Arquivo da categoria: Doces

Todos os santos têm lugar nesse bistrô em Nova Prata

Tem um bistrô muito acolhedor em Nova Prata que é o Empório São João. Um lugar dedicado a todos os santos e às lendas da música, decorado com lindos adornos religiosos no primeiro salão e um belo vitral no teto que se vê com destaque logo na entrada. Com certeza tem a ver com o roteiro religioso que é uma das oito rotas turísticas disponíveis no município. O passeio revisita memórias da cidade e suas comunidades do interior, passando pelo que há  de mais antigo e valioso em se tratando de construções e objetos religiosos, muitos dos quais chegaram à região junto da imigração alemã.

DSC_2428

Pois no Empório São João existe um cenário de anjos e santos que se misturam com uma memorabilia muito familiar e típica das famílias de descendência italiana. Todos aqueles utensílios da nona preservados da passagem do tempo e que ganham função decorativa. Um ferro de brasa aqui, uma máquina de costura acolá.

DSC_2432

Para clientes mais agnósticos, no entanto, existe um divertido segundo salão, totalmente dedicado à música e seus grandes nomes. Capas de vinil preenchem o teto criando uma constelação de grandes estrelas musicais. Sem contar as luzes cenográficas que não tive a chance de ver acesas, pois estive no empório pra almoçar.

DSC_2438

E se comida é o que interessa, vamos ao menu, que á totalmente emocional, com pratos simples batizados com nomes curiosos, como as Bruschettas do Nono ou da Paula. Eu escolhi as Sagradas Bruschettas pra abrir o almoço. A Receita tradicional com tomates frescos, aqui servida com queijo colonial. A porção por R$ 22,00.

DSC_2434

 

Harmonizou legal com o vinho da casa que fiz questão de provar. Um branco Lorena que desce redondinho na hora do almoço. Sem muita complicação.

DSC_2447

Eis que para o prato principal pedi dessas receitas que são de família, que remetem a esses tempos outonais. As folhas caindo e as pinhas carregadas inspiram a pedir o Risoto de Pinhão da Clau, servido fumegante na panelinha de ferro. Um prato simpático que leva calabresa e vinho tinto e que pode ser facilmente adaptado em casa mesmo (sem a calabresa se você estiver na legião de novos vegetarianos nascidos com a operação Carne Fraca). A porção serviu bem a duas pessoas depois das bruschettas por R$ 28,00.

DSC_2458

E, para adoçar o dia, essas tortas de sorvete de três andares que são sempre uma pedida certeira.

Um lugar bem espirituoso, bem localizado em Nova Prata e que também serve pastéis feitos na hora, massas e carnes. Vale a pena uma visita: atendimento ao meio dia e à noite.

 

Empório São João

Avenida Adolfo Schneider, Nova Prata

Facebook: acesse aqui!

Dez grandes cozinhas no Panela no Pátio, em Caxias

O forte temporal tirou do pátio o Panela no Pátio, mas isso não apagou o estilo do evento, que reúne um elenco de dez grandes chefs de Caxias do Sul, cada um com sua especialidade e a preços megaconvidativos: até R$ 25,00.

Essa foi a segunda edição do evento supercharmoso, cheio de gente bacana e com todo o charme do Quinta Estação. Uma terceira edição já está prometida para esse ano ainda. Com muito esforço, consegui dar uma bicadinha em todas as cozinhas. Algumas coisas foram memoráveis.

DSC_3010

A Escola de Gastronomia da UCS, com a assinatura do memorável chef italiano Mauro Cingolani, trouxe um rosbife com bacon no pão ciabata. Com vários molhos à escolha, coloquei uma grande dose de mostarda com mel e ficou bem delicioso. Custou R$ 20,00.

DSC_3074

Na cozinha do chef Henrique Neves, que se prepara para abrir um bistrot de vinhos em Caxias agora em abril, o ravióli de alcachofra ganhou ares de Master Chef com a espuminha de parmesão colocado com o sifão. Coisa chique, sô, por R$ 20,00.

DSC_3071

Da cozinha do Quinta Estação dividindo seu salão com o time no Panela no Pátio, o chef Vicente Perini apostou no confort food com uma generosa porção de risoto de bacalhau servido com uma deliciosa batatinha com ervas. Capricho na entrega e delicadeza de sabores por R$ 20,00.

