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O que o Culinarismo provou de melhor nesse semestre

Um suspiro e passou metade do ano. Já deu uma olhada nas suas metas pra 2017? Alguma promessa saiu do papel? Para o Culinarismo, foram dias de muitas descobertas gastronômicas. Listei meus cinco lugares preferidos do semestre – não é um ranking….estão por ordem alfabética e todos os cinco merecem a visita!

 

Bar Secreto Wine&Beer

Caxias do Sul

Bom para beber com qualidade

DSC_3325Prateleiras forradas de vinhos pra todos os bolsos, uma carta de cervejas escolhidas a dedo pelos proprietários e torneiras geladas de chopp. Não importa a escolha, o lugar é perfeito pra espairecer. No menu, carnes, legumes e hambúrgueres: tudo tendo a grelha como base de preparo.

 

Osteria Del Valle

Vale dos Vinhedos

Bom para almoçar

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Entre tantas opções de restaurante estilo “sequência italiana”, o novo Osteria Del Valle realmente se diferencia. Dá pra perceber a assinatura do chef Álvaro da Silva no menu, que vai de foccacias de fermentação natural a capeletti de pato, passando pelo simplesmente inesquecível risoto de cordeiro. Prove esse e peça mais!

 

Ovelha Café

Bento Gonçalves

Bom para bater um papo

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Quatro variedades de grãos, cinco métodos de filtragem e infinitas razões pra conhecer. As tortas são feitas com carinho e ingredientes caseiros, como o doce de leite de produção própria. Sanduíches delícia pra acompanhar o bate papo no meio dos livros completam a cena. Beba água no filtro de barro – é de graça! <3

 

Sapore&Piacere

Bento Gonçalves

Bom para almoçar

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Revisitei o elogiado bistrô da chef Márcia Dalla Chiesa pra falar das comemorações de seus 10 anos, que serão em breve. Não há dúvidas de que é o melhor almoço trivial de Bento Gonçalves, com toda aquela mesa de antepastos que já valem por uma refeição.

 

Wine Up Miolo

Vale dos Vinhedos

Bom para uma tarde de sol

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O espaço novo do Wine Garden Miolo segue a mesma proposta de wine bar ao ar livre, mas, em vez de tapetes ao gramado, aqui teremos refeições mais elaboradas. Ainda em sistema de soft open, o espaço terá uma parilla e um forno de barro para o menu que vai valorizar a comida de fogo. O cenário é estonteante. Pode confiar!

A doceria afetiva do Amo-te Lisboa

Eu sempre acreditei que a gastronomia é um genuíno vetor de expressão cultural. O ritual da refeição, os ingredientes, os temperos, a maneira como a tradição dos povos passa de geração em geração por meio da comida. Isso não fascina você? Pois a mim, muito. Neste fim de semana, a inauguração oficial da doceria Amo-te Lisboa em Bento Gonçalves me colocou num contato direto com a minha ascendência portuguesa, que vem de minha vó materna, de sobrenome Paredes.

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Foi uma tarde de fados conduzida pelo grupo Alma Lusitana. Primeiro, me deliciei com a melancolia da clássica expressão musical portuguesa e só depois fui ver do que se tratava a comida. Lugar simpático essa doceria, com alguns dos principais exemplares dos doces conventuais que têm os ovos e amêndoas como ingredientes de destaque. O preço é atrativo considerando o sabor.

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Provei ali o mais crocante pastel de Belém a R$ 6,00.

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E também um delicado Pastel de Santa Clara, também por R$ 6,00.

 

 

 

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Enquanto isso, estava ao forno uma indescritível empada de Bacalhau, coisa realmente inesquecível, por R$ 7,00. Só de digitar já me enche de água a boca.

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O espaço criado na Serra Gaúcha pela doceria com sede em Porto Alegre é uma graça. Falta um vinho pra botar a conversa em dia com os amigos, o que convidaria o cliente a permanecer mais tempo no lugar. Hoje, as opções de bebidas se resumem a cafés e vinho do porto.

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Fico muito contente que a Serra Gaúcha possa receber de braços abertos a gastronomia do mundo. É sabido e indiscutível o sucesso da comida italiana por aqui, mas o mundo não tem fronteiras e sempre tem lugar pra um doce português no coração da gente!

