Arquivo da categoria: Bistrô

O menu cosmopolita e rotativo do Arte Cheff Cult

Como atração no Vale dos Vinhedos e com bandeira italiana, o Arte Cheff atraiu muitos turistas ao longo de dois anos e conquistou ótimas críticas para a pizza fininha e a massa fresca cortada à mão pelo chefe Rafael Della Vecchia.

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Agora, reinaugurado na cidade, em frente ao Cartório Eleitoral, o restaurante com ares de bistrô assume uma cara muito mais contemporânea e cosmopolita, com um menu temático que promete mudar a cada 15 dias, uma delícia de música e a tal torneira de prosecco que todo mundo anda perguntando.

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Antes de qualquer coisa, quero destacar e elogiar o horário de funcionamento, de segunda a sexta, das 16:00 a meia noite, e nos sábados, das 11h30min a meia noite. Perfeito pra uma esticadinha depois do trabalho, pra uns drinks no jantar ou pro almoço de sábado. O menu traz comidinhas de boteco, como a receita famosa de miniburguer do chefe, fritas, etc; as opções da quinzena e sobremesas. Também algumas delícias do dia pra comer com um chazinho.

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Provei uma das opções do menu principal, que talvez não esteja mais na próxima quinzena do Arte Cheff, mas serve pra garantir que o chefe entende de ponto, viu?! Esse filé com cogumelos flambados era o prato nobre desse menu, por R$ 56,00.

Pra beber, drinks, chopp e prosecco direto da torneira. Pra beber quanto possa, com precinho camarada, sem descarte de garrafas.

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Eu pedi e a casa prometeu tornar permanente esse sanduíche cubano que é veramente delicioso, com porquinho flambado, queijo derretido e que casa perfeitamente com a maionese de leite e barbecue do Arte Cheff. Um enorme de um sanduíche por apenas R$ 25,00.

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Pra quem queria muito saber se vale a pena. Sim, vá tranquilo e desfrute!

 

 

 

 

 

Arte Cheff Cult

Nota no Google: 5,0 de 5,0

Nota no Foursquare: não existem avaliações suficientes

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5


Rua General Goes Monteiro, 26, Bento Gonçalves (Rio Grande do Sul)

Aberto de segunda a sexta,  das 16:00 a meia noite, e nos sábados, das 11h30min a meia noite

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https://www.facebook.com/artecheff/

 

 

 

O restaurante de fogo do Mr Red

DSC_2841O pub abriu as portas com todo o apelo da noite, baladinha de quinta-feira, chopp gelado e galera reunida. Com um menu da semana, consegue servir uma boa quantidade de pratos combinados para o jantar, como filés e risotos. Mas existe um cantinho do menu assinado pelo chef Giordano Tarso que merece deferências. Preparos de fogo são a especialidade do chef e, na grelha do Mr Red, ele arrasa na suculência o no defumado.

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Provei duas das especialidades do chef e mais do que indico: recomendo! A linguiça é caseira e preparada para o Mr Red: um sabor marcante, picância moderada e ingredientes selecionados. O resultado é uma delícia de petisco para aperitivar com a novidade na carta de chopps da casa – a pilsen extra da Blauth Bier. A linguiça vem acompanhada de um pãozinho de alho fresco. Bem, bem legal.

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Outra delícia do Restaurante de Fogo do Mr Red é esse steak especial com batatas rústicas e arroz branco, uma baita pedida pro jantar.

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E, pra fechar divinamente esse jantar de  boteco, a doçura dos churros com calda de chocolate e umas frescurinhas deliciosas de hortelã e flores comestíveis.

Mr Red Bistrô Pub

Rua Herny Hugo Dreher, 356, Bento Gonçalves

(54) 3452-2250

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Sapore&Piacere: clube do bolo e outras novidades!

Sexta-feira é dia de bolo na Sapore&Piacere. Com o Clube do Bolo, a chef Mária Dalla Chiesa propõe adoçar o seu fim de semana em família ou reunir o pessoal do trabalho com um cafezinho delícia pra fechar o expediente. Toda sexta, um sabor diferente e um bolo entregue quentinho onde o cliente indicar. É a cara do outono!