DSC_3048

Pelos mesmos R$ 20,00, a Escola de Gastronomia Sal a Gosto trouxe um substancioso e suculento pullet pork ao barbecue servido no pãozinho com fatias de provolone. A cereja do bolo foi a mostarda reduzida com Jack Daniels. Grande receita!

DSC_3023

A cozinha étnica foi delicadamente bem representada pela chef Daniela Chedid, com uma variedade de receitas libanesas. Tinha kibe, Beirute e a tradicional doceria libanesa com uma cheirosa baclawa, mas acabei provando a Mjadra no Pote, que é uma mistura de arroz e lentilhas com um toque de cebolas caramelizadas por cima. Uma comida muito amorosa, remeteu à família – talvez pelas minhas raízes libanesas <3

DSC_3047

Os queridos da Nella Pietra Pizzaria arrasaram com a pizza expressa do chef Fábio Centenaro. Eu bem sei que pizza boa não precisa de uma infinidade de recheios. Uma marguerita bem feita é o que basta! R$ 20,00.

DSC_3033

Já difícil manter o ritmo, mas dei uma passada rápida no Mercado do Sanduíche pra rememorar grandes dias no Mercado Público de São Paulo, onde o sanduba de mortadela é um clássico. Aqui a mortadela Ceratti foi a estrela do dia – e não precisa mais nada além de um pãozinho d’água e umas fatias de queijo pra criar uma tentação irresistível por R$ 15,00.

DSC_3044

Chega de comer? Não, só uma pausa pra sobremesa. Joana, minha pequena ajudante de Culinarismo, ficou toda fã dos brownies da Doce Forma e levou um saquinho deles pra casa. Agora temos lá um estoquinho de brownies de MM’s, Stikadinho, chocolate ao leite e limão siciliano, que achei divino. Coisa mais afetiva com o atendimento querido da Simone Vanin por R$ 5,00 o pedaço.

DSC_3061

Brigadeiro é a especialidade da Márcia Callai, da Original Brigaderia. Uma infinidade de sabores e coloridos por R$ 5,00 a unidade, mas o que me cativou mesmo foi o inusitado docinho de grana padano, com seu toque salgadinho. É doido, mas é ótimo.

DSC_3080

Antes de me render à culpa, ainda passei pela banca do chef Alexandre Reolon, do Yoo Boutique, que estava flambando na hora o seu spaguetti all mare, com ostras e tudo mais. Uma generosa refeição por R$ 25,00.

DSC_3066

Entre uma prova e outra, tinha DJ, drinks e beers que adorei provar. Um conselho: não tente repetir esse exagero! Haha. Na próxima edição do Panela no Pátio, vou levar alguns ajudantes de degustação. Haha.

DSC_3016

Panela no Pátio

Para mais informações, clique aqui!

Sabor de adoçar a vida na Varanda do Bolo

Um bolinho é aconchego, é esticar de pernas, é prosa leve. Aquela coisa de vó, com um cafezinho passado. hmmm. Deu vontade agora, mas não tenho. O jeito é relembrar os momentos de ontem mesmo, quando me deliciei na vitrine da Varanda do Bolo, em Caxias. A casa ainda não completou um ano de nova direção e novo nome (antes era Vó Neida), mas é só se recostar numa das delicadas almofadas pra se sentir totalmente íntimo do lugar.

DSC_2962

A ideia da Carla, a proprietária, é espalhar lindos bolos caseiros por Caxias.

DSC_2970O feitio é totalmente artesanal, sem misturas prontas e usando somente frutas frescas. Ao todo, são 20 tipos de bolo, mais três modelos de torta e outros tantos bolos de pote. Existem várias opções sem lactose. <3

DSC_2966

Naturalmente, não consegui provar toda a oferta da casa, mas escolhi a dedo alguns bolinhos, incluindo o naked cake, lançamento da estação – com ganache de chocolate branco e morangos.

DSC_2972

Também me arrisquei num clássico red velvet com cobertura cítrica açucarada.

DSC_2975

E depois, invertendo a lógica, provei o bolo salgado de palmito pra dar uma quebrada na doçura. Em média, as fatias custam R$ 6,00 e são bem generosas. Mas a ideia também é que você leve o bolo inteiro pra casa ou pra agradar o pessoal no trabalho, por R$ 27,00. Uma delícia pra confortar o dia.

