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Um recanto tibetano que vale a pena

tibet temploNuma manhã úmida, mas ensolarada, subi a Serra buscando uma experiência de paz. Acredite: até o mais cético dos homens um dia recorrerá às preces, aos livros ou aos sábios para encontrar em si mesmo a parte que há do universo. Para mim, uma caminhada breve e silenciosa no templo budista de Três Coroas é o suficiente para confortar a alma por um bom tempo. É curioso e fascinante acompanhar as legiões de formigas que seguem seu rumo, protegidas, quem diria, pelo homem. tibet entrada

O ritual de uma boa refeição tem disso também. Mais que alimentar o corpo, reconforta o espírito. Foi assim que me senti no Espaço Tibet, um centro cultural ainda em desenvolvimento que abriga uma pequena loja e o restaurante Tashiling. O lugar representa muito do que é o Tibet, afinal, eles garantem que apenas três tibetanos residem no Brasil e dois deles estão ali, servindo ao público sabores incríveis ao som de mantras e músicas folclóricas. O ambiente tem um quê de hipnótico – sobretudo se você conseguir deixar o celular na bolsa e apenas comer, beber e relaxar.

tibet salao

Claro que, dessa vez, não pude me dedicar inteiramente a aproveitar o momento, ou não teria imagem alguma pra trazer. Mas, juro que fiz o mínimo possível de cliques de cada prato. Não vale a pena perder muito tempo com isso em vez de observar a elegância dos garçons em seus trajes típicos. Eles quase levitam e seu tom de voz é sereno, constante.

tibet chaMal sentei e já estava hipnotizada pelas dança típica de um vídeo que passava em televisores virados para os dois lados do salão. Não tinha como escapar daquela dança sincronizada. O garçom, deslizando no piso úmido, interrompeu meu transe trazendo chás de boas-vindas. Chá preto com limão e gengibre, cortesia da casa.

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O garçom não mentiu ao dizer que a comida tibetana é aromática e leve. Realmente, os temperos é que dão todo o toque, como nessa entrada tradicional: os momos, acompanhados por molho de manjericão e molho de tomate. É difícil decifrar as especiarias e ervas. A combinação é complexa e agrada principalmente pela riqueza de sabores com pouquíssimo sal.

tibet carne tibet batata tibet legumes

A R$ 19,00, são servidos três sabores de momos que servem duas pessoas na medida: carne, batata e legumes. Confesso que me deparar com carne logo na entrada causou certa estranheza, levando em conta que no templo budista eles não permitem aos visitantes pisar nas formigas. Como não tenho embasamento algum sobre o Tibet e o budismo tibetano, então permanece a dúvida (uma pesquisa rápida na internet sobre o tema não surtiu efeito).

tibet prato principal

O cardápio traz algumas opções de prato principal com peixe e filé mignon. Pedi ao garçom algo que realmente representasse o lugar e ele indicou o Racha: Pernil de cordeiro ao molho de cravos, arroz flambado com castanhas e gergelim, cenoura caramelada e batata com ervas finas. Já tinha provado em outra ocasião a variação desse mesmo prato com molho de anis e achei a carne mais adocicada do que devia. Dessa vez, entretanto, o equilíbrio estava perfeito.

 tibet detalhe cordeiroMesmo com a fortidão do cravo, senti nitidamente um vinho tinto ao fundo, e a carne estava bem macia. Esse “combo” serve duas pessoas e custa R$ 68,00.

