Arquivo da categoria: Massas

Dia do macarrão: as melhores massas já provadas por este blog

Hoje é o Dia Mundial do Macarrão. Quem não ama, quem não lembra da nona?

Decidi comemorar a data contando pra você quais foram as melhores massas já provadas nestes três anos de Culinarismo. Isto mesmo::: semana que vem comemoramos o primeiro triênio de blog. <3 <3 <3

São sete receitas que trago em ordem alfabética pelo simples motivo de não ser capaz de ranqueá-las. Buon apetito!!! 

Kho Phi Phi

Restaurante China Thai, Bento Gonçalves

Quanto: R$ 65,00

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A receita tailandesa leva frutos do mar, castanhas, uma misturinha muito louca de legumes e brotos e, por que não, uma certa dose de pimenta – grau 1, no meu caso. O prato leva a assinatura do chef Leandro Scotta, de volta a Bento Gonçalves depois de 10 anos na Austrália e Indonésia. Seu cantinho asiático é uma viagem para o outro lado do mundo em pratos da gastronomia chinesa, tailandesa e indonésia.

 

Nhoque na manteiga e sálvia

Tabacaria Benvenuto – Garibaldi

Quanto: 32,00

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Sempre que volto à tabacaria acabo repetindo o mesmo pedido: nhoque de espinafre ao molho de manteiga e sálvia, uma bela e simples receita que permanece no menu desde a inauguração do espaço, uma linda homenagem dos donos ao avô Benvenuto. Fotos dele adornam, com destaque, a parede da tabacaria.

 

Pasta fresca com trufas negras

Mercato Centrale – Firenze

Quanto: € 20.00

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No Mercato Centrale de Florença, tal qual a própria cidade, os elementos do passado e do presente convivem lado a lado. Essa pasta fresca foi minha primeira experiência real com trufas em quantidade suficiente pra se sentir o sabor marcante e incomparável. A família Savini preserva desde 1920 a tradição. O sabor da trufa negra não é algo simples de descrever. A sensação no paladar é de algo terroso, apimentado, que fica na boca por muito tempo. Espetacular!

 

Pasta gratinada com filé à milanesa

Dona Carolina – Garibaldi

Quanto: R$109,50

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O Dona Carolina não utiliza fritura em seus preparos, então esse filé à milanesa é, na verdade, assado. O prato de massa gratinada com filés é para duas pessoas e vem muitíssimo bem servido. Pedindo-se uma entrada ou uma salada, serve tranquilamente. Uma delícia.

 

Talharim ao molho de galinha caipira

Cobo Wine Bar – Bento Gonçalves

Quanto: R$ 35,00

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Voltarei ao Cobo Wine Bar para repetir esse prato quantas vezes puder – e beber, naturalmente. A acertadíssima receita de talharim ao molho de galinha caipira do chef Rafael Della Vecchia tem sabor caseiro. Massa fresca, feita na casa e cortada à mão. Do ponto ao molho, apenas espetacular pela simplicidade.

 

Tonnarelli cacio e pepe

Felice a Testaccio – Roma

Quanto: € 18.00

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Uma delícia que também cativa pela hipnotizante simplicidade. O Tonnarelli Cacio e Pepe é uma receita tipicamente romana que leva tão e somente massa, queijo pecorino e pimenta do reino. O segredo é a misturada que o garçom dá diante do cliente. O resultado é indescritível.

 

Tortellone artesanal aos camarões

Magnólia – Canela

Quanto: R$ 56,00

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Se eu tivesse que descrever o Magnólia em apenas uma palavra, ‘experiência’ seria o termo ideal. Entre tantas especialidades da casa, surpreende o frescor do tortellone artesanal de limão siciliano e muçarela de búfala com camarões, tomate e manteiga de tomilho. Leve, delicioso e uma baita porção.

