Arquivo da categoria: Cozinha internacional

A doceria afetiva do Amo-te Lisboa

Eu sempre acreditei que a gastronomia é um genuíno vetor de expressão cultural. O ritual da refeição, os ingredientes, os temperos, a maneira como a tradição dos povos passa de geração em geração por meio da comida. Isso não fascina você? Pois a mim, muito. Neste fim de semana, a inauguração oficial da doceria Amo-te Lisboa em Bento Gonçalves me colocou num contato direto com a minha ascendência portuguesa, que vem de minha vó materna, de sobrenome Paredes.

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Foi uma tarde de fados conduzida pelo grupo Alma Lusitana. Primeiro, me deliciei com a melancolia da clássica expressão musical portuguesa e só depois fui ver do que se tratava a comida. Lugar simpático essa doceria, com alguns dos principais exemplares dos doces conventuais que têm os ovos e amêndoas como ingredientes de destaque. O preço é atrativo considerando o sabor.

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Provei ali o mais crocante pastel de Belém a R$ 6,00.

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E também um delicado Pastel de Santa Clara, também por R$ 6,00.

 

 

 

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Enquanto isso, estava ao forno uma indescritível empada de Bacalhau, coisa realmente inesquecível, por R$ 7,00. Só de digitar já me enche de água a boca.

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O espaço criado na Serra Gaúcha pela doceria com sede em Porto Alegre é uma graça. Falta um vinho pra botar a conversa em dia com os amigos, o que convidaria o cliente a permanecer mais tempo no lugar. Hoje, as opções de bebidas se resumem a cafés e vinho do porto.

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Fico muito contente que a Serra Gaúcha possa receber de braços abertos a gastronomia do mundo. É sabido e indiscutível o sucesso da comida italiana por aqui, mas o mundo não tem fronteiras e sempre tem lugar pra um doce português no coração da gente!

 

Amo-te Lisboa

Rua Tietê, 15, bairro São Bento, Bento Gonçalves (RS)

Aberto de segunda a sábado, das 9:30 às 18:30

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Nota no Google*: 4,6 de 5,0

Nota no Foursquare*: 9 de 10

Nota no Trip Advisor*: 4,5 de 5

*(notas da loja de Porto Alegre. A filial ainda não possui avaliações suficientes para pontuar)

A viagem gastronômica do My Way agora também no almoço

Quando um chef de cozinha te convida a sentar no porão da casa dele, conhecer suas coleções de cardápios do mundo, bibelôs e cédulas antigas, esse só pode ser um momento especial. O My Way do chef Maurício Crippa deixa as pessoas à vontade, como estando na casa de um amigo. Logo na entrada, um aparador com fotos da família é que dá as boas vindas. Sentiu o nível de intimidade que você terá com o anfitrião?

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Pois chegue de peito aberto e embarque na viagem que o chef oferece pelas principais cozinhas do mundo.

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O cardápio é itinerante e já postei aqui um jantar indiano que provei e aprovei mesmo sem saber das andanças do Maurício pela Índia. Pois, agora, o My Way, amplia sua programação de jantares étnicos nas sextas e sábados, oferecendo almoço a La carte aos sábados e domingos. O menu é completo: couvert, entrada, prato principal e sobremesa. O cliente escolhe a massa e a carne de preferência; o resto é surpresa.

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Preciso revelar aqui que sou apaixonada pela caponata do chef Maurício e, sempre que tenho em casa, sucumbo aos alertas do chef de comer só um pouquinho por vez. Como couvert no almoço, ele serve justamente a caponata da casa com pão de fermentação natural.

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Nesse dia em que revisitei o My Way, a chuva não dava trégua, então a entrada de minestrone caiu como uma luva pra confortar.

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A massa e a carne do prato principal são à escolha do cliente. Pra mim, naquele dia, pareceram apropriadas as mezzelunes trentinas (massa recheada com escarolas e bacon, molho de natas) e filé Cordon Bleau (recheado com copa e queijo, molho espanhol).

