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O mágico clichê de um jantar na Torre Eiffel

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Um bom viajante sabe que as melhores descobertas estão no inusitado, no improvável. Apesar disso, não se pode desprezar as atrações turísticas consagradas. Deve haver um bom motivo pra elas serem consagradas. Em Paris, por exemplo, você pode dedicar todo tempo do mundo pra se perder nas ruelas de Montmartre ou percorrer todos os cafés e livrarias da Geração Perdida, mas se você não curtir uma noite aos pés da Torre Eiffel, é como se não estivesse estado na Cidade Luz.

 

DSC_8049Andando a passos curtos e com olhar fixado no céu, a multidão reflete a imponência metálica do monumento erguido em honra à Exposição Universal de 1899. É o suprassumo do turismo clichê, mas ainda assim é extasiante. Cada pilar da Torre Eiffel é, certamente, maior que o meu apartamento e se a sensação já é de pequenez estando na base da torre, você mal pode imaginar como me senti lá em cima. Se você tiver uma chance na vida, reserve um jantar no 58 Tour Eiffel. Não existe chance de arrependimento.

 

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A reserva no restaurante isenta a taxa para acesso ao elevador e no primeiro andar, que está a 60 metros do chão, já é possível ter uma espetacular vista da cidade em todos os ângulos. O elevador é ainda o original – é como entrar na Belle Époque. Circulando no primeiro andar, você encontra um memorial à obra de Gustave Eiffel e alguns pontos de romance. <3 <3 <3

Certa dose de medo também parte da visita. No primeiro andar, parte do piso é de vidro. Olhar pro chão e ver as pessoas minúsculas lá embaixo é um pouco desconfortável. E olha que nem tenho medo de altura.

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Em geral, restaurantes turísticos não são indicados. Há muita gente, a comida costuma ser ruim e o saldo final é muito gasto e pouca felicidade. Esse jantar estava reservado seis meses antes e, mais de uma vez, pensei em cancelar. Ainda bem que não fiz isso, porque a experiência no 58 Tour Eiffel foi bem legal. O restaurante tem dois andares: o primeiro dá vista para a cozinha aberta, mas no segundo você pode jantar tranquilamente apreciando a vista de Paris. Por sorte ou destino, fomos acomodados atrás desse casal, no segundo piso, numa mesa com vista privilegiada do Rio Sena.

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Havia três opções de cardápio e eu comi uma sopa de cogumelos que não faço ideia de como, mas esqueci de fotografar. Outra opção de entrada era esse salmão defumado com molho tartárico, um waffle recheado com queijo e ovas de salmão.

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O prato principal que vinha após a sopa era o salmão grelhado com purê (tudo na França leva purê), tomate confitado, alho assado maravilhosamente aromático e duas – sim, somente duas – unidades de nhoque.

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O outro prato foi carne com cogumelos também vinha acompanhada de purê, porque batatas são majestade na gastronomia francesa.

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Sobremesas, para mim, são algo dispensável quando você tem um bom jantar e um bom vinho. Mas estava inclusivo no pacote, então escolhemos essa espécie gigante de profiterolis e…

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…a tortinha com mousse de chocolate com esguicho de calda de maracujá (hehe).

Como em todos os lugares de Paris, no 58 Tour Eiffel o jantar é mais caro que o almoço. Para a noite, existem várias opções de serviço com preço entre 85 e 180 euros por pessoa. O nosso era é mais barato e super valeu a pena. Se você não estiver disposto a isso, pode almoçar no restaurante por 41,50. De qualquer forma, pense bem. A noite é mágica na Torre Eiffel.

Existem outras opções de alimentação na torre. Para conhecer, clique aqui!

Hoje é dia de burger, bebê!

12784321_10208931497463975_1595463845_nA doceria delicada da chef de cozinha Catherine Tedesco ganha acordes bem mais rock n’ roll no menu renovado do Retrô Classic Pub, em Garibaldi. Se, de dia, sua cozinha se perfuma de geleias e brownies, na noite, a chapa esquenta num repertório megamente salivante para beliscar ou jantar. É bar, é beer, mas o show aqui é de gastronomia.

Neste verão, a casa ampliou seus dias e horários de atendimento e incrementou o cardápio. A seleção de hambúrgueres rouba a cena: curte sabores agridoces? Tem um burguer pra você! Gosta de um diferentão? O mais vendido da casa leva pão de malte de cerveja! Carne está fora de cogitação? Lá tem o melhor burguer vegetariano que já provei. Tá bom, não abre mão do tradicional? Tem burguer pra você também!

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Como uma alquimista, Catherine testou ingredientes, combinações e desenvolveu pães especiais para cada hambúrguer em parceria com um fornecedor. A cozinha prioriza ingredientes frescos e dá um toque de boteco em suas preparações. Uma pitada de whisky aqui, uma redução com cerveja acolá.