 Como sempre, não tive forças para chegar à sobremesa e nem precisava. Foi uma experiência inusitada e buscar lugares assim é o impulsiona esse trabalho. Mas, dessa vez, além da comida diferente, havia uma atmosfera única. Uma sensação de completa tranquilidade.

tibet encerramento

Espaço Tibet

Rua Alagoas, 361, bairro Águas Brancas, Três Coroas (RS)
Telefones: (51) 3546-5763 e 9678-3184

www.espacotibet.com.br

 

 

 

 

O fabuloso Magnólia

Não poderia ter garimpado melhor opção pra estrear em grande estilo o novo Culinarismo! Anote agora mesmo esse achado vinda de Canela e trate de colocar na sua wish list. Se eu tivesse que descrever o Magnólia em apenas uma palavra, ‘experiência’ seria o termo ideal. Sugiro ler esse post até o final porque a dica é quente… Não importa se a noite é com a galera, com a família, a dois ou com a gurizada bagunceira. Não importa se o orçamento é de 50 ou 500. A experiência será fabulosa. magnolia fachada

Imagino que o casarão de 600 metros quadrados da década de 1950 tenha pertencido a alguém bastante rico, porque o glamour está em cada detalhe arquitetônico. As características, aliás, foram preservadas na reforma que concebeu este cine/gastrô/bar inaugurado há menos de três meses em Canela. Naturalmente, fiz um tour pela casa logo na chegada. Na parte inferior, uma recepção pra lá de curiosa e um salão muito bem equipado para eventos privados. No segundo andar, dois salões, um bar e outras ‘cositas más’. Nada ali é por acaso. A decoração do Magnólia é resultado de anos e anos de explorações em brechós e antiquários.

magnolia cozinhahall

O hall é a casa da Magnólia e a Magnólia, por sua vez, é a “dona da casa” – creio eu. A proposta dá um cenário e tanto pra um ensaio fotográfico ou uma série de selfies. De guarda-chuva a secador de cabelo cor-de-rosa, passando pelo figurino da personagem, tudo parece ter saído direto dos anos 50. Repara na cozinha da Magnólia. É uma viagem no tempo. Garimpar essas raridades deve ter dado muito trabalho. O móvel central é um bar com encaixe perfeito para taças e garrafas, que se oculta ao fechar as abas laterais, escondendo o ouro daquela visitinha indesejada. Baita ideia!

magnolia banheiro mulheres magnolia banheiro homens

Antes de chegar ao salão, que tal uma passadinha nos banheiros? O da esquerda é dos senhores, todo estiloso. O outro é para as ladies e não foi modificado na reforma da casa. A vida tinha mais cor antigamente né?

magnolia cartaz cinemaAgora parem as máquinas. Isto não é apenas um cartaz decorativo na parede de um restaurante. É a programação do CINEMA que tem dentro do Magnólia. Entende o que eu chamo de experiência? É tipo entornar uma cerveja assistindo Tarantino e sair dali direto pra um jantar espetacular. Tem programação semanal para adultos e crianças.

cinema magnolia

O cinema do Magnólia já tem até nome: Cine Ideal. As poltronas foram garimpadas em antiquários e toda a programação é voltada para filmes cult. Nas noites de segunda, pra quem mora em Gramado/Canela ou possa dar uma esticadinha no fim de semana, tem uma programação especial com filmes comentados ou harmonizados com drinks da casa.

magnolia brinquedoteca

Como mãe, não poderia deixar de registrar meu contentamento com esse espaço. Num restaurante, a gente não pode colar o bumbum dos pimpolhos na cadeira. Tem que se comportar, ok, mas nem é justo exigir que eles fiquem paralisados como o mascote do Bob Esponja só esperando a hora de ir embora. Pois, no Magnólia, toda sexta e sábado tem matinê no cinema e recreacionista na brinquedoteca pra cada um curtir o que lhe interessa. Experiência, entende?

magnolia bar

Pra um esquenta ou happy hour, o bar do Magnólia é perfeito. Funciona até a uma da manhã e toda quinta-feira tem DJ fazendo um som com vinil. Dei uma olhadinha rápida no cardápio de petiscos gourmet e aprovei. Além de todos os drinks do cardápio, há seis torneiras com cervejas importadas e artesanais.