 

Amo-te Lisboa

Rua Tietê, 15, bairro São Bento, Bento Gonçalves (RS)

Aberto de segunda a sábado, das 9:30 às 18:30

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Nota no Google*: 4,6 de 5,0

Nota no Foursquare*: 9 de 10

Nota no Trip Advisor*: 4,5 de 5

*(notas da loja de Porto Alegre. A filial ainda não possui avaliações suficientes para pontuar)

Todos os santos têm lugar nesse bistrô em Nova Prata

Tem um bistrô muito acolhedor em Nova Prata que é o Empório São João. Um lugar dedicado a todos os santos e às lendas da música, decorado com lindos adornos religiosos no primeiro salão e um belo vitral no teto que se vê com destaque logo na entrada. Com certeza tem a ver com o roteiro religioso que é uma das oito rotas turísticas disponíveis no município. O passeio revisita memórias da cidade e suas comunidades do interior, passando pelo que há  de mais antigo e valioso em se tratando de construções e objetos religiosos, muitos dos quais chegaram à região junto da imigração alemã.

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Pois no Empório São João existe um cenário de anjos e santos que se misturam com uma memorabilia muito familiar e típica das famílias de descendência italiana. Todos aqueles utensílios da nona preservados da passagem do tempo e que ganham função decorativa. Um ferro de brasa aqui, uma máquina de costura acolá.

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Para clientes mais agnósticos, no entanto, existe um divertido segundo salão, totalmente dedicado à música e seus grandes nomes. Capas de vinil preenchem o teto criando uma constelação de grandes estrelas musicais. Sem contar as luzes cenográficas que não tive a chance de ver acesas, pois estive no empório pra almoçar.

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E se comida é o que interessa, vamos ao menu, que á totalmente emocional, com pratos simples batizados com nomes curiosos, como as Bruschettas do Nono ou da Paula. Eu escolhi as Sagradas Bruschettas pra abrir o almoço. A Receita tradicional com tomates frescos, aqui servida com queijo colonial. A porção por R$ 22,00.

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Harmonizou legal com o vinho da casa que fiz questão de provar. Um branco Lorena que desce redondinho na hora do almoço. Sem muita complicação.

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Eis que para o prato principal pedi dessas receitas que são de família, que remetem a esses tempos outonais. As folhas caindo e as pinhas carregadas inspiram a pedir o Risoto de Pinhão da Clau, servido fumegante na panelinha de ferro. Um prato simpático que leva calabresa e vinho tinto e que pode ser facilmente adaptado em casa mesmo (sem a calabresa se você estiver na legião de novos vegetarianos nascidos com a operação Carne Fraca). A porção serviu bem a duas pessoas depois das bruschettas por R$ 28,00.

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E, para adoçar o dia, essas tortas de sorvete de três andares que são sempre uma pedida certeira.

Um lugar bem espirituoso, bem localizado em Nova Prata e que também serve pastéis feitos na hora, massas e carnes. Vale a pena uma visita: atendimento ao meio dia e à noite.

 

Empório São João

Avenida Adolfo Schneider, Nova Prata

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Dez grandes cozinhas no Panela no Pátio, em Caxias

O forte temporal tirou do pátio o Panela no Pátio, mas isso não apagou o estilo do evento, que reúne um elenco de dez grandes chefs de Caxias do Sul, cada um com sua especialidade e a preços megaconvidativos: até R$ 25,00.

Essa foi a segunda edição do evento supercharmoso, cheio de gente bacana e com todo o charme do Quinta Estação. Uma terceira edição já está prometida para esse ano ainda. Com muito esforço, consegui dar uma bicadinha em todas as cozinhas. Algumas coisas foram memoráveis.

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A Escola de Gastronomia da UCS, com a assinatura do memorável chef italiano Mauro Cingolani, trouxe um rosbife com bacon no pão ciabata. Com vários molhos à escolha, coloquei uma grande dose de mostarda com mel e ficou bem delicioso. Custou R$ 20,00.

