Arquivo da categoria: Alimentos sustentáveis

Urban Farmcy, um movimento necessário de alimentação consciente

Sim, o restaurante natureba da vez fica bem no coração de um bairro caro, onde circula gente cool vestida apropriadamente para um editorial da Vogue. Sim, o ambiente é descolado na medida certa pra ainda oferecer certo grau de sofisticação. Um cliente não habitual pode achar “too much” a garçonete pingando gotas de clorofila na sua água.

De fato, o Urban Farmcy tem todo jeitão de engomadinho, mas é um movimento necessário e que te mostra de uma vez por todas que a comida vegetariana pode ser incrível. O restaurante abriu em Porto Alegre há seis meses meses e a fila de espera não deixa dúvidas de que as pessoas estão, no mínimo, curiosas a respeito. Esse vídeo te ajuda a entender:

Na chegada, me deparei com estantes e mais estantes de cultivo indoor de gramíneas, kale e outras coisas que não soube identificar. Isso também faz parte da filosofia Urban Farmcy: o fortalecimento da produção urbana e hiperlocal de alimentos, reduzindo o impacto com transporte e o desperdício. >> Relembrando o que já falei aqui no blog durante o Setembro Verde, dados da FAO apontam que cerca de 33% de tudo o que é produzido anualmente no mundo vai para o lixo. Deste percentual, 54% das perdas ocorrem na fase inicial do cultivo, passando pela manipulação, pós-colheita e armazenamento. Isso não apenas dificulta o acesso global à alimentação, mas também encarece os alimentos.

Com uma filosofia raw (comida minimamente cozida) e plant based, o Urban Farmcy tem um menu colorido e de fotos primorosas. Pra comer, de salada a burguer veggie passando por uma feijoada quase vegana (comi, conto adiante). O lugar ganha muitos e muitos pontos extras pelo mobiliário de reuso, as paredes verdes “real”, as playlists incríveis no Spotify e por essa ideia genial de compartilhamento do conhecimento.

Ademais, eles têm algumas prateleiras com livros diversos – muitos sobre alimentação alternativa. Você pode levar qualquer título pra casa: basta imprimir sua foto e deixar aí no mural com seu nome, telefone, etc. Quando devolver o livro, leva a foto pra casa. <3

Num menu tão colorido e sedutor, é quase um dilema escolher o almoço. O propósito do Urban Farmcy é redefinir os conceitos de alimentação e, logo na chegada, um suquinho vivo pra energizar enquanto eu dava aquela lenta folheada no cardápio.

 


Esse prato de arroz negro com húmus, avocado e saladinhas estava delicioso e apimentado em boa medida. Não fosse o ovo, seria vegano. Juro que não era, nem de perto, um prato sem graça. Ao contrário: cheio de sabores e cores – tanto que essa imagem não tem nenhum tratamento de cor ou luz.

A minha pedida, pra saciar a curiosidade, foi a tal feijoada quase vegana. Surpreendente. No lugar das carnes, um tempero excelente e talinhos de cogumelo. A couve, o vinagrete e a farofa… tudo minuciosamente empratado, numa experiência que eu repetiria, com certeza.

 

O almoço é uma delícia, mas eu nunca disse barato. Cada uma dessas refeições saiu por R$ 50,00 – sobremesa não inclusa. Vale a pena conhecer, atentar aos detalhes e incorporar um pouco mais de consciência na alimentação.

 

Urban Farmcy

Nota no Google: 4,5 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,7 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Rua Hilário Ribeiro, 299, Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Aberto todos os dias, em horários variados

Facebook: clique aqui!

Setembro Verde: onde curtir na Serra Gaúcha

Em setembro, o Culinarismo te convida a refletir sobre hábitos alimentares. Você consome os 400 gramas diários de frutas e hortaliças recomendados pela Organização Mundial da Saúde? Comer melhor é uma questão vital e o movimento Setembro Verde é mais que necessário pra disseminar a importância de uma alimentação saudável, especialmente como uma mensagem positiva para as crianças, e exaltar o pequeno produtor rural.