magnolia salao

Este é um dos salões superiores, perfeito pra uma ocasião a dois ou em família. Das cadeiras aos guardanapos, passando pela intensidade da iluminação, os detalhes fazem toda a diferença. Repare na lareira, é original da casa. Mas tudo isso é apenas a moldura para um cardápio incrível elaborado pela chef Roberta Rech.

magnolia couverO couvert é uma delicadeza da casa, mas o que pedimos nesse dia foi:

magnolia entradaPara entrada, fondue de brie com geleia de damasco e focaccia. Serve duas pessoas e custa R$ 29,00. A combinação é delicada e impressiona.

magnolia primeribGostaria de salientar que o cardápio tem “N” opções pra quem não come carne, mas já estava decidida a provar o prime rib da casa, porque foi otimamente recomendado. Vem acompanhado por legumes grelhados e farofa de cebola roxa. Há que ter estômago pra chegar ao final, porque é quase meio quilo de carne e por mais que estivesse divino, tive que pedir ao garçom que embalasse para viagem. Custa R$ 58,00.

magnolia cordeiroEsse aí é o Stinko de Cordeiro acompanhado de purê de mandioquinha. Basicamente, é uma carne da região da panturrilha do animal. Tinha tudo pra ser borrachenta, mas estava se descolando do osso. Deu pra comer de colher e também custou R$ 58,00.

magnolia filePra quem quer provar o melhor do Magnólia gastando um pouco menos, há outros pratos com frango ou filé mignon bem mais baratos, na casa dos 40 reais. Esse filé com risoto de maçã verde e gorgonzola sai por R$ 44,00.

magnolia tortelonniOu um tortellone artesanal de limão siciliano e mussarela de búfula com camarões, tomate e manteiga de tomilho. Leve, delicioso e uma baita porção.

Minha avaliação final é das melhores. Esse negócio, que é dos mesmos proprietários do Empório Canela, além de um terceiro sócio, demorou um bom tempo pra sair do papel, mas certamente vai se consolidar como uma nova atração turística de Canela.

Magnólia

Rua Dona Carlinda, 255. Centro

Telefone: (54) 3278-0102

Aberto de terça a sábado, das 18h a 1h

Facebook: clique aqui

Almoço perfeito na Casa Vanni

Taí um dos meus lugares favoritos pra curtir o outono em Bento Gonçalves. A receita é simples: pegue um dia de sol, adicione algumas pessoas que você ame, pegue a estrada para os Caminhos de Pedra e dê uma pausa pra almoçar na Casa Vanni. Pra finalizar, apanhe umas nozes do chão e descanse uns minutinhos na rede antes de seguir passeio. Esse foi o roteiro que escolhi pra comemorar o Dia das Mães, mas vale pra qualquer ocasião.

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A Casa Vanni certamente está no meu top 5 em Bento pela experiência completa que oferece aos turistas e aos nativos. A casa, de 1935, foi transformada em restaurante há seis anos, o que certamente contribuiu muito para o charme dos Caminhos de Pedra.

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Na parte superior, funciona um empório cheio de gostosuras pra levar ou tomar um café de rei ali mesmo. Mas o ouro está no porão e, pra chegar à parte inferior da casa, os caminhos são encantadores.

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No restaurante, o visual é rústico, mas charmoso. O atendimento é excelente, o que se explica também pela limitação de capacidade. São poucas mesas e garçons bem dispostos, o que não se encontra em qualquer lugar por aí.
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Quando chegou a cesta de pães, ela era como devia ser – a focaccia macia; os palitos, crocantes. Estávamos em dúvida sobre o que beber, mas o garçom somou pontos com sua defesa a Colorado Titãs, uma cerveja escura com toque de laranja. Segundo ele, era uma cerveja de sabor e aroma arrojado, que evidenciava o rock’n roll. Ganhou pelo argumento.