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Aproveitei a visita que fiz pra conhecer o projeto e dei uma esticadinha no almoço, reafirmando a excelência do pequeno bistrô, que trabalha com os ingredientes da semana e tem uma mesa de antepastos aclamada pela clientela.

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A mesa de antepastos, como eu já disse, é impecável e pode muito bem valer por uma refeição. Aliás, vamos esclarecer sucintamente que o Sapore&Piacere trabalha apenas com prato do dia para o almoço (a exceção dessa semana. De 28 a 31 de março, em virtude da Fimma Brasil, o restaurante vai abrir para o almoço e jantar). Voltando aos antepastos, são sempre frescos, coloridos e sazonais, como a natureza.

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Você pode escolher um almoço completo, com entrada à vontade + o prato principal ou ficar apenas na mesa de antepastos – ou, ainda, pular essa primeira parte do almoço, o que é absolutamente desaconselhável.

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É tempo de grandes figos no Sapore&Piacere. Direto da mesa de antepastos, com quiche de queijo e moranga, estavam doces e suculentos.

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Como pratos principal, polêmicas à parte, estava delicioso o contrafilé com cobertura de provolone, servido com batata doce laranja (que eu simplesmente amo), farofa e brotos. Não é espetacular o colorido do prato?

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Pulei a sobremesa por questões ideológicas (mentira, é tentando dosar os excessos mesmo), mas elas são igualmente apetitosas. Mais adiante, ainda nesse ano, o Sapore&Piacere vai completar 10 anos no mesmo ponto, com o mesmo cuidado e sempre a assinatura da chef Márcia Dalla Chiesa.

Sapore&Piacere

Rua Dr. Casagrande, 500 – Bento Gonçalves – RS

  1. 3055-4586

http://www.saporeepiacere.com.br/

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Todos os santos têm lugar nesse bistrô em Nova Prata

Tem um bistrô muito acolhedor em Nova Prata que é o Empório São João. Um lugar dedicado a todos os santos e às lendas da música, decorado com lindos adornos religiosos no primeiro salão e um belo vitral no teto que se vê com destaque logo na entrada. Com certeza tem a ver com o roteiro religioso que é uma das oito rotas turísticas disponíveis no município. O passeio revisita memórias da cidade e suas comunidades do interior, passando pelo que há  de mais antigo e valioso em se tratando de construções e objetos religiosos, muitos dos quais chegaram à região junto da imigração alemã.

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Pois no Empório São João existe um cenário de anjos e santos que se misturam com uma memorabilia muito familiar e típica das famílias de descendência italiana. Todos aqueles utensílios da nona preservados da passagem do tempo e que ganham função decorativa. Um ferro de brasa aqui, uma máquina de costura acolá.

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Para clientes mais agnósticos, no entanto, existe um divertido segundo salão, totalmente dedicado à música e seus grandes nomes. Capas de vinil preenchem o teto criando uma constelação de grandes estrelas musicais. Sem contar as luzes cenográficas que não tive a chance de ver acesas, pois estive no empório pra almoçar.

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E se comida é o que interessa, vamos ao menu, que á totalmente emocional, com pratos simples batizados com nomes curiosos, como as Bruschettas do Nono ou da Paula. Eu escolhi as Sagradas Bruschettas pra abrir o almoço. A Receita tradicional com tomates frescos, aqui servida com queijo colonial. A porção por R$ 22,00.

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Harmonizou legal com o vinho da casa que fiz questão de provar. Um branco Lorena que desce redondinho na hora do almoço. Sem muita complicação.

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Eis que para o prato principal pedi dessas receitas que são de família, que remetem a esses tempos outonais. As folhas caindo e as pinhas carregadas inspiram a pedir o Risoto de Pinhão da Clau, servido fumegante na panelinha de ferro. Um prato simpático que leva calabresa e vinho tinto e que pode ser facilmente adaptado em casa mesmo (sem a calabresa se você estiver na legião de novos vegetarianos nascidos com a operação Carne Fraca). A porção serviu bem a duas pessoas depois das bruschettas por R$ 28,00.

