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Ler sobre Paris faz parte da viagem <3

#comerecorreremParis

Em um mês, o Culinarismo embarca para uma aventura em Paris que vai se dividir entre restaurantes, festividades e quilômetros percorridos. Será uma dupla jornada. Vou especialmente para Festa da Gastronomia da França, que se realiza desde 2011 e nessa edição vai ter centenas de programações direcionadas ao tema “no coração do produto”. Ao mesmo tempo, vou correr minha primeira prova internacional: La Grande Classique Paris, da torre Eiffel até o palácio de Versailles.

A Cidade Luz é uma fonte de inspiração de onde bebem a gastronomia, o turismo, os artistas, os românticos e os entusiastas da história. Ler sobre Paris faz parte da magia da viagem, antes, durante e depois. Os livros me transportam pra lá num segundo, e num segundo me sinto a garçonete do Michaud, acomodando o galante Hemingway à mesa para seu almoço com Fitzgerald.

Separei alguns dos livros mais apaixonantes que já li sobre Paris e um título que ainda não li, mas que foi super-recomendado e vai na mala como companhia. Todos eles estão te esperando nas prateleiras da livraria Dom Quixote, em Bento Gonçalves, que está com um bazar bem legal até o dia 20 de agosto: tudo com 15% off e uma seleção enorme de livros por 15 pilas!

 

# Paris é uma festa, Ernest Hemingway

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Quando o nome do autor aparece na capa com mais destaque que o título do livro, estamos diante de alguém certamente notável. Hemingway é um autor obrigatório para os estudantes de jornalismo: são clássicos do romance-reportagem. Mas esse livro autobiográfico é diferente. Traz a intimidade suja do autor, as loucas festas da geração perdida em Paris, suas apostas nos cavalos e a infidelidade dele à esposa. Tudo isso emoldurado pela Paris dos anos 1920, numa narrativa que é, no mínimo, hipnotizante. No meio do livro, odiei Hemingway. Depois, o amei ainda mais.

 

# E foram todos para Paris, Sérgio Augusto

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Depois de ficar enlouquecido pelo detalhamento de Hemingway sobre seus anos em Paris, você possivelmente vai desejar percorrer os mesmos caminhos da geração perdida na Cidade Luz. Então esse livro do brasileiro Sérgio Augusto passa a ser uma leitura indispensável. Aqui, o autor lista os endereços frequentados por Hemingway, Fitzgerald, Picasso e outros: suas casas, os cafés e restaurantes prediletos, os bordéis. Tudo com fotos e mapas roteirizados pra quem realmente quer percorrer os passos desses grandes nomes da literatura e das artes no século 20.

 

# Paris para um e outros contos, Jojo Moyes

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Um graça de livro, pra devorar numa tarde de sábado, sem culpa e com a mente leve. Aqui, a autora do Best seller Como eu era antes de você traz uma coletânea de textos fluidos sobre amores passageiros, viagens e casamentos fracassados – mas calma, tudo com grande dose de leveza. O melhor deles, pra mim, realmente é o conto que dá título ao livro. Uma história divertida sobre uma moça insegura que decide aproveitar Paris sozinha depois de um bolo imperdoável do namorado pilantra que nunca chegou para encontrá-la no hotel.

 

# A livraria mágica de Paris, Nina George

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É um livro sobre aventuras e sobre como os livros têm o poder de nos curar. Uma narrativa delicada sobre um livreiro de Paris que tem um barco-livraria e que se amargura pela perda de sua amada. Acontecimentos mágicos o levam a desancorar das margens do Sena e partir com seu barco para uma aventura pelo interior da França. É um livro pra todo mundo que, assim como eu, acredita no poder que as histórias têm de mudar nossas vidas.

 

# Uma mulher livre, Danielle Steel

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Bem, desse eu não muito a falar, ainda não o li. Mas foi altamente recomendado e vai comigo na bagagem pra fazer companhia em Paris. O que eu sei sobre o livro é exatamente o que me atraiu a ele: embora seja ficcional, é uma história repleta de detalhes históricos e que se passa no contexto da Primeira Guerra Mundial. É a jornada de uma rica moça nova-iorquina que perde parte da família na tragédia do Titanic e, por força dessa e outra tragédia em sua vida, vai parar na Europa, onde ajuda os feridos do front.

