Arquivo da categoria: Experiências

Sushi: Rodízio consciente no Yoo Boutique

Comer bem é brilhar os olhos, salivar a boca e alimentar a alma; mas o corpo tem seus limites e a Terra também. Caso você não saiba, um terço de todos os alimentos do mundo é perdido ou desperdiçado nas etapas de produção e consumo (ONU). Ao mesmo tempo, 800 milhões de pessoas estão subnutridas. Se você chegou até essa quarta frase do post, obrigada por se importar. Então, que tal refletir sobre escolhas que estimulam ainda mais o desperdício? Chega de comida sobrando na mesa, voltando pra cozinha, indo para o lixo.

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Toda essa intro pra te contar sobre o rodízio consciente de sushis do Yoo Boutique Food Store – o supercool bistrô, winestore e empório caxiense do mesmo dono que o Umai-Yoo.

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Então que toda segunda-feira dessa temporada, você pode curtir sushi à vontade, mas sem sobras e sem desperdício.

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Os garçons vão passando e servindo, você come quanto possa, incluindo sushis tradicionais, sashimis e especialidades da casa.

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O preço também fica mais em conta, viu?! O rodízio completo por R$ 69,00.

IMG_7918E depois, se sobrar um espacinho, você pode se esbaldar no Buffet de sobremesas só com maravilhas dos Chocólatras Anônimos. Fora isso, aproveite pra se perder nas prateleiras do Yoo Boutique. Tem tudo de especial pra levar pra casa.

O rodízio consciente do Yoo Boutique vai ser toda segunda-feira, mas fica ligado nas mídias da casa, porque às vezes vai rolar no sábado também!

 

Yoo Boutique Food Store

Nota no Google: 4,4 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,4 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,0 de 5


Rua Os 18 do Forte, 1535, Caxias do Sul

Aberto de segunda a sábado, das 11:00 às 21:00

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Clô Restaurante: poesia pura em Flores da Cunha

A linha do horizonte não dá conta dos vinhedos que emolduram o cenário da vinícola Luiz Argenta, em Flores da Cunha. O primeiro impacto é de um deslumbre que a vista não alcança e de um silêncio providencial cortado pelo revoar dos passarinhos.


Despidas, mas não mais dormentes, as videiras preparam seu rebrotar para a próxima safra. E eu, de olhar apertado pelo sol dessa primavera precipitada, tive meu primeiro almoço no Clô Restaurante, que vai povoar minhas lembranças por algum tempo mais, tenho certeza.

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Depois de uns minutos necessários diante da vista, do silêncio cortado pelos passarinhos e do sol imponente, entrei e precisei de mais algum tempo contemplando o lugar, que tem um projeto realmente deslumbrante assinado pela arquiteta Vanja Hertcert, que realmente trouxe uma alma elegante para o restaurante.

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Pois sobre a comida, o menu completo com couvert, salada, entrada, prato principal e sobremesa sai por R$ 95,00. Não dispense de modo algum a tábua de focaccia e pães frescos.

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A entrada, o prato principal e sobremesa são à escolha do cliente e eu fiquei bem contente com os delicados nhoques ao molho rosé. Os tomates aqui tinham uma acidez que deixou o prato bem marcante.

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A partir daí, as escolhas foram emocionais. Memórias dos anos em que vivi no Pará me levaram a escolher o pirarucu com risoto de alcaparras e limão. Um prato bem fresco, mas forte pela presença desse peixe amazônico firme e carnudo. Amei o prato.

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Voltando bem pro interior gaúcho, a sobremesa foi um remember dos pacotes e pacotes de mandolate que comia na casa da minha vó. Aqui, o semifredo de mandolate veio adornado por calda de caramelo e poeira de amendoim. Achei um pouco pesado, talvez influência do peixe que comi antes.

Como arremate dessa refeição, ficou a vontade de voltar. Merece!