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E, para adoçar o dia, essas tortas de sorvete de três andares que são sempre uma pedida certeira.

Um lugar bem espirituoso, bem localizado em Nova Prata e que também serve pastéis feitos na hora, massas e carnes. Vale a pena uma visita: atendimento ao meio dia e à noite.

 

Empório São João

Avenida Adolfo Schneider, Nova Prata

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Dez grandes cozinhas no Panela no Pátio, em Caxias

O forte temporal tirou do pátio o Panela no Pátio, mas isso não apagou o estilo do evento, que reúne um elenco de dez grandes chefs de Caxias do Sul, cada um com sua especialidade e a preços megaconvidativos: até R$ 25,00.

Essa foi a segunda edição do evento supercharmoso, cheio de gente bacana e com todo o charme do Quinta Estação. Uma terceira edição já está prometida para esse ano ainda. Com muito esforço, consegui dar uma bicadinha em todas as cozinhas. Algumas coisas foram memoráveis.

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A Escola de Gastronomia da UCS, com a assinatura do memorável chef italiano Mauro Cingolani, trouxe um rosbife com bacon no pão ciabata. Com vários molhos à escolha, coloquei uma grande dose de mostarda com mel e ficou bem delicioso. Custou R$ 20,00.

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Na cozinha do chef Henrique Neves, que se prepara para abrir um bistrot de vinhos em Caxias agora em abril, o ravióli de alcachofra ganhou ares de Master Chef com a espuminha de parmesão colocado com o sifão. Coisa chique, sô, por R$ 20,00.

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Da cozinha do Quinta Estação dividindo seu salão com o time no Panela no Pátio, o chef Vicente Perini apostou no confort food com uma generosa porção de risoto de bacalhau servido com uma deliciosa batatinha com ervas. Capricho na entrega e delicadeza de sabores por R$ 20,00.

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Pelos mesmos R$ 20,00, a Escola de Gastronomia Sal a Gosto trouxe um substancioso e suculento pullet pork ao barbecue servido no pãozinho com fatias de provolone. A cereja do bolo foi a mostarda reduzida com Jack Daniels. Grande receita!

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A cozinha étnica foi delicadamente bem representada pela chef Daniela Chedid, com uma variedade de receitas libanesas. Tinha kibe, Beirute e a tradicional doceria libanesa com uma cheirosa baclawa, mas acabei provando a Mjadra no Pote, que é uma mistura de arroz e lentilhas com um toque de cebolas caramelizadas por cima. Uma comida muito amorosa, remeteu à família – talvez pelas minhas raízes libanesas <3

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Os queridos da Nella Pietra Pizzaria arrasaram com a pizza expressa do chef Fábio Centenaro. Eu bem sei que pizza boa não precisa de uma infinidade de recheios. Uma marguerita bem feita é o que basta! R$ 20,00.

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Já difícil manter o ritmo, mas dei uma passada rápida no Mercado do Sanduíche pra rememorar grandes dias no Mercado Público de São Paulo, onde o sanduba de mortadela é um clássico. Aqui a mortadela Ceratti foi a estrela do dia – e não precisa mais nada além de um pãozinho d’água e umas fatias de queijo pra criar uma tentação irresistível por R$ 15,00.

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Chega de comer? Não, só uma pausa pra sobremesa. Joana, minha pequena ajudante de Culinarismo, ficou toda fã dos brownies da Doce Forma e levou um saquinho deles pra casa. Agora temos lá um estoquinho de brownies de MM’s, Stikadinho, chocolate ao leite e limão siciliano, que achei divino. Coisa mais afetiva com o atendimento querido da Simone Vanin por R$ 5,00 o pedaço.

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Brigadeiro é a especialidade da Márcia Callai, da Original Brigaderia. Uma infinidade de sabores e coloridos por R$ 5,00 a unidade, mas o que me cativou mesmo foi o inusitado docinho de grana padano, com seu toque salgadinho. É doido, mas é ótimo.

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Antes de me render à culpa, ainda passei pela banca do chef Alexandre Reolon, do Yoo Boutique, que estava flambando na hora o seu spaguetti all mare, com ostras e tudo mais. Uma generosa refeição por R$ 25,00.

