Arquivo da categoria: Doces

Rancho América: melhor pastel, melhor cenário na beira da estrada

Um lugar de passagem, um tesouro pros colecionadores nas margens da 287, em Santa Cruz do Sul.

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Imagina a loucura de entrar num café onde você pode comprar absolutamente qualquer coisa que sua vista alcance?

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Não apenas os suvenires, as peças de moto, os quadros e a lambreta antiga, mas qualquer um dos objetos cênicos e até pratos e talheres em que lhe servem a refeição.

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É uma deliciosa diversão. Vire o cardápio: ele terá um preço.

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Pra comer, tem de tudo: um lindo balcão de tortas, um self service de doces e salgados, uma perna de salame e uma peça de queijo (risos). Mas a fama da casa, indiscutivelmente, está no pastel frito na hora e no inusitado penico de fritas (sim, elas são servidas no penico de louça).

Nesse dia em específico, abri mão de me portar comedidamente e comi bem mais do que devia. Dividi um pouco, é bem verdade…mas comi um pouco de tudo o que aparece nas fotos. É porque o pastel era excelente, mas a torta também, e a pizza-bolo também, assim como o café!

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Entre um pedido e outro, fiquei vasculhando algumas das ofertas incríveis do lugar. É um paraíso para os colecionadores.

 

Rancho América

RSC 287 km 98, Santa Cruz do Sul

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Boa surpresa no Casa Emiglia Ristorante

Já contei aqui no blog como a Nella Pietra arrasou em Bento Gonçalves com uma pizza de ingredientes nobres e sabores surpreendentes, mas os tempos mudam conforme a banda toca e a pizzaria agora é o aconchegante Casa Emiglia Ristorante. Uma casa de massas e filés com bons vinhos e uma cuidadosa decoração rústica. Mesmo endereço, outra ideia.

dsc_1626O número de mesas foi reduzido para atender o cliente com ainda mais delicadeza. São três salões com bastante privacidade. O nível térreo é ideal para casais ou pequenos grupos. Os demais espaços acomodam bem grupos maiores.

dsc_1629O colorido dos pratos encanta de primeira. Além de uma página só de aperitivos, a salada mediterrânea é uma das sugestões de entrada e foi servida perfeitamente fresca. R$ 26,00.

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Todas as opções do menu servem duas pessoas, mas você pode pedir meias porções, como eu fiz, aproveitando mais as massas e filés da casa. Por recomendação da cozinha, provei o ravióli de brie e figos, de toque adocicado que harmoniza perfeitamente com o molho de tomates confitados e lascas de pecorino. Massa fresca feita na casa, o que faz toda diferença no sabor. A porção inteira por R$ 89,00.

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Complementamos com um arrasador Filé Abraçadinho, uma invenção espetacular que entra para a lista de boas carnes em Bento Gonçalves. Consiste em um embrulho de queijo precisamente tostado e que abraça o filé. Por cima, molho de tomate da casa e um molho verde especial. A porção para dois, por R$ 95,00, acompanha arroz e pão caseiro assado na palha de milho.

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Agora atente para a carta de sobremesas – é um escândalo. A torta de sorvete que a pizzaria já servia virou Semifreddo Emiglia: três chocolates e calda de morango. R$ 22,00.

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Exageradamente delicioso é, também, o Gateau da Casa Emiglia. Sobre um bolinho quente de chocolate, o sorvete de creme, biscoitinhos amanteigados, morangos frescos e calda de chocolate. Nunca vi minha filha tão radiante. São R$ 26,00.

Se você chegou até aqui vai gostar de saber que o ristorante abre às segundas-feiras, o que é uma reclamação clássica de todo morador de Bento Gonçalves!!! Também de quarta à sábado, sempre a partir das 19h.

 

Casa Emiglia Ristorante

Quinze de Novembro esquina com Herny Hugo Dreher

Bento Gonçalves

Telefone: (54) 3125-0505

Abre às segundas e de quarta à sábado, a partir das 19h

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Doceria portuguesa: lembranças de família

Conceição, minha vó. Portuguesa, com certeza!
Conceição, minha vó. Portuguesa, com certeza!