Restaurantes de todo o país também estão envolvidos, criando pratos e programações para esse mês tendo como personagem principal os alimentos frescos e produtos da terra. O Culinarismo faz parte do movimento e apoia os restaurantes engajados no Setembro Verde. Na Serra Gaúcha, são dois lugares espetaculares.

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Em Canela, o Monã Natureza, Hospitalidade e Cultura abrirá suas portas nos sábados de setembro convidando avós da comunidade a passarem adiante sua experiência sobre hortas urbanas, numa ação de multiplicação do conhecimento em que os visitantes serão convidados a plantar, colher e ver de perto o poder das plantas. O cardápio vai dar ênfase ao milho – uma das sementes que, segundo Castelli, mais deve ser protegida hoje em função da erosão genética.

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No Valle Rustico, em Garibaldi, onde 80% do menu degustação já tem os vegetais como protagonista, o chef Rodrigo Bellora vai dedicar todo o mês ao Setembro Verde, com um menu privilegiando a temporada de tubérculos, com receitas levando cará, inhame, diferentes tipos de mandioca e batatas, gengibre, cúrcumas.

Você também pode – e deve – participar. Primeiramente, reflita sobre a sua alimentação e suas escolhas. Pense em incluir mais ingredientes frescos, produtos da terra. Agora é a hora de tirar do papel aquela velha ideia de ter uma hortinha em casa e ter mais vida no seu prato. E , além de tudo, você pode levar essa ideia adiante sendo mais um porta-voz. Acesse o Setembro Verde clicando aqui e veja todas as ações e apoiadores!

Faça sua vida mais verde: vamos comer melhor?

Cooking class Amrit: pratos veganos e proteicos

Essa semana, o Culinarismo trocou os salões dos restaurantes pela cozinha da Amrit, porque conhecer e valorizar os alimentos é útil para o dia a dia e para trazer os melhores roteiros ao blog. A Kelly Todescatto, além de nutri, é professora de yoga e estudiosa da medicina Ayurvédica. Suas aulas de culinária são um convite à reflexão sobre o poder dos alimentos na nossa vida. E não apenas sobre a comida, mas sobre a energia que alimenta nosso corpo.

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Levei a Joana comigo para um curso de leguminosas como opção proteica e vegana. É bem importante abrir espaço para as crianças na cozinha, permitindo que elas ajudem de acordo com suas habilidades e participem dessa alquimia que é transformar ingredientes em receitas. Aos seis anos, pelo menos lá em casa, a Joana já pode se envolver em todas as etapas que não envolvam facas.

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Na aula da Amrit, a pequena ajudante de Culinarismo colocou o dedinho em todas as receitas, incluindo essa delícia de sopa que teve a receita especialmente cedida pela Kelly para o Culinarismo. É ultrassimples e fica uma delícia.

Creme Vermelho de ervilha partida 

  • 1 xíc de ervilha partida
  • 1 beterraba média
  • 1 tomate
  • 1 cebola
  • ½ colher de chá de gengibre em pó
  • 1 folha de louro
  • Sal e pimenta a gosto

 

Modo de preparo:

Cortar em pedaços as hortaliças, em uma panela cozinhar todos os ingredientes por cerca de 30 minutos, retirar a folha de louro no final. Processar ou liquidificar.

 

Dica da nutri: o empratamento pode ser finalizado com algum óleo prensado a frio, para melhorar a biodisponibilidade de nutrientes solúveis em gorduras. 

 

A aula de leguminosas também teve outras delícias:

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Grão de bico à baiana

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Falafel

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Refogado de cogumelos

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E biscoitos de amendoim…. tudo sem glúten, sem lactose, sem ingredientes de origem animal.

A Amrit tem uma programação bem variada de oficinas e também o serviço de personal cooking para quem planeja uma reeducação alimentar completa: introdução de novos hábitos, planejamento familiar, bases culinárias e substituições.

Segue a Amrit no Facebook pra acompanhar a programação. Clique aqui!

Rio do Vento: uma hospedaria para chamar de sua!

Já contei certa vez aqui no blog sobre os encantadores morangos hidropônicos que crescem ouvindo clássicos do rock e reggae. Não é lenda. São 34 mil pés de morango cultivados em estufas com controle biológico, em um delicado processo de produção que tem a música ambiental como um ingrediente filosófico indispensável. Esse mundo particular em Caxias do Sul, a caminho do litoral, imprime a identidade de um sono em tudo o que serve.