 

Varanda do Bolo

Rua Vereador Mário Pezzi 662, sala 01,

Bairro Exposição, Caxias do Sul

Facebook: clique aqui!

Rancho América: melhor pastel, melhor cenário na beira da estrada

Um lugar de passagem, um tesouro pros colecionadores nas margens da 287, em Santa Cruz do Sul.

DSC_2107

Imagina a loucura de entrar num café onde você pode comprar absolutamente qualquer coisa que sua vista alcance?

DSC_2090

Não apenas os suvenires, as peças de moto, os quadros e a lambreta antiga, mas qualquer um dos objetos cênicos e até pratos e talheres em que lhe servem a refeição.

DSC_2059

É uma deliciosa diversão. Vire o cardápio: ele terá um preço.

DSC_2056

Pra comer, tem de tudo: um lindo balcão de tortas, um self service de doces e salgados, uma perna de salame e uma peça de queijo (risos). Mas a fama da casa, indiscutivelmente, está no pastel frito na hora e no inusitado penico de fritas (sim, elas são servidas no penico de louça).

Nesse dia em específico, abri mão de me portar comedidamente e comi bem mais do que devia. Dividi um pouco, é bem verdade…mas comi um pouco de tudo o que aparece nas fotos. É porque o pastel era excelente, mas a torta também, e a pizza-bolo também, assim como o café!

DSC_2062

Entre um pedido e outro, fiquei vasculhando algumas das ofertas incríveis do lugar. É um paraíso para os colecionadores.

 

Rancho América

RSC 287 km 98, Santa Cruz do Sul

Facebook: acesse aqui!

Boa surpresa no Casa Emiglia Ristorante

Já contei aqui no blog como a Nella Pietra arrasou em Bento Gonçalves com uma pizza de ingredientes nobres e sabores surpreendentes, mas os tempos mudam conforme a banda toca e a pizzaria agora é o aconchegante Casa Emiglia Ristorante. Uma casa de massas e filés com bons vinhos e uma cuidadosa decoração rústica. Mesmo endereço, outra ideia.

dsc_1626O número de mesas foi reduzido para atender o cliente com ainda mais delicadeza. São três salões com bastante privacidade. O nível térreo é ideal para casais ou pequenos grupos. Os demais espaços acomodam bem grupos maiores.

dsc_1629O colorido dos pratos encanta de primeira. Além de uma página só de aperitivos, a salada mediterrânea é uma das sugestões de entrada e foi servida perfeitamente fresca. R$ 26,00.

dsc_1651

Todas as opções do menu servem duas pessoas, mas você pode pedir meias porções, como eu fiz, aproveitando mais as massas e filés da casa. Por recomendação da cozinha, provei o ravióli de brie e figos, de toque adocicado que harmoniza perfeitamente com o molho de tomates confitados e lascas de pecorino. Massa fresca feita na casa, o que faz toda diferença no sabor. A porção inteira por R$ 89,00.

dsc_1642

Complementamos com um arrasador Filé Abraçadinho, uma invenção espetacular que entra para a lista de boas carnes em Bento Gonçalves. Consiste em um embrulho de queijo precisamente tostado e que abraça o filé. Por cima, molho de tomate da casa e um molho verde especial. A porção para dois, por R$ 95,00, acompanha arroz e pão caseiro assado na palha de milho.

dsc_1656

Agora atente para a carta de sobremesas – é um escândalo. A torta de sorvete que a pizzaria já servia virou Semifreddo Emiglia: três chocolates e calda de morango. R$ 22,00.

dsc_1653

Exageradamente delicioso é, também, o Gateau da Casa Emiglia. Sobre um bolinho quente de chocolate, o sorvete de creme, biscoitinhos amanteigados, morangos frescos e calda de chocolate. Nunca vi minha filha tão radiante. São R$ 26,00.

Se você chegou até aqui vai gostar de saber que o ristorante abre às segundas-feiras, o que é uma reclamação clássica de todo morador de Bento Gonçalves!!! Também de quarta à sábado, sempre a partir das 19h.

 

Casa Emiglia Ristorante

Quinze de Novembro esquina com Herny Hugo Dreher

Bento Gonçalves

Telefone: (54) 3125-0505

Abre às segundas e de quarta à sábado, a partir das 19h

Facebook: clique aqui!