Esqueci de fotografar a sobremesa, que era um creme de laranjas do quintal com calda de merlot. A experiência toda (exceto bebida) por 60 pilas!

Essa vida culinarística nem sempre me permite repetir os restaurantes tanto quanto eu gostaria. Mas em defesa do My Way, eu digo e repito que é um dos lugares onde mais me sinto à vontade. Onde eu poderia tranquilamente ir de pantufas e tomar um vinho sossegada. Só não o faço em respeito ao chef (risos)!

 

My Way Cozinha Universal

Rua Francisco Ferrari, 656, Barracão, Bento Gonçalves

Reservas: (54) 98118-3398

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Lembranças de uma Dolce Italia na Escola de Gastronomia da UCS

Não faz muito, abriu ao público o restaurante da Escola de Gastronomia da UCS, em Flores da Cunha.

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Com toda a influência da gastronomia italiana característica da região e sob comando do chef italiano Mauro Cingolani, a casa batizada de “Dolce Italia Ristorante Scuola” serve menu semanal de entrada+prato principal + sobremesa,  além de um cardápio permanente de grelhados. O lugar é uma graça e o atendimento, impecável como há muito eu não via.

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O mâitre, a gerente e os garçons flutuam pelo salão, falando entre si em tom inaudível para os clientes, mostrando-se disponíveis, mas sem perturbar excessivamente. Uma verdadeira escola de atendimento, registre-se. Envidraçado, o salão tem vista aberta para a sala de degustação onde se ministra o curso de sommelier internacional e outros.

A carta de vinhos é cuidadosamente selecionada, colocando a olhos vistos, na verdade, a reputação de todos os cursos oferecidos na escola. Era um sábado ameno quando estive no Dolce Italia para o almoço. Visitei a cozinha, apresentaram-me ao chef do dia e conheci toda a escola. Um roteiro pelas salas, cozinhas e auditórios é bem-vindo.

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Naquela semana, o menu corrente começou com uma sopa de queijo fontina com legumes.

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Uma lasanha desconstruída de ragu branco, espinafre e patê de azeitonas veio acompanhando a tilápia à moda mediterrânea. (ainda fiquei com saudade da sopa)

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E a sobremesa, um pudim de leite de coco com geleia de laranja. (Nada apaga a lembrança daquela sopa). Menu completo por R$ 49,90 (bebidas não inclusas).

Dolce Italia Ristorante Scuola

Aberto diariamente para o almoço

Avenida vindima, 1000, Parque de Eventos Eloy Kunz

Flores da Cunha

Reservas e informações: aqui!

Doceria portuguesa: lembranças de família

Conceição, minha vó. Portuguesa, com certeza!
Conceição, minha vó. Portuguesa, com certeza!

Esta ao centro é minha vó Conceição. Ao redor dela, nove dos 10 filhos no aniversário de 15 anos de minha mãe, que é a caçula. Herdei dela a origem portuguesa que me traz certa fascinação por Lisboa e o desejo de, um dia, explorar mais a gastronomia lusitana direto na fonte. Quando a conheci, Conceição já era uma senhora de idade e quem lidava com as panelas era a ajudante fiel, que, por acaso, se chama Ana, assim como eu e minha mãe. Pelas mãos de Ana, comi muita ambrosia e arroz doce. Comi até enjoar, nas férias em que pude conviver com minha vó, porque nunca morei perto.

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Uma viagem à Ásia com o menu do China Thai

DSC_0088De volta a Bento Gonçalves depois de 10 anos na Austrália e Indonésia, o chef Leandro Scotta criou aqui um cantinho asiático de sabores exóticos. Uma viagem para o outro lado do mundo em pratos da gastronomia chinesa, tailandesa e indonésia. O restaurante fica no bairro Santa Rita, mas não é difícil de encontrar. Você precisa entrar no salão para sentir o clima hinduísta e natural a que o lugar se propõe.