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Entre uma prova e outra, tinha DJ, drinks e beers que adorei provar. Um conselho: não tente repetir esse exagero! Haha. Na próxima edição do Panela no Pátio, vou levar alguns ajudantes de degustação. Haha.

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Panela no Pátio

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Menu lentamente cozido no Cannelè Bistrot

Pessoas ansiosas como eu brigam com o tempo, com o relógio e o ritmo das coisas. Pessoas como eu suspiram profundamente, como que pegando o último fôlego antes de um mergulho em águas turvas. É sem efeito. A vida tem o seu ritmo e ele está mais para uma clássica sopa de cebolas do que para um steak salteado em chapa quente.

Quando você recebe a sopa, ela é suave, conforta e esquenta a alma. Mas a natureza da cebola é ser um mistério de camadas e ferir os olhos de quem abruptamente lhe crava a faca. Para dar o melhor de si, a cebola precisa de um longo tempo em fervura, de um calor baixo e seguro que aos poucos revela sua doçura. Caros amigos, a vida e a gastronomia francesa têm muito em comum.

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Neste jantar no Cannelè Bistrot, em Canela, provei dignas adaptações da cozinha francesa. Todas lentamente cozidas, a seu tempo, revelando profundos sabores. Essa foi uma coincidência que só depois chamou minha atenção. Entre tantas opções de entradas e pratos frescos, sabe-se lá porque pedi tantos cozidos.

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Sobre o lugar, ele se mostra sóbrio, com sua luz baixa e suas pinturas da vida e personalidades parisienses. Bom para estar numa noite fria desse inverno que chega.

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Para entrada, nada mais invernal que a dita sopa de cebolas, aqui gratinada com Gruyère. Um prato que preenche.

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O prato principal já o tinha como indicação: bochecha de porco confitada ao molho de damasco e limão siciliano com purê de mandioquinha e ratatouille. Tão Paris esse prato. A gerente do Cannelè me contou que leva dias pra fazer. Estava realmente delicioso – e olhe que ultimamente não muitas receitas têm conseguido me seduzir.

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Tarte Tatin é uma torta francesa que leva o nome das irmãs que a criaram. Para as maçãs ficarem num perfeito ponto de cozimento, leva tempo. Ela não é doce em si, mas perfumada. Servida morna e com sorvete de creme, encerra um jantar que deixa uma lição às nossas vidas. O tempo é soberano de todas as coisas.

Cannelè Bistrot

Rua Danton Corrêa da Silva, 307, Canela (RS)

Reservas: (54) 3278-1499

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Paris: a versão econômica de um estrelado Michelin

Esse post tem apoio de Café Com Arte

 

A Igreja de la Madeleine e seu aspecto de templo romano, sem janelas, sem sinos e com uma estátua de Joana d’Arc no interior, é ponto de visitação obrigatório em Paris. A estética incoerente é intrigante, digna de uma obra construída ao longo de 82 anos e que leva o dedinho de Louis XV, dos anticlericais da Revolução Francesa, de Napoleão e Louis XVIII. Se você estiver em Paris, certamente passará por Madeleine – o que nos leva ao circuito gastronômico a seu redor, onde está um dos tesouros da Cidade Luz, um restaurante que tem sempre 2 ou 3 estrelas Michelin, mas oferece um anexo muito mais acessível, onde, ainda assim, tive uma bela experiência.

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Lucas Carton é um dos primeiros restaurantes gastronômicos de Paris, aberto em 1880 e adorado pelos parisienses na Belle Époque. Em 1933, quando o Guia Michelin passou a conferir 3 estrelas, foi um dos primeiros a receber a honraria. Com algumas mudanças de dono e estilo, o restaurante escreveu seu nome na história da gastronomia francesa. Seu salão, concorridíssimo, tem vista direta para Madeleine.

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É uma tentação ceder a esse luxo, mas é possível conhecer uma versão mais econômica por uma portinha lateral que leva para ao superior do restaurante, onde fica o Le Marché de Lucas.

