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Nella Pietra: a pizza pra quem ama pizza

Você faz ideia de quantas pizzarias existem em Bento Gonçalves? É uma conta que não fecha. Ignorando todas as delicatessens e armazéns que vendem pizza pronta pra assar em casa; descontando todos os bares e botecos que têm suas opções pra servir no madrugadão; deixando de fora todas as mamas italianas que fazem quitutes “pra fora”, ainda existirão muitas, muitíssimas pizzarias na cidade. Só o site do Sindicato dos Bares, Hotéis, Restaurantes e blá blá enumera 11 delas. Mas consideremos que associar-se ao sindicato não é obrigatório, então eu multiplicaria esse número por três, pelo menos.

NP externa

Concluo que não se pode determinar o número exato de pizzarias que existem em Bento Gonçalves e me admira o fato de que, volta e meia, estão inaugurando uma nova por aí. É incrível como o pessoal come pizza nessa cidade (me incluo nessa lista)!!! Sem entrar nos méritos e deméritos daquelas que já comi, hoje rendo minhas homenagens à Nella Pietra, uma das descobertas mais apetitosas do ano e um consolo para esta apaixonada por pizzas depois que o Valle Rústico abandonou o barco! A propósito, ainda não tive a oportunidade de provar a Pizza entre Vinhos do Vale dos Vinhedos, mas está super-recomendada e já coloquei na minha lista de intenções.

NP paganini

Tenho que confessar um segredinho: deixei esse post engavetado por semanas a fio, procurando, em vão, uma boa justificativa pra eu ter escolhido essa pizzaria e não a B, C ou D. Quer saber, não há outra justificativa senão o incrível sabor dessa pizza. A impressão foi ótima desde a chegada, quando vi várias latas de tomate pelati da Paganini decorando o lugar. Lembrei na hora de uma pesquisa da Revista Menu que colocou essa marca em primeiro lugar entre as disponíveis no país. Essa é a base do molho da Nella Pietra, o que já diz muito sobre a pizza.

NP forno

Pra não desiludir ninguém, melhor contar logo que a casa trabalha em sistema a la carte – nada de rodízio. São três tamanhos e, como o nome do lugar indica, a pizza é assada na pedra e vem pra mesa borbulhando na pedra mesmo. Como o lema da minha gula é “melhor sobrar que faltar” pedi o tamanho maior pra duas pessoas e levei uma marmitinha pra casa. Normal…

Pra quem acha que pizza é tudo a mesma coisa, garanto que não. No Nella Pietra, os sabores têm ingredientes nobres e combinações irresistíveis. Claro que os clássicos também valem a pena, mas indico aqui os meus preferidos, todos excêntricos:

 NP Especial NP Champs lyses

(E): Champs Elysées – Presunto cru, queijo Brie e ervas de Provence

(D): Nella Pietra especial – Panceta, queijo camembert, cogumelos de Paris, molho bechamel e rúcula opcional. Da próxima vez, pedirei sem rúcula

NP Veneziana NP Pizza Fil mignon com aspargos e bacon

(E): Filé mignon com aspargos e bacon – com aspargos in natura!

(D): Veneziana – a minha preferida: Cebola caramelada e gorgonzola, uma combinação simplesmente genial

Deu água na boca? Espero não ter destroçado a dieta de ninguém, mas essa pizza compensa qualquer escorregadinha. Não posso precisar aqui quanto custa a pizza, porque é feita uma média de acordo com os sabores pedidos. Não é preço de liquidação, mas também não é nada absurdo. Vale quanto se paga!

Nella Pietra – Bento Gonçalves
Rua 15 de Novembro esquina com a Herny Dreher
Telefone: (54) 3452-4000
Atende das 18:00 às 23:15, possui tele-entrega
Aceita cartões

www.nellapietra.com.br

Bistrô da Lu: esqueça tudo o que sabia sobre menu degustação

Escolhi a dedo essa dica porque vem aí o Dia dos Namorados. Fora do circuito dos restaurantes badalados de Gramado e Canela, o Bistrô da Lu é perfeito pra uma comemoração a dois ou mesmo pra reunir os amigos em uma ocasião especial. Estava atrás um lugar propício à reconciliação depois de uma semana estressante e encontrei muito mais do que procurava. Um espaço aconchegante e com capacidade restrita. Embora não esteja no centro de Canela, vale a pena jogar o endereço no GPS e ir à cata. Além da comida, o atendimento também é tudo aquilo que se espera de um restaurante que cobra bem pelo que faz: impecável.

bistro cozinha

Gostei da recepção e da impressão causada pela cozinha aberta. Ver o jantar sendo preparado é sempre uma atração a mais, sobretudo quando o prato inclui peripécias como flambados e comida voando pelos ares. Além, claro, de ser um bom indício de que a comida é preparada com asseio. O menu degustação servido à noite é uma experiência completa com sabores incríveis. São quatro entradinhas + três pratos principais + sobremesa – tudo preparado, naturalmente, pela chef Lu.