Doceria portuguesa: lembranças de família

Conceição, minha vó. Portuguesa, com certeza!
Conceição, minha vó. Portuguesa, com certeza!

Esta ao centro é minha vó Conceição. Ao redor dela, nove dos 10 filhos no aniversário de 15 anos de minha mãe, que é a caçula. Herdei dela a origem portuguesa que me traz certa fascinação por Lisboa e o desejo de, um dia, explorar mais a gastronomia lusitana direto na fonte. Quando a conheci, Conceição já era uma senhora de idade e quem lidava com as panelas era a ajudante fiel, que, por acaso, se chama Ana, assim como eu e minha mãe. Pelas mãos de Ana, comi muita ambrosia e arroz doce. Comi até enjoar, nas férias em que pude conviver com minha vó, porque nunca morei perto.

Continue lendo Doceria portuguesa: lembranças de família

Ricordare la bella Italia

Um café pra concentrar, uma taça de vinho pra acalorar, um gelato pra viajar direto à Itália, relembrando velhos dias de passo descompassado à beira do rio Arno. Um jovem músico tocando seu violino na Duomo. A buzina estridente das bicicletas pedindo passagem. O sol de outono refestelando-se nas minhas bochechas. Quando a Itália dentro de mim acende essas doces lembranças, é que eu sento no Ricordare e deixo a mente voar longe.

DSC_9848
Gosto do clima despretensioso, da cadeira de balanço e do pôr do sol privilegiado que a casa oferece, lembrando a todo momento que a dolce vita está onde eu estiver em paz comigo mesma.

DSC_9424

A história de Pablo e Vanessa, os jornalistas que abandonaram carreira pra viver esse sonho de receber e servir, é cheia de inspiração. Na Irlanda, eles fizeram dinheiro para o negócio. Na Itália, buscaram referências estéticas e receitas consagradas. É um lugar sem cerimônias, onde você senta e cruza as pernas, como no sofá de casa.

DSC_9414

Com grãos da irretocável Illy e usando apenas as receitas originais da marca, o Ricordare está sempre aromatizado pelo café. As receitinhas da chef Idana Spassini seguem a proposta descompromissada, os pedidos se fazem no balcão, a música naturalmente é italiana. Para o panini, pão especial da Pannero Panneteria.

DSC_9841

Tão bom quanto o café é o gelato, delicado, cremoso e servido com um toque da casa que faz toda a diferença: o sorriso vem de brinde. A receita italiana, artesanal e com base em ingredientes naturais, tem metade da gordura de um sorvete comum. Mais sabor, menos culpa.

DSC_9421

Correm notícias de que o pistache usado no sabor de mesmo nome vem realmente da Itália – o que, a mim, não soa estranho.  O sabor inesquecível é como uma obra de arte esculpida desde a escolha de sua matéria-prima. Afinal, em pedra vagabunda não se esculpe um David de Michelangelo 😉

DSC_9412

Olha a minha obra prima, sempre companheira dessas aventuras culinarísticas. Íntima de Vanessa e Pablo. 😀 <3

Ricordare

Avenida Planalto, 1029, Bento Gonçalves (RS)

Aberto de terça a quinta, das 14h às 20h; sexta e sábado, das 14h às 21h; domingos, das 15h às 20.

Facebook: Acesse aqui!

Osteria Della Colombina: mais que uma refeição, uma contemplação

*Alerta de post longo. Desculpa, mas vale a pena

 

Quando criou o movimento Slow Food, há 26 anos, o jornalista italiano Carlo Petrini o fez por acreditar na gastronomia como via de transformação. Por acreditar no respeito ao meio ambiente, na biodiversidade e num modo de vida menos massivo. Eu também acredito nisso. A gastronomia boa, limpa e justa movimenta o corpo, a alma, comunidades inteiras, a economia e o planeta. Vi de perto essa transformação quando bati à porta da Osteria Della Colombina e provei de uma comida tratada como expressão cultural.

DSC_6938

Coisas mágicas acontecem da propriedade Bettú Lazzari, no interior de Garibaldi, que pertence à família desde o primeiro imigrante a pisar no Brasil. Por três gerações de agricultores, a mesma terra deu-lhes, mas, viúva precocemente, Odete e as quatro filhas mulheres não puderam manter o ritmo de produção das videiras e vacas leiteiras. A propriedade começou a se degradar e as mais velhas se mudaram para a cidade, num movimento de êxodo rural que se repetiu com centenas de famílias na Serra Gaúcha.