Boa surpresa no Casa Emiglia Ristorante

Já contei aqui no blog como a Nella Pietra arrasou em Bento Gonçalves com uma pizza de ingredientes nobres e sabores surpreendentes, mas os tempos mudam conforme a banda toca e a pizzaria agora é o aconchegante Casa Emiglia Ristorante. Uma casa de massas e filés com bons vinhos e uma cuidadosa decoração rústica. Mesmo endereço, outra ideia.

dsc_1626O número de mesas foi reduzido para atender o cliente com ainda mais delicadeza. São três salões com bastante privacidade. O nível térreo é ideal para casais ou pequenos grupos. Os demais espaços acomodam bem grupos maiores.

dsc_1629O colorido dos pratos encanta de primeira. Além de uma página só de aperitivos, a salada mediterrânea é uma das sugestões de entrada e foi servida perfeitamente fresca. R$ 26,00.

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Todas as opções do menu servem duas pessoas, mas você pode pedir meias porções, como eu fiz, aproveitando mais as massas e filés da casa. Por recomendação da cozinha, provei o ravióli de brie e figos, de toque adocicado que harmoniza perfeitamente com o molho de tomates confitados e lascas de pecorino. Massa fresca feita na casa, o que faz toda diferença no sabor. A porção inteira por R$ 89,00.

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Complementamos com um arrasador Filé Abraçadinho, uma invenção espetacular que entra para a lista de boas carnes em Bento Gonçalves. Consiste em um embrulho de queijo precisamente tostado e que abraça o filé. Por cima, molho de tomate da casa e um molho verde especial. A porção para dois, por R$ 95,00, acompanha arroz e pão caseiro assado na palha de milho.

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Agora atente para a carta de sobremesas – é um escândalo. A torta de sorvete que a pizzaria já servia virou Semifreddo Emiglia: três chocolates e calda de morango. R$ 22,00.

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Exageradamente delicioso é, também, o Gateau da Casa Emiglia. Sobre um bolinho quente de chocolate, o sorvete de creme, biscoitinhos amanteigados, morangos frescos e calda de chocolate. Nunca vi minha filha tão radiante. São R$ 26,00.

Se você chegou até aqui vai gostar de saber que o ristorante abre às segundas-feiras, o que é uma reclamação clássica de todo morador de Bento Gonçalves!!! Também de quarta à sábado, sempre a partir das 19h.

 

Casa Emiglia Ristorante

Quinze de Novembro esquina com Herny Hugo Dreher

Bento Gonçalves

Telefone: (54) 3125-0505

Abre às segundas e de quarta à sábado, a partir das 19h

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DiPaolo: o mesmo sabor, ainda mais comodidade

A primeira unidade do Grupo DiPaolo, entre Bento e Garibaldi, no Castelo Benvenutti, está de cara nova. Novos ambientes e um cantinho de diversão para as crianças, mas o sabor continua o mesmo: incomparável. Porque a verdade é essa. Nessa terra repleta de boa comida, temos muito o que elogiar, mas é preciso admitir a excelência desse galeto e do queijinho à dorê. Continue lendo DiPaolo: o mesmo sabor, ainda mais comodidade

Cobo Wine Bar, o lugar que estava faltando em Bento Gonçalves

Vinho é o elixir da vida.

Longe de mim aquela enochatice que só repele as pessoas. O que quero dizer aqui é que o vinho é muito mais do que a bebida que se bebe. É a comida que se serve junto, as risadas que acompanham, a conversa fiada e o perfume que sai das taças. Há muito tempo, o setor vinícola nacional vem trabalhando institucionalmente para descomplicar os rituais acerca do vinho e conquistar mais enoapaixonados. Continue lendo Cobo Wine Bar, o lugar que estava faltando em Bento Gonçalves

Um abuso de almoço no único restaurante giratório do país!

Esse post tem o apoio de SEGH – Uva e Vinho

Almoçar a 60 metros de altura, com uma vista panorâmica da Serra Gaúcha e fartamente servido em um rodízio que parece não ter fim já seria espetacular se a atração principal não fosse outra: o restaurante fica girando enquanto você come – lenta e constantemente, num giro de 360º que leva algo em torno de duas horas. O Restaurante Giratório Mascaron já é um clássico em Veranópolis, com todos os méritos. É uma experiência bem inusitada.