bistro entradas

As entradas, divididas em quatro pequenas porções, já superaram completamente qualquer expectativa. A partir desse momento, você esquece que está perto de casa. O que me foi servido é universal, poderia estar em Paris ou Buenos Aires. Começando pelo fundo, os camarões decorados com cebolinha são um tempurá com geleia de frutas vermelhas e pimenta. Em sentido horário, a tacinha traz um creme alemão de beterraba que se toma sem colher mesmo. Pra comer com o palitinho, acepipe de muçarela de búfala com caponata de berinjela. E no potinho, escondidinho de carne seca com catupiry. Essas eram as entradas e abriram os trabalhos para os três pratos principais que vieram na sequência.

bistro congrio

Bom, pra explicar os pratos principais, vou fazer uma livre adaptação do cardápio. A descrição com vários termos gastronômicos é bem chiquetê, mas dificulta um pouquinho o entendimento. Portanto, no côngrio espanhol ao beurre rouge com ovas negras e camarões flambados, beurre rouge nada mais é que um molho à base de vinho tinto e manteiga.

bistro file

O segundo prato era um filé mignon divinamente grelhado com figo brulé ao bordelaise e lichia. O figo acho que era grelhado também. O bordelaise aí da receita é outro tipo de molho com vinho tinto, mas que leva caldo de carne e casa perfeitinho com o filé. Lichia, por sua vez, é uma frutinha que eu só tinha visto até então desenhada na lata de chá.

bistro cordeiro

Pra terminar, T-bone de cordeiro com cuscuz marroquino, farofa de alho e pasta de chili. Combinou bem, mas confesso que cordeiro não é lá das minhas carnes preferidas, então fica meio difícil opinar. Seja como for, a avaliação final é a melhor possível. Eu já tinha achado as entradas esplêndidas. Depois, quase tive uma epifania com o peixe e quando veio o segundo prato já estava mais do que bom pra mim.

Deixo vocês com a sobremesa, que é linda, mas nem era mais tão necessária depois de tamanho deleite: tiramissu da moca com sorvete de pistache.
O menu degustação por pessoa, sem bebida, custa R$ 89,90. É um preço mais do que justo a se pagar por uma refeição surpreendente preparada por uma superchef.

Bistrô da Lu
Rua José J. Velho, Canela (RS)
Telefone: (54) 3282-6212
Aceita cartões
www.facebook.com/ Bistro-Da-Lu

Restaurante Caldeira: se a Joana gostou, está aprovado

O restaurante Caldeira, que leva o nome do dono, abriu há pouco em Bento Gonçalves e já está na boca do povo, então tinha que conferir se é tudo aquilo o que estão dizendo. Fui com a indicação de provar o bacalhau, apontado como especialidade da casa, mas confesso que não tenho boas experiências com esse peixe, então já entrei pensando numa alternativa. De cara, adorei a decoração, ultrarrústica, com várias caixas de fruta penduradas no teto. Tudo muito bem pensado.

caldeira DECORACAO

Já adianto que o restaurante tem poucos lugares, então é melhor se prevenir com reserva antecipada. Eu mesma já havia tentado jantar lá dias atrás e estava lotado. Acabei tendo que me contentar com um certo estabelecimento de atendimento péssimo e preço salgado.
Mas, voltando ao assunto, na segunda tentativa fui com reserva e avisei que eram duas pessoas: um adulto e uma criança. Fiz isso só por formalidade, porque já estou bastante acostumada a improvisar com almofadas sobre a cadeira pra minha filha poder sentar. Isso sem contar os restaurantes que, querendo parecer simpáticos, trazem para a criança uma colher de sopa que não caberia nem na boca de um adulto (post desabafo,hehehe).
Retomando mais uma vez, ao chegar já reparei que na mesa ao lado tinha um casal com seus dois filhos e, pouco a pouco, praticamente todas as pessoas que iam chegando estavam acompanhadas por crianças. Isso não é por acaso. Só quem tem filhos pequenos valoriza um restaurante que está preparado para receber crianças, e isso diz muito sobre o lugar – principalmente, que aquele é um ambiente para você se sentir bem sem ter que deixar metade da família em casa.

Adorei que eles tinham prato, copo e talheres infantis. E a Joana também ficou superempolgada, embora a foto não transpareça…é que ela está entrando numa fase de aversão a fotografia.

A Joana pediu uma massinha aos sete queijos, mas eu ainda estava num impasse sobre o que comer, já que o bacalhau realmente não faz a minha cabeça. Olhei pra mesa do lado e cobicei o filé a parmegiana deles, mas achei que não daria uma avaliação apropriada do lugar. Afinal, esse é um prato bastante comum por aqui. Enquanto deliberava, comi todo o pãozinho com tomate seco servido como entrada.