Clô Restaurante, o restaurante da vinícola Luiz Argenta

Nota no Google: 4,8 de 5,0
Nota no Foursquare: 8,0 de 10
Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Avenida 25 de Julho nº 700, Flores da Cunha/RS
Aberto de terça a domingo, das 12:00 às 15:00
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Ler sobre Paris faz parte da viagem <3

#comerecorreremParis

Em um mês, o Culinarismo embarca para uma aventura em Paris que vai se dividir entre restaurantes, festividades e quilômetros percorridos. Será uma dupla jornada. Vou especialmente para Festa da Gastronomia da França, que se realiza desde 2011 e nessa edição vai ter centenas de programações direcionadas ao tema “no coração do produto”. Ao mesmo tempo, vou correr minha primeira prova internacional: La Grande Classique Paris, da torre Eiffel até o palácio de Versailles.

A Cidade Luz é uma fonte de inspiração de onde bebem a gastronomia, o turismo, os artistas, os românticos e os entusiastas da história. Ler sobre Paris faz parte da magia da viagem, antes, durante e depois. Os livros me transportam pra lá num segundo, e num segundo me sinto a garçonete do Michaud, acomodando o galante Hemingway à mesa para seu almoço com Fitzgerald.

Separei alguns dos livros mais apaixonantes que já li sobre Paris e um título que ainda não li, mas que foi super-recomendado e vai na mala como companhia. Todos eles estão te esperando nas prateleiras da livraria Dom Quixote, em Bento Gonçalves, que está com um bazar bem legal até o dia 20 de agosto: tudo com 15% off e uma seleção enorme de livros por 15 pilas!

 

# Paris é uma festa, Ernest Hemingway

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Quando o nome do autor aparece na capa com mais destaque que o título do livro, estamos diante de alguém certamente notável. Hemingway é um autor obrigatório para os estudantes de jornalismo: são clássicos do romance-reportagem. Mas esse livro autobiográfico é diferente. Traz a intimidade suja do autor, as loucas festas da geração perdida em Paris, suas apostas nos cavalos e a infidelidade dele à esposa. Tudo isso emoldurado pela Paris dos anos 1920, numa narrativa que é, no mínimo, hipnotizante. No meio do livro, odiei Hemingway. Depois, o amei ainda mais.

 

# E foram todos para Paris, Sérgio Augusto

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Depois de ficar enlouquecido pelo detalhamento de Hemingway sobre seus anos em Paris, você possivelmente vai desejar percorrer os mesmos caminhos da geração perdida na Cidade Luz. Então esse livro do brasileiro Sérgio Augusto passa a ser uma leitura indispensável. Aqui, o autor lista os endereços frequentados por Hemingway, Fitzgerald, Picasso e outros: suas casas, os cafés e restaurantes prediletos, os bordéis. Tudo com fotos e mapas roteirizados pra quem realmente quer percorrer os passos desses grandes nomes da literatura e das artes no século 20.

 

# Paris para um e outros contos, Jojo Moyes

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Um graça de livro, pra devorar numa tarde de sábado, sem culpa e com a mente leve. Aqui, a autora do Best seller Como eu era antes de você traz uma coletânea de textos fluidos sobre amores passageiros, viagens e casamentos fracassados – mas calma, tudo com grande dose de leveza. O melhor deles, pra mim, realmente é o conto que dá título ao livro. Uma história divertida sobre uma moça insegura que decide aproveitar Paris sozinha depois de um bolo imperdoável do namorado pilantra que nunca chegou para encontrá-la no hotel.

 

# A livraria mágica de Paris, Nina George

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É um livro sobre aventuras e sobre como os livros têm o poder de nos curar. Uma narrativa delicada sobre um livreiro de Paris que tem um barco-livraria e que se amargura pela perda de sua amada. Acontecimentos mágicos o levam a desancorar das margens do Sena e partir com seu barco para uma aventura pelo interior da França. É um livro pra todo mundo que, assim como eu, acredita no poder que as histórias têm de mudar nossas vidas.