Dia do macarrão: as melhores massas já provadas por este blog

Hoje é o Dia Mundial do Macarrão. Quem não ama, quem não lembra da nona?

Decidi comemorar a data contando pra você quais foram as melhores massas já provadas nestes três anos de Culinarismo. Isto mesmo::: semana que vem comemoramos o primeiro triênio de blog. <3 <3 <3

São sete receitas que trago em ordem alfabética pelo simples motivo de não ser capaz de ranqueá-las. Buon apetito!!! 

Kho Phi Phi

Restaurante China Thai, Bento Gonçalves

Quanto: R$ 65,00

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A receita tailandesa leva frutos do mar, castanhas, uma misturinha muito louca de legumes e brotos e, por que não, uma certa dose de pimenta – grau 1, no meu caso. O prato leva a assinatura do chef Leandro Scotta, de volta a Bento Gonçalves depois de 10 anos na Austrália e Indonésia. Seu cantinho asiático é uma viagem para o outro lado do mundo em pratos da gastronomia chinesa, tailandesa e indonésia.

 

Nhoque na manteiga e sálvia

Tabacaria Benvenuto – Garibaldi

Quanto: 32,00

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Sempre que volto à tabacaria acabo repetindo o mesmo pedido: nhoque de espinafre ao molho de manteiga e sálvia, uma bela e simples receita que permanece no menu desde a inauguração do espaço, uma linda homenagem dos donos ao avô Benvenuto. Fotos dele adornam, com destaque, a parede da tabacaria.

 

Pasta fresca com trufas negras

Mercato Centrale – Firenze

Quanto: € 20.00

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No Mercato Centrale de Florença, tal qual a própria cidade, os elementos do passado e do presente convivem lado a lado. Essa pasta fresca foi minha primeira experiência real com trufas em quantidade suficiente pra se sentir o sabor marcante e incomparável. A família Savini preserva desde 1920 a tradição. O sabor da trufa negra não é algo simples de descrever. A sensação no paladar é de algo terroso, apimentado, que fica na boca por muito tempo. Espetacular!

 

Pasta gratinada com filé à milanesa

Dona Carolina – Garibaldi

Quanto: R$109,50

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O Dona Carolina não utiliza fritura em seus preparos, então esse filé à milanesa é, na verdade, assado. O prato de massa gratinada com filés é para duas pessoas e vem muitíssimo bem servido. Pedindo-se uma entrada ou uma salada, serve tranquilamente. Uma delícia.

 

Talharim ao molho de galinha caipira

Cobo Wine Bar – Bento Gonçalves

Quanto: R$ 35,00

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Voltarei ao Cobo Wine Bar para repetir esse prato quantas vezes puder – e beber, naturalmente. A acertadíssima receita de talharim ao molho de galinha caipira do chef Rafael Della Vecchia tem sabor caseiro. Massa fresca, feita na casa e cortada à mão. Do ponto ao molho, apenas espetacular pela simplicidade.

 

Tonnarelli cacio e pepe

Felice a Testaccio – Roma

Quanto: € 18.00

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Uma delícia que também cativa pela hipnotizante simplicidade. O Tonnarelli Cacio e Pepe é uma receita tipicamente romana que leva tão e somente massa, queijo pecorino e pimenta do reino. O segredo é a misturada que o garçom dá diante do cliente. O resultado é indescritível.

 

Tortellone artesanal aos camarões

Magnólia – Canela

Quanto: R$ 56,00

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Se eu tivesse que descrever o Magnólia em apenas uma palavra, ‘experiência’ seria o termo ideal. Entre tantas especialidades da casa, surpreende o frescor do tortellone artesanal de limão siciliano e muçarela de búfala com camarões, tomate e manteiga de tomilho. Leve, delicioso e uma baita porção.

