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São Paulo: o melhor do Mercadão e uma armadilha pra fugir

No meio do caos, na Cantareira, na gente apressada e motos buzinantes é que se conhece a São Paulo real. Saltei do Uber e o sol brilhava alto quando pus os olhos no Mercadão. Lá se vão 84 anos desse ícone do cotidiano paulista que, em fato, é passagem obrigatória pra qualquer turista. Entrei pelo imponente acesso principal e, mal a rua estava nas minhas costas, me veio a primeira oferta tentadora do primeiro vendedor de frutas. Recusei – em inglês, pra ver se me deixavam em paz, mas eles estão treinados nisso também (risos).

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Há que se encantar com a riqueza arquitetônica do prédio, suas abóbadas e colunas. O mercadão foi inaugurado em 1933 e tinha a intenção de consolidar a imagem de São Paulo como Metrópole do Café. Os vitrais são uma atração extra. Aprecie as cenas retratadas e o efeito do sol sobre eles. É lindo.

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Meu irmão, a quem fui encontrar, me esperava lá adiante, no outro extremo do Mercadão. Até finalmente apertar o guri de saudades, flanei por entre as frutas, as carnes e os peixes, numa sobreposição de aromas que terminou num salivante cheirinho de pastel frito na hora para o cliente. A confusão babilônica que acontece ali é realmente empolgante. Meio segundo de distração e me vi novamente enredada num vendedor de frutas. Ninguém está imune.

Não caia na armadilha dos vendedores. Eles são agentes altamente treinados em te seduzir pelo paladar…eles vão te presentear com sabores maravilhosos, mas você nunca saberá o preço de nada. Em 15 minutos, eles podem facilmente te convencer a comprar 400 reais em frutas. Acredite em mim: já passei exatamente por isso e contei tudo nesse post!

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O que comer é uma decisão difícil no Mercadão, mas pra fugir do burburinho, depois de explorar um pouco as bancas do piso térreo, eu prefiro sentar com calma no mezanino, onde há grandes ícones da gastronomia paulista, como o Hocca Bar, “O Famoso”. Pegar fila é quase certo, mas se você tiver um pouquinho de paciência, não aceite a oferta dos outros restaurantes que te abordarem.

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Estando acomodado, você não pode escapar de dois clássicos da casa: o bolinho de bacalhau, que dessa vez troquei por um pastel.

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…e o inigualável, incomparável, excepcional sanduíche de mortadela. É obrigatório, até pra alguém como eu, que não gosta de mortadela.

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Se for impossível pra você, peça um hambúrguer que também não tem erro. Ele era realmente uma delícia e, sim, eu comi, embora fosse do meu irmão. Carne molhadinha, sal no ponto, queijo de qualidade. Não provei as fritas porque fritas eu como em casa (risos).

Um garçom espertalhão vai tentar te empurrar cada vez mais chopp. Antes do seu copo estar vazio, ele vai trazer outro e colocar na sua frente. Se encostou na mesa, tem que pagar. Cuidado com essa armadilha! E mais uma coisa: não peça sobremesa no Hocca. Você tem todo o Mercadão pra explorar.

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Volte pro térreo e aproveite os morangos…mas cuidado com os vendedores de frutas….olha o flagrante ali. Tem dois deles cooptando pessoas inocentes (risos) !!!!

 

Mercado Municipal Paulistano (Mercadão)
Rua Cantareira, 306, Centro, São Paulo.
Aberto de segunda a sábado, das 6h às 18h. Domingos e feriados, das 6h às 16h
Face do Hocca: clique aqui!

Memorável experiência na Locanda di Lucca

Essa é uma história que começa pelo final. Lá pelo terceiro prato, depois do brinde, da modinha italiana embalada pelo acordeão e da lareira acesa, o anfitrião da Locanda di Lucca conseguiu emocionar com poucas palavras. Edgar Giordani falou do amor com que se recebe as pessoas ali e do profundo respeito à natureza em cada processo – desde a escolha e preparo dos alimentos até a mínima intervenção na casa centenária que abriga o restaurante. Senti verdade. E ele terminou com uma frase tocante: “Não posso servir ao meu irmão alimento envenenado”.

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A partir daí, a Locanda di Lucca ganhou uma fã e uma embaixadora. Eu sempre me apaixono pelos restaurantes que tratam a comida como um tesouro cultural e não pura e simplesmente como um negócio. Porque alimentar as pessoas é estar amarrado na vida delas, nem que seja por um instante fugaz, um domingo de sol, um jantar de aniversário. Isso é bem mais que vender banana, entende?