 

# Uma mulher livre, Danielle Steel

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Bem, desse eu não muito a falar, ainda não o li. Mas foi altamente recomendado e vai comigo na bagagem pra fazer companhia em Paris. O que eu sei sobre o livro é exatamente o que me atraiu a ele: embora seja ficcional, é uma história repleta de detalhes históricos e que se passa no contexto da Primeira Guerra Mundial. É a jornada de uma rica moça nova-iorquina que perde parte da família na tragédia do Titanic e, por força dessa e outra tragédia em sua vida, vai parar na Europa, onde ajuda os feridos do front.

São Paulo: deslumbrada pelo despojado Tavares

Quando eu dou aquela suspirada e meus olhos brilham logo na porta de um restaurante, não tem explicação. Existem lugares de comida impecável, outros que me contagiam pela alegria dos anfitriões e aqueles que apaixonam pela filosofia que carregam – mas, assim, de impacto na chegada, não é sempre. Então cheguei ao Tavares cansada de um dia de trabalho e de cara o que se apresenta na entrada é o bar despojado e o barman atrás do balcão com uma coqueteleira dançando entre as mãos.

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O Tavares funciona num casarão dos anos 1950, todo reformado, mas sem perder a aura residencial. O ambiente é reflete isso, com toda aquela coleção de objetos cuidadosamente escolhidos pra compor a decoração, mas que parecem as lembranças de uma vida toda.

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Num jardim de inverno, logo à esquerda de quem chega, uma pequena sequência de mesinhas para dois emolduradas pelo grande letreiro que celebra o amor.

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Mais adiante, o salão principal do Tavares se abre no grande quintal onde tudo acontece – ao ar livre, vista para as estrelas, mas com uma cobertura retrátil para dias não tão amenos. Dali se pode ver a cozinha e o chef trabalhando, o forno de barro para dias de pizza, um piano esperando pelo musicista e uma imponente estante de recheada de livros.

O menu é descomplicado, aconchegante e representa bem o que podemos chamar de comida brasileira. As opções são poucas, o que particularmente me agrada porque sempre reforça a impressão de comida fresca. A casa tem sempre um prato do dia para o almoço com preço girando entre R$ 30,00.

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Nesse dia estive para jantar e acabei provando um pouco de tudo. De suspirar os bolinhos de arroz, servidos com pimenta da forte. Memórias da infância voltaram nesse exato instante.

É tão bom que deixo pra vocês a receita exclusiva do bolinho do Tavares, que, de fato, é diferente daquele que minha mãe fazia pra não jogar arroz fora.

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Esse prato. Tão deliciosamente despretensioso. Peixe amarelo, legumes e salada – o palmito delicioso, os aspargos no seu melhor ponto.

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E a sobremesa amiguinhos: cama de goiabada, sorvete de tapioca, queijo canastra. Era tipo um cheesecake desconstruído, só que melhor.

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Ah, teve o gim tônica pra fechar o espetáculo com cortinas de veludo. Essa versão famosa do Tavares é aromatizada com gengibre, mel e tangerina (que, definitivamente, não era bergamota, então vou chamar como eles apresentaram). Essas bolinhas de zimbro, que são a plantinha de onde sai o maravilhoso gim, era só de enfeite. O garçom me avisou imediatamente depois de eu comer duas delas.

Com isso, encerro esse post. Visite o Tavares. Não coma as bolinhas de Zimbro (risos e mais risos)!

 

Tavares

Nota no Google: 4,4 de 5,0

Nota no Foursquare: 9,1 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Rua da Consolação, 3212, Jardim Paulista, São Paulo

Aberto diariamente: de segunda a sexta, das 11:30 a 0:00; sábados, das 10:00 a 1:00; domingos, das 10:00 às 17:00

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São Paulo: o melhor do Mercadão e uma armadilha pra fugir

No meio do caos, na Cantareira, na gente apressada e motos buzinantes é que se conhece a São Paulo real. Saltei do Uber e o sol brilhava alto quando pus os olhos no Mercadão. Lá se vão 84 anos desse ícone do cotidiano paulista que, em fato, é passagem obrigatória pra qualquer turista. Entrei pelo imponente acesso principal e, mal a rua estava nas minhas costas, me veio a primeira oferta tentadora do primeiro vendedor de frutas. Recusei – em inglês, pra ver se me deixavam em paz, mas eles estão treinados nisso também (risos).

