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O sabor cosmopolita de Buenos Aires – parte 1

Minhas férias em Buenos Aires terminaram com quilos a mais na balança e um peso extra na consciência. A cidade é linda, sob todos os aspectos. A mim, encantou cada ladrilho, vitral e fachada centenária. Em suas calçadas românticas, minha imaginação viajou pelos áureos anos do início do século passado. A história dita o tom do lugar e cada passo dá uma foto perfeita. Mas essa viagem – que lástima – não teve o mesmo brilho. A Argentina passa por maus bocados e registrou o verão mais quente em 30 anos. Não pude ficar alheia ao fato de que boa parte da população portenha passou até 20 dias sem luz, mesmo que no meu quarto de hotel o ar condicionado proporcionasse uma noite de sono tranquila.
As poucas lojas da rua Florida que aceitam cartão estavam liquidando o estoque com pagamento em dinheiro porque não tinham energia elétrica pra se manter funcionando. O recolhimento do lixo também estava prejudicado e muitos moradores reclamaram do descaso da empresa fornecedora de energia. A situação política atual é bem turbulenta. Em meio ao caos da falta de luz, a presidente Cristina tomou um belo chá de sumiço e sequer enviou uma mensagem de feliz ano novo para os argentinos.

Dito isto, vamo-nos ater aos quilos que ganhei em Buenos Aires, dos quais não me arrependo – embora pretenda perdê-los em breve. Verdade seja dita: o serviço dos restaurantes vai de ruim a péssimo, o atendimento é demorado, quase nenhum estabelecimento aceita cartão e existem algumas peculiaridades locais a serem entendidas. Além da ‘propina’ para o garçom, com a qual já estamos acostumados por aqui também, existe a estranhíssima taxa de ‘cubiertos’: ou seja, simploriamente falando, você paga pelos talheres que usa. Na verdade, é uma taxa adicional obrigatória pelos serviços da casa. Estranho, mas faz parte da cultura local e não vale a pena perder o sono nem as refeições memoráveis que se pode fazer por causa desses pesos a mais.
A capital portenha me ofereceu experiências incríveis que quero dividir com vocês em dois posts: a melhor carne, o melhor sushi, a melhor comida mexicana e o melhor restaurante natureba da minha vida até então! Além, claro, de drinks muito loucos em porões escuros e uma overdose de cerveja de bar em bar. A propósito, entre Quilmes e Imperial, a segunda me caiu bem melhor!
Nossa saga culinária em Buenos Aires começou com uns bons drinks no Florería Atlántico, um lugar surpreendente oculto nos porões de uma floricultura e loja de vinhos localizada no Retiro.

floreria vista geral

O Atlántico oferece muito mais que uma carta incrível de coquetéis inspirados nos países que povoaram a Argentina. Pra chegar ao bar eleito pela Drink International como o melhor da América Latina e Caribe em 2013, você deve entrar na loja e descer as escadas que se escondem atrás de uma porta de câmara frigorífica.

floreria paredesO cenário é envolvente e nos leva aos mistérios do fundo do mar, com seres mitológicos desenhados a mão nas paredes, pratinhos esmaltados e coquetéis servidos em vidrinho de azeitona (!!!). Tudo de uma displicência calculada que torna o bar ainda mais genial!

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Dizem que o bar pertence a três dos melhores barmans de Buenos Aires, o que não é de se duvidar, se você levar em conta a complexidade da carta de drinques. As opções são divididas por nomes de países, com bebidas típicas dos povoadores da Argentina e, no final, algumas opções extras também – como a capirinha. Impossível provar uma delícia de cada país, porque são muitas e eu certamente daria Perda Total. Mas tomamos um drinque inglês e uma francês, ambos bem ‘diferentex’.

A parilla dá o tom de Buenos Aires, claro! Ela está em todos os cardápios (praticamente todos, como vou contar no próximo post) e, além da qualidade excelente, você encontra bons pratos a um preço muito módico quando comparado ao Brasil. Conheci algumas ‘cabañas’ locais que servem os melhores cortes da Argentina, inclusive uma que cria o próprio gado. Mas o suprassumo do bom atendimento, requinte e da melhor carne da minha vida foi o La Cabaña, em Puerto Madero.

la cabana salao

Com vista para o Rio da Prata, o restaurante tem meros 79 anos de tradição, uma carta de vinhos capaz de agradar ao paladar mais exigente e uma extensa lista de clientes famosos.

