Arquivo da categoria: Experiências

Restaurantes com filosofia que merecem a sua visita

Mais um ano que se vai, mas não um ano qualquer. Nesse 2017, o blog teve dezenas de novas experiências gastronômicas: comida incrível, cozinheiros apaixonados, o resgate de ingredientes da culinária ancestral. Ao mesmo tempo, tive aquele mochilão extraordinário por Paris e o meu repertório gastronômico ganhou novos aromas e sabores.

São quatro anos de Culinarismo e quase 200 restaurantes visitados, testados, aprovados e postados. Tudo isso pra dizer que, quanto mais o tempo passa, mais forte fica o compromisso de reverberar o trabalho de restaurantes que respeitam o produtor e o produto. Tenho batido nessa tecla: dados da FAO apontam que cerca de 33% de tudo o que é produzido anualmente no mundo vai para o lixo e todas as suas fases, desde o cultivo até a mesa do restaurante, passando pelo armazenamento e preparo.

Isso não apenas dificulta o acesso global à alimentação, mas também encarece os alimentos e reflete na degradação do planeta. Então hoje quero propor sete restaurantes que entregam filosofia dentro do prato. Todos me encantam com propostas que vão muito além do prato servido.

Desejo a todos nós um 2018 mais consciente e aberto ao novo. Para o Culinarismo, comer bem faz parte da construção de um lugar melhor pra todos nós!

 

# Barlavento: onde a hidroponia é embalada por boa música

Morangos e tomates que ouvem Bob Marley: como não amar? Não tem maître, não tem requinte e não aceita cartão. O Barlavento, que muitos conhecem simplesmente por “morangos hidropônicos” é, certamente, um dos lugares mais autênticos e receptivos que o Culinarismo já visitou. Além do restaurante que costuma lotar nos fins de semana, o lugar abriga uma hospedaria e toda a área de cultivo de morangos, tomates e manjericões hidropônicos e orgânicos que são a base do cardápio. A taça Barlavento é um clássico, mas o menu também tem massas, sanduíches, etc e tal.

Rio do Vento Hidroponia

RSC-453, Km 154, Rota do Sol

Caxias do Sul – RS

Facebook/Barlavento

 

# Dois anos do genuíno slow food no Champenoise Bistrô

O Champenoise Bistrô engrandeceu o repertório gastronômico local exaltando a filosofia slow food do prato à taça. São dois anos do restaurante em Pinto Bandeira, que devolveu à vida o casarão de 1927 e materializou o projeto de vida do casal Marina e Israel: ela, enóloga com especialização em agroecologia. Ele, um chef de cozinha, pesquisador, experimentador da gastronomia orgânica e local. A casa oferece três opções de menu degustação que começam com pães de fermentação natural acompanhados de antepastos produzidos na casa. Todos os pratos refletem a sazonalidade da horta e do pomar, como essa flor de abóbora recheada com melão, copa artesanal e queijo pecorino.

Champenoise Bistrô

Linha Amadeu, Pinto Bandeira

Facebook/ champenoisebistro

# Um recanto tibetano de paz e espiritualidade

Tashiling é o restaurante tibetano que fica no Espaço Tibet, um lugar de convivência vizinho ao templo budista de Três Coroas. Ali, o ritual da refeição alimenta o corpo e reconforta o espírito. Não vale a pena perder muito tempo fotografando em vez de observar o balé dos garçons em seus trajes típicos. Eles quase levitam e seu tom de voz é sereno, pacífico. O cardápio traz algumas opções de entrada e prato principal com peixe e filé mignon, mas o que realmente representa o lugar é o Racha: pernil de cordeiro ao molho de cravos.

Espaço Tibet

Rua Alagoas, 361, bairro Águas Brancas, Três Coroas (RS)

Facebook/espacotibet.com.br

 

# Tradição e hospitalidade na Osteria Della Colombina

 Quando criou o movimento Slow Food, há quase 30 anos, o italiano Carlo Petrini o fez por acreditar na gastronomia como via de transformação. Vi de perto essa transformação quando bati à porta da Osteria Della Colombina e provei de uma comida tratada como expressão cultural. Coisas mágicas acontecem da propriedade Bettú Lazzari, no interior de Garibaldi, que pertence à família desde o primeiro imigrante a pisar no Brasil. Revitalizado como restaurante a partir de 2001, o lugar tem certificado de produção orgânica. Impressionantes 75% do que é servido aos clientes é produzido ali mesmo. A sequência é farta e cada visitante leva consigo uma pequena colombina, tradição dos imigrantes que a anfitriã Odete orgulhosamente preserva e dissemina.

