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Mamma mia, que polpetone!

Semana passada, fui a São Paulo cumprir uma agenda de compromissos particulares e, mesmo sabendo que teria refeições cronometradas, não podia perder a oportunidade de comer alguma coisa deliciosa. Pus embaixo do braço o Guia Época de melhores restaurantes da capital paulista e saí de casa cedinho rumo ao Salgado Filho. Embarquei com sol rachando em Porto Alegre e fantasiei um passeio a pé, um chopinho esperto e um sushi na Liberdade. Quando cheguei a São Paulo, chovia uma chuva fininha, esparsa e inconveniente. Do tipo que não forma poça, mas meleca os cabelos. E, principalmente, do tipo que transforma São Paulo num cenário dos horrores.

Pra quem dirige de Bento Gonçalves a Garibaldi em 15 minutos e ainda reclama se pega um caminhão na frente, ficar duas horas dentro de um táxi pra percorrer os mesmos 10 quilômetros é de azedar o humor. Chegando ao hotel, a chuva apertou. Foi-se o passeio pé, o chopinho e o sushi. A única alternativa foi atravessar a rua e entrar no primeiro estabelecimento possível – um restaurante italiano. De cara, a ideia de sair da Serra Gaúcha e comer comida italiana em São Paulo pareceu meio estapafúrdia. Mas era isso ou ficar à míngua e, no fim das contas, foi realmente um golpe de sorte.

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Pra começar, não se tratava somente de um restaurante, mas de uma alameda inteira com diversos deles – todos da Famiglia Mancini. Dava pra escolher entre pizzas, pastas, petiscos e até comida francesa. A ruela de 100 metros em formato de S, toda decorada com luzes coloridas, faz você esquecer que está no meio da metrópole. Àquela hora do dia, a fome já estava afetando o meu humor e a chuva, estragando os meus cabelos. Entramos logo no primeiro restaurante da alameda e me conformei que o prato seria italiano mesmo.

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Na mesa ao lado, notei que a legítima lasagna italiana vinha borbulhando do forno e era servida em porções individuais dentro de uma panelinha de ferro. Simpático. Comecei a me desarmar e perceber que a comida italiana de São Paulo podia ser bastante diferente. Acabei pedindo a oferta da casa, que consistia em entrada, prato principal, sobremesa e café – tudo por R$ 39,90 (!!!). Pedi ao garçom pra apressar ao máximo a entrega, pois a fome era grande. A sala era bem bonitinha, com muçarela de búfala e palmito fresco. Uma delícia.

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Como prato principal, pedi um legítimo polpetone e achei engraçada a apresentação. Na Serra Gaúcha, jamais me serviriam arroz e batata frita como acompanhamento. Em compensação, também nunca comi por aqui um polpetone desses: macio, cheiroso, no ponto, temperado na medida e praticamente mergulhado no queijo. Repensei o preço do almoço e minha satisfação aumentou ainda mais: R$ 39,90 por tudo aquilo.

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Pô, além de tudo o restaurante tinha sua própria água. Achei engraçadinho.

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Já estava deleitada quando vieram a sobremesa e o café. Não sei por que pedi o pavê de nozes, considerando que não gosto de chantilly. Mas o mousse amargo que o meu acompanhante pediu estava muito bom 😀

Esse restaurante de preço justo e comida honesta acabou me fazendo refletir sobre preconceitos gastronômicos. Por dois motivos, quase não entrei no Famiglia Mancini: o ambiente, com piano e uma grande adega de vinhos importados, me fez pensar que o desembolso seria grande. Além do que, eu pensei que seria perda de tempo gastar com comida italiana em São Paulo. Quase perdi o melhor polpetone que já provei até hoje. Como a gente é bobo às vezes…Guarde esse nome: Famiglia Mancini – na República, rua Avanhandava.

