratos compõem esse menu: a entrada, um creme de cogumelos que dá boas-vindas e esquenta o corpo castigado pelo vento.

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O prato principal, um filé derretendo como manteiga e acompanhado por um clássico purê de batata que eles têm o dom de transformar em uma delícia indecifrável.

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Para a sobremesa, um clássico da patisserie francesa: tartelette de limão. Preço justo para uma pequena amostra do que custaria o dobro. Lembranças de um dezembro memorável.

Le Marché de Lucas 

9 Place de la Madeleine, Paris, França

Site: acesse aqui!

#Paris: Le Chemise, um bistrô com máximo custo-benefício

Este post tem o apoio de Café com Arte

 

Uma multidão caminha a passos curtos e olhos fixados no céu, refletindo a imponência metálica e as luzes piscantes da Torre Eiffel. Paris é o encanto do extraordinário, o paraíso dos apaixonados e a brisa gélida do Sena quando o inverno se aproxima. É o suprassumo do turismo clichê, mas também é muito além disso. Paris é aquilo que seus olhos permitirem ver. Nesta minha segunda passagem pela Cidade Luz, busquei conhecer a cidade por outro maravilhoso ângulo: o dos parisienses.

Naturalmente, cruzei a Champs Élysées e me perdi nos longos corredores do Louvre, mas a verdadeira Paris pude desfrutar numa sequência de carnes, peixes, guarnições e sobremesas que degustei em bistrôs tipicamente parisienses. Nesses lugares, por exemplo, não existe wifi para a clientela, serve-se muito pão junto da comida e, à parte de um cardápio extenso a que estamos acostumados, dá-se preferência ao prato do dia.

Sacré Cœur: pode chover bastante no outono parisiense
Sacré Cœur: pode chover bastante no outono parisiense

Tenho coisas incríveis a contar sobre a comida de Paris, mas começo pelo final, onde tive uma grata surpresa gastronômica a um preço mais do que justo. No meu último dia de roteiro em Paris, flanava pelas ruas e escadarias de Montmartre na trilha de Amelie Poulain (um clichê que amo) quando começou uma chuva fininha. Subi os degraus que levam à Sacre Coeur dispensando o funicular e, nesse ponto, a chuva já estava forte. Chamei um táxi e ganhei da motorista um livreto com os melhores restaurantes de Paris a preços módicos. Foi a salvação da paróquia quando ela nos deixou onde seria o almoço e o lugar estava fechado.

Le Chemise: indicado no guia dos melhores restaurantes de Paris em 2015
Le Chemise: indicado no guia dos melhores restaurantes de Paris em 2015

Abri o livreto direto no mapa e saí em busca de algo próximo da praça da República, onde eu estava. Numa caminhada breve, cheguei ao Le Chemise. Ambiente charmoso e menu com entrada + prato OU prato + sobremesa por 16 euros (ou menu completo por 20 euros). Em se tratando de viagens, se eu pudesse dar apenas uma dica valiosa, diria pra você não pensar em reais… como diria uma prima minha: “quem muito converte, pouco se diverte”. Considerando isso, foi o melhor custo-benefício da viagem – disparado.

Os combos entrada + prato principal OU prato principal + sobremesa são comuns nos bistrôs parisienses
Os combos entrada + prato principal OU prato principal + sobremesa são comuns nos bistrôs parisienses

Vejamos o menu promocional, que trazia apenas três opções para entrada, três para prato principal e três para sobremesa, que não provamos pois saímos daí direto pra uma pâtisserie. Fora isso, havia o menu da casa, com pratos a preços individuais.

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Na entrada, escolhi a sopa de cogumelos que estava realmente fresca e esquentou a alma resfriada pela chuva.

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O Jonathan foi de salada de folhas com tortilha de queijo de cabra (ou croustillant de chèvre au miel), também aprovadíssimo. A comida francesa, referência na gastronomia ocidental, apesar de toda sua manteiga, é equilibrada e leva uma boa dose de legumes e verduras.

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O vinho aproveitamos para pedir sempre em jarro de meio litro, o que considerei uma boa medida para duas pessoas no almoço. Sabe como é, foram longas caminhadas e preguiça não convinha.