Osteria Della Colombina

Estrada do Sabor, comunidade Linha São Jorge, Garibaldi

Facebook/ osteriacolombina

 

# Memorável experiência na Locanda di Lucca

Quando visitei pela primeira vez esse restaurante, o anfitrião Edgar Giordani resumiu a filosofia do lugar proferindo a seguinte frase: “Não posso servir ao meu irmão alimento envenenado”. Depois dessa, você só pode sorrir e agradecer. O Locanda di Lucca é um restaurante orgânico, no interior de Bento Gonçalves – precisamente no interior do distrito de São Pedro. O menu degustação é sazonal e os conceitos de produção biodinâmica também permeiam o menu. A água saborizada da fonte está inclusa no menu degustação; o restaurante não vende refrigerante e concentra sua carta de vinhos na produção nacional. A sobremesa é um tesouro da casa com grande sabor, aroma e identidade. O sorvete de mel biodinâmico é servido com farofa de esfregolá, geleia de laranjinha kinkan e calda de merlot.

Locanda di Lucca

Linha Palmeiro 340, distrito de São Pedro, Bento Gonçalves – RS

Facebook/locandadilucca

 

# Urban Farmcy, um movimento necessário

O restaurante natureba da vez em Porto Alegre fica bem no coração de um bairro caro e exalta que a comida vegetariana pode ser incrivelmente saborosa e sedutora. A filosofia Urban Farmcy fortalece a produção urbana e hiperlocal de alimentos, reduzindo o impacto com transporte e o desperdício. Com uma filosofia raw (comida minimamente cozida) e plant based, o restaurante tem um menu colorido e cheio de sabores. Aí está a feijoada quase vegana pra comprovar. Surpreendente. No lugar das carnes, um tempero excelente e talinhos de cogumelo. A couve, o vinagrete e a farofa… tudo minuciosamente empratado.

Urban Farmcy

Rua Hilário Ribeiro, 299, Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Facebook/urbanfarmcy

# Valle Rustico, um clássico do slow food na Serra Gaúcha

Como ativista do movimento Slow Food, o chef Rodrigo Bellora reforça na mesa o que vem defendendo em suas palestras e cook shows Brasil afora: a valorização do produto e do produtor local. Em nove passos, o menu confiança apresentado pelo Valle Rustico surpreende não pela finesse das matérias-primas. Ao contrário: será servido urtigão, mas num conceito e empratamento que poderia facilmente ser emoldurado e pendurado na parede como adorno. Os pratos já não são da estação, mas refletem a oferta da horta na semana. Por isso, já há alguns anos, o restaurante não tem menu. Você paga pela surpresa.

Valle Rustico

Via Marcílio Dias, Garibaldi (Vale dos Vinhedos)

Facebook/vallerustico

Rolha livre nas quartas e quintas do Valle Rustico

O menu confiança do Valle Rustico, must have da gastronomia conceitual na Serra Gaúcha, há muito já ultrapassou as barreiras do que se espera para um jantar, alcançando nuance de uma quase aula sobre resgate e aproveitamento de ingredientes não-usuais e combinações extraordinárias. Nessa temporada, o Valle Rustico facilita a vida do cliente liberando a rolha nas noites de quarta e quinta. Menu de nove etapas por R$ 130,00 e você pode levar de casa o vinho ou espumante sem custo de serviço.

Como ativista do movimento Slow Food, o chef Rodrigo Bellora reforça na mesa o que vem defendendo em suas palestras e cook shows Brasil afora: a valorização do produto e do produtor local.

Em nove passos, o menu confiança apresentado pelo Valle Rustico surpreende não pela finesse das matérias-primas. Ao contrário: será servido urtigão, mas num conceito e empratamento que poderia facilmente ser emoldurado e pendurado na parede como adorno. A apresentação de cada prato é cuidadosa e a escolha do que nele vai, mais ainda. Os pratos já não são da estação, mas refletem a oferta da horta na semana. Por isso, já há alguns anos, o restaurante não tem menu. Você paga pela surpresa.