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A maioria talvez não saiba, mas por trás de cada geleia, cada iogurte e cada taça de sorvete com calda de morango existe o desprendimento de um cara que largou o emprego estável e o conforto da cidade para se lançar a um estilo de vida bem mais rural. Seu bar, todo cravejado de velas e lembranças marítimas, se tornou um clássico dos domingos de sol. Saiba, em tempo, que as portas do Barlavento estão abertas todos os dias do ano, sem exceção!

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Mas esse texto não é apenas sobre morangos e, sim, sobre acolhida! Dia desses, tive a experiência quase onírica de passar um fim de semana curtindo os coelhos, o balançar das redes e a música dos morangos no Rio do Vento Hospedaria, que fica anexa ao bar. Lá se vão dois anos recebendo gente com uma simplicidade calculada para conquistar fãs.

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Se, por um lado, a hospedaria tem boas camas e chuveiros, por outro, oferece a rusticidade de velhas cadeiras de balanço e lavabos de antiquário. A casa por si só é uma obra digna do Professor Pardal. Para construí-la, foram usadas partes de suas casas transportadas das Missões até Caxias e datadas de 1951 e – pasme – 1871.

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São três pavimentos e em dois deles há suítes para até cinco pessoas.

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No térreo, uma sala de tevê e algumas mesas para o café da manhã…

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…que é ao estilo hidroponia, com iogurte em calda de morango, suco de morango, morangos in natura…

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…e a especialidade da temporada: cuca de mirtilo.

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O terceiro pavimento é, na verdade, um mezanino que convida à leitura.

E o bom de tudo isso é que, em meio pulinho, você está dentro do Barlavento, comendo um Vesúvio desses, dividindo a música com os morangos e curtindo as boas vibrações da casa.

Neste ano pesado que está perto do fim, mudar um pouco o ponto de vista pode ajudar um bocado a ver as coisas sob outra perspectiva. Eu, por exemplo, fiquei encantada pelo tesouro que é ter um estilo de vida tão simples quanto o dos donos do Barlavento. Precisamos mesmo de tanto artifício, tanta armadura e tanto sacrifício? Pra mim, desfrutar de uns morangos conhecedores de boa música foi o ápice naquele fim de semana.

Rio do Vento Hospedaria e Barlavento Hidroponia

RST 453, Km 154, bairro Ana Rech, Caxias do Sul
Site: clique aqui!

Cozinha de Natureza no trailer do Valle Rustico

Há quase um ano, me associei ao convívio do movimento Slow Food na minha região e, ao fazê-lo, um mundo de aprendizado se abriu pra mim. Todo dia, me policio para não virar uma “gastrochata”, mas a experiência de comer ganha outra dimensão quando você se pergunta, ao receber um prato: de onde isso veio? Como foi cultivado? Isso é excessivamente industrializado, desrespeita o meio ambiente ou o produtor agrícola?

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A introdução é pra contar como fiquei contente pelo novo negócio do Restaurante Valle Rústico: o Trailer Cozinha de Natureza, com alimento bom, limpo e justo mais perto de todos. Não é um contrassenso. Esse fast food é totalmente slow food. A começar pelo cardápio: breve e guiado pela oferta da estação, como todo alimento orgânico. No momento, são duas opções de lanche que aproveitam a produção agrícola do restaurante e têm todos os componentes artesanais.

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Não é juntar pão com carne e queijo do supermercado. Isso também fica muito bom, mas eu posso fazer em casa. O que você vai encontrar de diferente no trailer são preparos exclusivos feitos com ingredientes próprios ou locais.

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Por 20 mangos, você pode comer um choripan com pão da colônia, provolone e linguiça artesanal de porco gris.

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Ou, também por 20 rúpias, um hambúrguer com pão de erva doce, bife suculento, bacon e cebolas caramelizadas.

O Trailer Cozinha de Natureza mal botou o pé na estrada e já está com agenda cheia. Acessa a fanpage e siga essa ideia aqui!