 

 

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Meu prato principal foi o papardelle lindamente guarnecido por uma panelinha de ragu. A versão francesa de uma combinação que poderia estar tranquilamente em qualquer restaurante da Serra Gaúcha. Simples, mas impecável.

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Jonathan pediu o peixe no purê de batatas que tinha uma crosta perfeitamente crocante, ao passo que o lado oposto era suculento, como todo salmão deveria ser. Uma delícia sem requintes.

O turista solitário também trazia consigo o guia de restaurantes que salvou nosso almoço
O turista solitário também trazia consigo o guia de restaurantes que salvou nosso almoço

Esse foi nosso último almoço em Paris. Com tanto ainda a conhecer, nesse dia nos despedimos da gastronomia francesa para jantar uma legítima pizza italiana. Daí em diante, foi a farra da pizza e pasta. Te conto daqui uns dias, em 2016!

 

Le Chemise

Aberto para almoço e jantar

Rue de Malte, 42, Paris

Site: acesse aqui!

Valle Rústico, equilíbrio perfeito entre eno e ecogastronomia

Existem muitos e maravilhosos restaurantes na Serra Gaúcha, todos com seu charme e seus temperos, mas se o mundo fosse acabar amanhã e eu tivesse apenas mais um jantar, não precisaria de três segundos para decidir o meu banquete final.

DSC_7194O Valle Rústico tem a estima e o respeito de toda a comunidade gastronômica da região e, a partir desse ano, o chef Rodrigo Bellora simplesmente abriu mão do cardápio em nome de um menu único. A decisão é audaciosa, mas longe de ser um capricho. Está atrelada tão e somente ao respeito pela natureza e ao que ela oferece dia a dia.

DSC_7197Esses são os princípios do movimento slow food – comida boa, limpa e justa. Cada prato do menu experiência vale por uma aula de cidadania e apesar da entrega irretocável, fica claro que a verdadeira mágica acontece muito antes da mesa. Preparar uma receita praticamente do zero, abrindo mão deliberadamente das facilidades que a indústria alimentícia oferece, é um processo complexo, delicado e, ao mesmo tempo, corajoso.

DSC_7207O Valle Rústico tem seis anos, mas a horta orgânica nasceu antes disso e foi crescendo em sua oferta até se tornar uma colônia. Hoje, alimenta até 800 pessoas por mês. São 12 hectares onde se cultiva tudo o que o restaurante necessita para seu cardápio e seu projeto que entrega semanalmente para um grupo de assinantes o melhor da produção livre de agrotóxicos.

DSC_7229Na propriedade há vaca leiteira e bezerros. A cozinha produz seu próprio queijo, iogurte, doce de leite, manteiga. Seu próprio mel, suas alcachofras, suas begônias. Suas frutas e sua cana. O milho de sua polenta. A mandioca de sua farofa. Tudo o que a terra dá é matéria-prima para o chef Rodrigo Bellora e sua equipe e o que não sai de suas próprias terras vem de produtores locais com a mesma filosofia e o mesmo cuidado no cultivo.

DSC_7239Diante de tudo isso, é uma verdadeira honra desfrutar de um menu experiência escolhido pelo chef e baseado nos seus melhores ingredientes. Você verá a seguir.

DSC_7277Pão artesanal de cereais pra abrir e água da fonte pra acompanhar a refeição.

DSC_7281Cabrito com purê de batata doce.

DSC_7283Salada de flores e folhas com degorgement de espumante.

DSC_7298Polenta com cogumelos.

DSC_7304Entrecot com chutney de beterraba.

DSC_7308Costela , feijões e farofa de alho.

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Sorbeto de amora com ricota da casa.

DSC_7323Pien de mel. Melhor coisa ever.

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E, para encerrar, gentilmente recebemos flores cremosas. Essas não são de comer, mas de passar nas mãos, deixando a lembrança de uma refeição impecável e responsável.

 

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Um tiquinho de limoncello pra encerrar de verdade e está feito o banquete do juízo final (risos).

O menu experiência do Valle Rústico sai por R$ 100,00. Harmonizado com vinhos e espumantes da região, R$ 150,00.

Valle Rústico

Linha Marcílio Dias – 15 da Graciema – Vale dos Vinhedos

Contato: 54 3067-1163 / 8123-0080

De quarta a sábado, para o jantar. Domingos, para o almoço

Site: acesse aqui!