O menu confiança que testei é esse abaixo, mas é como dito antes: muda todo dia , de acordo com a oferta da horta e dos fornecedores.

O que sempre tem é essa primeira tábua de pães frescos: pão branco, pão de fermentação natural, pão de queijo e broa de milho – aqui, servidos com pesto.

A segunda entrada é uma cama de crocante de aipim com maionese picante. Sobre ela, carne de coelho. O quadradinho é um tijolinho de porco griss com mostarda de crem e urtigão, Plantas Alimentícias Não-Convencionais (Pancs) são especialidade do Valle Rustico e aparecem mais de uma vez nesse menu confiança.

Aí, começam os pratos. Eis o espaguete de chuchu aos cogumelos. Fora os pães da entrada, o menu confiança do chef Rodrigo Bellora é sempre mais baseado em carnes e vegetais. Essa adaptação com o chuchu é a melhor imitação de pasta da vida.

Quando chegou o magret de pato, torci o nariz. Já me decepcionei algumas vezes com carnes muito duras…mas essa tinha maciez e sabor. São patos criados soltos. Produção local. Aqui, é servido com azedinha e calda de butiá que dá uma acidez bem proeminente.

A carne seguinte é um peixe Meca com caldo de peixada, servido com uma farofinha de camarão e o raminho de funcho por cima, que dá outro significado ao prato.

Variedades diferentes de milho dão origem a essa polenta, servida com cogumelos e o ovo perfeito.

Ainda vem um matambre, outra surpresa da cozinha do Valle Rustico. Macio, poderia ser comido de colher. Nessa receita bem campeira, vem recheado com farofa de pinhão e servido sobre cama de purê de batata cará, farofa e torresminho. Sobre a carne, um enfeite de salsão e mais uma Panc: Major Gomes, uma ervinha suculenta e que já foi muito desprezada por ser considerada daninha.

Depois disso, chega. É hora de adoçar a vida. O penúltimo passo do menu confiança é uma tábua de doces pra compartilhar: bananinha, pien de doce de leite, tortinha e um creme de erva mate que poderá não agradar totalmente os paladares convencionais.

O último passo do menu confiança não é de comer, mas de passar. São pétalas perfumadas pra fazer um carinho nas mãos enquanto você pede uma dose do limoncello da casa – aconselho com veemência!

Pro meu jantar de rolha livre, levei um Chardonnay ótimo da Bertolini, que o Valle Rustico também oferece na carta.  <3

 

Valle Rustico

Nota no Google: 4,6 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,9 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Via Marcílio Dias, Garibaldi (Vale dos Vinhedos)

Aberto de quarta a sábado para o jantar; aos domingos para almoço

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Nova Petrópolis: o fogo é rei na Osteria di Valli

A brasa viva dançava de um lado ao outro sob a grelha, espalhada e acomodada e pelo suis chef pra tomar conta da parrilla inteira. A cozinha de fogo é tudo o que existe de mais ancestral na gastronomia: você precisa de bons ingredientes e, sobretudo, de tempo.

Eu, que gosto de observar a cozinha e as traquitanas do cozinheiro, fiquei realizada com as mesas ao ar livre da Osteria Di Valli, em Nova Petrópolis, com vista direta para o preparo dos pratos assinatura do chef Enio Valli.

No centro de Nova Petrópolis, a casa tem um menu de massas e carnes e mesas silenciosas num salão sóbrio – quem sabe para um almoço de negócios ou um dia de chuva – mas a grande atração é mesmo comer na varanda, observando os movimentos do cozinheiro e a montagem dos pratos. E, estando acomodada com vista para o braseiro, não existe melhor opção do que se permitir o menu degustação – disponível em duas versões: filé ou cordeiro.

Ponto de partida: espetacular salada de abobrinhas finíssimas com pimentões assados na brasa, pesto, copa defumada, nozes tostadas e raspas de limão. Uma combinação harmoniosa.

A empanada assada na brasa da parrilla vem coroada por uma salsa criolla ótima…

…e abre caminho para o ravióli colorido na manteiga e sálvia, que eu pontuo como bem suculento.