Esta ao centro é minha vó Conceição. Ao redor dela, nove dos 10 filhos no aniversário de 15 anos de minha mãe, que é a caçula. Herdei dela a origem portuguesa que me traz certa fascinação por Lisboa e o desejo de, um dia, explorar mais a gastronomia lusitana direto na fonte. Quando a conheci, Conceição já era uma senhora de idade e quem lidava com as panelas era a ajudante fiel, que, por acaso, se chama Ana, assim como eu e minha mãe. Pelas mãos de Ana, comi muita ambrosia e arroz doce. Comi até enjoar, nas férias em que pude conviver com minha vó, porque nunca morei perto.

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Ricordare la bella Italia

Um café pra concentrar, uma taça de vinho pra acalorar, um gelato pra viajar direto à Itália, relembrando velhos dias de passo descompassado à beira do rio Arno. Um jovem músico tocando seu violino na Duomo. A buzina estridente das bicicletas pedindo passagem. O sol de outono refestelando-se nas minhas bochechas. Quando a Itália dentro de mim acende essas doces lembranças, é que eu sento no Ricordare e deixo a mente voar longe.

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Gosto do clima despretensioso, da cadeira de balanço e do pôr do sol privilegiado que a casa oferece, lembrando a todo momento que a dolce vita está onde eu estiver em paz comigo mesma.

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A história de Pablo e Vanessa, os jornalistas que abandonaram carreira pra viver esse sonho de receber e servir, é cheia de inspiração. Na Irlanda, eles fizeram dinheiro para o negócio. Na Itália, buscaram referências estéticas e receitas consagradas. É um lugar sem cerimônias, onde você senta e cruza as pernas, como no sofá de casa.

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Com grãos da irretocável Illy e usando apenas as receitas originais da marca, o Ricordare está sempre aromatizado pelo café. As receitinhas da chef Idana Spassini seguem a proposta descompromissada, os pedidos se fazem no balcão, a música naturalmente é italiana. Para o panini, pão especial da Pannero Panneteria.

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Tão bom quanto o café é o gelato, delicado, cremoso e servido com um toque da casa que faz toda a diferença: o sorriso vem de brinde. A receita italiana, artesanal e com base em ingredientes naturais, tem metade da gordura de um sorvete comum. Mais sabor, menos culpa.

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Correm notícias de que o pistache usado no sabor de mesmo nome vem realmente da Itália – o que, a mim, não soa estranho.  O sabor inesquecível é como uma obra de arte esculpida desde a escolha de sua matéria-prima. Afinal, em pedra vagabunda não se esculpe um David de Michelangelo 😉

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Olha a minha obra prima, sempre companheira dessas aventuras culinarísticas. Íntima de Vanessa e Pablo. 😀 <3

Ricordare

Avenida Planalto, 1029, Bento Gonçalves (RS)

Aberto de terça a quinta, das 14h às 20h; sexta e sábado, das 14h às 21h; domingos, das 15h às 20.

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Osteria Della Colombina: mais que uma refeição, uma contemplação

*Alerta de post longo. Desculpa, mas vale a pena

 

Quando criou o movimento Slow Food, há 26 anos, o jornalista italiano Carlo Petrini o fez por acreditar na gastronomia como via de transformação. Por acreditar no respeito ao meio ambiente, na biodiversidade e num modo de vida menos massivo. Eu também acredito nisso. A gastronomia boa, limpa e justa movimenta o corpo, a alma, comunidades inteiras, a economia e o planeta. Vi de perto essa transformação quando bati à porta da Osteria Della Colombina e provei de uma comida tratada como expressão cultural.