Soprando Velas com Sapore & Piacere

A casa charmosa, de arquitetura colonial e fachada discreta, no coração da Cidade Alta, esconde um tesouro da gastronomia em Bento Gonçalves. Em ritmo de comemoração, o Sapore & Piacere completa oito anos de deliciosas experiências e, junto disso, a anfitriã Márcia Dalla Chiesa comemora seus 25 anos de carreira. Como a ocasião exige, a festa foi em grande estilo: um jantar como raramente se vê por aqui, com ingredientes locais selecionados e orgânicos e criações assinadas em parceria com o baita chef Vico Crocco, que viveu 12 anos na Europa e trouxe para Porto Alegre a inusitada proposta de sua Cozinha Contêiner.

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Já conhecia o restaurante de alguns impecáveis almoços. A casa encanta pela simplicidade estética, que valoriza ainda cada detalhe próprio imóvel. O serviço funciona assim: uma mesa de antepastos frescos e coloridos pra abrir o apetite e um prato do dia servido na mesa. É sempre uma surpresa comer no Sapore & Piacere…o menu é divulgado sempre pelo Facebook lá pelas dez da manhã, não antes disso. De qualquer forma, nunca decepciona.

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Voltando à ocasião do jantar de aniversário, a dupla conseguiu criar um cardápio único e integrado, apesar das particularidades impressas nos pratos de cada um. O primeiro charme da noite foi o menu, não apenas escrito a mão, mas com todos os pratos ilustrados.

 

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A noite estava fria e o creme de cogumelos caiu como luva pra esquentar o coração. Fico pensando em repetir esse tipo de receitinha em casa, mas parece que nunca vai dar certo.

 

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Quando chegou essa salada, fiquei com pena de estragar. Além das folhas e dos minibrotos do Sitio Gourmet, o prato traz copa serrana, vitelo, um pequeno molho de cogumelos, grão-de-bico e ervilhas. Estava absurdamente fresco. Além de encher os olhos, tinha sabores perfeitamente combinados e o melhor de tudo: era apenas a entrada.

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Muito estava por vir, como a truta poché com acelga mini e batata doce tostada. Sem dúvida, uma combinação elegante, delicada e inesperada. Adoro esses sabores tostados, como fizeram com a batata e, no prato seguinte, com o brócolis.

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Duas versões totalmente opostas de pato foram servidas no jantar. O primeiro, defumado, guarnecido com demi glacê e o brócolis tostadinho, contrastando com um vinagrete de cren e o frescor dos brotos e flores.

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O segundo, confit, lentamente cozido e servido com demi de laranja, farofa, purê de raízes e acelga amarela. Uma apresentação mais encorpada pra anteceder a sobremesa que arrebatou meu coraçãozinho.

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O financier de amêndoas com frutas secas chegou quentinho sobre uma cama de baba de moça e enfeitado com creme de mascarpone. Delicados pingos de ganache de chocolate e um delicado figo fecharam a afinadíssima sinfonia dessa noite. Mencionei que todo o serviço foi harmonizado com vinhos e espumantes Dalpizzol?

Os oito anos do Sapore & Piacere foram muitos bem celebrados. Como lembrança deste dia, levei pra casa o cardápio desenhado pelos chefs, que vai ficar pra posteridade na minha caixinha de tesouros.

 

Sapore & Piacere Caffe, Cucina e Altri

Rua Dr. Casagrande, 500, Bento Gonçalves

Contato: 54 | 3055-4586

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Prazeres do chefe Mauro Cingolani no Farina Park Hotel

Gente, não está fácil manter o ritmo aqui. Mil e um trabalhos estão me tomando as horas úteis do dia e não tem sobrado muito tempo para diversão. Volto em dívida com a periodicidade do blog, mas com um belíssimo jantar preparado pelo chef Mauro Cingolani no Arte In Tavola, o restaurante do Farina Park Hotel. O cardápio da casa leva a assinatura do italiano, que é diretor da Escola de Gastronomia da UCS. Nesse dia em especial, ele estava presente pra explicar todos os novos pratos que estão entrando no menu.