DSC_6957

A caçula Raísa provavelmente seria a próxima a deixar o interior se a mãe não estivesse com o ouvido ligado no radinho quando a prefeitura de Garibaldi anunciava a criação de um projeto-piloto de turismo rural. Durante dois anos, Odete e as filhas preparam a casa e a propriedade para a criação da Estrada do Sabor. Em 2001, abriram as portas para os primeiros turistas e aí começa a transformação que a comida boa, limpa e justa é capaz de promover.

DSC_6943

Pra começo de conversa, a propriedade agrícola tem certificado de produção orgânica. Tudo o que é produzido na horta, nos pomares e no curral é livre de agrotóxicos e vai direto da terra para a cozinha. Impressionantes 75% do que é servido aos clientes é produzido ali mesmo – incluindo o queijo, o suco e o vinho. Além de parada obrigatória na Estrada do Sabor, a família Bettú Lazzari é uma das fundadoras do convívio local do Slow Food na Serra Gaúcha. Também é um dos estabelecimentos que faz parte do Tour da Experiência, uma iniciativa do Sindicato Empresarial da Gastronomia e Hotelaria (SEGH).

DSC_6941

Isso é movimento, é engajamento, é a transformação de que Carlo Petrini fala. Já seria o suficiente pra esse post, mas ainda nem falei da comida. No porão da casa da família, ainda de chão batido e ornamentado com objetos centenários, serve-se muito mais que um cardápio farto. Serve-se um resgate histórico da imigração italiana, representado por objetos de família e pela honestidade de cada receita. Acompanha comigo:

DSC_6968

 

 

O limoncello, feito com os limões do pomar…que bebi na hora errada, antes do almoço 😉

 

 

 

DSC_6971

Pra abrir os trabalhos gastronômicos, uma tradicionalíssima polenta brustolada com queijo e salame.

DSC_6982

A sopa de capeletti, para mim, é a maior representação gastronômica da cultura, dos fazeres e dos sabores do imigrante. A sopa da dona Odete, natural e autêntica, dificilmente será superada.

DSC_6984

A salada orgânica tem sabor de verdade e traz a delicadeza das flores comestíveis: flor de crem e dente-de-leão.

DSC_6987

A sequência de pratos principais é tipicamente italiana. Ou seja, farta e forte.  O nhoque aos três queijos acompanha uma galinha ao molho lentamente cozida em molho de tomate e especiarias.

DSC_6988

Como se já não fosse suficiente, escalopes de carne com legumes grelhados e bacon…

DSC_6991

 

…e uma tradicional fortaia. Depois podia repetir tudo, mas nem que eu quisesse conseguiria.

 

DSC_7001

A mesa de doces encerra esse banquete slow food que demanda tempo, bom humor e boa companhia para ser desfrutado à altura. Tudo é feito por dona Odete: sorvete de creme e limão siciliano com goiabada; compota de laranja e os biscoitinhos típicos chamados de sfregolá.

A Osteria Della Colombina atende somente com reservas para grupos, mas você pode fazer como eu e se encaixar em um grupo maior, aproveitando a agenda de abertura da casa. Vá com tempo: essa é uma refeição que não se faz em menos de duas horas.

DSC_7007

 

 

Cada visitante da osteria leva consigo uma pequena colombina, tradição dos imigrantes que Odete orgulhosamente preserva e dissemina.

 

 

A experiência completa custa R$ 55,00 (bebidas à parte). E, além de tudo que come estando lá, também dá pra levar um pedacinho da osteria para casa com as geleias, compotas e conservas orgânicas de dona Odete. Espero ter conseguido expressar que não se trata apenas de uma refeição, mas de uma reflexão e uma contemplação.