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Há que se encantar com a riqueza arquitetônica do prédio, suas abóbadas e colunas. O mercadão foi inaugurado em 1933 e tinha a intenção de consolidar a imagem de São Paulo como Metrópole do Café. Os vitrais são uma atração extra. Aprecie as cenas retratadas e o efeito do sol sobre eles. É lindo.

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Meu irmão, a quem fui encontrar, me esperava lá adiante, no outro extremo do Mercadão. Até finalmente apertar o guri de saudades, flanei por entre as frutas, as carnes e os peixes, numa sobreposição de aromas que terminou num salivante cheirinho de pastel frito na hora para o cliente. A confusão babilônica que acontece ali é realmente empolgante. Meio segundo de distração e me vi novamente enredada num vendedor de frutas. Ninguém está imune.

Não caia na armadilha dos vendedores. Eles são agentes altamente treinados em te seduzir pelo paladar…eles vão te presentear com sabores maravilhosos, mas você nunca saberá o preço de nada. Em 15 minutos, eles podem facilmente te convencer a comprar 400 reais em frutas. Acredite em mim: já passei exatamente por isso e contei tudo nesse post!

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O que comer é uma decisão difícil no Mercadão, mas pra fugir do burburinho, depois de explorar um pouco as bancas do piso térreo, eu prefiro sentar com calma no mezanino, onde há grandes ícones da gastronomia paulista, como o Hocca Bar, “O Famoso”. Pegar fila é quase certo, mas se você tiver um pouquinho de paciência, não aceite a oferta dos outros restaurantes que te abordarem.

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Estando acomodado, você não pode escapar de dois clássicos da casa: o bolinho de bacalhau, que dessa vez troquei por um pastel.

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…e o inigualável, incomparável, excepcional sanduíche de mortadela. É obrigatório, até pra alguém como eu, que não gosta de mortadela.

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Se for impossível pra você, peça um hambúrguer que também não tem erro. Ele era realmente uma delícia e, sim, eu comi, embora fosse do meu irmão. Carne molhadinha, sal no ponto, queijo de qualidade. Não provei as fritas porque fritas eu como em casa (risos).

Um garçom espertalhão vai tentar te empurrar cada vez mais chopp. Antes do seu copo estar vazio, ele vai trazer outro e colocar na sua frente. Se encostou na mesa, tem que pagar. Cuidado com essa armadilha! E mais uma coisa: não peça sobremesa no Hocca. Você tem todo o Mercadão pra explorar.

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Volte pro térreo e aproveite os morangos…mas cuidado com os vendedores de frutas….olha o flagrante ali. Tem dois deles cooptando pessoas inocentes (risos) !!!!

 

Mercado Municipal Paulistano (Mercadão)
Rua Cantareira, 306, Centro, São Paulo.
Aberto de segunda a sábado, das 6h às 18h. Domingos e feriados, das 6h às 16h
Face do Hocca: clique aqui!

Memorável experiência na Locanda di Lucca

Essa é uma história que começa pelo final. Lá pelo terceiro prato, depois do brinde, da modinha italiana embalada pelo acordeão e da lareira acesa, o anfitrião da Locanda di Lucca conseguiu emocionar com poucas palavras. Edgar Giordani falou do amor com que se recebe as pessoas ali e do profundo respeito à natureza em cada processo – desde a escolha e preparo dos alimentos até a mínima intervenção na casa centenária que abriga o restaurante. Senti verdade. E ele terminou com uma frase tocante: “Não posso servir ao meu irmão alimento envenenado”.

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A partir daí, a Locanda di Lucca ganhou uma fã e uma embaixadora. Eu sempre me apaixono pelos restaurantes que tratam a comida como um tesouro cultural e não pura e simplesmente como um negócio. Porque alimentar as pessoas é estar amarrado na vida delas, nem que seja por um instante fugaz, um domingo de sol, um jantar de aniversário. Isso é bem mais que vender banana, entende?