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Para chegada, você pode curtir um chá oriental ou pular essa etapa direto pra carta de vinhos, o que, por vezes, é mais do que necessário. A proposta étnica exige paladar curioso, mas não se preocupe: apesar da característica apimentada da maioria dos pratos, o chef deu uma dosada para as preferências locais e há opções no cardápio que não vêm com pimenta.

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Uma boa pedida para entrada são os guiozas de carne suína com pimenta doce à parte. Já tinha provado similares em Três Coroas, no restaurante ao pé do templo budista, e é algo que eu adoro. Aqui, você pode comer de uma forma bem original, com hashis. A louça e boa parte da decoração vieram direto do Oriente, na mala do chef 😉

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Do cardápio chinês, provei a massinha de arroz com camarões, repolho e carne suína. Recomendo pra quem não pode ou não gosta de pimenta.

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Um aperitivo do menu que eu amei mesmo depois de saber que não é nada light são as coxinhas BBQ. Comeria várias, mas meu prato favorito (já voltei e já repeti, que conste)…..

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É o Kho Phi Phi, a massinha tailandesa com frutos do mar, umas castanhas, uma misturinha muito louca e, por que não, uma certa dose de pimenta – grau 1, no meu caso. Se você é indeciso como eu, quando for ao #chinathai aposte logo na sequência da casa e aproveite um pouco de cada vertente da casa por R$ 100,00. Como sempre, não me sobraram forças para a sobremesa.

A tele-entrega do China Thai vem fazendo sucesso, mas, pelo menos uma vez, indico visitar o restaurante pra conhecer o verdadeiro clima asiático e receber os cumprimentos do chef.

China Thai

Rua Antônio Fornazier, 245

54 9666-3801

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Com mi madre no La Madre!

Arriba muchachos! O primeiro restaurante mexicano de Bento Gonçalves chegou causando, com direito a tequileiro cara de mau e garçons fantasiados de Quico e Chaves. Vá com bom humor e em boa companhia e você terá uma noitada divertidíssima, aos embalos da sacolejante música mexicana.

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Como toda novidade gastronômica local, o La Madre vem atraindo muita gente e o salão é relativamente pequeno – são apenas 10 mesas. Pra não ter erro, melhor reservar, mas eu cheguei sem aviso e também não esperei nenhuma eternidade. Em 15 minutos, vagou uma mesa e tudo certo.

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A carta de drinks do La Madre é bem servida. Você pode entrar no clima de um mojito ou degustar a cerveja da casa e sentir seu toque apimentado. O cardápio traz adaptações dos clássicos da cozinha mexicana, tudo com um grau comedido de pimenta para não espantar o freguês não habituado.

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Nessa primeira visita, por medo de errar fui no combo da casa, com preço excelente (R$ 68,00) e que inclui nachos, tacos e burritos. Os nachos chilli caliente eram frescos, não estavam mui calientes, mas tem bastante opções de pimenta à parte na mesa.

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Fui curtindo meu mojito e a sequência do combo foi chegando. Notei de imediato que era bastante comida pra duas pessoas – eu e ‘mi madre’. Os tacos de filé estavam bem temperados e crocantes. #delicious

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O burrito, esse era realmente grande. Não tivemos como dar conta dele, mas não sou boba nem nada, levei uma parte para casa e ainda foi um belo almoço no dia seguinte.

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O clima notívago, a batida da música mexicana e o bom humor dos anfitriões fizeram valer a pena sair de casa nesse inverno.  Papo vai, papo vem, chegamos com o restaurante lotado, saímos com a equipe fechando as portas. hehehe. Não tive como provar a sobremesa depois de tamanho jantar, então fico devendo outra visita!

 

La Madre Cozinha Mexicana

Rua Olavo Bilac, 337, Bento Gonçalves (RS)

Telefone:  3702-2364

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Menu lentamente cozido no Cannelè Bistrot

Pessoas ansiosas como eu brigam com o tempo, com o relógio e o ritmo das coisas. Pessoas como eu suspiram profundamente, como que pegando o último fôlego antes de um mergulho em águas turvas. É sem efeito. A vida tem o seu ritmo e ele está mais para uma clássica sopa de cebolas do que para um steak salteado em chapa quente.