Não vou me alongar nisso. Vamos ao que interessa sobre Locanda di Lucca. É um restaurante orgânico, no interior de Bento Gonçalves – precisamente no interior do distrito de São Pedro, numa casa centenária que foi minimamente modificada para abrigar o restaurante, inaugurado em maio de 2016 e aberto somente aos sábados e domingos, preferencialmente sob reserva. Grupos são bem-vindos durante a semana também.

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O mobiliário e a decoração acompanham a filosofia de preservação histórica – afinal, os anfitriões são um enólogo e uma arquiteta doutoranda Paisagem Cultural Vitícola na Serra Gaúcha pela UFRGS. O menu degustação é sazonal, como tudo que é orgânico e os conceitos de produção biodinâmica também permeiam o menu. Em lugar de destaque no salão, o quadro do movimento Slow Food reforça aos visitantes que ali se faz comida com respeito à natureza.

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Antes do que se come, preciso contar que a Locanda di Lucca não vende água (a água saborizada da fonte está inclusa no menu degustação); não vende refrigerante e concentra sua carta de vinhos na produção nacional. Edgar está trabalhando numa produção de vinhos e espumantes biodinâmicos da casa para o futuro. Tudo faz parte da filosofia do lugar, como a entrada: lascas de pão orgânico com caponata também orgânica com tudo o que é produzido na propriedade.

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Enquanto o anfitrião acendia a lareira, veio a sopa de cabotiá, com crispy de copa e lascas de queijo cichelero, que ele faz questão de dizer que não é orgânico, pois ele ainda busca um bom fornecedor nesse sentido.

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Expressando o trabalho da casa com pancs – as plantas alimentícias não-convencionais – o primeiro prato é uma tortinha com massa de batata cará orgânica e farina de beterraba, recheada com creme de brócolis e radicci selvagem. Cenouras crocantes com muçarela fresca e um azeite e alta qualidade completam o prato, que se apresenta com a aquarela de um artista.

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A salada também não é qualquer salada. Aqui, as folhas orgânicas são temperadas com suco de laranjas orgânicas e o mel da Locanda di Lucca, que é um cuidadoso trabalho do anfitrião nos princípios da produção biodinâmica.

DSC_3889O segundo prato traz arroz sete grãos biodinâmico e uma experiência quase inenarrável com essa costelinha de porco temperada com coisas da casa e cozida lentamente na panela, com o charme do crispy de couve e um purê de pera que entrega uma surpreendente acidez ao prato. Realmente Edgar tinha toda a razão quando disse que se tratava de um grande momento gastronômico.

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Olha a delicadeza do lugar em preparar um prato especial pra ajudante de Culinarismo <3

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A sobremesa é um tesouro da casa com grande sabor, aroma e identidade. O sorvete de mel biodinâmico é servido com farofa de esfregolá, geleia de laranjinha kinkan e calda de merlot.

Toda a experiência custa R$ 98,00 por pessoa. Apenas vá!

Locanda di Lucca

Nota no Google: 5,0 de 5,0

Nota no Foursquare: ainda não possui avaliações suficientes para pontuar

Nota no Trip Advisor: 5,0 de 5,0

Linha Palmeiro 340, distrito de São Pedro, Bento Gonçalves – RS

Aberto aos sábados e domingos, das 11:00 às 19:00. Aceita reservas de grupos para outros dias

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O que o Culinarismo provou de melhor nesse semestre

Um suspiro e passou metade do ano. Já deu uma olhada nas suas metas pra 2017? Alguma promessa saiu do papel? Para o Culinarismo, foram dias de muitas descobertas gastronômicas. Listei meus cinco lugares preferidos do semestre – não é um ranking….estão por ordem alfabética e todos os cinco merecem a visita!

 

Bar Secreto Wine&Beer

Caxias do Sul

Bom para beber com qualidade

DSC_3325Prateleiras forradas de vinhos pra todos os bolsos, uma carta de cervejas escolhidas a dedo pelos proprietários e torneiras geladas de chopp. Não importa a escolha, o lugar é perfeito pra espairecer. No menu, carnes, legumes e hambúrgueres: tudo tendo a grelha como base de preparo.