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Coisas mágicas acontecem da propriedade Bettú Lazzari, no interior de Garibaldi, que pertence à família desde o primeiro imigrante a pisar no Brasil. Por três gerações de agricultores, a mesma terra deu-lhes, mas, viúva precocemente, Odete e as quatro filhas mulheres não puderam manter o ritmo de produção das videiras e vacas leiteiras. A propriedade começou a se degradar e as mais velhas se mudaram para a cidade, num movimento de êxodo rural que se repetiu com centenas de famílias na Serra Gaúcha.

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A caçula Raísa provavelmente seria a próxima a deixar o interior se a mãe não estivesse com o ouvido ligado no radinho quando a prefeitura de Garibaldi anunciava a criação de um projeto-piloto de turismo rural. Durante dois anos, Odete e as filhas preparam a casa e a propriedade para a criação da Estrada do Sabor. Em 2001, abriram as portas para os primeiros turistas e aí começa a transformação que a comida boa, limpa e justa é capaz de promover.

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Pra começo de conversa, a propriedade agrícola tem certificado de produção orgânica. Tudo o que é produzido na horta, nos pomares e no curral é livre de agrotóxicos e vai direto da terra para a cozinha. Impressionantes 75% do que é servido aos clientes é produzido ali mesmo – incluindo o queijo, o suco e o vinho. Além de parada obrigatória na Estrada do Sabor, a família Bettú Lazzari é uma das fundadoras do convívio local do Slow Food na Serra Gaúcha. Também é um dos estabelecimentos que faz parte do Tour da Experiência, uma iniciativa do Sindicato Empresarial da Gastronomia e Hotelaria (SEGH).

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Isso é movimento, é engajamento, é a transformação de que Carlo Petrini fala. Já seria o suficiente pra esse post, mas ainda nem falei da comida. No porão da casa da família, ainda de chão batido e ornamentado com objetos centenários, serve-se muito mais que um cardápio farto. Serve-se um resgate histórico da imigração italiana, representado por objetos de família e pela honestidade de cada receita. Acompanha comigo:

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O limoncello, feito com os limões do pomar…que bebi na hora errada, antes do almoço 😉

 

 

 

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Pra abrir os trabalhos gastronômicos, uma tradicionalíssima polenta brustolada com queijo e salame.

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A sopa de capeletti, para mim, é a maior representação gastronômica da cultura, dos fazeres e dos sabores do imigrante. A sopa da dona Odete, natural e autêntica, dificilmente será superada.

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A salada orgânica tem sabor de verdade e traz a delicadeza das flores comestíveis: flor de crem e dente-de-leão.

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A sequência de pratos principais é tipicamente italiana. Ou seja, farta e forte.  O nhoque aos três queijos acompanha uma galinha ao molho lentamente cozida em molho de tomate e especiarias.

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Como se já não fosse suficiente, escalopes de carne com legumes grelhados e bacon…

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…e uma tradicional fortaia. Depois podia repetir tudo, mas nem que eu quisesse conseguiria.

 

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A mesa de doces encerra esse banquete slow food que demanda tempo, bom humor e boa companhia para ser desfrutado à altura. Tudo é feito por dona Odete: sorvete de creme e limão siciliano com goiabada; compota de laranja e os biscoitinhos típicos chamados de sfregolá.

A Osteria Della Colombina atende somente com reservas para grupos, mas você pode fazer como eu e se encaixar em um grupo maior, aproveitando a agenda de abertura da casa. Vá com tempo: essa é uma refeição que não se faz em menos de duas horas.

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Cada visitante da osteria leva consigo uma pequena colombina, tradição dos imigrantes que Odete orgulhosamente preserva e dissemina.

 

 

A experiência completa custa R$ 55,00 (bebidas à parte). E, além de tudo que come estando lá, também dá pra levar um pedacinho da osteria para casa com as geleias, compotas e conservas orgânicas de dona Odete. Espero ter conseguido expressar que não se trata apenas de uma refeição, mas de uma reflexão e uma contemplação.