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O elevador panorâmico que leva ao salão dá ideia da altura que espera o cliente. Chegando ao restaurante, a primeira impressão é a mais iluminada possível. Quanto mais ensolarado o dia, mais bonita fica a vista. Na verdade, mal se percebe que a área das mesas está em movimento. O giro é calculadamente lento, para não atrapalhar a refeição.

DSC_0181 Em diferentes lugares do salão, pontos cardeais mostram a cidade mais próxima e a distância até ela. Apenas o perímetro mais externo do restaurante, onde estão as mesas, é que fica girando. A parte central e os vidros ficam estáticos. Então, enquanto você come, vai circulando pelas paisagens de Bento Gonçalves, Caxias, Cotiporã.

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Os primeiros pratos são servidos à mesa. Esses deliciosos pãezinhos com manteiga, caponata e pasta de tomate seco são apenas o começo. Estavam recém-assados, comi praticamente todos e depois amargurei essa decisão precipitada. É um bom ótimo começo, mas que deve ser aproveitado com parcimônia.

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Em seguida, uma sopinha clássica, queijo e salame, aquela coisa bem típica.

 

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Saladas, se você quiser disfarçar um pouco diante da família.

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Depois disso, entra o time do restaurante giratório e, meus amigos, a coisa fica punk. Talvez você precise abrir discretamente um botãozinho da calça. Pode acontecer!

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A sequência de massas certamente tem mais de 10 opções. Joana de olho no canelone, mas pode crer que o risoto de funghi é muito bom e o espaguete a matriciana é de comer rezando. Com muito esforço, consegui provar um pouquinho de cada coisa.

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No revezamento com as massas, vem uma sequência de carnes com muita, muita variedade. Me senti em processo de extrema superação porque também consegui provar um pouquinho de cada. Mas não digo que tenha sido fácil.

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Depois disso, a Joana ainda quis a maior sobremesa da casa.

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Eu, que já estava precisando de ajuda, fiquei feliz em saber que o restaurante giratório tem uma bela carta de licores e chás digestivos.

O Restaurante Giratório Mascaron é um dos empreendimentos da Região Uva e Vinho que integram o Tour da Experiência, um projeto do SEGH – Uva e Vinho em parceria com o Sebrae que valoriza e promove experiências turísticas na Serra Gaúcha e outras quatro regiões no Brasil: Costa do Descobrimento, Caminhos do Brasil Imperial, Bonito e Belém.

Restaurante Giratório Mascaron
RSC 470, Km 178 | Fone: +55 (54) 3441-8350
Veranópolis – Serra Gaúcha – Brasil
Site: acesse aqui!

Cogumelos outonais no Primo Camilo

As primeiras brisas do outono estão por aí. As mantinhas de soft já desceram do maleiro e quase nada me seduz mais que uma taça de vinho esticada no sofá e maratonando alguma coisa no Netflix. Mas o outono também traz outros aconchegos valiosos, como a temporada de cogumelos e a alquimia que eles provocam na cozinha do Primo Camilo.

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Sabe aqueles lugares que te fazem sentir bem-vinda? Nem muito barulho, nem muita cerimônia, cordialidade acima da média e comida calorosa.  É um tesouro de Garibaldi.

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Existe um menu, mas saiba que você terá uma experiência mais genuína se aceitar a sugestão do dia e os conselhos do seu anfitrião.

 

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Com uma adega a seu dispor, é divertida a busca pela melhor harmonização. Essa é uma das qualidades que o idealizador Altemir Pessali replicou depois no Pizza Entre Vinhos e que é sucesso garantido, porque insere o cliente no verdadeiro espírito do lugar.

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A casa já tem seus clássicos, como os filés, massas e risotos, que são sucesso de público e crítica. Com a farta colheita de cogumelos silvestres, a cozinha incorporou diferentes espécies a seus pratos principais e também criou novas receitinhas, como essa entrada de cogumelos Lactarius no pão. O resultado é quente e suculento, digno de uma noite de brisa fresca.

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Para o prato principal, nada mais singelo e outonal que um talharim ao funghi Porcini com pedacinhos de bacon e temperinho verde. Essa é a verdadeira comida que conforta, como um colinho de mãe ou aquela mantinha de soft.