 

Osteria Del Valle

Vale dos Vinhedos

Bom para almoçar

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Entre tantas opções de restaurante estilo “sequência italiana”, o novo Osteria Del Valle realmente se diferencia. Dá pra perceber a assinatura do chef Álvaro da Silva no menu, que vai de foccacias de fermentação natural a capeletti de pato, passando pelo simplesmente inesquecível risoto de cordeiro. Prove esse e peça mais!

 

Ovelha Café

Bento Gonçalves

Bom para bater um papo

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Quatro variedades de grãos, cinco métodos de filtragem e infinitas razões pra conhecer. As tortas são feitas com carinho e ingredientes caseiros, como o doce de leite de produção própria. Sanduíches delícia pra acompanhar o bate papo no meio dos livros completam a cena. Beba água no filtro de barro – é de graça! <3

 

Sapore&Piacere

Bento Gonçalves

Bom para almoçar

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Revisitei o elogiado bistrô da chef Márcia Dalla Chiesa pra falar das comemorações de seus 10 anos, que serão em breve. Não há dúvidas de que é o melhor almoço trivial de Bento Gonçalves, com toda aquela mesa de antepastos que já valem por uma refeição.

 

Wine Up Miolo

Vale dos Vinhedos

Bom para uma tarde de sol

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O espaço novo do Wine Garden Miolo segue a mesma proposta de wine bar ao ar livre, mas, em vez de tapetes ao gramado, aqui teremos refeições mais elaboradas. Ainda em sistema de soft open, o espaço terá uma parilla e um forno de barro para o menu que vai valorizar a comida de fogo. O cenário é estonteante. Pode confiar!

Vem aí o Wine Up Miolo

Um vinho, um menu de ancestralidade e um lugar pra aproveitar tudo que o inverno na Serra Gaúcha tem de melhor. O Wine Up, novo espaço do Wine Garden Miolo, abre oficialmente em julho, mas já recebe em sistema de soft open com boa música e mesas para compartir. No alto da colina, a vista panorâmica dos parreirais do Vale dos Vinhedos inspira por si só. O ambiente exclusivo promete grandes tardes enogastronômicas.

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O espaço vai funcionar como uma extensão do Wine Garden. Nos jardins da Miolo, ao redor do ônibus-cozinha, permanece o atendimento irreverente com tapetes ao gramado, comidinhas sem talher e estilo piquenique. No Wine Up, o mesmo conceito de wine bar ao ar livre, mas com estrutura de restaurante, móveis de design assinado e comida de fogo: carnes, legumes na brasa e menu itinerante comandado por chefs convidados.

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Vai ter parrilla e um forno de barro, tudo bem ancestral. Até a inauguração oficial, a boa pedida é o escondidinho do chef Natalício!

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O atendimento é no tablado que se estende do contêiner ou na tenda que abriga mesas coletivas. Afinal, o vinho é propício pra se conhecer novas gentes! A carta segue a mesma linha do Wine Garden, com vinhos e espumantes Miolo em garrafa e taça.

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A excelência musical dá o toque de mestre ao Wine Up e a melhor parte é que, protegido pela tenda e um pergolado anexo ao contêiner, o espaço abre mesmo com tempo ruim, sempre de quarta a domingo.

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Grandes vinhos nos esperam nesse inverno. Cheers!!!

Wine Up Miolo

Dentro da Vinícola Miolo: RS 444 Km 21 Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves

(54) 98112-0333

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A viagem gastronômica do My Way agora também no almoço

Quando um chef de cozinha te convida a sentar no porão da casa dele, conhecer suas coleções de cardápios do mundo, bibelôs e cédulas antigas, esse só pode ser um momento especial. O My Way do chef Maurício Crippa deixa as pessoas à vontade, como estando na casa de um amigo. Logo na entrada, um aparador com fotos da família é que dá as boas vindas. Sentiu o nível de intimidade que você terá com o anfitrião?

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Pois chegue de peito aberto e embarque na viagem que o chef oferece pelas principais cozinhas do mundo.

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O cardápio é itinerante e já postei aqui um jantar indiano que provei e aprovei mesmo sem saber das andanças do Maurício pela Índia. Pois, agora, o My Way, amplia sua programação de jantares étnicos nas sextas e sábados, oferecendo almoço a La carte aos sábados e domingos. O menu é completo: couvert, entrada, prato principal e sobremesa. O cliente escolhe a massa e a carne de preferência; o resto é surpresa.