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Na cozinha do chef Henrique Neves, que se prepara para abrir um bistrot de vinhos em Caxias agora em abril, o ravióli de alcachofra ganhou ares de Master Chef com a espuminha de parmesão colocado com o sifão. Coisa chique, sô, por R$ 20,00.

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Da cozinha do Quinta Estação dividindo seu salão com o time no Panela no Pátio, o chef Vicente Perini apostou no confort food com uma generosa porção de risoto de bacalhau servido com uma deliciosa batatinha com ervas. Capricho na entrega e delicadeza de sabores por R$ 20,00.

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Pelos mesmos R$ 20,00, a Escola de Gastronomia Sal a Gosto trouxe um substancioso e suculento pullet pork ao barbecue servido no pãozinho com fatias de provolone. A cereja do bolo foi a mostarda reduzida com Jack Daniels. Grande receita!

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A cozinha étnica foi delicadamente bem representada pela chef Daniela Chedid, com uma variedade de receitas libanesas. Tinha kibe, Beirute e a tradicional doceria libanesa com uma cheirosa baclawa, mas acabei provando a Mjadra no Pote, que é uma mistura de arroz e lentilhas com um toque de cebolas caramelizadas por cima. Uma comida muito amorosa, remeteu à família – talvez pelas minhas raízes libanesas <3

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Os queridos da Nella Pietra Pizzaria arrasaram com a pizza expressa do chef Fábio Centenaro. Eu bem sei que pizza boa não precisa de uma infinidade de recheios. Uma marguerita bem feita é o que basta! R$ 20,00.

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Já difícil manter o ritmo, mas dei uma passada rápida no Mercado do Sanduíche pra rememorar grandes dias no Mercado Público de São Paulo, onde o sanduba de mortadela é um clássico. Aqui a mortadela Ceratti foi a estrela do dia – e não precisa mais nada além de um pãozinho d’água e umas fatias de queijo pra criar uma tentação irresistível por R$ 15,00.

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Chega de comer? Não, só uma pausa pra sobremesa. Joana, minha pequena ajudante de Culinarismo, ficou toda fã dos brownies da Doce Forma e levou um saquinho deles pra casa. Agora temos lá um estoquinho de brownies de MM’s, Stikadinho, chocolate ao leite e limão siciliano, que achei divino. Coisa mais afetiva com o atendimento querido da Simone Vanin por R$ 5,00 o pedaço.

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Brigadeiro é a especialidade da Márcia Callai, da Original Brigaderia. Uma infinidade de sabores e coloridos por R$ 5,00 a unidade, mas o que me cativou mesmo foi o inusitado docinho de grana padano, com seu toque salgadinho. É doido, mas é ótimo.

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Antes de me render à culpa, ainda passei pela banca do chef Alexandre Reolon, do Yoo Boutique, que estava flambando na hora o seu spaguetti all mare, com ostras e tudo mais. Uma generosa refeição por R$ 25,00.

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Entre uma prova e outra, tinha DJ, drinks e beers que adorei provar. Um conselho: não tente repetir esse exagero! Haha. Na próxima edição do Panela no Pátio, vou levar alguns ajudantes de degustação. Haha.

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Panela no Pátio

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Sabor de adoçar a vida na Varanda do Bolo

Um bolinho é aconchego, é esticar de pernas, é prosa leve. Aquela coisa de vó, com um cafezinho passado. hmmm. Deu vontade agora, mas não tenho. O jeito é relembrar os momentos de ontem mesmo, quando me deliciei na vitrine da Varanda do Bolo, em Caxias. A casa ainda não completou um ano de nova direção e novo nome (antes era Vó Neida), mas é só se recostar numa das delicadas almofadas pra se sentir totalmente íntimo do lugar.

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A ideia da Carla, a proprietária, é espalhar lindos bolos caseiros por Caxias.

DSC_2970O feitio é totalmente artesanal, sem misturas prontas e usando somente frutas frescas. Ao todo, são 20 tipos de bolo, mais três modelos de torta e outros tantos bolos de pote. Existem várias opções sem lactose. <3

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Naturalmente, não consegui provar toda a oferta da casa, mas escolhi a dedo alguns bolinhos, incluindo o naked cake, lançamento da estação – com ganache de chocolate branco e morangos.