Osteria Della Colombina

Estrada do Sabor, comunidade Linha São Jorge, Garibaldi

Reservas: (54) 3464 7755 ou (54) 9121 1040

E-mail: colombina@estradadosabor.com.br

Quebrando tabus no Jamie’s Italian

Pelo menos quatro paulistas me alertaram que ir ao restaurante do Jamie Oliver em São Paulo era furada. O lugar foi sentenciado: fila infinita e comida simplória. Eu, como prefiro pagar pra ver, foquei na curiosidade e fui. Ainda que as possibilidades de encontrar o próprio Jamie fossem zero, eu queria muito experimentar o legado desse chef inglês especializado em comida italiana que já fez campanha mundial contra o McDonald’s. Li alguns de seus livros e assisti muitos episódios dos seus programas de tevê. Sei que comida rebuscada não é a promessa nem a entrega do chef. Então, já imaginei que o restaurante não se prestaria a requintes.

DSC_5952

De fato, existia uma fila. De fato, era longa…mas nada perto de infinita. Quando ligamos para reservar, a hostess avisou que a espera aproximada para duas pessoas seria de 45 minutos. E foi exatamente o que esperamos: 30 minutos do lado de fora e mais 15 dentro do restaurante, onde já pudemos aperitivar. Não é algo que incomode quando há tempo e disposição. Enquanto esperava, pude observar muita gente perguntando com que frequência o Jamie Oliver aparece por ali e por que ele chamou brigadeiro de porcaria em uma de suas passagens pelo Brasil.

DSC_5918Já dentro do lugar, a primeira impressão é de um salão extremamente barulhento, onde se arrastam as cadeiras e se fala demasiado alto. Mas eu estava de bom humor e a comida chega rápido. Apesar do aparente caos, existem garçons em número suficiente e o atendimento é bastante preciso. Ademais, as pessoas parecem trabalhar felizes, o que contribui, e muito, para uma avaliação positiva do serviço.

DSC_5925

O Jamie’s Italian preserva a tradição do confort food e estimula o uso de ingredientes frescos e da estação. Por isso, as sugestões do dia ficam bem visíveis em um quadro negro na entrada do salão principal, onde tive a sorte de sentar e apreciar ao vivo o preparo das entradas e sobremesas na cozinha aberta.

DSC_5933Além dos pratos do dia, o restaurante oferece um bom menu de entradas, pastas e carnes – todos com preço justo, diga-se de passagem. O mais importante é que as coisas parecem frescas. Mesmo antes de comer qualquer coisa, pude espiar nos pratos alheios muita cor, aroma e belas composições. Bem servido, mas sem requinte.

DSC_5936Para entrada, não pude conter minha curiosidade sobre “as melhores azeitonas do mundo”: porção a R$ 25,00. O garçom revelou os segredos desse antepasto. São azeitonas italianas orgânicas, tiradas do pé diretamente para a salmoura e servidas com pasta de azeitona preta com tomate seco e pão “carta di musica” (uma massa finíssima e crocante produzida na Sardenha e que, em tempos remotos, era usada para escrever partituras quando aos músicos faltava papel). O sabor era realmente muito bom, mas foi a história que me conquistou.

DSC_5942

As massas da casa têm duas opções de porção e, respectivamente, duas opções de preço. A porção pequena desse linguini aos camarões, por exemplo, custava R$ 42,00. Um prato mais generoso sai por R$ 64,00. É suave e fresco. A massa, feita no dia. O garçom indica misturar bem para incorporar massa e molho antes de comer.

DSC_5943 A berinjela a parmegiana com mozzarela  di bufala servida com pão de alho custou tão somente R$ 39,00 e estava realmente muito bom. Realmente. Mesmo. Uma coisa tão simples e tão boa.

 DSC_5958Embora os pratos principais do Jamie’s Italian sejam realmente muito bons, como frisado acima, é consenso que a prata da casa se come após o jantar. As sobremesas são de uma autenticidade e sabor dignos de repeteco. Acima, uma taça de abacaxi e romã macerados em suco de limão, pimenta dedo de moça e hortelã. Servido com frozen yogurt. Pra enfeitar, um crisp de sei-lá-o-quê. Custou R$ 16,00.

DSC_5961E, pra passar a régua, cheesecake de limão siciliano com mascarpone aveludado e cobertura de merengue italiano. Servido com lemon curd e calda de amoras. Beijinho no ombro: R$ 19,00.

O balanço final dessa experiência foi acima da média. A entrega foi legal e a conta não foi cara, em se tratando de padrões paulistas e uma assinatura internacional. Quando o assunto é restaurante, é sempre bom pagar pra ver. Se eu tivesse seguido as indicações naquele dia, jamais teria pisado do Jamie’s Italian – algo que eu poderia fazer de novo sem pestanejar.