Quando você recebe a sopa, ela é suave, conforta e esquenta a alma. Mas a natureza da cebola é ser um mistério de camadas e ferir os olhos de quem abruptamente lhe crava a faca. Para dar o melhor de si, a cebola precisa de um longo tempo em fervura, de um calor baixo e seguro que aos poucos revela sua doçura. Caros amigos, a vida e a gastronomia francesa têm muito em comum.

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Neste jantar no Cannelè Bistrot, em Canela, provei dignas adaptações da cozinha francesa. Todas lentamente cozidas, a seu tempo, revelando profundos sabores. Essa foi uma coincidência que só depois chamou minha atenção. Entre tantas opções de entradas e pratos frescos, sabe-se lá porque pedi tantos cozidos.

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Sobre o lugar, ele se mostra sóbrio, com sua luz baixa e suas pinturas da vida e personalidades parisienses. Bom para estar numa noite fria desse inverno que chega.

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Para entrada, nada mais invernal que a dita sopa de cebolas, aqui gratinada com Gruyère. Um prato que preenche.

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O prato principal já o tinha como indicação: bochecha de porco confitada ao molho de damasco e limão siciliano com purê de mandioquinha e ratatouille. Tão Paris esse prato. A gerente do Cannelè me contou que leva dias pra fazer. Estava realmente delicioso – e olhe que ultimamente não muitas receitas têm conseguido me seduzir.

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Tarte Tatin é uma torta francesa que leva o nome das irmãs que a criaram. Para as maçãs ficarem num perfeito ponto de cozimento, leva tempo. Ela não é doce em si, mas perfumada. Servida morna e com sorvete de creme, encerra um jantar que deixa uma lição às nossas vidas. O tempo é soberano de todas as coisas.

Cannelè Bistrot

Rua Danton Corrêa da Silva, 307, Canela (RS)

Reservas: (54) 3278-1499

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O mágico clichê de um jantar na Torre Eiffel

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Um bom viajante sabe que as melhores descobertas estão no inusitado, no improvável. Apesar disso, não se pode desprezar as atrações turísticas consagradas. Deve haver um bom motivo pra elas serem consagradas. Em Paris, por exemplo, você pode dedicar todo tempo do mundo pra se perder nas ruelas de Montmartre ou percorrer todos os cafés e livrarias da Geração Perdida, mas se você não curtir uma noite aos pés da Torre Eiffel, é como se não estivesse estado na Cidade Luz.

 

DSC_8049Andando a passos curtos e com olhar fixado no céu, a multidão reflete a imponência metálica do monumento erguido em honra à Exposição Universal de 1899. É o suprassumo do turismo clichê, mas ainda assim é extasiante. Cada pilar da Torre Eiffel é, certamente, maior que o meu apartamento e se a sensação já é de pequenez estando na base da torre, você mal pode imaginar como me senti lá em cima. Se você tiver uma chance na vida, reserve um jantar no 58 Tour Eiffel. Não existe chance de arrependimento.

 

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A reserva no restaurante isenta a taxa para acesso ao elevador e no primeiro andar, que está a 60 metros do chão, já é possível ter uma espetacular vista da cidade em todos os ângulos. O elevador é ainda o original – é como entrar na Belle Époque. Circulando no primeiro andar, você encontra um memorial à obra de Gustave Eiffel e alguns pontos de romance. <3 <3 <3

Certa dose de medo também parte da visita. No primeiro andar, parte do piso é de vidro. Olhar pro chão e ver as pessoas minúsculas lá embaixo é um pouco desconfortável. E olha que nem tenho medo de altura.