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Também me arrisquei num clássico red velvet com cobertura cítrica açucarada.

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E depois, invertendo a lógica, provei o bolo salgado de palmito pra dar uma quebrada na doçura. Em média, as fatias custam R$ 6,00 e são bem generosas. Mas a ideia também é que você leve o bolo inteiro pra casa ou pra agradar o pessoal no trabalho, por R$ 27,00. Uma delícia pra confortar o dia.

 

Varanda do Bolo

Rua Vereador Mário Pezzi 662, sala 01,

Bairro Exposição, Caxias do Sul

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Rancho América: melhor pastel, melhor cenário na beira da estrada

Um lugar de passagem, um tesouro pros colecionadores nas margens da 287, em Santa Cruz do Sul.

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Imagina a loucura de entrar num café onde você pode comprar absolutamente qualquer coisa que sua vista alcance?

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Não apenas os suvenires, as peças de moto, os quadros e a lambreta antiga, mas qualquer um dos objetos cênicos e até pratos e talheres em que lhe servem a refeição.

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É uma deliciosa diversão. Vire o cardápio: ele terá um preço.

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Pra comer, tem de tudo: um lindo balcão de tortas, um self service de doces e salgados, uma perna de salame e uma peça de queijo (risos). Mas a fama da casa, indiscutivelmente, está no pastel frito na hora e no inusitado penico de fritas (sim, elas são servidas no penico de louça).

Nesse dia em específico, abri mão de me portar comedidamente e comi bem mais do que devia. Dividi um pouco, é bem verdade…mas comi um pouco de tudo o que aparece nas fotos. É porque o pastel era excelente, mas a torta também, e a pizza-bolo também, assim como o café!

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Entre um pedido e outro, fiquei vasculhando algumas das ofertas incríveis do lugar. É um paraíso para os colecionadores.

 

Rancho América

RSC 287 km 98, Santa Cruz do Sul

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Boa surpresa no Casa Emiglia Ristorante

Já contei aqui no blog como a Nella Pietra arrasou em Bento Gonçalves com uma pizza de ingredientes nobres e sabores surpreendentes, mas os tempos mudam conforme a banda toca e a pizzaria agora é o aconchegante Casa Emiglia Ristorante. Uma casa de massas e filés com bons vinhos e uma cuidadosa decoração rústica. Mesmo endereço, outra ideia.

dsc_1626O número de mesas foi reduzido para atender o cliente com ainda mais delicadeza. São três salões com bastante privacidade. O nível térreo é ideal para casais ou pequenos grupos. Os demais espaços acomodam bem grupos maiores.

dsc_1629O colorido dos pratos encanta de primeira. Além de uma página só de aperitivos, a salada mediterrânea é uma das sugestões de entrada e foi servida perfeitamente fresca. R$ 26,00.

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Todas as opções do menu servem duas pessoas, mas você pode pedir meias porções, como eu fiz, aproveitando mais as massas e filés da casa. Por recomendação da cozinha, provei o ravióli de brie e figos, de toque adocicado que harmoniza perfeitamente com o molho de tomates confitados e lascas de pecorino. Massa fresca feita na casa, o que faz toda diferença no sabor. A porção inteira por R$ 89,00.

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Complementamos com um arrasador Filé Abraçadinho, uma invenção espetacular que entra para a lista de boas carnes em Bento Gonçalves. Consiste em um embrulho de queijo precisamente tostado e que abraça o filé. Por cima, molho de tomate da casa e um molho verde especial. A porção para dois, por R$ 95,00, acompanha arroz e pão caseiro assado na palha de milho.

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Agora atente para a carta de sobremesas – é um escândalo. A torta de sorvete que a pizzaria já servia virou Semifreddo Emiglia: três chocolates e calda de morango. R$ 22,00.

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Exageradamente delicioso é, também, o Gateau da Casa Emiglia. Sobre um bolinho quente de chocolate, o sorvete de creme, biscoitinhos amanteigados, morangos frescos e calda de chocolate. Nunca vi minha filha tão radiante. São R$ 26,00.