Eis que chega a estrela da osteria: sobre a cama de batatas ao murro, o cordeiro preparado na lentidão do braseiro, o limão braseado e a geleia de uva. Aroma intenso e sabor ancestral, como a comida feita no fogo deve ser.

Depois de um prato tão marcante, é bom encerrar com a doçura delicada do tiramisù – molhadinho, como se pode ver na foto.

 

Osteria Di Valli

Rua Quinze de Novembro, 1860, Nova Petrópolis (RS)

Aberto de quarta a domingo: nas quartas para o almoço; de quinta a sábado para almoço e jantar e no domingo para o almoço

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Monte Belo do Sul: Casa Olga te espera com ares de nostalgia

Eu gosto mais de feijoada que de pizza. E vejam bem: eu gosto muito de pizza, mas em se tratando de feijoada é uma paixão das antigas, daquelas com cheiro e gosto da infância. Eu gosto mais de couve que de batata frita. Não adianta. São meus oito anos batendo à porta e quando eu era criança comi muita muita couve.

Então que almoçar na casa da vó Olga é tipo almoçar na minha própria casa, num domingo de manhã, vinte e tantos anos atrás. Nessa casa em Monte Belo do Sul, bem ao pé da praça e com vista pras torres símbolos da cidade, as irmãs Marta e Morgana prestam uma justa homenagem à vó delas, abrindo as portas para quem queira um almoço de fogão a lenha, sem mistério e com ternura A feijoadinha já é clássica, mas os sábados em que a Casa da Vó Olga funciona também se intercalam com massas frescas e outras coisas.

Uma voltinha na casa é mais que necessária. Tudo preservado numa memorabilia que levam o pensamento direto pra nossas avós. A cristaleira, as imagens santas, despertadores à beira da cama – um de cada lado. Esperando pela nona que agora mora na saudade, a máquina de costura e o forrador de botões dividem espaço com a cafeteira que faz um mimo aos convidados.

Mas isso é papo pra depois do almoço. Antes disso, na chegada, a recepção vem numa dose generosa do bom e velho limãozinho. Cumbucas de torresmo acompanham pra firmar que em almoço de fim de semana a pressa não é bem-vinda. Caminhei pela casa, percorrendo o corredor e os cômodos, agora, já não lembrava mais da minha própria casa de criança, mas das coisas que se passavam na casa da minha vó materna. Como a sala e a lareira pareciam tão grandes quando, na verdade, eu que era tão pequena.

Lembro bem de um fogão a lenha como esse na cozinha da minha vó, que, ao contrário dessa, ficava no fundo da casa. Fosse dia ou fosse noite, tinha sempre uma chaleira esquentando água e um pequeno bule de chá ao lado. Das minhas férias, na Campanha Gaúcha, é vivo na memória o chimarrão que se tomava na soleira da porta a cada entardecer. Os adultos papeando e as crianças – como eu – inventando traquinagem.

Voltei dessa viagem astral quando a anfitriã liberou os trabalhos no fogão a lenha. Hoje era dia de feijoadinha, a última do ano, mas a Casa Olga abre aos sábados com cardápio itinerante que tem também massas, carnes e o que mais vier da inspiração. A feijoadinha estava lendária e, depois desse prato montado esteticamente para a foto, ainda me servi outras duas vezes (risos!).

Depois o mousse de limão nos copinhos originais da vó. Muito amor.

A Casa Olga me trouxe um sentimento de boas lembranças que às vezes passa anos sem reviver na memória. Um almoço, um passeio na máquina do tempo. Voltarei mais vezes porque aquela menina Carol é uma companhia sempre boa de ter por perto.

Quero sempre voltar!

 

Casa Olga

Rua João Salvador, 305, Monte Belo do Sul

Aberto para almoço aos sábados ou sob reserva

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Capone Drinkeria: o prazer de um mundo clandestino em POA

Prazeres secretos moram ao lado das pequenas subversões e, embora não haja nada de proibido nos bares secretos de hoje em dia, a energia Speakeasy é uma ímã. O que acontece no lugar irrevelado, a permissão de apenas ser, a música passeando pelas entranhas, a sedução do imaginário. Al Capone dá o tom e o nome a esse lugar sem fachada, por onde detrás da pequena porta soturna existe um universo paralelo de drinks abençoados. Um lugar de imersão.