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O cardápio é basicamente composto por risotos, massas e duas opções ultraespeciais de prato completo. A Joana, minha filha de três anos, não deixou ninguém opinar e escolheu um talharim à bolonhesa. Gente, eu tava tão emocionada que esqueci de anotar os preços….mas essa porção custou algo em torno de R$ 28,00.

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Eu não quis arriscar e pedi direto o prato que é especialidade da casa: filé mignon com mostarda e presunto cru, envolto em massa folhada e acompanhado por ravióli de berinjela na manteiga e sálvia. Qualquer explicação que se faça a respeito não seria suficiente. Então sugiro que você vá até a Casa Vanni e prove!!! Vale a pena e custa R$ 49,00.

 

Existem aqueles restaurantes que te apressam pra comer e cair fora (o que se percebe nitidamente pelo ritmo dos garçons) e aqueles que te proporcionam uma refeição tranquila…quem sabe até um espaço externo pra você desfrutar de um cafezinho depois. Na Casa Vanni, as mesinhas ao fundo convidam a aproveitar um pouco mais dos Caminhos de Pedra. Para as crianças é ainda mais legal: tem casinha, miniescorregador…

vanni fundos

 

Depois de tudo, você ainda pode apanhar umas nozes e tirar uma soneca na rede. Tá dada a dica.

vanni rede
Casa Vanni
Linha Palmeiro 795, Caminhos de Pedra | Bento Gonçalves
Telefone: (54) 3455-6383
Aceita cartões
www.casavanni.com.br

Parrillada com sotaque italiano

Adoro Bento Gonçalves e estou sempre garimpando a boa comida daqui! Mas também tenho um pezinho nas Hortênsias. Afinal, Gramado e Canela têm aquela paisagem maravilhosa, aquela gente bem vestida passeando de mãos dadas, os chocolates e os restaurantes memoráveis. Toda uma aura turística criada para seduzir. Os caras são profissionais, eles sabem que servir é uma arte e que o turismo está aí pra isso: bajular as pessoas e proporcionar uma experiência tão agradável que elas esqueçam como turistar pesa no bolso.

piacere FACHADA

Enfim, se você já foi a Gramado pelo menos uma vez certamente passou em frente a esse restaurante da foto. O Il Piacere fica bem na avenida principal e, olhando assim de fora, dá um pouco de medo de entrar ($$$). Ainda bem que superei isso rapidinho, ou teria perdido uma história deliciosa.

piacere CHOPP

Como ninguém é de ferro e o garçom chegou com umas polentinhas que eu não pude recusar, pedi logo um chopinho pra acompanhar. Até aí, nada demais. Chopp Rasen todo mundo em Gramado vende e polenta frita também não tem nada demais.

piacere INTERNA
O que nem todo mundo tem é esse ambiente delicadamente rústico (pode isso?) e um buffet de saladas maravilhoso e com vários tipos de cogumelos refogados. Amo! Esse é o acompanhamento para o prato principal que viria a seguir e que só de pensar me abre o apetite.

piacere PARRILLADA

A casa tem um cardápio bem amplo, mas eu particularmente gosto de provar a especialidade do lugar e, nesse caso, não me arrependi. Conhecendo a fama das parrilladas do Il Piacere, fui afunilando as opções até chegar no Entrecot Parrillero, com queijo gratinado, cebola e pimentões coloridos – servido na brasa. Ó céus…pensei: “Vou precisar de um licorzinho”.

 piacere DETALHE

Olha que mimoso o cuidado que eles têm com o ponto da carne? Essa parrillada alimentou divinamente três pessoas, sobrando ainda uma marmitinha pra levar, por R$ 150,00 (sem bebida). Valeu cada centavo.

 piacere SOBREMESA

Pra terminar, deixo aqui um conselho aos empresários do ramo alimentício: quando você prometer frutas flambadas com sorvete, sirva isto!!! Não frutas em calda, não frutas frias, não frutas moles, não tudo jogado num prato raso. Eu adoro e aprendo muita coisa com os reality shows de culinária. Inclusive que não adianta se esmerar no prato principal se a sobremesa colocar tudo a perder. 😉