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Tratamento de princesa em um salão com não mais do que 10 mesas e também uma bela vista. E o melhor de tudo: menu degustação a 45 euros. Dá pra sentir, de uma forma bem mais simplória, claro, do que se trata o restaurante ao lado. Uma boa amostra da alta gastronomia francesa – aqui, apresentada sem complicação, mas muito esmeradamente.

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Três pratos compõem esse menu: a entrada, um creme de cogumelos que dá boas-vindas e esquenta o corpo castigado pelo vento.

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O prato principal, um filé derretendo como manteiga e acompanhado por um clássico purê de batata que eles têm o dom de transformar em uma delícia indecifrável.

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Para a sobremesa, um clássico da patisserie francesa: tartelette de limão. Preço justo para uma pequena amostra do que custaria o dobro. Lembranças de um dezembro memorável.

Le Marché de Lucas 

9 Place de la Madeleine, Paris, França

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Experiência genuína no Champenoise Bistrô

O Champenoise Bistrô é daquelas novidades gastronômicas que atrai muitos olhares curiosos e, de fato, engrandece o repertório gastronômico local. Desde sua inauguração, em dezembro, é a vedete da rota dos espumantes de Pinto Bandeira – não somente porque extrapola os limites da culinária italiana, nem pela verdadeira obra prima servida à mesa, porque essa é apenas a ponta do iceberg. O que há de mais bonito e importante no bistrô é o que acontece nos bastidores e como os donos do negócio levam a efeito a filosofia slow food do prato à taça.

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ajudante de Culinarismo <3

Não se trata de um negócio, apenas. O pequeno restaurante é a materialização de um sonho sonhado pelo casal Marina Santos e Isarel Dedea Santos. Ela, enóloga com especialização em agroecologia. Ele, um chef de cozinha, pesquisador, experimentador da gastronomia. Suas ligações com o movimento slow food podem ser sentidas em cada prato dos menus degustação e, mais que isso, nas taças de Vinha Unna, que revelam um tesouro da vinificação ancestral. Quando você compreende a complexidade e a beleza do que é servido no bistrô, apaixona-se de pronto.

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Pra entender isso, visitei a propriedade do casal e vi de perto o cultivo orgânico de hortifrúti que serve de inspiração para o chef. Também degustei os delicados vinhos orgânicos e biodinâmicos produzidos por Marina e realmente fiquei perplexa com minha ignorância, até então, sobre a possibilidade de se vinificar uma uva que já é orgânica sem adição de nenhum tipo de levedura ou composto químico. É a natureza fazendo seu trabalho como se dava desde o Egito antigo e é um orgulho saber que tão perto de nós está uma das poucas enólogas brasileiras a resgatar essa técnica.

Tudo isso já credencia o bistrô como um acontecimento inédito e inusitado mesmo antes de se sentar à mesa. É pauta, é notícia, é um modelo de empreendedorismo pouco visto em nossa região. É uma agenda positiva que merece um olhar carinhoso. Mas aí você senta e a mágica se materializa.

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Minha reação foi agradecer aos céus pelo privilégio que começa pelos pães de fermentação natural oferecidos como couvert. O pesto é orgânico, como tudo o que é posto no prato. A manteiga é produzida pelo bistrô. A água é da fonte.

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O projeto de Marina e Israel demorou um bocado pra poder ser visto pelo público. À beira da estrada de Pinto Bandeira, a casa de 1927 que abriga o bistrô estava há muitos anos sem uso e precisou de uma completa reforma. Mas o resultado não poderia ser mais autêntico em sua confortável rusticidade.

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O bistrô abre de quinta a domingo para o almoço, com três opções de menu – ah, o menu (corações apaixonados). A entrada que muita gente vem postando no Instagram é essa aqui: uma flor de abóbora recheada com melão, copa artesanal e queijo pecorino da região. De fato, uma belíssima ideia.

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Eu, que pedi o outro menu, não me arrependi do folhado de pato com molho de espumante rosé e amoras. Detalhes citados na carta, como o “pato criado solto”, encantam e dão ainda mais significado para o que é servido.