A Trattoria Primo Camilo é um dos empreendimentos da Região Uva e Vinho que integram o Tour da Experiência, um projeto do SEGH em parceria com o Sebrae que  valoriza e promove experiências turísticas na Serra Gaúcha e outras quatro regiões no Brasil: Costa do Descobrimento, Caminhos do Brasil Imperial, Bonito e Belém.

Trattoria Primo Camilo

Av. Rio Branco, 1080

Contato: 54 | 3462.3333

Aberto de segunda à quinta, das 19h30min às 22h30min; sextas e sábados, das 19h30min às 23h

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Experiência Cristofoli: para comer e sorrir

Esse post tem apoio de SEGH – Sindicato Empresarial da Gastronomia e Hotelaria

*Pelas próximas semanas, vou testar as programações de alguns empreendimentos que fazem parte do Tour da Experiência, coordenado na Serra Gaúcha pelo SEGH Região Uva e Vinho.  A Cristofoli é um deles.

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Em se tratando de experiências gastronômicas, tanto quanto o sabor e a apresentação da comida, o que envolve e conquista é o espírito do lugar, a energia do ambiente, a alegria do anfitrião em receber. São as pessoas e não as coisas que dão vida a um lugar. No lado norte de Bento Gonçalves, bem no “centrinho” de Faria Lemos, existe um refúgio para degustar bons vinhos, relaxar sob os parreirais, provar a comida da mama e – acima de tudo – sentir-se bem e sorrir.

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001A Cristofoli Vinhedos e Vinhos Finos é radiante e espontânea como a anfitriã Bruna. Quem já foi, sabe do que estou falando. É impossível não se empolgar com a alegria com que a enóloga fala do negócio familiar, das atividades para o visitante e da comida preparada divinamente por sua mãe e tia. Empreendimento participante do Tour da Experiência, a vinícola abriu-se para o enoturismo nos últimos anos e agora já tem um repertório de atrações que vai desde piquenique a sessões de relaxamento.

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Em pequenos grupos, é possível reservar um almoço no porão da casa anexa à vinícola, onde as delícias da mama são irrecusáveis. Uma tradicional saladinha verde abre os trabalhos para o primo piatto: panquecas de frango com ricota.

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O almoço ganha corpo com o extra cotto servido com macarrões da casa. Um prato quente, vivo e emocional, que lembra a infância e uma mesa em família.

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Conhece esse sagu? É uma adaptação da Cristofoli para a tradicional sobremesa dos imigrantes italianos. Aqui, é feito com espumante e servido com morangos frescos.

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Tamanho deleite pede um cálice de limoncello ou grappa da casa ao final. Ou um momento de desligamento do mundo que se pode desfrutar debaixo dos parreirais da Cristofoli. O programa “Vinho e Bem-Estar” oferece cuidado e relaxamento para o rosto, mãos ou pés em pacotes para uma ou duas pessoas e duração de uma hora. É realmente uma experiência estar sob os cuidados das mãos mágicas da terapeuta Clari Tomasi.

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Saí da Cristofoli com aquele sorriso fácil e andar leve de quando a gente reconhece ter vivido um momento especial. A Serra Gaúcha nos oferece incontáveis e emblemáticas experiências no ano todo. É preciso certa dose de sensibilidade para reconhecer a beleza desse cotidiano singular em seus aromas e sabores. Essa época, que representa a colheita, é especialmente bonita e deveria ser celebrada por todos nós. Viver a Serra Gaúcha, esse é um privilégio que tenho todos os dias.

Cristofoli Vinhedos e Vinhos Finos

Estrada RS 431 Km 6, s/nº l Faria Lemos l Bento Gonçalves

Contato: (54)3439.1190 / (54)9917 1903

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Descobrindo trufas no Mercato Centrale de Firenze

Esse post tem o apoio de Jornal Design Serra

 

Florença veio pra mim como uma revelação, uma epifania, um acontecimento extraordinário. De dentro do táxi, a caminho do hotel, foi que se deu minha primeira impressão sobre essa cidade que realmente é divina e realmente é comédia. Sorri acompanhando a dança sincronizada dos carros, bicicletas, motos e pedestres numa disputa engraçada pelo espaço quase intransitável das ruas estreitas.