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Preciso revelar aqui que sou apaixonada pela caponata do chef Maurício e, sempre que tenho em casa, sucumbo aos alertas do chef de comer só um pouquinho por vez. Como couvert no almoço, ele serve justamente a caponata da casa com pão de fermentação natural.

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Nesse dia em que revisitei o My Way, a chuva não dava trégua, então a entrada de minestrone caiu como uma luva pra confortar.

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A massa e a carne do prato principal são à escolha do cliente. Pra mim, naquele dia, pareceram apropriadas as mezzelunes trentinas (massa recheada com escarolas e bacon, molho de natas) e filé Cordon Bleau (recheado com copa e queijo, molho espanhol).

Esqueci de fotografar a sobremesa, que era um creme de laranjas do quintal com calda de merlot. A experiência toda (exceto bebida) por 60 pilas!

Essa vida culinarística nem sempre me permite repetir os restaurantes tanto quanto eu gostaria. Mas em defesa do My Way, eu digo e repito que é um dos lugares onde mais me sinto à vontade. Onde eu poderia tranquilamente ir de pantufas e tomar um vinho sossegada. Só não o faço em respeito ao chef (risos)!

 

My Way Cozinha Universal

Rua Francisco Ferrari, 656, Barracão, Bento Gonçalves

Reservas: (54) 98118-3398

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Casa Valduga e uma releitura gastronômica do Cammino di Caravaggio

Se vivemos tempos de transição de valores, comportamentos e consumo, a gastronomia passa pelo mesmo embate. Tudo o que era glamoroso, caro e inacessível aos poucos dá espaço para a cultura, o genuíno e a exaltação do comum. Estamos trilhando um presente já não esnoba o passado e eu, particularmente, fico encantada com as habilidades de um cozinheiro em criar o inusitado a partir de insumos ordinários. Reproduzir ou adaptar a gastronomia clássica se faz com talento de execução, mas trazer à mesa um prato único com o que quer que a estação e o mercado local ofereça é o que diferencia a qualidade da excelência.

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Pois, a convite da Casa Valduga, o Culinarismo participou de um jantar experiência assinado pelo chef Fabrício Darós, que delicadamente homenageou o Cammino di Caravaggio com elementos conhecidos de todos nós, mas uma entrega digna da alta gastronomia.

O conteúdo e a experiência inspiradora foram organizados pela Focus Excelência. Olha só a primazia desses pratos:

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O antipasto “Santa Maria della Fonte”, para mim, o melhor capítulo do jantar: cesta de parmesão, polenta de milho branco com creme de mascarpone, alho assado, presunto cru. Aqui, a polenta foi servida levemente doce, contrapondo a presença forte do queijo e do preciutto. De fato, um primor.

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Como primo piatto, batizado “Da Bergamo fino alla Colonia Sertorina”, uma massa recheada com porco e ervas aromáticas ao molho de manteiga, guanciale, sálvia e grana padano.

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O secondo piatto, que leva o nome do próprio jantar – “Cammino di Caravaggio”, era um marcante pato braseado no vinho branco, alho e o primo do alecrim rosmarino, servido com berinjelas assadas.

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Giardino della Madonna foi o dolce que fechou a experiência: base de torta delle rose (algo como um brioche) servida com creme de laranja e moscatel, uma pitada de cacau e flores comestíveis.

O jantar Cammino di Caravaggio incluiu a programação da Casa Valduga para o Dia do Vinho 2017, que segue até o dia 04 de junho, com programação em todas as regiões brasileiras produtoras de vinho. Confira aqui!

A programação normal do restaurante Maria Valduga também é excelente. Foi, inclusive, o primeiro post desse blog, em 2013. Relembre aqui!

Sabor da família Tomasi no Addolorata Culinária Italiana

Addolorata foi o primeiro nome da comunidade do interior de Bento Gonçalves hoje chamada Tuiuty, onde está o roteiro turístico Vale do Rio das Antas, que tem como atração principal a imponente estrutura da Vinícola Salton.

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Addolorata é, também, o novo empreendimento gastronômico do distrito onde você poderá encontrar a figura lendária do agricultor Nei Tomasi, uma figura que representa como ninguém o imaginário coletivo do colono da Serra Gaúcha – com seu chapéu de palha, a camisa xadrez e seu tuc tuc que já levou milhares de turistas por passeios entre os parreirais.