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Essa é a entrada de dois dos menus. Depois temos um primeiro prato, um segundo prato e uma sobremesa. Os primeiros pratos, como na Itália, são massas. Um tortellini gratinado de codorna ao molho de ervas, que estava muito bom…

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e um caramelle de açafrão da terra recheado com zuchini defumado. Leve e delicado.

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As carnes, arrebatadoras. Para o menu que tinha a flor de abóbora como entrada, galinha caipira recheada com cebola doce e acompanhada de purê de moranga.

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Para o menu que tinha o folhado como entrada, carré de porco e pêssego grelhado.

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E para encerrar, sobremesas marcantes como esse gelato de espumante com calda de pitanga. Superverão!

 

A experiência tem preço justo. Os menus degustação tem preço que varia de R$ 65, R$ 75 e R$ 85. Na carta, além da Vinha Unna, figuram rótulos de outras vinícolas da região selecionadas pela enóloga.

 Champenoise Bistrô

Linha Amadeu, Pinto Bandeira

Aberto de quinta a domingo, para o almoço

Reservas: 54 9175-2732

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#Paris: Le Chemise, um bistrô com máximo custo-benefício

Este post tem o apoio de Café com Arte

 

Uma multidão caminha a passos curtos e olhos fixados no céu, refletindo a imponência metálica e as luzes piscantes da Torre Eiffel. Paris é o encanto do extraordinário, o paraíso dos apaixonados e a brisa gélida do Sena quando o inverno se aproxima. É o suprassumo do turismo clichê, mas também é muito além disso. Paris é aquilo que seus olhos permitirem ver. Nesta minha segunda passagem pela Cidade Luz, busquei conhecer a cidade por outro maravilhoso ângulo: o dos parisienses.

Naturalmente, cruzei a Champs Élysées e me perdi nos longos corredores do Louvre, mas a verdadeira Paris pude desfrutar numa sequência de carnes, peixes, guarnições e sobremesas que degustei em bistrôs tipicamente parisienses. Nesses lugares, por exemplo, não existe wifi para a clientela, serve-se muito pão junto da comida e, à parte de um cardápio extenso a que estamos acostumados, dá-se preferência ao prato do dia.

Sacré Cœur: pode chover bastante no outono parisiense
Sacré Cœur: pode chover bastante no outono parisiense

Tenho coisas incríveis a contar sobre a comida de Paris, mas começo pelo final, onde tive uma grata surpresa gastronômica a um preço mais do que justo. No meu último dia de roteiro em Paris, flanava pelas ruas e escadarias de Montmartre na trilha de Amelie Poulain (um clichê que amo) quando começou uma chuva fininha. Subi os degraus que levam à Sacre Coeur dispensando o funicular e, nesse ponto, a chuva já estava forte. Chamei um táxi e ganhei da motorista um livreto com os melhores restaurantes de Paris a preços módicos. Foi a salvação da paróquia quando ela nos deixou onde seria o almoço e o lugar estava fechado.

Le Chemise: indicado no guia dos melhores restaurantes de Paris em 2015
Le Chemise: indicado no guia dos melhores restaurantes de Paris em 2015

Abri o livreto direto no mapa e saí em busca de algo próximo da praça da República, onde eu estava. Numa caminhada breve, cheguei ao Le Chemise. Ambiente charmoso e menu com entrada + prato OU prato + sobremesa por 16 euros (ou menu completo por 20 euros). Em se tratando de viagens, se eu pudesse dar apenas uma dica valiosa, diria pra você não pensar em reais… como diria uma prima minha: “quem muito converte, pouco se diverte”. Considerando isso, foi o melhor custo-benefício da viagem – disparado.

Os combos entrada + prato principal OU prato principal + sobremesa são comuns nos bistrôs parisienses
Os combos entrada + prato principal OU prato principal + sobremesa são comuns nos bistrôs parisienses

Vejamos o menu promocional, que trazia apenas três opções para entrada, três para prato principal e três para sobremesa, que não provamos pois saímos daí direto pra uma pâtisserie. Fora isso, havia o menu da casa, com pratos a preços individuais.

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Na entrada, escolhi a sopa de cogumelos que estava realmente fresca e esquentou a alma resfriada pela chuva.