DSC_5660O ambiente tem um quê de rústico, o atendimento é cuidadoso e a carta de vinhos, variada. É sempre especial jantar no hotel. Mesmo quando o chef Mauro não está, a execução dos pratos é bem feita e o resultado final é uma bela lembrança pra ter vontade de voltar.

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O serviço começou com umas entradinhas frescas preparadas pela casa com maestria.

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E, logo depois, essa salada impecável de folhas verdes, manga, papaia e camarões perfeitamente ao ponto. Alguém aí já imaginou mamão na salada? Pra mim, pelo menos, foi inédito. E aprovado.

DSC_5656A torta de alho poró estava fabulosa. Essa eu repetiria quantas vezes fosse, sem peso na consciência. Os tomates e o manjericão contrapunham a massa amanteigada com um frescor delicioso. Será que dá pra fazer em casa?

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Como proteína número 1, serviram-nos uma panelinha de bacalhau mediterrâneo de sabor bem proeminente e uma boa dose de azeite, como manda o figurino. DSC_5674

O cordeiro ao vinho derretendo na boca encerrou com maestria o jantar. Essa é uma das novidades do menu – que, em dias habituais, virá acompanhado de risoto ou massa. DSC_5688

As sobremesas do Arte In Tavola merecem deferência especial. Essa massa folhada de maçãs servida com sorvete de nata da casa estava impecável. Eu sempre aprovo sobremesas meio quentes, meio frias.

DSC_5678Para chocólatras, a tortinha de chocolates com frutas vermelhas vale ouro, hein.

11703077_904116902999522_5031951975007303503_nA experiência no restaurante do Farina Park Hotel foi, como sempre, irrepreensível. Em verdade, parte dessa aura da casa se deve à assinatura do chef Mauro, que já rodou o mundo cozinhando. Não se trata de frescura, mas de reconhecer na autenticidade de um bom prato uma história de vida ligada à gastronomia. Ele trabalhou em Londres, Ilhas Mauricio e Bombain. Em Nova York, foi chef por dois anos em um dos principais restaurantes do Central Park. Talvez por tudo isso, Cingolani tenha a postura de um legítimo e verdadeiro chef, que cumprimenta seus clientes mesa a mesa e faz questão de ouvir suas opiniões sobre o serviço. (Imagem: cortesia Jornal Design Serra)

Ah, nesse dia 08 de agosto, o Arte In Tavola oferece um jantar especial assinado pelo chef Mauro Cingolani e harmonizado com Chandon!

Arte In Tavola

Farina Park Hotel

RST 453, Km 106 – Entre Bento Gonçalves e Farroupilha

(54) 3458-7033

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Café com Arte, agora ainda mais bistrô

O Café com Arte deu uma ligeira repaginada no visual e uma grande repaginada no seu cardápio para o inverno, incrementando a carta com refeições mais encorpadas e valorizando ingredientes mais frescos.

DSC_5500Pra quem ainda não conhece o bistrô, cabe situar. A casa está aberta ao público há, pelo menos dois anos: primeiro como café, agora como bistrô. Mantém-se no negócio a proposta que o nome sugere, de explorar diferentes tipos de manifestações artísticas. Já acomodou brechó, escola de música, galeria de arte e, nessa fase mais invernal, cedeu as paredes de um dos cômodos para o desenho à mão livre. DSC_5496DSC_5520

 

Pois o que me trouxe ao Café com Arte, além da preguiça de preparar o jantar, foram os boatos sobre uma tal pêra ao açafrão. Naturalmente, precisei dar uma boa conferida no cardápio até chegar à sobremesa – que definitivamente não foi sacrifício algum.

DSC_5499A caponata quentinha com pão da casa torrado é um agrado para os clientes.

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Para entrada, uma salada de folhas verdes com gorgonzola e figo que harmonizou perfeitamente com a pilsen marcante da Birah…

DSC_5506…que vem com um delicado formulário de avaliação pra quem se sentir apto.

DSC_5509 Tem pratos principais para todos os gostos. Por R$ 30,00, sai esse belo prato de conchillione de ricota com espinafre ao molho de alho poro e gorgonzola. Um prato encorpado para a estação. DSC_5510Outra boa pedida, tão boa que tentei reproduzir em casa no dia seguinte, é o filé mushrooms, guarnecido com cogumelos shitake, shimeji e paris, além de um tradicional arrozinho. Uma refeição completa com ingredientes frescos por R$ 44,00.