Não vou me alongar nisso. Vamos ao que interessa sobre Locanda di Lucca. É um restaurante orgânico, no interior de Bento Gonçalves – precisamente no interior do distrito de São Pedro, numa casa centenária que foi minimamente modificada para abrigar o restaurante, inaugurado em maio de 2016 e aberto somente aos sábados e domingos, preferencialmente sob reserva. Grupos são bem-vindos durante a semana também.

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O mobiliário e a decoração acompanham a filosofia de preservação histórica – afinal, os anfitriões são um enólogo e uma arquiteta doutoranda Paisagem Cultural Vitícola na Serra Gaúcha pela UFRGS. O menu degustação é sazonal, como tudo que é orgânico e os conceitos de produção biodinâmica também permeiam o menu. Em lugar de destaque no salão, o quadro do movimento Slow Food reforça aos visitantes que ali se faz comida com respeito à natureza.

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Antes do que se come, preciso contar que a Locanda di Lucca não vende água (a água saborizada da fonte está inclusa no menu degustação); não vende refrigerante e concentra sua carta de vinhos na produção nacional. Edgar está trabalhando numa produção de vinhos e espumantes biodinâmicos da casa para o futuro. Tudo faz parte da filosofia do lugar, como a entrada: lascas de pão orgânico com caponata também orgânica com tudo o que é produzido na propriedade.

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Enquanto o anfitrião acendia a lareira, veio a sopa de cabotiá, com crispy de copa e lascas de queijo cichelero, que ele faz questão de dizer que não é orgânico, pois ele ainda busca um bom fornecedor nesse sentido.

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Expressando o trabalho da casa com pancs – as plantas alimentícias não-convencionais – o primeiro prato é uma tortinha com massa de batata cará orgânica e farina de beterraba, recheada com creme de brócolis e radicci selvagem. Cenouras crocantes com muçarela fresca e um azeite e alta qualidade completam o prato, que se apresenta com a aquarela de um artista.

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A salada também não é qualquer salada. Aqui, as folhas orgânicas são temperadas com suco de laranjas orgânicas e o mel da Locanda di Lucca, que é um cuidadoso trabalho do anfitrião nos princípios da produção biodinâmica.

DSC_3889O segundo prato traz arroz sete grãos biodinâmico e uma experiência quase inenarrável com essa costelinha de porco temperada com coisas da casa e cozida lentamente na panela, com o charme do crispy de couve e um purê de pera que entrega uma surpreendente acidez ao prato. Realmente Edgar tinha toda a razão quando disse que se tratava de um grande momento gastronômico.

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Olha a delicadeza do lugar em preparar um prato especial pra ajudante de Culinarismo <3

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A sobremesa é um tesouro da casa com grande sabor, aroma e identidade. O sorvete de mel biodinâmico é servido com farofa de esfregolá, geleia de laranjinha kinkan e calda de merlot.

Toda a experiência custa R$ 98,00 por pessoa. Apenas vá!

Locanda di Lucca

Nota no Google: 5,0 de 5,0

Nota no Foursquare: ainda não possui avaliações suficientes para pontuar

Nota no Trip Advisor: 5,0 de 5,0

Linha Palmeiro 340, distrito de São Pedro, Bento Gonçalves – RS

Aberto aos sábados e domingos, das 11:00 às 19:00. Aceita reservas de grupos para outros dias

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O que o Culinarismo provou de melhor nesse semestre

Um suspiro e passou metade do ano. Já deu uma olhada nas suas metas pra 2017? Alguma promessa saiu do papel? Para o Culinarismo, foram dias de muitas descobertas gastronômicas. Listei meus cinco lugares preferidos do semestre – não é um ranking….estão por ordem alfabética e todos os cinco merecem a visita!

 

Bar Secreto Wine&Beer

Caxias do Sul

Bom para beber com qualidade

DSC_3325Prateleiras forradas de vinhos pra todos os bolsos, uma carta de cervejas escolhidas a dedo pelos proprietários e torneiras geladas de chopp. Não importa a escolha, o lugar é perfeito pra espairecer. No menu, carnes, legumes e hambúrgueres: tudo tendo a grelha como base de preparo.