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Em geral, restaurantes turísticos não são indicados. Há muita gente, a comida costuma ser ruim e o saldo final é muito gasto e pouca felicidade. Esse jantar estava reservado seis meses antes e, mais de uma vez, pensei em cancelar. Ainda bem que não fiz isso, porque a experiência no 58 Tour Eiffel foi bem legal. O restaurante tem dois andares: o primeiro dá vista para a cozinha aberta, mas no segundo você pode jantar tranquilamente apreciando a vista de Paris. Por sorte ou destino, fomos acomodados atrás desse casal, no segundo piso, numa mesa com vista privilegiada do Rio Sena.

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Havia três opções de cardápio e eu comi uma sopa de cogumelos que não faço ideia de como, mas esqueci de fotografar. Outra opção de entrada era esse salmão defumado com molho tartárico, um waffle recheado com queijo e ovas de salmão.

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O prato principal que vinha após a sopa era o salmão grelhado com purê (tudo na França leva purê), tomate confitado, alho assado maravilhosamente aromático e duas – sim, somente duas – unidades de nhoque.

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O outro prato foi carne com cogumelos também vinha acompanhada de purê, porque batatas são majestade na gastronomia francesa.

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Sobremesas, para mim, são algo dispensável quando você tem um bom jantar e um bom vinho. Mas estava inclusivo no pacote, então escolhemos essa espécie gigante de profiterolis e…

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…a tortinha com mousse de chocolate com esguicho de calda de maracujá (hehe).

Como em todos os lugares de Paris, no 58 Tour Eiffel o jantar é mais caro que o almoço. Para a noite, existem várias opções de serviço com preço entre 85 e 180 euros por pessoa. O nosso era é mais barato e super valeu a pena. Se você não estiver disposto a isso, pode almoçar no restaurante por 41,50. De qualquer forma, pense bem. A noite é mágica na Torre Eiffel.

Existem outras opções de alimentação na torre. Para conhecer, clique aqui!

Felice como nunca antes

Este post tem apoio de Jornal Design Serra

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Felice foi um restaurante altamente recomendado. Enfrentamos uma longa caminhada para chegar a ele e por muito pouco não saímos de mãos abanando no último dia em Roma. Teria sido uma verdadeira lástima, mas serviu como lição: se um restaurante tem boa fama, não pense que conseguirá uma refeição tranquila sem reserva.

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Tivemos sorte de cruzar com um garçom prestativo que nos encaixou numa mesa de canto para um almoço cronometrado de meia hora. Foi bom percorrer a pé o trajeto do centro até a Via Mastro Giorgio, porque isso revelou muito sobre a vida local. O pequeno bairro de Testaccio, onde o restaurante funciona no mesmo endereço há 80 anos, tem origens operárias, mas hoje é o ponto mais cult da cidade. Soube depois que é o único caso de urbanização programada dentro da cidade de Roma. Lá estão os bares mais frequentados e as origens do time de futebol Roma. Sem saber, cruzei na ida e na volta por um dos ícones arquitetônicos do período fascista: o prédio dos Correios,  na Via Marmorata – uma obra de 1933.

Enfim que, ao chegar no Felice, fomos calorosamente recebidos e acomodados na tal mesa de cantinho – ao que nem posso reclamar, pois poderia ter ficado sem almoço. Havia um cardápio, mas isso não diz muita coisa, já que o restaurante serve um prato tradicional em casa dia da semana e o garçom se deu ao trabalho de explicar uma a uma as opções em espanhol.

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Essa foi uma refeição mais rápida do que deveria, mas envolta em descobertas que me acompanhariam desde então. No Felice, provei o mais singelo e robusto prato romano – que leva apenas três ingredientes, mas desafia até o mais experiente chef de cozinha. Falarei mais adiante.

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Descobri também que a água de Roma é gaseificada naturalmente.