Osteria Della Colombina

Estrada do Sabor, comunidade Linha São Jorge, Garibaldi

Reservas: (54) 3464 7755 ou (54) 9121 1040

E-mail: colombina@estradadosabor.com.br

Quebrando tabus no Jamie’s Italian

Pelo menos quatro paulistas me alertaram que ir ao restaurante do Jamie Oliver em São Paulo era furada. O lugar foi sentenciado: fila infinita e comida simplória. Eu, como prefiro pagar pra ver, foquei na curiosidade e fui. Ainda que as possibilidades de encontrar o próprio Jamie fossem zero, eu queria muito experimentar o legado desse chef inglês especializado em comida italiana que já fez campanha mundial contra o McDonald’s. Li alguns de seus livros e assisti muitos episódios dos seus programas de tevê. Sei que comida rebuscada não é a promessa nem a entrega do chef. Então, já imaginei que o restaurante não se prestaria a requintes.

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De fato, existia uma fila. De fato, era longa…mas nada perto de infinita. Quando ligamos para reservar, a hostess avisou que a espera aproximada para duas pessoas seria de 45 minutos. E foi exatamente o que esperamos: 30 minutos do lado de fora e mais 15 dentro do restaurante, onde já pudemos aperitivar. Não é algo que incomode quando há tempo e disposição. Enquanto esperava, pude observar muita gente perguntando com que frequência o Jamie Oliver aparece por ali e por que ele chamou brigadeiro de porcaria em uma de suas passagens pelo Brasil.

DSC_5918Já dentro do lugar, a primeira impressão é de um salão extremamente barulhento, onde se arrastam as cadeiras e se fala demasiado alto. Mas eu estava de bom humor e a comida chega rápido. Apesar do aparente caos, existem garçons em número suficiente e o atendimento é bastante preciso. Ademais, as pessoas parecem trabalhar felizes, o que contribui, e muito, para uma avaliação positiva do serviço.

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O Jamie’s Italian preserva a tradição do confort food e estimula o uso de ingredientes frescos e da estação. Por isso, as sugestões do dia ficam bem visíveis em um quadro negro na entrada do salão principal, onde tive a sorte de sentar e apreciar ao vivo o preparo das entradas e sobremesas na cozinha aberta.

DSC_5933Além dos pratos do dia, o restaurante oferece um bom menu de entradas, pastas e carnes – todos com preço justo, diga-se de passagem. O mais importante é que as coisas parecem frescas. Mesmo antes de comer qualquer coisa, pude espiar nos pratos alheios muita cor, aroma e belas composições. Bem servido, mas sem requinte.

DSC_5936Para entrada, não pude conter minha curiosidade sobre “as melhores azeitonas do mundo”: porção a R$ 25,00. O garçom revelou os segredos desse antepasto. São azeitonas italianas orgânicas, tiradas do pé diretamente para a salmoura e servidas com pasta de azeitona preta com tomate seco e pão “carta di musica” (uma massa finíssima e crocante produzida na Sardenha e que, em tempos remotos, era usada para escrever partituras quando aos músicos faltava papel). O sabor era realmente muito bom, mas foi a história que me conquistou.

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As massas da casa têm duas opções de porção e, respectivamente, duas opções de preço. A porção pequena desse linguini aos camarões, por exemplo, custava R$ 42,00. Um prato mais generoso sai por R$ 64,00. É suave e fresco. A massa, feita no dia. O garçom indica misturar bem para incorporar massa e molho antes de comer.

DSC_5943 A berinjela a parmegiana com mozzarela  di bufala servida com pão de alho custou tão somente R$ 39,00 e estava realmente muito bom. Realmente. Mesmo. Uma coisa tão simples e tão boa.

 DSC_5958Embora os pratos principais do Jamie’s Italian sejam realmente muito bons, como frisado acima, é consenso que a prata da casa se come após o jantar. As sobremesas são de uma autenticidade e sabor dignos de repeteco. Acima, uma taça de abacaxi e romã macerados em suco de limão, pimenta dedo de moça e hortelã. Servido com frozen yogurt. Pra enfeitar, um crisp de sei-lá-o-quê. Custou R$ 16,00.