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O Jonathan foi de salada de folhas com tortilha de queijo de cabra (ou croustillant de chèvre au miel), também aprovadíssimo. A comida francesa, referência na gastronomia ocidental, apesar de toda sua manteiga, é equilibrada e leva uma boa dose de legumes e verduras.

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O vinho aproveitamos para pedir sempre em jarro de meio litro, o que considerei uma boa medida para duas pessoas no almoço. Sabe como é, foram longas caminhadas e preguiça não convinha.

 

 

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Meu prato principal foi o papardelle lindamente guarnecido por uma panelinha de ragu. A versão francesa de uma combinação que poderia estar tranquilamente em qualquer restaurante da Serra Gaúcha. Simples, mas impecável.

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Jonathan pediu o peixe no purê de batatas que tinha uma crosta perfeitamente crocante, ao passo que o lado oposto era suculento, como todo salmão deveria ser. Uma delícia sem requintes.

O turista solitário também trazia consigo o guia de restaurantes que salvou nosso almoço
O turista solitário também trazia consigo o guia de restaurantes que salvou nosso almoço

Esse foi nosso último almoço em Paris. Com tanto ainda a conhecer, nesse dia nos despedimos da gastronomia francesa para jantar uma legítima pizza italiana. Daí em diante, foi a farra da pizza e pasta. Te conto daqui uns dias, em 2016!

 

Le Chemise

Aberto para almoço e jantar

Rue de Malte, 42, Paris

Site: acesse aqui!

Café com Arte, agora ainda mais bistrô

O Café com Arte deu uma ligeira repaginada no visual e uma grande repaginada no seu cardápio para o inverno, incrementando a carta com refeições mais encorpadas e valorizando ingredientes mais frescos.

DSC_5500Pra quem ainda não conhece o bistrô, cabe situar. A casa está aberta ao público há, pelo menos dois anos: primeiro como café, agora como bistrô. Mantém-se no negócio a proposta que o nome sugere, de explorar diferentes tipos de manifestações artísticas. Já acomodou brechó, escola de música, galeria de arte e, nessa fase mais invernal, cedeu as paredes de um dos cômodos para o desenho à mão livre. DSC_5496DSC_5520

 

Pois o que me trouxe ao Café com Arte, além da preguiça de preparar o jantar, foram os boatos sobre uma tal pêra ao açafrão. Naturalmente, precisei dar uma boa conferida no cardápio até chegar à sobremesa – que definitivamente não foi sacrifício algum.

DSC_5499A caponata quentinha com pão da casa torrado é um agrado para os clientes.

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Para entrada, uma salada de folhas verdes com gorgonzola e figo que harmonizou perfeitamente com a pilsen marcante da Birah…

DSC_5506…que vem com um delicado formulário de avaliação pra quem se sentir apto.

DSC_5509 Tem pratos principais para todos os gostos. Por R$ 30,00, sai esse belo prato de conchillione de ricota com espinafre ao molho de alho poro e gorgonzola. Um prato encorpado para a estação. DSC_5510Outra boa pedida, tão boa que tentei reproduzir em casa no dia seguinte, é o filé mushrooms, guarnecido com cogumelos shitake, shimeji e paris, além de um tradicional arrozinho. Uma refeição completa com ingredientes frescos por R$ 44,00.

DSC_5515Depois de tudo isso, finalmente pude desfrutar da pêra cozida na calda de açafrão com especiarias e servida com sorvete de creme (R$ 18,00). Essa novidade do cardápio superou totalmente minhas expectativas….eles têm um pequeno fondue também, mas eu recomendo a pêra – sem dúvidas.

_MG_0254O jazz rolando fez toda a diferença nesse jantar. É como se eu estivesse em uma cena de Homeland, com menos terroristas e medicamentos controlados 😉

Ah, e tive a sorte de saborear a sobremesa enquanto o desenhista completava a cena de Paris que mostrei na segunda foto. Uma atração a mais!

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Café com Arte Bistrô

Rua Marques de Souza, 354, Bento Gonçalves

Telefone: (54) 2621 5302

Aberto de terça a sexta das 19h às 23h. Aos sábados das 11h às 14h30min e das 19h às 23h.

www.cafecomarte.co