DSC_5515Depois de tudo isso, finalmente pude desfrutar da pêra cozida na calda de açafrão com especiarias e servida com sorvete de creme (R$ 18,00). Essa novidade do cardápio superou totalmente minhas expectativas….eles têm um pequeno fondue também, mas eu recomendo a pêra – sem dúvidas.

_MG_0254O jazz rolando fez toda a diferença nesse jantar. É como se eu estivesse em uma cena de Homeland, com menos terroristas e medicamentos controlados 😉

Ah, e tive a sorte de saborear a sobremesa enquanto o desenhista completava a cena de Paris que mostrei na segunda foto. Uma atração a mais!

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Café com Arte Bistrô

Rua Marques de Souza, 354, Bento Gonçalves

Telefone: (54) 2621 5302

Aberto de terça a sexta das 19h às 23h. Aos sábados das 11h às 14h30min e das 19h às 23h.

www.cafecomarte.co

Uma noite parisiense no Mulino

As primeiras noites gélidas do ano congelavam meu para-brisa quando pisei pela primeira vez no Mulino, no Moinho da Estação, em Caxias. A ocasião mereceu enfrentar o frio. Pra semana dos namorados, esse restaurante que habitualmente serve a la carte preparou um cardápio temático parisiense. Não podia perder essa oportunidade. Paris vale a pena mesmo a 10 mil quilômetros de distância.

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O lugar é aprazível e logo na chegada avistei a brinquedoteca. Se você tem filhos pequenos, entende do que falo. Se não, vai entender um dia. A gente quer a companhia dos pequenos, mas sabe que é uma injustiça esperar silêncio e imobilidade por quase duas horas. Então, uma salinha com meia dúzia de jogos e uma televisão resolve a vida de todas as partes. Esse não era o caso no dia, afinal, era o Dia dos Namorados…

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O cardápio parisiense do Mulino tinha quatro pratos e saiu por R$ 72,00 cada um. Mas, nos dias normais, o restaurante tem uma carta de saladas, risotos, massas e carne para que o cliente componha seu prato somando o que desejar. Os ótimos pães nessa entrada vieram acompanhados de azeitonas, manteiga e geleia de pimenta.

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Pronto, embarquei numa viagem só minha com a quiche lorraine. Aprovada!

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Recorri ao dicionário pra decifrar o prato principal: boeuf bourguignon com aligot. Se não fosse a internet, eu jamais ia lembrar que esse picadinho ao vinho tinto é aquele prato dificílimo que a Amy Adams tenta reproduzir no filme Julie&Julia <3.

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DSC_5417A sobremesa, por óbvio, não podia deixar de ser um creme brulée com direito a maçarico. É sempre bom dar uma variada no cardápio, mesmo sem ir muito longe. Naquela mesma semana, o Mulino serviu também um jantar temático de Buenos Aires. Quem sabe eles não repetem em breve?

 

Mulino Cozinha Contemporânea

Rua Cel. Flores, 724, Moinho da Estação, Caxias do Sul

Contato: 54 3221 4212

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Na ExpoBento, uma experiência magna e magnífica

A parceria da revista Prazeres da Mesa com a ExpoBento elevou o nível da feira a patamares nunca antes atingidos. Pra quem não sabe do que estou falando, a revista é uma das publicações de gastronomia mais influentes do país e promove um evento chamado Mesa ao Vivo, em que renomados chefs de cozinha preparam, diante do público, receitas de sua autoria que depois vão para a revista em formato de matéria.

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Pela primeira vez em sua história, o evento foi realizado fora de uma capital, num palco montado na área central da ExpoBento – que honra, hein. Tive a honra de acompanhar a maioria das aulas e posso dizer que foi um verdadeiro desfile de técnicas, ingredientes e figuras importantes. Alguns dos mais renomados chefs da região e do país cozinharam ao vivo na ExpoBento. Anotei muitas receitas e, embora eu me destaque mais em comer do que preparar, já grifei duas ou três receitas pra tentar reproduzir em casa.