DSC_5961E, pra passar a régua, cheesecake de limão siciliano com mascarpone aveludado e cobertura de merengue italiano. Servido com lemon curd e calda de amoras. Beijinho no ombro: R$ 19,00.

O balanço final dessa experiência foi acima da média. A entrega foi legal e a conta não foi cara, em se tratando de padrões paulistas e uma assinatura internacional. Quando o assunto é restaurante, é sempre bom pagar pra ver. Se eu tivesse seguido as indicações naquele dia, jamais teria pisado do Jamie’s Italian – algo que eu poderia fazer de novo sem pestanejar.

Jamie’s Italian São Paulo

Av. Horácio Lafer, 61, Moema, São Paulo

Reservas: (11) 2365-1309

Site: acesse aqui!

RER Divino, um pequeno notável!

A coisa andou punk nas últimas semanas e acabei cheia de postagens deliciosas na gaveta, mas sem conseguir tempo pra organizar todo o material. Estava ansiosa pra sentar com calma e contar pra vocês a estupenda experiência que tive no RER DiVino, esse pequeno notável que torna ainda mais charmoso o centro histórico de Garibaldi. O lugar já existe há três anos e vale a visita sempre que a ocasião pedir um bom vinho ou espumante perfeitamente harmonizado.

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Pra começo de conversa, o RER DiVino é um empório e champanharia – o que, trocando em miúdos, significa que você pode ir apenas comprar vinhos ou espumantes ou desfrutar de um almoço ou jantar harmonizado. A casa serve petiscos e pratos individuais de terça a sábado e uma sequência especial de massas, risoto e carnes no almoço de domingo. Tudo isso em um espaço superprivado que comporta não mais que oito mesas.

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A primeira dica aqui é: se quiser uma mesa na adega superintimista, reserve com antecedência ou correrá o risco de perder essa experiência charmosa que acontece entre mais de 200 rótulos nacionais e importados. A ideia aqui é desfrutar de uma estada agradável, sem pressa e sem o frenesi dos restaurantes badalados. À meia luz, a adega convida a um brinde especial com alguém especial – ou alguéns. Não existe carta de vinhos: o cliente escolhe na própria adega.

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A champanharia, por outro lado, é o ambiente de maior circulação da casa, perfeito pra um tira-gosto no fim da tarde ou um jantar menos cerimonioso.

 

IMG_1540No RER Divino, você não precisa beber além da conta ou limitar a harmonização dos seus pratos. Se a pedida da noite for um bom espumante, saiba que a casa trabalha apenas com vinícolas nacionais e oferece diariamente algumas opções vendidas em taça. Isso porque, ao contrário do vinho, espumante não convém sobrar para o dia seguinte.

Feitas as honras da casa, vamos ao que interessa. Tive a oportunidade de fazer uma degustação dinâmica com todas as principais vertentes do cardápio e, com propriedade, vos digo: árdua é a tarefa da escolha. O cardápio é descomplicado, trivial, mas feito com bons ingredientes e bem empratado.

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No almoço, o cliente monta o prato escolhendo uma opção de carne, massa ou risoto. A salada e a sobremesa acompanham. Se estiver indeciso, vá nessa sugestão: salmão com risoto de gruyère e raspas de limão. para finalizar, sorvete de creme com calda de morango da casa. O preço aqui varia de R$ 16 a R$ 39, de acordo com os elementos escolhidos.

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O happy hour fica muito mais happy com essa salsicha Frankfurt com mostarda amarela. Custa algo em torno de R$ 20. Não mencionei antes, mas o RER Divino também tem uma carta de cervejas especiais.

 

 

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No jantar, você pode escolher uma opção do cardápio, como esse salmão na crosta com arroz crocante ou…

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…aproveitar a sugestão da semana, que nesse dia incluía o entrecot ao funghi.