A propósito: foi sorte eu ter conseguido um bom preço nesse dia, porque na tarde seguinte cometi o pior dos piores deslizes: fui seduzida por um vendedor do Mercado Público (no sentido culinário mesmo) e…bem… minha conta bancária vai passar um bom tempo remoendo a respeito. Você não imagina quanto pode custar meia dúzia de frutas de luxo. Mas isso é assunto pro final da semana, pois ainda as estou comendo e fotografando. Posso adiantar que a experiência é tão marcante para o paladar quanto para o meu cartão de crédito!

Enfiando o pé na jaca parte 1: Casa Valduga

Tem dia pra homenagear de tudo nessa vida: o sol, os solteiros, o orgasmo… Aproveitei que semana passada foi comemorado o Dia Mundial do Macarrão pra enfiar o pé na jaca da dieta. Pesquisando sobre o assunto, descobri que o Brasil é o terceiro maior consumidor de massas do mundo, perdendo apenas para Itália e Estados Unidos.
Obviamente, nunca havia calculado quanta massa costumo comer, mas fiz umas contas rápidas pra verificar se eu estava dentro da média de seis quilos de macarrão que um brasileiro consome por ano, em média. Bom… levando em conta quantos dias tem num ano e quantas porções de massa têm num quilo, sinto informar que devo comer por mim e mais uns três amigos celíacos. :-O
Enfim, se há lugar ideal para massamaníacos é a Serra Gaúcha. Creio que massas e pizzas sejam a especialidade em 80% dos restaurantes por aqui. Chutei baixo? Um turista ou morador da terrinha pode se esbaldar em dezenas de bons restaurantes. Mas eu, quando não quero arriscar, tenho meus preferidos.
Já tinha ido muitas vezes à Casa Valduga e achei superapropriado comemorar o Dia Mundial do Macarrão lá mesmo. A sequência completa custa R$ 52,00, que valeriam a pena só pela costelinha de porco com geleia de pimenta. Mas a experiência dá direito à música ao vivo na recepção (somente nos finais de semana e feriados) e uma refeição preparada somente com ingredientes da casa. Isso, na minha opinião, é que o torna cada restaurante único em sua proposta de comida italiana.

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É tudo muito típico. Na entrada, queijinho, salada verde que às vezes vem com uns grãozinhos de romã, radicci com bacon e pien – este último, sem demérito, prefiro passar reto. As folhas são todas orgânicas e produzidas na horta do restaurante, o que, além de saudável, garante um prato sempre fresco.

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Aí vem o galeto e o porquinho divinos… e começa o desfile de massas – algo que só vai pesar na sua consciência no dia seguinte. São todas feitas no próprio restaurante.

Não tenho bem certeza de quantas variedades são servidas, mas contei sete. São todas boas, mas a medalha de ouro vai pro torteloni com nozes.foto 2

Pra terminar, preciso fazer uma seriíssima confissão: não gosto de sagu! Calma, gente. Antes que as vaias comecem a ecoar, é que talvez eu nunca tivesse comido um sagu que prestasse de verdade. Por isso, sempre ficava com o pé atrás pra essa sobremesa queridinha da culinária italiana. Mas aí eu comi o sagu da Casa Valduga e……..bem………. não pude comer apenas uma taça. Acabei repetindo. Fiquei tão envolvida pelo sagu que esqueci de fotografá-lo!!!
Então é isso, gente. Saí de lá, digamos, macarronada, mas feliz! E como já não estava tão frio, pulei os vinhos e acompanhei o jantar com o brut rosé da casa.
O cardápio é pra se deleitar com mea culpa (porém, esporadicamente)! Qual a graça da vida sem um belo e suculento prato de macarrão? Dias atrás, alguém postou essa foto no Facebook, que eu achei sensacional e apropriada para um post com tanto carboidrato embutido como este.

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Semana que vem, tenho uma história hilária pra contar sobre um tal jantar grego e minha experiência de quebrar pratos perigosamente!