Il Piacere
Avenida Borges de Medeiros, 1998
Gramado
Telefone: (54) 3286 1937
www.ilpiacere.com.br

 

Mil motivos pra amar o Empório Canela

 

Em Canela, bem pertinho da Catedral de Pedra, está um dos meus lugares favoritos pra jogar conversa fora – seja beliscando uma coisinha, almoçando com a família ou jantando a dois. Não se trata de um bar, uma loja de suvenires, uma casa de artesanato, uma livraria, um café nem propriamente um restaurante. É tudo junto e um pouco mais.

emporio enfeites

emporio vinis

É onde se encontra um presente perfeito praquele amigo que curte vinis; onde as crianças são super bem recebidas e podem mexer nos livros ou pintar um desenho pra mamãe; onde você vai se sentir à vontade bebendo uma cerveja no ponto, um cálice de vinho ou um tchai indiano… e onde você pode fazer tudo isso acompanhado do seu melhor amigo cão!

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Eu já adorava o Empório Canela antes de ver essa fofura de foto no Facebook. Entendo que a maioria dos lugares não pode se dar a esse luxo em função da Vigilância Sanitária e tal. Em ambientes fechados, também poderia dar muita confusão cães e garçons dividindo o mesmo espaço de passagem. Mas, no Empório Canela, tem mesas na área externa, dentro da casa e no deck lateral.


Então, se você não é muito chegado a cães, também vai encontrar um bom lugar entre os livros e mimos que adornam as paredes e que estão à venda, como praticamente tudo que faz parte da decoração.

Bom, mas chega de introdução. Afinal, mesmo com todas essas atrações, o Empório Canela não seria nada se fossem as delícias do seu cardápio. Tem comida pra todo grau de fome e eu, quando quero dar só uma aperitivada, escolho sempre as provoletas – provolone, tomate seco, rúcula picadinha e pão. Isso + uma cerveja bem gelada = momentos de prazer!

Pra almoçar ou jantar, a minha sugestão e ir direto na prata da casa: Filé recheado com queijo brie, mix de cogumelos e risoto de aspargos. É um dos pratos mais vendidos do Empório há muitos anos e eu cito três motivos! Motivo 1: a carne SEMPRE vem no ponto que eu peço. Parece óbvio, mas estou cansada de pedir filé ao ponto e receber carne passada que nem borracha. Motivo 2: o prato vem com três variedades de cogumelos frescos – shimeji, shitake e paris. Motivo 3: os aspargos do risoto são frescos. Pronto: pode pedir que não tem erro.

Ai de você se passar por Canela e passar reto pelo Empório! Nem vale citar preço porque o cardápio vai de pão de queijo a alaminuta, passado pelo famoso filé ao brie. Não tem desculpa!

Empório Canela
Rua Felisberto Soares, 258, Centro, Canela (RS)
Fone (54) 3031 1000
Aberto de quarta a segunda, das 11h às 23h30min (entendeu? Todos os dias EXCETO às terças)
www.emporiocanela.com.br

Faltou mira no jantar grego

Este é o relato de uma noite fria, estrelada e desastrada. É um daqueles momentos em que você prefere culpar a bebida, embora nem tenha entornado tanto assim. Nesse dia, atestei mais uma vez que a extrema empolgação pode comprometer suas funções motoras.