Se você chegou até aqui vai gostar de saber que o ristorante abre às segundas-feiras, o que é uma reclamação clássica de todo morador de Bento Gonçalves!!! Também de quarta à sábado, sempre a partir das 19h.

 

Casa Emiglia Ristorante

Quinze de Novembro esquina com Herny Hugo Dreher

Bento Gonçalves

Telefone: (54) 3125-0505

Abre às segundas e de quarta à sábado, a partir das 19h

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Doceria portuguesa: lembranças de família

Conceição, minha vó. Portuguesa, com certeza!
Conceição, minha vó. Portuguesa, com certeza!

Esta ao centro é minha vó Conceição. Ao redor dela, nove dos 10 filhos no aniversário de 15 anos de minha mãe, que é a caçula. Herdei dela a origem portuguesa que me traz certa fascinação por Lisboa e o desejo de, um dia, explorar mais a gastronomia lusitana direto na fonte. Quando a conheci, Conceição já era uma senhora de idade e quem lidava com as panelas era a ajudante fiel, que, por acaso, se chama Ana, assim como eu e minha mãe. Pelas mãos de Ana, comi muita ambrosia e arroz doce. Comi até enjoar, nas férias em que pude conviver com minha vó, porque nunca morei perto.

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Ricordare la bella Italia

Um café pra concentrar, uma taça de vinho pra acalorar, um gelato pra viajar direto à Itália, relembrando velhos dias de passo descompassado à beira do rio Arno. Um jovem músico tocando seu violino na Duomo. A buzina estridente das bicicletas pedindo passagem. O sol de outono refestelando-se nas minhas bochechas. Quando a Itália dentro de mim acende essas doces lembranças, é que eu sento no Ricordare e deixo a mente voar longe.

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Gosto do clima despretensioso, da cadeira de balanço e do pôr do sol privilegiado que a casa oferece, lembrando a todo momento que a dolce vita está onde eu estiver em paz comigo mesma.

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A história de Pablo e Vanessa, os jornalistas que abandonaram carreira pra viver esse sonho de receber e servir, é cheia de inspiração. Na Irlanda, eles fizeram dinheiro para o negócio. Na Itália, buscaram referências estéticas e receitas consagradas. É um lugar sem cerimônias, onde você senta e cruza as pernas, como no sofá de casa.

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Com grãos da irretocável Illy e usando apenas as receitas originais da marca, o Ricordare está sempre aromatizado pelo café. As receitinhas da chef Idana Spassini seguem a proposta descompromissada, os pedidos se fazem no balcão, a música naturalmente é italiana. Para o panini, pão especial da Pannero Panneteria.

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Tão bom quanto o café é o gelato, delicado, cremoso e servido com um toque da casa que faz toda a diferença: o sorriso vem de brinde. A receita italiana, artesanal e com base em ingredientes naturais, tem metade da gordura de um sorvete comum. Mais sabor, menos culpa.

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Correm notícias de que o pistache usado no sabor de mesmo nome vem realmente da Itália – o que, a mim, não soa estranho.  O sabor inesquecível é como uma obra de arte esculpida desde a escolha de sua matéria-prima. Afinal, em pedra vagabunda não se esculpe um David de Michelangelo 😉

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Olha a minha obra prima, sempre companheira dessas aventuras culinarísticas. Íntima de Vanessa e Pablo. 😀 <3

Ricordare

Avenida Planalto, 1029, Bento Gonçalves (RS)

Aberto de terça a quinta, das 14h às 20h; sexta e sábado, das 14h às 21h; domingos, das 15h às 20.

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Osteria Della Colombina: mais que uma refeição, uma contemplação

*Alerta de post longo. Desculpa, mas vale a pena

 

Quando criou o movimento Slow Food, há 26 anos, o jornalista italiano Carlo Petrini o fez por acreditar na gastronomia como via de transformação. Por acreditar no respeito ao meio ambiente, na biodiversidade e num modo de vida menos massivo. Eu também acredito nisso. A gastronomia boa, limpa e justa movimenta o corpo, a alma, comunidades inteiras, a economia e o planeta. Vi de perto essa transformação quando bati à porta da Osteria Della Colombina e provei de uma comida tratada como expressão cultural.