 

Osteria Del Valle

Vale dos Vinhedos

Bom para almoçar

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Entre tantas opções de restaurante estilo “sequência italiana”, o novo Osteria Del Valle realmente se diferencia. Dá pra perceber a assinatura do chef Álvaro da Silva no menu, que vai de foccacias de fermentação natural a capeletti de pato, passando pelo simplesmente inesquecível risoto de cordeiro. Prove esse e peça mais!

 

Ovelha Café

Bento Gonçalves

Bom para bater um papo

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Quatro variedades de grãos, cinco métodos de filtragem e infinitas razões pra conhecer. As tortas são feitas com carinho e ingredientes caseiros, como o doce de leite de produção própria. Sanduíches delícia pra acompanhar o bate papo no meio dos livros completam a cena. Beba água no filtro de barro – é de graça! <3

 

Sapore&Piacere

Bento Gonçalves

Bom para almoçar

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Revisitei o elogiado bistrô da chef Márcia Dalla Chiesa pra falar das comemorações de seus 10 anos, que serão em breve. Não há dúvidas de que é o melhor almoço trivial de Bento Gonçalves, com toda aquela mesa de antepastos que já valem por uma refeição.

 

Wine Up Miolo

Vale dos Vinhedos

Bom para uma tarde de sol

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O espaço novo do Wine Garden Miolo segue a mesma proposta de wine bar ao ar livre, mas, em vez de tapetes ao gramado, aqui teremos refeições mais elaboradas. Ainda em sistema de soft open, o espaço terá uma parilla e um forno de barro para o menu que vai valorizar a comida de fogo. O cenário é estonteante. Pode confiar!

Vem aí o Wine Up Miolo

Um vinho, um menu de ancestralidade e um lugar pra aproveitar tudo que o inverno na Serra Gaúcha tem de melhor. O Wine Up, novo espaço do Wine Garden Miolo, abre oficialmente em julho, mas já recebe em sistema de soft open com boa música e mesas para compartir. No alto da colina, a vista panorâmica dos parreirais do Vale dos Vinhedos inspira por si só. O ambiente exclusivo promete grandes tardes enogastronômicas.

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O espaço vai funcionar como uma extensão do Wine Garden. Nos jardins da Miolo, ao redor do ônibus-cozinha, permanece o atendimento irreverente com tapetes ao gramado, comidinhas sem talher e estilo piquenique. No Wine Up, o mesmo conceito de wine bar ao ar livre, mas com estrutura de restaurante, móveis de design assinado e comida de fogo: carnes, legumes na brasa e menu itinerante comandado por chefs convidados.

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Vai ter parrilla e um forno de barro, tudo bem ancestral. Até a inauguração oficial, a boa pedida é o escondidinho do chef Natalício!

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O atendimento é no tablado que se estende do contêiner ou na tenda que abriga mesas coletivas. Afinal, o vinho é propício pra se conhecer novas gentes! A carta segue a mesma linha do Wine Garden, com vinhos e espumantes Miolo em garrafa e taça.

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A excelência musical dá o toque de mestre ao Wine Up e a melhor parte é que, protegido pela tenda e um pergolado anexo ao contêiner, o espaço abre mesmo com tempo ruim, sempre de quarta a domingo.

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Grandes vinhos nos esperam nesse inverno. Cheers!!!

Wine Up Miolo

Dentro da Vinícola Miolo: RS 444 Km 21 Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves

(54) 98112-0333

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A viagem gastronômica do My Way agora também no almoço

Quando um chef de cozinha te convida a sentar no porão da casa dele, conhecer suas coleções de cardápios do mundo, bibelôs e cédulas antigas, esse só pode ser um momento especial. O My Way do chef Maurício Crippa deixa as pessoas à vontade, como estando na casa de um amigo. Logo na entrada, um aparador com fotos da família é que dá as boas vindas. Sentiu o nível de intimidade que você terá com o anfitrião?

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Pois chegue de peito aberto e embarque na viagem que o chef oferece pelas principais cozinhas do mundo.