Quem me conhece sabe o quanto gosto de ocasiões temáticas. Pra uma festa à fantasia, nem preciso de pretexto. E se eu já gosto de comer, jantares temáticos são uma tentação ainda mais irresistível. Dito isto, soube que em Bento Gonçalves haveria um jantar grego e coloquei meu nome na fila sem sequer perguntar o preço (a propósito, nunca faça isso!). Não sabia nada de comida grega, além da quebradeira de pratos que deveria acontecer no final.
Dias antes do dito jantar grego, uma amiga me avisou: quebra com força, porque se o prato ficar inteiro, dá azar pra toda vida. Fiquei muitíssimo preocupada e imaginativa. Não deu outra: na hora de quebrar o bendito prato, mirei cá e acertei lá. Acho que vocês merecem saber o que deu errado, mas só no final! Antes, vamos ao que interessa: ojantar…

Ainda não contei onde foi o tal jantar grego, mas o ambiente e a anfitriã merecem apresentação especial. Pra mim, o Café com Arte, da querida Cristina Valenti, é o bistrô mais aconchegante de Bento Gonçalves. É o tipo de lugar em que você chega, senta e, depois de meia hora, já se sente à vontade pra pegar sua própria bebida e opinar sobre o cardápio. Não tem frescura… você pode levar as crianças e, com certeza, elas vão achar o que fazer.

A casa antiga é de uma requintada singeleza (pode isso?) e abriga, além do café, um brechó e uma escola de música. O futon ao ar livre é onde gosto de me recostar e deixar que o tempo passe. O cardápio é honesto e consiste em um prato do dia para almoço e jantar (preço entre R$ 25,00 e 35,00) e algumas opções de boquinha. Tem uma pizza caseira de atum que é simplesmente o sabor da infância e um bolinho sem lactose e sem glúten servido com geleia de flores de pirar o cabeção dos celíacos.
Vale a pena ligar antes de sair de casa, porque às vezes o Café fecha para eventos particulares – o que também é ótimo, se você quer reunir os amigos no seu aniversário, mas não sabe onde. O espaço é pequeno e, quando enche, você pode sentar num banquinho no corredor mesmo. Mas nesse dia em especial, o dia do Jantar Grego, foi montada uma estrutura “profi” com tenda, mesas, lustres e castiçais na parte externa do café. Essa foi a minha primeira experiência com comida grega, então achei que faltou o garçom detalhar um pouco mais o prato no momento de servir. Acabei catando as informações na internet pra publicar aqui.

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O couvert era bem simpático. Pão pita (que depois descobri ser o mesmo que pão sírio) com três tipos de pasta: 1- azeitona; 2- iogurte com pepino e alho; 3- berinjela (o melhor, para mim). Tudo tem berinjela ou azeitona. Ou seja, é pra quem aprecia pratos bem marcantes.

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A entrada foi o melhor prato, a Melitzanosalata, ou salada de berinjela. Não dá pra decifrar tudo o tinha ali, mas o sabor era complexo e delicioso. A fortidão da berinjela contrastava com a doçura de passas brancas e a crocância de nozes.

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O prato principal cuja pronúncia nem tentei era o Soutzoukakia e Moussaka. Dá resumir como almôndega de carne bovina e de carneiro com um molho vermelho bacana servido sobre uma caminha de berinjela com batatas. Legal, mas a medalha de ouro ainda permaneceu com a entrada.

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Como sempre, na hora da sobremesa eu mal conseguia respirar, que dirá comer. A tal da Baklava é uma massa folhada com nozes e castanhas. Bom também, mas nessa hora um garçom já estava posicionando uma pilha de pratos limpos no meio do salão. Era chegada a hora!

Havia uma grande caixa de metal com tijolos no fundo pra facilitar a vida de algum azarão e garantir que o prato ia se quebrar com a queda. A caixa devia ter algo em torno 1,5m X 1,5m. Tudo o que eu tinha de fazer era me aproximar e jogar o prato dentro dela. Infelizmente errei a mira, meu prato escorregou pela borda da caixa e alçou voo se espatifando nos pés de uma moça que desfrutava do jantar com seu acompanhante. Fiquei vermelha, paguei a conta e fui embora. Agora estou arrependida. Devia ter ficado e bebido um pouco mais.
De qualquer forma, quero salientar que a situação foi absolutamente desproposital. O meu prato enfim, caiu e quebrou. Mas quebrou no lugar errado e atingiu uma pessoa, então fiquei em dúvida se o ritual valeu. Sorte minha que não me apego a essas coisas. Tenho achado que meu ano está sendo exitoso – afinal, estou aqui escrevendo pra vocês.