Pra chegar no Capone Drinkeria, não há placas nem letreiros. Sem luminosos ou burburinho de gente na porta. É mais um daqueles lugares que você encontra pelo número da casa e, pra mim, é quase incontrolável o desejo de encontrar o que se esconde atrás desse breu. Desci do Uber e não havia marquise contra a chuva. Foi um pulo até a porta e, num piscar, o lado chuvoso estava às minhas costas. Eu dentro, o resto fora.

 

Sentei no balcão que é o lugar dos notívagos. E ali tive uma noite embalada pelo balé das coqueteleiras e o tilintar do gelo nas taças. Distintos perfumes se elevavam no ar a cada macerar de ervas e picotar de frutas. Hipnotiza o balé coreografado dos bartenders. Por que pensar no mundo lá fora?

 

Não se espante com a longa sequência de drinks que provei. Minha passagem pelo Capone foi sem pressa e sem carro. Só o balcão, o balé dos bartenders e aquelas conversas de olhar, de drama e risada que a gente só tem com a melhor amiga.

Scarface, como Al Capone era conhecido, é um clássico da casa que leva conhaque, limão, soda e calda de gengibre. R$ 20,00

Pergunte como a casa pode te surpreender com algo que não esteja na carta e receba esse drink ainda sem nome, mas belamente preparado com gin, bergamota e manjericão.

Depois disso, sim, era justo comer uma coisinha e o menu do Capone tem muitas e várias delicinhas de bar com preço excelente. Essas batatinhas fizeram uma cama maestral para a segunda rodadas de drinks.

Segue o baile com um Mob bubbles e o cheirinho irresistível de uvas brancas, brut, limão e vodka; e mais um French 75: gin, mais espumante, limão e uma cereja pra lembrar que o mundo é sempre cor-de-rosa dentro da taça!

O que acontece depois disso é a clara precisão de um doce. E essa taça cuja foto já não se faz satisfatória tem deixado uma lembrança saudosa. É o Oreos Cheesecake: fundo de brownie, uns biscoitos picados, chantilly e castanhas. Quero mais!

Só pra arrematar, um gin tônica com pepino e os trabalhos do Capone se encerram.

 

A casa tem suas regras e a primeira delas é que bons drinks demandam tempo e carinho e bons clientes devem ser pacientes em relação a isso. A vizinhança deve ser preservada do barulho de quem chega, de quem vai e de quem precisa fumar. Você deve estar aberto a novas experiências porque muitos drinks da casa são autorais e não convencionais. E a melhor delas: celulares não são proibidos, mas não exatamente bem-vindos.

 

Capone Drinkeria

Nota no Google: 4,7 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,6 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Rua Castro Alves, 449, Porto Alegre

Aberto todos de segunda a sábado: das 19:00 às 23:00 até quarta e até a meia noite nas quintas, sextas e sábados

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Urban Farmcy, um movimento necessário de alimentação consciente

Sim, o restaurante natureba da vez fica bem no coração de um bairro caro, onde circula gente cool vestida apropriadamente para um editorial da Vogue. Sim, o ambiente é descolado na medida certa pra ainda oferecer certo grau de sofisticação. Um cliente não habitual pode achar “too much” a garçonete pingando gotas de clorofila na sua água.

De fato, o Urban Farmcy tem todo jeitão de engomadinho, mas é um movimento necessário e que te mostra de uma vez por todas que a comida vegetariana pode ser incrível. O restaurante abriu em Porto Alegre há seis meses meses e a fila de espera não deixa dúvidas de que as pessoas estão, no mínimo, curiosas a respeito. Esse vídeo te ajuda a entender:

Na chegada, me deparei com estantes e mais estantes de cultivo indoor de gramíneas, kale e outras coisas que não soube identificar. Isso também faz parte da filosofia Urban Farmcy: o fortalecimento da produção urbana e hiperlocal de alimentos, reduzindo o impacto com transporte e o desperdício. >> Relembrando o que já falei aqui no blog durante o Setembro Verde, dados da FAO apontam que cerca de 33% de tudo o que é produzido anualmente no mundo vai para o lixo. Deste percentual, 54% das perdas ocorrem na fase inicial do cultivo, passando pela manipulação, pós-colheita e armazenamento. Isso não apenas dificulta o acesso global à alimentação, mas também encarece os alimentos.