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No centro de Florença, um morador apressado jamais escolheria o carro como meio de transporte, mas pedalaria com vigor sua bicicleta sem marchas guiando-se a uma só mão enquanto a outra se concentraria em buzinar aos caminhantes distraídos que ultrapassaram os limites das calçadas estreitas. Cheguei ao hotel, não contive minha excitação: o prédio era, provavelmente, mais antigo que a descoberta do Brasil e estava maravilhosamente localizado poucos passos da Piazza Duomo.

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Com tanto a conhecer e tão pouco tempo em Florença, precisei me concentrar nas programações gastronômicas do meu roteiro e tudo o que conheci na cidade foi no intervalo entre uma e outra refeição. Foi o suficiente para sonhar com a próxima aventura pela Itália e pontuar que respirarei novamente os ares da Itália tão rápido quanto meus esforços permitirem.

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Na minha primeira refeição em território da Toscana tive sérios problemas de indecisão. No Mercato Centrale de Florença, tal qual a própria cidade, os elementos do passado e do presente convivem lado a lado. Ou, nesse caso, abaixo e acima. O mercado tem dois andares e uma boa dose de descobertas gastronômicas. No térreo, todos os ingredientes para um bom banquete italiano, mais ao estilo mercadão, propriamente.

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O andar superior aguça ainda mais os sentidos. Ali estão 12 lojas da mais autêntica gastronomia artesanal toscana. De escola de culinária a loja da Fiorentina, passando por pequenos restaurantes de especialidades diversas: peixes, sanduíches, embutidos, massas e, claro, o italianíssimo gelato. Nos restaurantes do mercado, todos os pratos são feitos com produtos do próprio mercado.

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As mesas são em forma de praça de alimentação. Então você pode escolher qualquer coisa e sentar-se ali para desfrutar de algo autêntico.

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Indecisa, dei a volta por todo o andar antes de escolher a banca da família Savini, que se dedica a pratos à base de trufas. Pontuando rapidamente, trufa nada tem a ver com chocolate. Trata-se, na verdade, de um fungo caro pra caramba que nasce embaixo da terra, próximo de carvalhos os castanheiras.

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Pedi a salada e nela a trufa estava presente em cada uma das bruschettas. O prato saiu por 15 euros…

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…o Jonathan pediu a massa e foi minha primeira experiência real com trufas em quantidade suficiente pra se sentir o sabor marcante e incomparável. A família Savini preserva desde 1920 essa tradição. São fornecedores reconhecidos na Toscana e especialistas nas raríssimas e caríssimas trufas brancas.

No Mercato Centrale, pelo precinho camarada de 20 euros, dá pra provar uma dose generosa de trufa negra, também muito apreciada. O sabor da trufa não é algo simples de descrever. Não há nada que se assemelhe. Servido assim, ralada sobre a massa fresca, ela protagoniza o prato. A sensação no paladar é de algo terroso, apimentado, que fica na boca por muito tempo.

IMG_5703Essa foi minha primeira refeição na Itália e, dali em diante, tudo o que aconteceu foi igualmente maravilhoso. Antes de deixar o Mercato Centrale, provei meu primeiro gelato italiano – de pistache. Outro momento divino no meu repertório gastronômico. Tenho ainda tanto pra contar!!!

 

Mercato Centrale de Firenze

Piazza del Mercato Centrale – Via dell’Ariento
50123 Firenze

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Osteria Della Colombina: mais que uma refeição, uma contemplação

*Alerta de post longo. Desculpa, mas vale a pena

 

Quando criou o movimento Slow Food, há 26 anos, o jornalista italiano Carlo Petrini o fez por acreditar na gastronomia como via de transformação. Por acreditar no respeito ao meio ambiente, na biodiversidade e num modo de vida menos massivo. Eu também acredito nisso. A gastronomia boa, limpa e justa movimenta o corpo, a alma, comunidades inteiras, a economia e o planeta. Vi de perto essa transformação quando bati à porta da Osteria Della Colombina e provei de uma comida tratada como expressão cultural.