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O jantar vale a pena, certamente, mas minha surpresa mais grata nessa visita foi o brownie  com ganache de chocolate e sorvete de creme. Logo eu, que nem sou muito fã de sobremesa. Sem sombra de dúvida, foi o melhor brownie de toda a minha existência. Nada de bolo pronto, nada de bolo de caneca…tudo feito na própria cozinha – o brownie, a calda, o ganache. Mal posso esperar pra reviver esse momento.

 

RER Divino

Rua Dante Grossi, 379, Centro, Garibaldi

Reservas: (54) 3462-2913

http://www.rerdivino.com.br/

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Almoço executivo de terça a sábado, das 11h30min às 14h30min

Aos domingos, almoço família

Happy Hour de terça a sábado

Jantar de terça a sábado

Morangos e tomates que ouvem Bob Marley: como não amar?

Comer é algo que ocupa boa parte do meu tempo livre. Em pouco mais de um ano, esse projeto gastronômico que é minha grande paixão já explorou quase 50 restaurantes entre posts individuais, rankings e relatos de viagem. De uma forma ou outra, todos tiveram seu charme especial, mas a experiência que vos trago hoje é especial e eleva meu nível de exigência a outros patamares. DSC_3679 Não tem maître, não tem requinte e não chega a ser “caaaaaaro”. O Barlavento, que muitos conhecem simplesmente por “morangos hidropônicos” é, certamente, um dos lugares mais autênticos e receptivos que o Culinarismo já visitou. Quem imaginaria um universo tão marítimo encrostado no meio da Rota do Sol? Fechando essa porta mágica atrás de mim, abri um mundo de redes balançantes sob a brisa do verão, comilanças inesquecíveis e (pasme) morangos e tomates hidropônicos que crescem ouvindo clássicos do rock, reggae e música latina!!! DSC_3705 DSC_3688 Além do restaurante, o lugar abriga uma hospedaria e toda a plantação de morangos, tomates e manjericões hidropônicos e orgânicos que são a base do cardápio.Os animais de estimação são bem-vindos na parte externa do restaurante, desde que mantidos na guia. Há banquinhos e mesas nessa área, então é um bom lugar pra curtir com o seu amigo cão!   DSC_3722 DSC_3696 Se você for apenas numa turma de humanos e tiver a oportunidade de se sentar nas mesas internas, não deixe de reparar em cada detalhe da decoração praieira do lugar. Não tive oportunidade de conhecer o dono (ou dona), mas parece que tudo faz parte de uma coleção pessoal. Boias marítimas e quadros, muitos quadros, ocupam as paredes do Barlavento. Não tem como ficar entediado esperando a comida. Há muito o que explorar. DSC_3697 No bom do verão, o fogão a lenha ficou só pra decoração, mas fiquei imaginando que no inverno deve ser muito bom desfrutar de uma taça de vinho ao anoitecer. Tentei provar o máximo de pratos do cardápio, o naturalmente me levou a passar dos limites. Pela fama dos morangos hidropônicos, há muitas opções doces – nem todas hipercalóricas, como se poderia imaginar. Há iogurtes com morango e também opções sem lactose. Entradas, sanduíches e massas completam a diversão! DSC_3699 Sabedora de que a sobremesa ia ser corpulenta, pulei as bruschettas e pedi tomatinas como entrada. Temperadas com azeite de oliva, balsâmico e adobo, uma versão menos apimentada do famoso chimichurri uruguaio. Incrivelmente doces, esses tomatinhos serviram duas pessoas muito bem por R$ 14,50. DSC_3717 Na dúvida entre sanduíche e massa, dividi os pedidos com a família pra podermos provar um pouco de tudo. Quando os pratos chegaram, confesso que não dei muito ibope pra esse exemplar batizado de Diabo da Tasmânia. Depois de duas mordidas, não queria mais devolver para o dono. Vale a pena o investimento de R$ 25,00 por essa delícia com filé mignon, queijo derretido e molho de pimentões com cebola. DSC_3719 Essa massa eu vi chegar na mesa do lado e preferi pedir antes que o prato deles caísse no chão. Borbulhantes, os conchigliones vieram recheados com tomate cereja e manjericão e gratinados com queijo. Comi sozinha a porção de R$ 36,00, mas a verdade é que serviria duas pessoas sem deixar ninguém com fome… DSC_3732 …principalmente se você planejar sucumbir a essas doces tentações. O crepe com creme de chocolate e morangos hidropônicos é altamente maravilhoso e não chega a ser enjoativo. Custa R$ 26,00. DSC_3727   Mas se, assim como eu, você não resiste a um sorvetinho, vai direto nessa taça Barlavento Morango: sorvete de chocolate e creme com marshmellow e calda de morango. R$ 18,00 por essa experiência divina. Não conte as calorias! DSC_3703 DSC_3743   Depois de tudo, uma sesta nas redes porque, afinal, não havia motivos pra ir embora.Se a casa é receptiva aos cães, imagine às crianças! O parquinho convida a aventuras e dele se escuta perfeitamente o playlist escolhido não para os clientes…   DSC_3744 …mas para os morangos, tomates e manjericões!!! Sabe-se lá que efeito isso tem sobre as plantas, mas na pior das hipóteses embala a vida de quem as cuida, né? Nessa tarde de verão em que estive no Barlavento, as plantinhas estavam se desenvolvendo tranquilas e hidroponicamente felizes ao som de Bob Marley! DSC_3691 A única desvantagem do lugar é que não aceita cartões, mas a caixa esclareceu o motivo: no Barlavento, não chega sinal! O jeito é separar uma graninha! Rio do Vento Hidroponia RSC-453, Km 154, Rota do Sol Caxias do Sul – RS Aberto de segunda a sexta, das 8h às 9h; sábados, domingos e feriados, das 8h às 20h, com horário estendido no verão. http://www.riodovento.com.br