Olha quem já compartilhou o mesmo recinto comigo?

la cabana madonna

Os restaurantes de Buenos Aires servem entradas deliciosas, com pães quentinhos e um bom vinagrete ou chimichurri pra acompanhar. No La Cabaña não foi diferente. Como o prato principal demora bastante em função do tempo de preparo, você vai se divertindo com alguns mimos enquanto espera. Mas não vale passar da conta na entrada, porque o bom mesmo é a carne. O Gran Baby Beef da casa leva quase uma hora pra ficar pronto, mas como fui ao restaurante pra lá da meia noite, eles apressaram um pouco o preparo dividindo o corte ao meio. Nada que comprometesse a delícia desse prato.

la cabana carne

Se você vai ao país da parilla, não dá pra sair de lá sem uma boa história pra contar. Um restaurante desse nível tem seu preço, mas considerando que é perfeitamente possível gastar menos de 100 reais em ótimas refeições para duas pessoas, então vale a pena separar 800 pesos argentinos pra ter uma experiência única dessas.

La Barrica La Barrica Chorizo

Outra parada gastronômica obrigatória – essa, muito mais roots – é o Caminito. Impossível passar por ali e não se deleitar num belo chorizo ao som de tango e acompanhado por uma Quilmes gelada. Como turista que se preze, obviamente paguei uns trocados pra tirar uma foto fake dançando tango. Mas essa está muito bem guardada!

Tenho mais pra contar, mas deixo pro próximo post! Você não vai acreditar na maravilhosa alternativa natureba que Buenos Aires oferece pra quem não come carne ou precisa desintoxicar!

Florería Atlántico

Arroyo 872, Buenos Aires

facebook.com/FloreriaAtlantico

La Cabanã

Alicia Moreau de Justo, 380

www.lacabanabuenosaires.com.ar

La Barrica

Magallanes, 845, Caminito

www.labarrica.com.ar

Enfiando o pé na jaca parte 1: Casa Valduga

Tem dia pra homenagear de tudo nessa vida: o sol, os solteiros, o orgasmo… Aproveitei que semana passada foi comemorado o Dia Mundial do Macarrão pra enfiar o pé na jaca da dieta. Pesquisando sobre o assunto, descobri que o Brasil é o terceiro maior consumidor de massas do mundo, perdendo apenas para Itália e Estados Unidos.
Obviamente, nunca havia calculado quanta massa costumo comer, mas fiz umas contas rápidas pra verificar se eu estava dentro da média de seis quilos de macarrão que um brasileiro consome por ano, em média. Bom… levando em conta quantos dias tem num ano e quantas porções de massa têm num quilo, sinto informar que devo comer por mim e mais uns três amigos celíacos. :-O
Enfim, se há lugar ideal para massamaníacos é a Serra Gaúcha. Creio que massas e pizzas sejam a especialidade em 80% dos restaurantes por aqui. Chutei baixo? Um turista ou morador da terrinha pode se esbaldar em dezenas de bons restaurantes. Mas eu, quando não quero arriscar, tenho meus preferidos.
Já tinha ido muitas vezes à Casa Valduga e achei superapropriado comemorar o Dia Mundial do Macarrão lá mesmo. A sequência completa custa R$ 52,00, que valeriam a pena só pela costelinha de porco com geleia de pimenta. Mas a experiência dá direito à música ao vivo na recepção (somente nos finais de semana e feriados) e uma refeição preparada somente com ingredientes da casa. Isso, na minha opinião, é que o torna cada restaurante único em sua proposta de comida italiana.

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É tudo muito típico. Na entrada, queijinho, salada verde que às vezes vem com uns grãozinhos de romã, radicci com bacon e pien – este último, sem demérito, prefiro passar reto. As folhas são todas orgânicas e produzidas na horta do restaurante, o que, além de saudável, garante um prato sempre fresco.

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Aí vem o galeto e o porquinho divinos… e começa o desfile de massas – algo que só vai pesar na sua consciência no dia seguinte. São todas feitas no próprio restaurante.

Não tenho bem certeza de quantas variedades são servidas, mas contei sete. São todas boas, mas a medalha de ouro vai pro torteloni com nozes.foto 2

Pra terminar, preciso fazer uma seriíssima confissão: não gosto de sagu! Calma, gente. Antes que as vaias comecem a ecoar, é que talvez eu nunca tivesse comido um sagu que prestasse de verdade. Por isso, sempre ficava com o pé atrás pra essa sobremesa queridinha da culinária italiana. Mas aí eu comi o sagu da Casa Valduga e……..bem………. não pude comer apenas uma taça. Acabei repetindo. Fiquei tão envolvida pelo sagu que esqueci de fotografá-lo!!!
Então é isso, gente. Saí de lá, digamos, macarronada, mas feliz! E como já não estava tão frio, pulei os vinhos e acompanhei o jantar com o brut rosé da casa.
O cardápio é pra se deleitar com mea culpa (porém, esporadicamente)! Qual a graça da vida sem um belo e suculento prato de macarrão? Dias atrás, alguém postou essa foto no Facebook, que eu achei sensacional e apropriada para um post com tanto carboidrato embutido como este.

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Semana que vem, tenho uma história hilária pra contar sobre um tal jantar grego e minha experiência de quebrar pratos perigosamente!