Com uma filosofia raw (comida minimamente cozida) e plant based, o Urban Farmcy tem um menu colorido e de fotos primorosas. Pra comer, de salada a burguer veggie passando por uma feijoada quase vegana (comi, conto adiante). O lugar ganha muitos e muitos pontos extras pelo mobiliário de reuso, as paredes verdes “real”, as playlists incríveis no Spotify e por essa ideia genial de compartilhamento do conhecimento.

Ademais, eles têm algumas prateleiras com livros diversos – muitos sobre alimentação alternativa. Você pode levar qualquer título pra casa: basta imprimir sua foto e deixar aí no mural com seu nome, telefone, etc. Quando devolver o livro, leva a foto pra casa. <3

Num menu tão colorido e sedutor, é quase um dilema escolher o almoço. O propósito do Urban Farmcy é redefinir os conceitos de alimentação e, logo na chegada, um suquinho vivo pra energizar enquanto eu dava aquela lenta folheada no cardápio.

 


Esse prato de arroz negro com húmus, avocado e saladinhas estava delicioso e apimentado em boa medida. Não fosse o ovo, seria vegano. Juro que não era, nem de perto, um prato sem graça. Ao contrário: cheio de sabores e cores – tanto que essa imagem não tem nenhum tratamento de cor ou luz.

A minha pedida, pra saciar a curiosidade, foi a tal feijoada quase vegana. Surpreendente. No lugar das carnes, um tempero excelente e talinhos de cogumelo. A couve, o vinagrete e a farofa… tudo minuciosamente empratado, numa experiência que eu repetiria, com certeza.

 

O almoço é uma delícia, mas eu nunca disse barato. Cada uma dessas refeições saiu por R$ 50,00 – sobremesa não inclusa. Vale a pena conhecer, atentar aos detalhes e incorporar um pouco mais de consciência na alimentação.

 

Urban Farmcy

Nota no Google: 4,5 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,7 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Rua Hilário Ribeiro, 299, Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Aberto todos os dias, em horários variados

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Carlos Barbosa: maravilhas da panificação na Usina Pão e Pesto

Não é uma padaria. É uma oficina alquímica que lida com farinhas, leveduras e ingredientes nobres. Depois de tantos anos trabalhando como torneiro mecânico, Tiago Misturini se rendeu ao universo da gastronomia e, depois de um período de estudos na Europa, acaba de abrir a loja de panificação artesanal que já tem uma fila de fãs em Carlos Barbosa. Cheguei até lá num sexta-feira chuvosa, já noite, e, mesmo assim, era um entra e sai de gente buscando encomendas e levando tudo o que ainda restava.

Tiago nos bastidores, Dejair na excelência do balcão

Primeiro, Tiago estudou um ano sobre pasta madre, temperaturas e condições de fermentação. Criou receitas e chegou a 23 tipos de pães que se revezam no cardápio. Pelo menos três ou quatro estão disponíveis de segunda a sexta, além de pestos e caponatas, que completam a vocação da usina.

Além de clássicos como esse pão italiano, a carta tem outros como focaccia, baguete bem ao estilo francês, ciabatta e brioche. As receitas autorais incluem um pão 100% integral e outras versões de três e sete grãos.

Quase morri com esse pão de chocolate. Joana fez uso da franqueza infantil e, depois de comer horrores na Usina, ainda pediu mais um pra levar.

O pão fresco do Tiago é impecável, mas congelado também funciona muito bem. Além desses que comi na companhia do pessoal da Usina, levei pra casa dois belíssimos exemplares autorais congelados: de abóbora com alecrim e cacau com damasco. Ele conserva muito bem no vácuo e fica perfeito como fresco. Basta deixar descongelar e colocar uns minutinhos no forno. É ótimo ter essas reservas no congelador praquela manhã de preguiça. Nada além de uma manteiga ou azeite pra acompanhar.