Jamie’s Italian São Paulo

Av. Horácio Lafer, 61, Moema, São Paulo

Reservas: (11) 2365-1309

Site: acesse aqui!

RER Divino, um pequeno notável!

A coisa andou punk nas últimas semanas e acabei cheia de postagens deliciosas na gaveta, mas sem conseguir tempo pra organizar todo o material. Estava ansiosa pra sentar com calma e contar pra vocês a estupenda experiência que tive no RER DiVino, esse pequeno notável que torna ainda mais charmoso o centro histórico de Garibaldi. O lugar já existe há três anos e vale a visita sempre que a ocasião pedir um bom vinho ou espumante perfeitamente harmonizado.

IMG_1668

Pra começo de conversa, o RER DiVino é um empório e champanharia – o que, trocando em miúdos, significa que você pode ir apenas comprar vinhos ou espumantes ou desfrutar de um almoço ou jantar harmonizado. A casa serve petiscos e pratos individuais de terça a sábado e uma sequência especial de massas, risoto e carnes no almoço de domingo. Tudo isso em um espaço superprivado que comporta não mais que oito mesas.

IMG_1579

A primeira dica aqui é: se quiser uma mesa na adega superintimista, reserve com antecedência ou correrá o risco de perder essa experiência charmosa que acontece entre mais de 200 rótulos nacionais e importados. A ideia aqui é desfrutar de uma estada agradável, sem pressa e sem o frenesi dos restaurantes badalados. À meia luz, a adega convida a um brinde especial com alguém especial – ou alguéns. Não existe carta de vinhos: o cliente escolhe na própria adega.

IMG_1550

 

 

A champanharia, por outro lado, é o ambiente de maior circulação da casa, perfeito pra um tira-gosto no fim da tarde ou um jantar menos cerimonioso.

 

IMG_1540No RER Divino, você não precisa beber além da conta ou limitar a harmonização dos seus pratos. Se a pedida da noite for um bom espumante, saiba que a casa trabalha apenas com vinícolas nacionais e oferece diariamente algumas opções vendidas em taça. Isso porque, ao contrário do vinho, espumante não convém sobrar para o dia seguinte.

Feitas as honras da casa, vamos ao que interessa. Tive a oportunidade de fazer uma degustação dinâmica com todas as principais vertentes do cardápio e, com propriedade, vos digo: árdua é a tarefa da escolha. O cardápio é descomplicado, trivial, mas feito com bons ingredientes e bem empratado.

IMG_1597

No almoço, o cliente monta o prato escolhendo uma opção de carne, massa ou risoto. A salada e a sobremesa acompanham. Se estiver indeciso, vá nessa sugestão: salmão com risoto de gruyère e raspas de limão. para finalizar, sorvete de creme com calda de morango da casa. O preço aqui varia de R$ 16 a R$ 39, de acordo com os elementos escolhidos.

IMG_1617

 

 

O happy hour fica muito mais happy com essa salsicha Frankfurt com mostarda amarela. Custa algo em torno de R$ 20. Não mencionei antes, mas o RER Divino também tem uma carta de cervejas especiais.

 

 

IMG_1686
No jantar, você pode escolher uma opção do cardápio, como esse salmão na crosta com arroz crocante ou…

IMG_1642

…aproveitar a sugestão da semana, que nesse dia incluía o entrecot ao funghi.

IMG_1706

O jantar vale a pena, certamente, mas minha surpresa mais grata nessa visita foi o brownie  com ganache de chocolate e sorvete de creme. Logo eu, que nem sou muito fã de sobremesa. Sem sombra de dúvida, foi o melhor brownie de toda a minha existência. Nada de bolo pronto, nada de bolo de caneca…tudo feito na própria cozinha – o brownie, a calda, o ganache. Mal posso esperar pra reviver esse momento.

 

RER Divino

Rua Dante Grossi, 379, Centro, Garibaldi

Reservas: (54) 3462-2913

http://www.rerdivino.com.br/

Facebook: acesse aqui!

Almoço executivo de terça a sábado, das 11h30min às 14h30min

Aos domingos, almoço família

Happy Hour de terça a sábado

Jantar de terça a sábado