A chef contou um segredinho valioso: ela prepara seu próprio molho barbecue, o que á muito trabalho, mas garante um hambúrguer sem gosto de prateleira de supermercado. As maioneses também são caseiras, o que conta muito. Esse traquejo para a pesquisa e criação de novas receitas – sempre evitando insumos industrializados – Catherine trouxe da França, onde fez o estágio de sua graduação em Gastronomia.

Provei três exemplares do novo menu de hambúrgueres do Retrô Classic Pub, com estilo e propostas totalmente diferentes: o campeão de vendas Beer Burger e os lançamentos Green Burger e Patagônia. Vêm acompanhados de fritas tradicionais ou rústicas, a escolha, e custam de R$ 25,00 a R$ 30,00. Ei-los:

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Green Burger, você jamais desconfiaria que está comendo feijão | O limão siciliano se pronuncia nessa versão surpreendente de hambúrguer vegetariano de feijão branco com couve flor. O pão delicado é de fubá e o toque de botequim fica por conta da maionese de cenoura.

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Beer Burger, a magia do pão de malte | Com malte fornecido por uma cervejaria parceria, Catherine criou o pão para essa receita que é sucesso de crítica. Um generoso hambúrguer bovino recheado com gorgonzola serve de caminha para a camada de cebola caramelada e mostarda.

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Patagônia Burger, sabores da América Latina | O cordeiro para esse hambúrguer é fornecido por criador local e, como nas demais receitas, a carne é processada e preparada na cozinha do Retrô. Nessa receita, leva especiarias como canela e noz moscada. No ponto exato de suculência, o hambúrguer deixa molhadinho o pão de brioche com gergelim negro. Com lascas de permesão e rúcula, tem finalização é tipicamente argentina com uma maionese de chimichurri.

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Pra finalizar, uma boa dose daquela que é a marca registrada de Catherine: a sobremesa. Para esse lindo brownie com sorvete, uma cobertura generosa de geleia com as frutas da estação. Também   está no menu do Retrô. <3

Retrô Classic Pub

Rua Irmão José Sion 390, Garibaldi

De quarta a sábado, a partir das 17h30min

Site: acesse aqui!

Um dia de pizzaiola em Florença

Este post tem o apoio de Jornal Design Serra

 

Pizza é unanimidade e, apesar de eu ainda ter um longo caminho até completar minha volta ao mundo, posso supor que encontraria pizza em qualquer lugar habitado do planeta. Aqui em Bento Gonçalves, por exemplo, certamente existem mais de 20 pizzarias – cada uma com sua especialidade, cada uma com suas promessas. Fazer pizza é muito simples, mas chegar à perfeição é realmente para poucos.

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Em Florença, logo na primeira noite, tive uma experiência realmente genuína e divertida fazendo pizza. Aprendi um bocado com o professor italiano e, muitas vezes, me distraí observando os trejeitos e hábitos dos meus colegas de curso. Na minha bancada, havia um casal de canadenses que sorria apaixonadamente, uma indiana que colocou muitíssima pimenta na pizza dela e uma chinesa que vivia em Londres. Se, em sua viagem, você tiver a oportunidade de fazer algo parecido, não hesite. Vale tanto pela comida quanto pela troca humana.

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A história da pizza, todo mundo sabe, é milenar e começou no Egito, popularizando-se como um prato tipicamente italiano – mais precisamente, napolitano. Existe uma associação no mundo que regra os preceitos da verdadeira pizza e avaliza os lugares que seguem a receita original. É a Associazione Verace Pizza Napoletana e, no momento, existem apenas cinco pizzarias brasileiras que se enquadram nesses requisitos.

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Florença está na Toscana e não em Napoles, mas no curso “Making Pizza”, aprendi a receita original, que é muito simples, mas se diferencia pelos ingredientes e pela técnica. A verdadeira pizza tem o diâmetro de um prato grande e é feita para uma pessoa. A massa leva apenas farinha moída fina, sal e fermento fresco – nunca azeite – e deve ser aberta com as mãos, jamais com o rolo. Por cima dela, um molho de tomate e um bom queijo italianos e algo mais, como azeitonas ou salame.

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Não foi minha melhor performance, mas me diverti horrores. Tudo é feito em uma bancada fria, como mármore, e a parte mais difícil é conseguir colocar a massa na pá de pizza e, dali, no forno. A minha pizza era bem melhor apresentável quando a preparei, mas nesse processo todo ficou meio desmilinguida. Para a receita original, você precisará de um forno superpotente, que alcance uma temperatura entre 450º e 485º, porque o tempo assando não pode passar de dois minutos. É muitíssimo rápido!

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A aula foi muito produtiva e regada ao vinho da casa, mas não passou de uma brincadeira saudável, claro. As regras da cozinha são para chefs e não para nós, meros mortais, para quem a cozinha deve ser, acima de tudo, um lugar de relaxamento.

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Estou diplomada, mas ainda não tentei reproduzir nada disso em casa. Se você é mais disposto para a tarefa, pode tentar essa receita diretamente de Firenze.

Para fazer cursos de culinária em Florença:

www.florencecookingclasses.com

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