 

Usina Pão e Pesto | Cozinha Artesanal

Rua Buarque de Macedo, 2545, Ponte Seca, Carlos Barbosa

Segunda a sexta 16:00 às 19:00

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Sushi: Rodízio consciente no Yoo Boutique

Comer bem é brilhar os olhos, salivar a boca e alimentar a alma; mas o corpo tem seus limites e a Terra também. Caso você não saiba, um terço de todos os alimentos do mundo é perdido ou desperdiçado nas etapas de produção e consumo (ONU). Ao mesmo tempo, 800 milhões de pessoas estão subnutridas. Se você chegou até essa quarta frase do post, obrigada por se importar. Então, que tal refletir sobre escolhas que estimulam ainda mais o desperdício? Chega de comida sobrando na mesa, voltando pra cozinha, indo para o lixo.

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Toda essa intro pra te contar sobre o rodízio consciente de sushis do Yoo Boutique Food Store – o supercool bistrô, winestore e empório caxiense do mesmo dono que o Umai-Yoo.

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Então que toda segunda-feira dessa temporada, você pode curtir sushi à vontade, mas sem sobras e sem desperdício.

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Os garçons vão passando e servindo, você come quanto possa, incluindo sushis tradicionais, sashimis e especialidades da casa.

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O preço também fica mais em conta, viu?! O rodízio completo por R$ 69,00.

IMG_7918E depois, se sobrar um espacinho, você pode se esbaldar no Buffet de sobremesas só com maravilhas dos Chocólatras Anônimos. Fora isso, aproveite pra se perder nas prateleiras do Yoo Boutique. Tem tudo de especial pra levar pra casa.

O rodízio consciente do Yoo Boutique vai ser toda segunda-feira, mas fica ligado nas mídias da casa, porque às vezes vai rolar no sábado também!

 

Yoo Boutique Food Store

Nota no Google: 4,4 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,4 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,0 de 5


Rua Os 18 do Forte, 1535, Caxias do Sul

Aberto de segunda a sábado, das 11:00 às 21:00

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Clô Restaurante: poesia pura em Flores da Cunha

A linha do horizonte não dá conta dos vinhedos que emolduram o cenário da vinícola Luiz Argenta, em Flores da Cunha. O primeiro impacto é de um deslumbre que a vista não alcança e de um silêncio providencial cortado pelo revoar dos passarinhos.


Despidas, mas não mais dormentes, as videiras preparam seu rebrotar para a próxima safra. E eu, de olhar apertado pelo sol dessa primavera precipitada, tive meu primeiro almoço no Clô Restaurante, que vai povoar minhas lembranças por algum tempo mais, tenho certeza.

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Depois de uns minutos necessários diante da vista, do silêncio cortado pelos passarinhos e do sol imponente, entrei e precisei de mais algum tempo contemplando o lugar, que tem um projeto realmente deslumbrante assinado pela arquiteta Vanja Hertcert, que realmente trouxe uma alma elegante para o restaurante.

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Pois sobre a comida, o menu completo com couvert, salada, entrada, prato principal e sobremesa sai por R$ 95,00. Não dispense de modo algum a tábua de focaccia e pães frescos.

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A entrada, o prato principal e sobremesa são à escolha do cliente e eu fiquei bem contente com os delicados nhoques ao molho rosé. Os tomates aqui tinham uma acidez que deixou o prato bem marcante.

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A partir daí, as escolhas foram emocionais. Memórias dos anos em que vivi no Pará me levaram a escolher o pirarucu com risoto de alcaparras e limão. Um prato bem fresco, mas forte pela presença desse peixe amazônico firme e carnudo. Amei o prato.

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Voltando bem pro interior gaúcho, a sobremesa foi um remember dos pacotes e pacotes de mandolate que comia na casa da minha vó. Aqui, o semifredo de mandolate veio adornado por calda de caramelo e poeira de amendoim. Achei um pouco pesado, talvez influência do peixe que comi antes.

Como arremate dessa refeição, ficou a vontade de voltar. Merece!