Por fim, decidi pedir “Ossobuco com polenta mole e salada”, ao preço de R$ 45,00 para duas pessoas (não, eu não comi tudo – pedi meia porção). Essa foi uma escolha bem pessoal mesmo. Imagino que a maioria das pessoas ia preferir uma das inúmeras opções da casa com filé, peixe, frango, porco ou cordeiro. Mas eu achei que combinava com a cara do lugar e não errei. Estava muito bom e indico, desde que você goste de uma pimenta de leve.
Ainda pretendo voltar ao Caldeira e provar o filé a parmegiana e o resto todo – quem sabe até me arriscar no bacalhau. Mas o que posso dizer por hoje é que eu e a Joana aprovamos o atendimento e o cardápio, e que ela adorou comer com talheres que cabiam em sua boquinha de três anos!!!

Caldeira Restaurante Bar
Rua Antônio Ducatti, 138, bairro Cidade Alta
Bento Gonçalves
Telefone: (54) 3701 0272
Aberto de terças a sábados, das 18h30min às 23h
Aceita cartões

Mamma mia, que polpetone!

Semana passada, fui a São Paulo cumprir uma agenda de compromissos particulares e, mesmo sabendo que teria refeições cronometradas, não podia perder a oportunidade de comer alguma coisa deliciosa. Pus embaixo do braço o Guia Época de melhores restaurantes da capital paulista e saí de casa cedinho rumo ao Salgado Filho. Embarquei com sol rachando em Porto Alegre e fantasiei um passeio a pé, um chopinho esperto e um sushi na Liberdade. Quando cheguei a São Paulo, chovia uma chuva fininha, esparsa e inconveniente. Do tipo que não forma poça, mas meleca os cabelos. E, principalmente, do tipo que transforma São Paulo num cenário dos horrores.

Pra quem dirige de Bento Gonçalves a Garibaldi em 15 minutos e ainda reclama se pega um caminhão na frente, ficar duas horas dentro de um táxi pra percorrer os mesmos 10 quilômetros é de azedar o humor. Chegando ao hotel, a chuva apertou. Foi-se o passeio pé, o chopinho e o sushi. A única alternativa foi atravessar a rua e entrar no primeiro estabelecimento possível – um restaurante italiano. De cara, a ideia de sair da Serra Gaúcha e comer comida italiana em São Paulo pareceu meio estapafúrdia. Mas era isso ou ficar à míngua e, no fim das contas, foi realmente um golpe de sorte.

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Pra começar, não se tratava somente de um restaurante, mas de uma alameda inteira com diversos deles – todos da Famiglia Mancini. Dava pra escolher entre pizzas, pastas, petiscos e até comida francesa. A ruela de 100 metros em formato de S, toda decorada com luzes coloridas, faz você esquecer que está no meio da metrópole. Àquela hora do dia, a fome já estava afetando o meu humor e a chuva, estragando os meus cabelos. Entramos logo no primeiro restaurante da alameda e me conformei que o prato seria italiano mesmo.

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Na mesa ao lado, notei que a legítima lasagna italiana vinha borbulhando do forno e era servida em porções individuais dentro de uma panelinha de ferro. Simpático. Comecei a me desarmar e perceber que a comida italiana de São Paulo podia ser bastante diferente. Acabei pedindo a oferta da casa, que consistia em entrada, prato principal, sobremesa e café – tudo por R$ 39,90 (!!!). Pedi ao garçom pra apressar ao máximo a entrega, pois a fome era grande. A sala era bem bonitinha, com muçarela de búfala e palmito fresco. Uma delícia.

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Como prato principal, pedi um legítimo polpetone e achei engraçada a apresentação. Na Serra Gaúcha, jamais me serviriam arroz e batata frita como acompanhamento. Em compensação, também nunca comi por aqui um polpetone desses: macio, cheiroso, no ponto, temperado na medida e praticamente mergulhado no queijo. Repensei o preço do almoço e minha satisfação aumentou ainda mais: R$ 39,90 por tudo aquilo.

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Pô, além de tudo o restaurante tinha sua própria água. Achei engraçadinho.

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Já estava deleitada quando vieram a sobremesa e o café. Não sei por que pedi o pavê de nozes, considerando que não gosto de chantilly. Mas o mousse amargo que o meu acompanhante pediu estava muito bom 😀

Esse restaurante de preço justo e comida honesta acabou me fazendo refletir sobre preconceitos gastronômicos. Por dois motivos, quase não entrei no Famiglia Mancini: o ambiente, com piano e uma grande adega de vinhos importados, me fez pensar que o desembolso seria grande. Além do que, eu pensei que seria perda de tempo gastar com comida italiana em São Paulo. Quase perdi o melhor polpetone que já provei até hoje. Como a gente é bobo às vezes…Guarde esse nome: Famiglia Mancini – na República, rua Avanhandava.

A propósito: foi sorte eu ter conseguido um bom preço nesse dia, porque na tarde seguinte cometi o pior dos piores deslizes: fui seduzida por um vendedor do Mercado Público (no sentido culinário mesmo) e…bem… minha conta bancária vai passar um bom tempo remoendo a respeito. Você não imagina quanto pode custar meia dúzia de frutas de luxo. Mas isso é assunto pro final da semana, pois ainda as estou comendo e fotografando. Posso adiantar que a experiência é tão marcante para o paladar quanto para o meu cartão de crédito!