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O restaurante, recém-aberto ao público, traz a legítima sequência gastronômica da Serra Gaúcha com o diferencial da simpatia com que a família Tomasi envolve o visitante. As filhas tocam o negócio com ajuda da mãe, enquanto Nei Tomasi cumpre seu papel de anfitrião no salão.

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A fartura começa logo na chegada, com a mesa de queijo, salame e um torresmo fresquinho produzido na vizinhança.

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A decoração é uma graça, com crochês em diferentes técnicas feitos pela matriarca Tomasi e enquadrados com carinho como homenagem à nona. Quando a sequência de pratos começa, é aquela festa…

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A sopa, o pão e o pien, especialmente encorajadores nesses primeiros dias de frio na Serra Gaúcha.

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A salada que a gente come só porque radicci com bacon lembra a casa da vó (risos)

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E aquela sucessão de massa à carbonara, carne de panela, costelinha de porco, tortéi, fortaia.

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Aí está o melhor entre os melhores da casa: polenta mole recheada com salame e queijo ao molho de carne. Ocasionalmente, aqueles que ainda aguentarem podem desfrutar da sobremesa.

É tudo feito com carinho e a gente sente a alegria dos anfitriões em receber. A polenta, o tortéi, as massas e vinhos são uma produção da agroindústria familiar, o que dá ainda mais significância à refeição. Tudo acontece na propriedade da família, que recebe os visitantes para almoço e jantar sob reserva.

 

Addolorata Culinária Italiana

Aberto para almoço e jantar, sob reserva. Casais ou famílias pequenas podem ser encaixados em grupos maiores

Reservas: (54) 99925-5137

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Osteria Del Valle: assemblage de influências, cardápio cativante

Será mesmo que nada pode me surpreender em se tratando de gastronomia na Serra Gáucha? Talvez, de fato, haja muitos e muitos restaurantes da famosa “sequência tipicamente italiana”, mas esse que tem o toque e a assinatura do chef Álvaro da Silva é como uma nova história pra contar.

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A Osteria Del Valle surgiu para dar uma chacoalhada no lado B do Valle dos Vinhedos, o acesso pelo bairro Glória que não é o mais badalado, mas dispõe das mesmas belíssimas paisagens, vinícolas e outros pequenos estabelecimentos. É anexo à vinícola boutique Peculiare e tem uma excelente sequência marcada pela mistura de influências, como o próprio nome entrega: Cucina de Fusione. É uma espécie se assemblage entre elementos italianos, contemporâneos, campeiros e até franceses.

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De cara, preciso fazer menção ao atendimento, desde a recepção até a impecável destreza do maitre e sua carta de vinhos, que privilegia a produção da vinícola Peculiare.

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Você sente o prenúncio de um menu memorável quando o pãozinho da entrada é de fermentação natural: fresco, macio, aromático. É apenas o começo da sequência que vou resumir aqui com as fotos dos meus pratos preferidos.

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Você acha que capeletti é tudo igual? Pois aqui ele é delicadamente recheado com pato.

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Esse é o risoto de cordeiro, que precisei repetir ao final (inacreditável eu ter conseguido o feito) tamanho sabor.

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O tortéi também não é um tortéi qualquer, porque seu recheio mistura charque à moranga, sendo servido apenas com manteiga clarificada.

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Para o sorrentino de rabada, um delicioso molho de vinho tinto. Cabe mencionar que as massas são feitas na casa.

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Mais um risoto, dessa vez de amêndoas e pecorino…

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…e o tortellini de mozarella de búfala ao molho caprese.

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Para sobremesa, fuja do tradicional sagu com creme provando o creme bruleé maçaricado na frente do cliente. <3

 

Osteria Del Valle

Via Trento, 1438-1610, Bento Gonçalves

Aberto de quinta a domingo, das 11h às 16h

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Caxias: um bar secreto pra chamar de seu!

Bares secretos eram aqueles que, especialmente em Nova York, burlavam a lei seca americana da época na calada da noite, escondidos no fundo dos restaurantes ou padarias, vendendo bebidas alcoólicas ilegalmente de 1920 até 1933. Seus clientes refestelavam-se falando baixinho, pela bebida e pelo perigo. Por isso, esses lugares ficaram consagrados como “Speakeasy” e ainda hoje atraem pelo fetiche. Em alguns só se entra com convite, outros deixam pistas para uma senha de acesso.