Clô Restaurante, o restaurante da vinícola Luiz Argenta

Nota no Google: 4,8 de 5,0
Nota no Foursquare: 8,0 de 10
Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Avenida 25 de Julho nº 700, Flores da Cunha/RS
Aberto de terça a domingo, das 12:00 às 15:00
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Ler sobre Paris faz parte da viagem <3

#comerecorreremParis

Em um mês, o Culinarismo embarca para uma aventura em Paris que vai se dividir entre restaurantes, festividades e quilômetros percorridos. Será uma dupla jornada. Vou especialmente para Festa da Gastronomia da França, que se realiza desde 2011 e nessa edição vai ter centenas de programações direcionadas ao tema “no coração do produto”. Ao mesmo tempo, vou correr minha primeira prova internacional: La Grande Classique Paris, da torre Eiffel até o palácio de Versailles.

A Cidade Luz é uma fonte de inspiração de onde bebem a gastronomia, o turismo, os artistas, os românticos e os entusiastas da história. Ler sobre Paris faz parte da magia da viagem, antes, durante e depois. Os livros me transportam pra lá num segundo, e num segundo me sinto a garçonete do Michaud, acomodando o galante Hemingway à mesa para seu almoço com Fitzgerald.

Separei alguns dos livros mais apaixonantes que já li sobre Paris e um título que ainda não li, mas que foi super-recomendado e vai na mala como companhia. Todos eles estão te esperando nas prateleiras da livraria Dom Quixote, em Bento Gonçalves, que está com um bazar bem legal até o dia 20 de agosto: tudo com 15% off e uma seleção enorme de livros por 15 pilas!

 

# Paris é uma festa, Ernest Hemingway

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Quando o nome do autor aparece na capa com mais destaque que o título do livro, estamos diante de alguém certamente notável. Hemingway é um autor obrigatório para os estudantes de jornalismo: são clássicos do romance-reportagem. Mas esse livro autobiográfico é diferente. Traz a intimidade suja do autor, as loucas festas da geração perdida em Paris, suas apostas nos cavalos e a infidelidade dele à esposa. Tudo isso emoldurado pela Paris dos anos 1920, numa narrativa que é, no mínimo, hipnotizante. No meio do livro, odiei Hemingway. Depois, o amei ainda mais.

 

# E foram todos para Paris, Sérgio Augusto

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Depois de ficar enlouquecido pelo detalhamento de Hemingway sobre seus anos em Paris, você possivelmente vai desejar percorrer os mesmos caminhos da geração perdida na Cidade Luz. Então esse livro do brasileiro Sérgio Augusto passa a ser uma leitura indispensável. Aqui, o autor lista os endereços frequentados por Hemingway, Fitzgerald, Picasso e outros: suas casas, os cafés e restaurantes prediletos, os bordéis. Tudo com fotos e mapas roteirizados pra quem realmente quer percorrer os passos desses grandes nomes da literatura e das artes no século 20.

 

# Paris para um e outros contos, Jojo Moyes

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Um graça de livro, pra devorar numa tarde de sábado, sem culpa e com a mente leve. Aqui, a autora do Best seller Como eu era antes de você traz uma coletânea de textos fluidos sobre amores passageiros, viagens e casamentos fracassados – mas calma, tudo com grande dose de leveza. O melhor deles, pra mim, realmente é o conto que dá título ao livro. Uma história divertida sobre uma moça insegura que decide aproveitar Paris sozinha depois de um bolo imperdoável do namorado pilantra que nunca chegou para encontrá-la no hotel.

 

# A livraria mágica de Paris, Nina George

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É um livro sobre aventuras e sobre como os livros têm o poder de nos curar. Uma narrativa delicada sobre um livreiro de Paris que tem um barco-livraria e que se amargura pela perda de sua amada. Acontecimentos mágicos o levam a desancorar das margens do Sena e partir com seu barco para uma aventura pelo interior da França. É um livro pra todo mundo que, assim como eu, acredita no poder que as histórias têm de mudar nossas vidas.

 

# Uma mulher livre, Danielle Steel

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Bem, desse eu não muito a falar, ainda não o li. Mas foi altamente recomendado e vai comigo na bagagem pra fazer companhia em Paris. O que eu sei sobre o livro é exatamente o que me atraiu a ele: embora seja ficcional, é uma história repleta de detalhes históricos e que se passa no contexto da Primeira Guerra Mundial. É a jornada de uma rica moça nova-iorquina que perde parte da família na tragédia do Titanic e, por força dessa e outra tragédia em sua vida, vai parar na Europa, onde ajuda os feridos do front.