É tempo de macarons: Vive La France!

Nem só de exorbitâncias gastronômicas vive esta blogueira. Esporadicamente, sobra tempo pra um singelo happy hour – desses com café, amiga de fé e um bolinho pra espantar as amarguras. Conheci um lugar novo que é inspirador pra isso e transforma um despretensioso papinho sobre a vida num evento à francesa. Sabe como? É só trocar aquela fatia de Marta Rocha por macarons!!!

O Le Petit é como tudo o que envolve Paris: charmoso por natureza. Esse café, que inaugurou recentemente, fica no circuito gastronômico da rua Herny Hugo Dreher, bem ao lado do Dall’Onder Grande Hotel. A decoração, toda mimosa, dá um tom très chic! Se tivesse uma musiquinha francesa rolando, então, passaria tranquilo por um café parisiense!

Nunca provou macarons? Pode confiar, não haverá arrependimentos. Não sei bem como é feito esse doce fino. Mas poderia grosseiramente definir como um bolinho crocante por fora e molhadinho por dentro, que pode ser recheado com uma infinidade de cremes doces e salgados (sim!!!! No Le Petit tem macarons salgados também). Assim, um do ladinho do outro, é tão difícil escolher.


Só pra registrar, no Le Petit o café não é qualquer café e o chá não é qualquer chá.

Você recebe na mesa caixinhas com todas as opções pra sentir o aroma e escolher

de acordo com o seu estilo. Eu, por exemplo, pedi um café Indriya, uma variedade indiana

com características fortes e picantes. É pra quem gosta da fortidão mesmo.