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O cardápio é itinerante e já postei aqui um jantar indiano que provei e aprovei mesmo sem saber das andanças do Maurício pela Índia. Pois, agora, o My Way, amplia sua programação de jantares étnicos nas sextas e sábados, oferecendo almoço a La carte aos sábados e domingos. O menu é completo: couvert, entrada, prato principal e sobremesa. O cliente escolhe a massa e a carne de preferência; o resto é surpresa.

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Preciso revelar aqui que sou apaixonada pela caponata do chef Maurício e, sempre que tenho em casa, sucumbo aos alertas do chef de comer só um pouquinho por vez. Como couvert no almoço, ele serve justamente a caponata da casa com pão de fermentação natural.

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Nesse dia em que revisitei o My Way, a chuva não dava trégua, então a entrada de minestrone caiu como uma luva pra confortar.

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A massa e a carne do prato principal são à escolha do cliente. Pra mim, naquele dia, pareceram apropriadas as mezzelunes trentinas (massa recheada com escarolas e bacon, molho de natas) e filé Cordon Bleau (recheado com copa e queijo, molho espanhol).

Esqueci de fotografar a sobremesa, que era um creme de laranjas do quintal com calda de merlot. A experiência toda (exceto bebida) por 60 pilas!

Essa vida culinarística nem sempre me permite repetir os restaurantes tanto quanto eu gostaria. Mas em defesa do My Way, eu digo e repito que é um dos lugares onde mais me sinto à vontade. Onde eu poderia tranquilamente ir de pantufas e tomar um vinho sossegada. Só não o faço em respeito ao chef (risos)!

 

My Way Cozinha Universal

Rua Francisco Ferrari, 656, Barracão, Bento Gonçalves

Reservas: (54) 98118-3398

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Casa Valduga e uma releitura gastronômica do Cammino di Caravaggio

Se vivemos tempos de transição de valores, comportamentos e consumo, a gastronomia passa pelo mesmo embate. Tudo o que era glamoroso, caro e inacessível aos poucos dá espaço para a cultura, o genuíno e a exaltação do comum. Estamos trilhando um presente já não esnoba o passado e eu, particularmente, fico encantada com as habilidades de um cozinheiro em criar o inusitado a partir de insumos ordinários. Reproduzir ou adaptar a gastronomia clássica se faz com talento de execução, mas trazer à mesa um prato único com o que quer que a estação e o mercado local ofereça é o que diferencia a qualidade da excelência.

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Pois, a convite da Casa Valduga, o Culinarismo participou de um jantar experiência assinado pelo chef Fabrício Darós, que delicadamente homenageou o Cammino di Caravaggio com elementos conhecidos de todos nós, mas uma entrega digna da alta gastronomia.

O conteúdo e a experiência inspiradora foram organizados pela Focus Excelência. Olha só a primazia desses pratos:

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O antipasto “Santa Maria della Fonte”, para mim, o melhor capítulo do jantar: cesta de parmesão, polenta de milho branco com creme de mascarpone, alho assado, presunto cru. Aqui, a polenta foi servida levemente doce, contrapondo a presença forte do queijo e do preciutto. De fato, um primor.

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Como primo piatto, batizado “Da Bergamo fino alla Colonia Sertorina”, uma massa recheada com porco e ervas aromáticas ao molho de manteiga, guanciale, sálvia e grana padano.

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O secondo piatto, que leva o nome do próprio jantar – “Cammino di Caravaggio”, era um marcante pato braseado no vinho branco, alho e o primo do alecrim rosmarino, servido com berinjelas assadas.

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Giardino della Madonna foi o dolce que fechou a experiência: base de torta delle rose (algo como um brioche) servida com creme de laranja e moscatel, uma pitada de cacau e flores comestíveis.

O jantar Cammino di Caravaggio incluiu a programação da Casa Valduga para o Dia do Vinho 2017, que segue até o dia 04 de junho, com programação em todas as regiões brasileiras produtoras de vinho. Confira aqui!

A programação normal do restaurante Maria Valduga também é excelente. Foi, inclusive, o primeiro post desse blog, em 2013. Relembre aqui!