Além das aulas durante a ExpoBento, o evento teve dois incríveis jantares magnos em que cinco chefs dividiram o serviço, assinando um prato cada um. Minha experiência no jantar magno do Canta Maria não poderia ter sido mais completa. Vinhos da região, gastronomia criativa e boa companhia. De minha parte, um serviço irrepreensível e inesquecível, que eu simplesmente não poderia deixar de compartilhar. Infelizmente, não tem como encontrar esse cardápio em nenhum restaurante da face da Terra, mas não tem nada aí impossível de fazer. Dá pra se arriscar em casa – com tempo, paciência e bons ingredientes, claro.

Prato 1: Pien com pistaches

Chef: Idana Spassini

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A entrada fria da noite ficou sob responsabilidade da personal chef Idana Spassini, uma figura superconhecida em Bento Gonçalves, premiada como melhor chef da cidade em 2014 no ranking Divina Cozinha Top. Não precisa olhar com desconfiança: esse pien é feito apenas com coxa e sobrecoxa de frango e envolto em uma camada generosa de pistache torrado e picado. Acompanha miniradicci, bacon confit e creme de noz moscada. Fiquei surpresa pela delicadeza dos sabores, mas já suspeitava que a combinação seria perfeita. Afinal, trata-se de uma releitura inovadora para um prato de subsistência da imigração italiana que todo mundo por aqui conhece bem.

 

 Prato 2: Porcini da Serra com paçoca de pinhão

Chef: Adriano Farina

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Essa sopinha delicadamente confeitada com queijo grana padano e paçoca de pinhão sapecado poderia render uma noite de inverno agradabilíssima em frente à lareira e com uma boa taça de vinho. Basta desvendar a receita ou torcer pra que ela apareça na próxima edição da Prazeres da Mesa. Estava incrível.

 

Prato 3: Cuscuz de couve flor com ravióli negro

Chef: Yann Corderon

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Tive o imenso prazer de assistir a aula do chef francês durante a ExpoBento e ainda mais sorte por ele ter preparado o mesmo cuscuz durante a aula. Então, aprendi a fazer. É simples, nutritivo e, ao mesmo tempo, saudável. Leva muito alho e queijo grana padano, então também tem um sabor bem marcante. E serve para acompanhar qualquer coisa. Na aula, por exemplo, a guarnição era uma bela posta de peixe. Aqui, a grande estrela era um ravióli de tinta de lula recheado com frutos do mar perfeitamente ao ponto.  Pra mim, o melhor da noite.

 

Prato 4: Barriga de porco com legumes caramelados

Chef: Gabriel Lourenço

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Fiquei surpresa ao descobrir como o cozimento em baixa temperatura e longo período de tempo é capaz de realçar o sabor de qualquer corte de carne, por menos nobre que seja. Aprendi isso na aula do chef Gabriel Lourenço, que é um dos caras da Escola de Gastronomia Sal a Gosto (Caxias). É o caso dessa barriga de porco que foi assada por três horas e meia antes de chegar ao prato acompanhada de maravilhosos legumes caramelados. A carne estava macia, desfiando…nem precisei sujar a faca.

 

Prato 5: Sopa de frutas vermelhas

Cheff: Emmanuel Bassoleil

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DSC_5383Essa sobremesa é bem diferente, viu. Entretanto, tem preparo descomplicado e leva poucos ingredientes, como todo o repertório do cheff francês. No dia seguinte, na sua aula na ExpoBento, ele revelou que gosta de cozinhar a olho e sem complicação. É tão simples que vou até explicar rapidamente como faz: frutas vermelhas (morango, amora, framboesa, mirtilo) no liquidificador; vinho tinto a gosto; um pouco de açúcar para cortar a acidez do vinho, já que a sopa não vai ao fogo e, no final, um fio de licor de cassis. Pronto. Aqui, foi servido com queijo cremoso e uma pitada de flor de sal, mas o chef autorizou a servir com sorvete de creme, caso queira 😀

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A coisa toda foi muito impactante por conta dos chefs convidados e tal. Mas é um engano pensar que uma refeição é inacessível e requintada. Na verdade, esses pratos tinham, em sua maioria, ingredientes bem conhecidos e disponíveis localmente. O que aprendi de principal nessas aulas do Mesa ao Vivo é que comida não precisa ter muita frescura, mas precisa ser fresca. Basta respeitar o processo de preparo e colocar amor. Depois dessa, até me empolguei pra tirar as panelas do armário!