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Coisas mágicas acontecem da propriedade Bettú Lazzari, no interior de Garibaldi, que pertence à família desde o primeiro imigrante a pisar no Brasil. Por três gerações de agricultores, a mesma terra deu-lhes, mas, viúva precocemente, Odete e as quatro filhas mulheres não puderam manter o ritmo de produção das videiras e vacas leiteiras. A propriedade começou a se degradar e as mais velhas se mudaram para a cidade, num movimento de êxodo rural que se repetiu com centenas de famílias na Serra Gaúcha.

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A caçula Raísa provavelmente seria a próxima a deixar o interior se a mãe não estivesse com o ouvido ligado no radinho quando a prefeitura de Garibaldi anunciava a criação de um projeto-piloto de turismo rural. Durante dois anos, Odete e as filhas preparam a casa e a propriedade para a criação da Estrada do Sabor. Em 2001, abriram as portas para os primeiros turistas e aí começa a transformação que a comida boa, limpa e justa é capaz de promover.

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Pra começo de conversa, a propriedade agrícola tem certificado de produção orgânica. Tudo o que é produzido na horta, nos pomares e no curral é livre de agrotóxicos e vai direto da terra para a cozinha. Impressionantes 75% do que é servido aos clientes é produzido ali mesmo – incluindo o queijo, o suco e o vinho. Além de parada obrigatória na Estrada do Sabor, a família Bettú Lazzari é uma das fundadoras do convívio local do Slow Food na Serra Gaúcha. Também é um dos estabelecimentos que faz parte do Tour da Experiência, uma iniciativa do Sindicato Empresarial da Gastronomia e Hotelaria (SEGH).

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Isso é movimento, é engajamento, é a transformação de que Carlo Petrini fala. Já seria o suficiente pra esse post, mas ainda nem falei da comida. No porão da casa da família, ainda de chão batido e ornamentado com objetos centenários, serve-se muito mais que um cardápio farto. Serve-se um resgate histórico da imigração italiana, representado por objetos de família e pela honestidade de cada receita. Acompanha comigo:

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O limoncello, feito com os limões do pomar…que bebi na hora errada, antes do almoço 😉

 

 

 

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Pra abrir os trabalhos gastronômicos, uma tradicionalíssima polenta brustolada com queijo e salame.

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A sopa de capeletti, para mim, é a maior representação gastronômica da cultura, dos fazeres e dos sabores do imigrante. A sopa da dona Odete, natural e autêntica, dificilmente será superada.

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A salada orgânica tem sabor de verdade e traz a delicadeza das flores comestíveis: flor de crem e dente-de-leão.

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A sequência de pratos principais é tipicamente italiana. Ou seja, farta e forte.  O nhoque aos três queijos acompanha uma galinha ao molho lentamente cozida em molho de tomate e especiarias.

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Como se já não fosse suficiente, escalopes de carne com legumes grelhados e bacon…

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…e uma tradicional fortaia. Depois podia repetir tudo, mas nem que eu quisesse conseguiria.

 

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A mesa de doces encerra esse banquete slow food que demanda tempo, bom humor e boa companhia para ser desfrutado à altura. Tudo é feito por dona Odete: sorvete de creme e limão siciliano com goiabada; compota de laranja e os biscoitinhos típicos chamados de sfregolá.

A Osteria Della Colombina atende somente com reservas para grupos, mas você pode fazer como eu e se encaixar em um grupo maior, aproveitando a agenda de abertura da casa. Vá com tempo: essa é uma refeição que não se faz em menos de duas horas.

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Cada visitante da osteria leva consigo uma pequena colombina, tradição dos imigrantes que Odete orgulhosamente preserva e dissemina.

 

 

A experiência completa custa R$ 55,00 (bebidas à parte). E, além de tudo que come estando lá, também dá pra levar um pedacinho da osteria para casa com as geleias, compotas e conservas orgânicas de dona Odete. Espero ter conseguido expressar que não se trata apenas de uma refeição, mas de uma reflexão e uma contemplação.