Ops, ia esquecendo de contar o preço do Jantar Grego: R$ 95,00 por pessoa, sem bebida.

Enfiando o pé na jaca parte 1: Casa Valduga

Tem dia pra homenagear de tudo nessa vida: o sol, os solteiros, o orgasmo… Aproveitei que semana passada foi comemorado o Dia Mundial do Macarrão pra enfiar o pé na jaca da dieta. Pesquisando sobre o assunto, descobri que o Brasil é o terceiro maior consumidor de massas do mundo, perdendo apenas para Itália e Estados Unidos.
Obviamente, nunca havia calculado quanta massa costumo comer, mas fiz umas contas rápidas pra verificar se eu estava dentro da média de seis quilos de macarrão que um brasileiro consome por ano, em média. Bom… levando em conta quantos dias tem num ano e quantas porções de massa têm num quilo, sinto informar que devo comer por mim e mais uns três amigos celíacos. :-O
Enfim, se há lugar ideal para massamaníacos é a Serra Gaúcha. Creio que massas e pizzas sejam a especialidade em 80% dos restaurantes por aqui. Chutei baixo? Um turista ou morador da terrinha pode se esbaldar em dezenas de bons restaurantes. Mas eu, quando não quero arriscar, tenho meus preferidos.
Já tinha ido muitas vezes à Casa Valduga e achei superapropriado comemorar o Dia Mundial do Macarrão lá mesmo. A sequência completa custa R$ 52,00, que valeriam a pena só pela costelinha de porco com geleia de pimenta. Mas a experiência dá direito à música ao vivo na recepção (somente nos finais de semana e feriados) e uma refeição preparada somente com ingredientes da casa. Isso, na minha opinião, é que o torna cada restaurante único em sua proposta de comida italiana.

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É tudo muito típico. Na entrada, queijinho, salada verde que às vezes vem com uns grãozinhos de romã, radicci com bacon e pien – este último, sem demérito, prefiro passar reto. As folhas são todas orgânicas e produzidas na horta do restaurante, o que, além de saudável, garante um prato sempre fresco.

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Aí vem o galeto e o porquinho divinos… e começa o desfile de massas – algo que só vai pesar na sua consciência no dia seguinte. São todas feitas no próprio restaurante.

Não tenho bem certeza de quantas variedades são servidas, mas contei sete. São todas boas, mas a medalha de ouro vai pro torteloni com nozes.foto 2

Pra terminar, preciso fazer uma seriíssima confissão: não gosto de sagu! Calma, gente. Antes que as vaias comecem a ecoar, é que talvez eu nunca tivesse comido um sagu que prestasse de verdade. Por isso, sempre ficava com o pé atrás pra essa sobremesa queridinha da culinária italiana. Mas aí eu comi o sagu da Casa Valduga e……..bem………. não pude comer apenas uma taça. Acabei repetindo. Fiquei tão envolvida pelo sagu que esqueci de fotografá-lo!!!
Então é isso, gente. Saí de lá, digamos, macarronada, mas feliz! E como já não estava tão frio, pulei os vinhos e acompanhei o jantar com o brut rosé da casa.
O cardápio é pra se deleitar com mea culpa (porém, esporadicamente)! Qual a graça da vida sem um belo e suculento prato de macarrão? Dias atrás, alguém postou essa foto no Facebook, que eu achei sensacional e apropriada para um post com tanto carboidrato embutido como este.

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Semana que vem, tenho uma história hilária pra contar sobre um tal jantar grego e minha experiência de quebrar pratos perigosamente!