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As refeições em Roma são fartas, fartas demais para uma garota comum, como eu! O primeiro prato, essa porção generosa de massa, apenas precede um belo prato de carne que ainda vem acompanhado de legumes ou salada. Chegar na sobremesa é trabalho a beça, mas vale a pena tanto quanto uma longa caminhada de volta ao hotel pelas ruas milenares de Roma. Pedi para mim um generoso Ravioli a Felice, com tomates cereja e ricota.

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Uma delícia, mas nada que se compare à hipnotizante simplicidade do Tonnarelli Cacio e Pepe…

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A receita tipicamente romana leva tão e somente massa, queijo pecorino e pimenta do reino. O segredo é a misturada que o garçom dá diante do cliente. O resultado é indescritível.

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Cordeiro é, também, uma carne tipicamente romana. Então pedimos em duas versões: assado com batatas…

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…e a milanesa com abobrinhas.

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Quando a coisa já parecia muito boa e nossa meia hora estava esgotando, o garçom que misturava italiano e espanhol pra falar conosco apareceu com uns recortes velhos de The New York Times e decretou que não poderíamos ir embora sem provar aquele tiramissú citado várias vezes no jornal. Particularmente, não gosto de sobremesas que levam creme e bolacha (condene-me por isso, mas não, não gosto de torta de bolacha). Provei porque estava ali e realmente era muito bom pra quem gosta. De minha parte, voltaria mil vezes para uma simples massa ao cacio e pepe.

Barato não foi, mas quem se importa numa hora dessas? Foram os últimos instantes dessa viagem incrível que agora está na memória e no coração. Estando em Roma, não deixe de reservar um momento Felice!

Felice a Testaccio

Via Mastro Giorgio, 29, Roma, Itália

www.feliceatestaccio.it

Paris: a versão econômica de um estrelado Michelin

Esse post tem apoio de Café Com Arte

 

A Igreja de la Madeleine e seu aspecto de templo romano, sem janelas, sem sinos e com uma estátua de Joana d’Arc no interior, é ponto de visitação obrigatório em Paris. A estética incoerente é intrigante, digna de uma obra construída ao longo de 82 anos e que leva o dedinho de Louis XV, dos anticlericais da Revolução Francesa, de Napoleão e Louis XVIII. Se você estiver em Paris, certamente passará por Madeleine – o que nos leva ao circuito gastronômico a seu redor, onde está um dos tesouros da Cidade Luz, um restaurante que tem sempre 2 ou 3 estrelas Michelin, mas oferece um anexo muito mais acessível, onde, ainda assim, tive uma bela experiência.

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Lucas Carton é um dos primeiros restaurantes gastronômicos de Paris, aberto em 1880 e adorado pelos parisienses na Belle Époque. Em 1933, quando o Guia Michelin passou a conferir 3 estrelas, foi um dos primeiros a receber a honraria. Com algumas mudanças de dono e estilo, o restaurante escreveu seu nome na história da gastronomia francesa. Seu salão, concorridíssimo, tem vista direta para Madeleine.

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É uma tentação ceder a esse luxo, mas é possível conhecer uma versão mais econômica por uma portinha lateral que leva para ao superior do restaurante, onde fica o Le Marché de Lucas.

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Tratamento de princesa em um salão com não mais do que 10 mesas e também uma bela vista. E o melhor de tudo: menu degustação a 45 euros. Dá pra sentir, de uma forma bem mais simplória, claro, do que se trata o restaurante ao lado. Uma boa amostra da alta gastronomia francesa – aqui, apresentada sem complicação, mas muito esmeradamente.

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Três pratos compõem esse menu: a entrada, um creme de cogumelos que dá boas-vindas e esquenta o corpo castigado pelo vento.

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O prato principal, um filé derretendo como manteiga e acompanhado por um clássico purê de batata que eles têm o dom de transformar em uma delícia indecifrável.

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Para a sobremesa, um clássico da patisserie francesa: tartelette de limão. Preço justo para uma pequena amostra do que custaria o dobro. Lembranças de um dezembro memorável.

Le Marché de Lucas 

9 Place de la Madeleine, Paris, França

Site: acesse aqui!