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Coisas mágicas acontecem da propriedade Bettú Lazzari, no interior de Garibaldi, que pertence à família desde o primeiro imigrante a pisar no Brasil. Por três gerações de agricultores, a mesma terra deu-lhes, mas, viúva precocemente, Odete e as quatro filhas mulheres não puderam manter o ritmo de produção das videiras e vacas leiteiras. A propriedade começou a se degradar e as mais velhas se mudaram para a cidade, num movimento de êxodo rural que se repetiu com centenas de famílias na Serra Gaúcha.

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A caçula Raísa provavelmente seria a próxima a deixar o interior se a mãe não estivesse com o ouvido ligado no radinho quando a prefeitura de Garibaldi anunciava a criação de um projeto-piloto de turismo rural. Durante dois anos, Odete e as filhas preparam a casa e a propriedade para a criação da Estrada do Sabor. Em 2001, abriram as portas para os primeiros turistas e aí começa a transformação que a comida boa, limpa e justa é capaz de promover.

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Pra começo de conversa, a propriedade agrícola tem certificado de produção orgânica. Tudo o que é produzido na horta, nos pomares e no curral é livre de agrotóxicos e vai direto da terra para a cozinha. Impressionantes 75% do que é servido aos clientes é produzido ali mesmo – incluindo o queijo, o suco e o vinho. Além de parada obrigatória na Estrada do Sabor, a família Bettú Lazzari é uma das fundadoras do convívio local do Slow Food na Serra Gaúcha. Também é um dos estabelecimentos que faz parte do Tour da Experiência, uma iniciativa do Sindicato Empresarial da Gastronomia e Hotelaria (SEGH).

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Isso é movimento, é engajamento, é a transformação de que Carlo Petrini fala. Já seria o suficiente pra esse post, mas ainda nem falei da comida. No porão da casa da família, ainda de chão batido e ornamentado com objetos centenários, serve-se muito mais que um cardápio farto. Serve-se um resgate histórico da imigração italiana, representado por objetos de família e pela honestidade de cada receita. Acompanha comigo:

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O limoncello, feito com os limões do pomar…que bebi na hora errada, antes do almoço 😉

 

 

 

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Pra abrir os trabalhos gastronômicos, uma tradicionalíssima polenta brustolada com queijo e salame.

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A sopa de capeletti, para mim, é a maior representação gastronômica da cultura, dos fazeres e dos sabores do imigrante. A sopa da dona Odete, natural e autêntica, dificilmente será superada.

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A salada orgânica tem sabor de verdade e traz a delicadeza das flores comestíveis: flor de crem e dente-de-leão.

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A sequência de pratos principais é tipicamente italiana. Ou seja, farta e forte.  O nhoque aos três queijos acompanha uma galinha ao molho lentamente cozida em molho de tomate e especiarias.

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Como se já não fosse suficiente, escalopes de carne com legumes grelhados e bacon…

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…e uma tradicional fortaia. Depois podia repetir tudo, mas nem que eu quisesse conseguiria.

 

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A mesa de doces encerra esse banquete slow food que demanda tempo, bom humor e boa companhia para ser desfrutado à altura. Tudo é feito por dona Odete: sorvete de creme e limão siciliano com goiabada; compota de laranja e os biscoitinhos típicos chamados de sfregolá.

A Osteria Della Colombina atende somente com reservas para grupos, mas você pode fazer como eu e se encaixar em um grupo maior, aproveitando a agenda de abertura da casa. Vá com tempo: essa é uma refeição que não se faz em menos de duas horas.

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Cada visitante da osteria leva consigo uma pequena colombina, tradição dos imigrantes que Odete orgulhosamente preserva e dissemina.

 

 

A experiência completa custa R$ 55,00 (bebidas à parte). E, além de tudo que come estando lá, também dá pra levar um pedacinho da osteria para casa com as geleias, compotas e conservas orgânicas de dona Odete. Espero ter conseguido expressar que não se trata apenas de uma refeição, mas de uma reflexão e uma contemplação.

Osteria Della Colombina

Estrada do Sabor, comunidade Linha São Jorge, Garibaldi

Reservas: (54) 3464 7755 ou (54) 9121 1040

E-mail: colombina@estradadosabor.com.br