Mas existem muitas outras variedades, pra quem curte toques de chocolate, baunilha, caramelo…

Agora vamos ao que interessa, a estrela da casa. Como não deu pra provar um de cada, pedi sete macarons – alguns que chamaram atenção pela cor, outros mais excêntricos. Dos salgados, provei os três tipos que a casa oferece e posso dizer que só funciona pra quem curte a mistura de doce e salgado, apesar de os sabores se misturarem sutilmente. Entre as opções de tomate seco, queijo e azeitonas, meu preferido é o de queijo.

lepetit pistache lepetit frutas do bosque lepetit rosas lepetit maa com canela
Dos doces, pedi quatro e fugi das opções com chocolate porque achei que, por óbvio, seriam boas. Então provei: Maçã com canela (feito com pasta italiana de limão, o que quebra um pouco a doçura!); Pistache (o preferido do Barney :D); Frutas do bosque (feito com pasta italiana); e Rosas (feito com licor de rosas!). Todos me pareceram maravilhosos, mas no caso de uma eleição, votaria certamente no de Rosas, porque tem um sabor muito delicado e um cheirinho maravilhoso. Em tempo, os macarons salgados custam R$ 4,50 a unidade; os doces, R$ 4,20. Também tem as opções de minimacarons e a casa aceita encomendas para festas.

Com o friozinho se aproximando, minha sugestão é reunir as amigas e bebericar um bom vinho com macarons no Le Petit. Afinal, melhor que sonhar acordado com Paris é dar risada bem acompanhado!

Le Petit 
Rua Herny Hugo Dreher, 227, Bento Gonçalves
Telefone (54) 3701 0180
Aberto de terça a domingo
Aceita cartões
www.lepetitmacarons.com.br

Sobre biscoitos e cestas de Natal

Num domingo de sol rachando, saí de casa com destino ao Vale dos Vinhedos. Naquele dia, fui à caça de um tesouro em especial, algo que vinha povoando minha imaginação e me provocando salivações. Já faz tempo que mantenho um affair com uns biscoitos magníficos que ganhei numa cesta de Natal ano passado.

Sabe como é ser presenteado por alguém que não conhece suas preferências… muita coisa você simplesmente passa adiante ou acaba deixando no armário até passar da validade. Eu, como não gostode frutas secas, sou um tipo suspeito pra ganhar cestas de Natal. Mas aquela cesta, em especial, me pegou de jeito: grana padano, um bom brut, snacks integrais e aquela latinha simpática que ocultava um pacote de goiabinhas absolutamente irresistíveis. Foi um deleite.
Muito tempo depois descobri que os biscoitos eram feitos artesanalmente logo ali, no 15 da Graciema. E mais: a fábrica é aberta à visitação e com degustação de todos os 10 tipos de biscoitos e varejo. A casa é bem pequena e o atendimento, feito a pequenos grupos. Aproveitei pra ir num horário bem impróprio, já no fim da tarde de domingo, testando a hospitalidade da empresa. Acabei encantada com o atendimento e as histórias que ouvi.
Descobri que algumas das receitas são de família e foram “copiadas” do caderno que pertencia à avó das irmãs a quem pertence o lugar. Provei um polvilho doce que me lembrou alguém especial. Além de muito saboroso, é perfeito pra quem sofre com as restrições alimentares: não tem lactose nem glúten!

Elegi meus campeões de preferência:

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Cacau com gotas de chocolate

Um prazer inenarrável que se deve degustar sem ler as informações nutricionais.

Como não sou estraga prazeres, não vou contar quantas calorias têm cada biscoitinho desses aí!

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Vinho com passas de uva

Uma ode ao enoturismo com sabor suave e aroma característico.

Já disse que não gosto muito de frutas secas, né?

Mas abri uma exceção pra essa belezinha e não me arrependi!

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Manjericão

Novidade da biscotteria pra esse Natal que eu tive a honra de provar em primeira mão.

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Gergelim

Superindico pra acompanhar uma cervejinha.

Sabe-se lá se é a harmonização correta, mas lá em casa funcionou que é uma beleza!

 

Como tudo o que é bom, os biscoitos Itallinni têm o seu preço. Um pacotinho de 100 gramas não sai por menos de R$ 5, que valeram cada centavo meu. A proprietária me contou que 80% da produção é destinada a cestas. Então, já vou me adiantando… a quem queira me presentear esse ano, não esqueça da minha latinha Itallinni!

 

Itallinni
Linha 15 da Graciema, 332, Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves
Contato: (54) 8402 2946
www.itallinni.com.br