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Em Caxias do Sul, o Bar Secreto Wine & Beer intenciona a mesma aventura, mas com acesso bem mais facilitado. Ele tem fachada direta para a rua, quase como um convite à entrada. Mas não há letreiro nem luminosos…um desatento poderia facilmente passar direto sem notar a incrível experiência que o lugar oferece.

São dezenas de vinhos nacionais e importados em esquema de boutique ou outlet. É o chopp selecionado a dedo pelos donos nas melhores cervejarias artesanais do país. E o menu sazonal e dedicado à grelha da casa, mostrando a que veio em poucas e boas páginas.

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A receita de momentos memoráveis leva poucos ingredientes – alguns não se compram, outros valem quando custam. É como me senti no Bar Secreto Wine&Beer. O cabernet sauvignon sugerido pelo maitre, um chileno de 2012, abriu as portas de uma noite daquelas que se espera repetir em breve.

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Brie ao mel como sugestão da casa para entrada…

 

 

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…Enquanto a grelha trabalhava nos pedidos.

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O Burger Secreto tem uma receita nada secreta que consiste em tomate, rúcula, bacon e queijo. O segredo está no hambúrguer de picanha de angus que estava impecável no ponto e no sabor. Acompanha fritas: R$ 24,90.

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Ainda melhor que o Burger Secreto é o bife de chorizo que não precisa de nada além de uma pequena porção de farofa e umas polentinhas pra arrasar na noite. Tava suculento, tava incrivelmente macio, por R$ 32,90.

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Fiquei disputando bife e burger e, ao mesmo tempo, mirando o sino. Grandes noites se completam no Bar Secreto com uma forcinha da rodada dupla que o sino anuncia e que ficou para a próxima porque eu ainda estava sorvendo o tal cabernet chileno de 2012.

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E lá veio uma dupla delícia de waffles ao chocolate e morangos pra completar o que já estava ótimo. Obrigada, Bar Secreto, pela experiência toda. Voltarei. Voltaremos. 😉

 

Bar Secreto Wine&Beer

Avenida Rubem Bento Alves, 4575, Caxias do Sul

Aberto de terça a sábado, das 18h45min à meia noite

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Sapore&Piacere: clube do bolo e outras novidades!

Sexta-feira é dia de bolo na Sapore&Piacere. Com o Clube do Bolo, a chef Mária Dalla Chiesa propõe adoçar o seu fim de semana em família ou reunir o pessoal do trabalho com um cafezinho delícia pra fechar o expediente. Toda sexta, um sabor diferente e um bolo entregue quentinho onde o cliente indicar. É a cara do outono!

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Aproveitei a visita que fiz pra conhecer o projeto e dei uma esticadinha no almoço, reafirmando a excelência do pequeno bistrô, que trabalha com os ingredientes da semana e tem uma mesa de antepastos aclamada pela clientela.

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A mesa de antepastos, como eu já disse, é impecável e pode muito bem valer por uma refeição. Aliás, vamos esclarecer sucintamente que o Sapore&Piacere trabalha apenas com prato do dia para o almoço (a exceção dessa semana. De 28 a 31 de março, em virtude da Fimma Brasil, o restaurante vai abrir para o almoço e jantar). Voltando aos antepastos, são sempre frescos, coloridos e sazonais, como a natureza.

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Você pode escolher um almoço completo, com entrada à vontade + o prato principal ou ficar apenas na mesa de antepastos – ou, ainda, pular essa primeira parte do almoço, o que é absolutamente desaconselhável.

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É tempo de grandes figos no Sapore&Piacere. Direto da mesa de antepastos, com quiche de queijo e moranga, estavam doces e suculentos.

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Como pratos principal, polêmicas à parte, estava delicioso o contrafilé com cobertura de provolone, servido com batata doce laranja (que eu simplesmente amo), farofa e brotos. Não é espetacular o colorido do prato?

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Pulei a sobremesa por questões ideológicas (mentira, é tentando dosar os excessos mesmo), mas elas são igualmente apetitosas. Mais adiante, ainda nesse ano, o Sapore&Piacere vai completar 10 anos no mesmo ponto, com o mesmo cuidado e sempre a assinatura da chef Márcia Dalla Chiesa.

Sapore&Piacere

Rua Dr. Casagrande, 500 – Bento Gonçalves – RS

  1. 3055-4586

http://www.saporeepiacere.com.br/

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