Osteria Della Colombina

Estrada do Sabor, comunidade Linha São Jorge, Garibaldi

Reservas: (54) 3464 7755 ou (54) 9121 1040

E-mail: colombina@estradadosabor.com.br

Uma viagem pelos sabores da Toscana por minhas próprias mãos

IMG_9933Cozinhar pode ser um fardo ou um momento de absoluta diversão e descobertas. Foi assim que me senti diante da bancada que ocupei na Escola de Gastronomia Sal a Gosto: uma mistura de parque de diversões e terapia com as mãos. A escola é feita pra gente comum que, como eu, quer aumentar um pouco o repertório culinário e, de quebra, comer tudo enquanto aprende.

 

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Todo mês, a escola do chef Gabriel Lourenço oferece uma lista de cursos – do básico, como massas e molhos, ao específico, como o delicioso Uma Noite na Toscana, que participei na semana passada. Na entrada da escola, já está o primeiro convite para relaxar e curtir a noite. A loja de cervejas e espumantes vende pra levar ou pra beber durante a aula.

IMG_9956A cozinha é no maior estilo Masterchef. Cada bancada acomoda uma dupla de alunos e, de frente para todos, o chef faz as honras. Todo o necessário para a diversão está bem à sua frente: as panelas e utensílios, os ingredientes e a receita.

IMG_9958A ideia é de aulas com aproximadamente três horas de duração e dá pra aprender bastante coisa nesse tempo, especialmente em uma classe temática sobre a toscana ministrada por um chef credenciado pela Federazione Italiana Cuochi (FIC) a disseminar a autêntica gastronomia italiana pelo mundo.

IMG_9935O cardápio para Uma Noite na Toscana foi um pappardelle ao ragu de linguiça toscana, bisteca fiorentina com tomates braseados e crostata de frutas para a sobremesa. As dicas do chef sobre a manipulação, preparo e história dos alimentos, entretanto, vão além das fronteiras dessa noite.

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Essa foi minha primeira experiência com massa fresca e, embora eu não tenha nenhum aparato para reproduzir em casa, o ragu – esse sim – vai direto pro meu livrinho de receitas (que ainda não existe, hehehe).

 

IMG_9975O ragu é um molho de carnes finamente picadas com longo tempo de preparo.  Na prática, é muito fácil de fazer, porque todo o segredo está em deixar os ingredientes namorando sobre o fogo por mais ou menos duas horas. A gente resumiu as coisas, mas ficou incrível mesmo assim. Eu que fiz! Eu que fiz!

IMG_9996A bisteca fiorentina, ok, quem fez foi o chefe – selada dos dois lados ao fogo e finalizada no forno por meia hora. É um corte realmente delicioso, que eu não conhecia, nem saberia reconhecer no olho. O segredo é ter um açougueiro de confiança que saiba fazer o corte certinho. Depois, é só servir com um molho simples de azeite, limão, sal e pimenta.

IMG_9999Para acompanhar, tomates braseados de apartamento. Esse é um dos truques que vai me acompanhar pra sempre na cozinha. Como conseguir um sabor defumado marcante sem ter churrasqueira ou grelha em casa? Os tomates foram curados com sal, açúcar, pimenta e um pouco de azeite; depois foram ao forno até tostar. O segredo do sabor é colocar um pedaço de carvão sobre a chama do fogão até ficar vermelhinho e depois mergulhar em uma tigela cheia com azeite de oliva de boa qualidade. Pronto: azeite braseado. Uma carga de sabor que dá para utilizar em muitos preparos.

zzzPara arrematar, a sobremesa foi uma crostata de frutas que leva uma massinha com muuuuita manteiga. Dentro, creme de confeiteiro com nozes e frutas da estação para decorar. Saí leve (na alma), risonha e satisfeita.

Quase ia esquecendo de mencionar o faz-me-rir. Os cursos da escola variam de R$ 80 a R$ 130. Esse custava justíssimos R$ 85,00.

Sal a Gosto Escola de Gastronomia

Av. Júlio de Castilhos, 150, Bairro Lurdes (Prédio da Polícia Federal), Caxias do Sul

Contato: (54) 3419 4831

Site: acesse aqui!