Paris: a versão econômica de um estrelado Michelin

Esse post tem apoio de Café Com Arte

 

A Igreja de la Madeleine e seu aspecto de templo romano, sem janelas, sem sinos e com uma estátua de Joana d’Arc no interior, é ponto de visitação obrigatório em Paris. A estética incoerente é intrigante, digna de uma obra construída ao longo de 82 anos e que leva o dedinho de Louis XV, dos anticlericais da Revolução Francesa, de Napoleão e Louis XVIII. Se você estiver em Paris, certamente passará por Madeleine – o que nos leva ao circuito gastronômico a seu redor, onde está um dos tesouros da Cidade Luz, um restaurante que tem sempre 2 ou 3 estrelas Michelin, mas oferece um anexo muito mais acessível, onde, ainda assim, tive uma bela experiência.

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Lucas Carton é um dos primeiros restaurantes gastronômicos de Paris, aberto em 1880 e adorado pelos parisienses na Belle Époque. Em 1933, quando o Guia Michelin passou a conferir 3 estrelas, foi um dos primeiros a receber a honraria. Com algumas mudanças de dono e estilo, o restaurante escreveu seu nome na história da gastronomia francesa. Seu salão, concorridíssimo, tem vista direta para Madeleine.

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É uma tentação ceder a esse luxo, mas é possível conhecer uma versão mais econômica por uma portinha lateral que leva para ao superior do restaurante, onde fica o Le Marché de Lucas.

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Tratamento de princesa em um salão com não mais do que 10 mesas e também uma bela vista. E o melhor de tudo: menu degustação a 45 euros. Dá pra sentir, de uma forma bem mais simplória, claro, do que se trata o restaurante ao lado. Uma boa amostra da alta gastronomia francesa – aqui, apresentada sem complicação, mas muito esmeradamente.

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Três pratos compõem esse menu: a entrada, um creme de cogumelos que dá boas-vindas e esquenta o corpo castigado pelo vento.

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O prato principal, um filé derretendo como manteiga e acompanhado por um clássico purê de batata que eles têm o dom de transformar em uma delícia indecifrável.

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Para a sobremesa, um clássico da patisserie francesa: tartelette de limão. Preço justo para uma pequena amostra do que custaria o dobro. Lembranças de um dezembro memorável.

Le Marché de Lucas 

9 Place de la Madeleine, Paris, França

Site: acesse aqui!

Um tour pelas tapas e pela história de Barcelona

Esse post tem apoio de La Taberna

 

As informações mais valiosas sobre um destino de férias estão nos blogs locais, especialmente se, como eu, você gostaria de fugir das atrações “engana-turista” e tem pouco tempo para conhecer o que realmente importa. Se vier à Serra Gaúcha, leia o Culinarismo (hehehe). Se o destino é internacional, procure os blogs de brasileiros que vivem por lá. Foi numa busca desse tipo que conheci e me apaixonei pelo blog Sol de Barcelona. Além de roteiros especiais na capital catalã, a guia Cristina Rosa oferece passeios guiados. Você pode conhecer a cidade pedalando ou caminhando de taberna em taberna em um inspirador tour de tapas. Afinal, nada melhor para entender um povo do que provar de sua comida.

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Se, de dia, os frutos do mar fazem o front vip da gastronomia catalã, a noite é das tapas e do jamón. Barcelona tem uma atmosfera excitante e sua gastronomia é também visceral e feita pra sujar os dedos. As raízes mediterrâneas e receitas camponesas compõem um repertório encantador e, além dos frutos do mar, os feijões e pimentões estão sempre presentes. Um tour de tapas com a Cristina alimenta muito mais que o corpo, porque estamos na companhia de uma incrível guia e o contexto histórico é a peça central desse quebra cabeça que estrutura a gastronomia local.

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Barcelona foi fundada por romanos no século I e a cidade se estrutura a partir do bairro Gótico. Ruínas originais da primeira muralha que cercava a cidade ainda fazem parte do cenário urbano. É ao redor dos bairros Gótico e Raval é que se desenrolam as descobertas sobre as tapas espanholas, que surgiram na Idade Média, na região da Andaluzia. Tapas não se comem sozinho. Elas servem para acompanhar a bebida e dividir com amigos.

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DSC_7755Na Pa Tapas comecei provando aquela que pode ser considerada a mais popular das tapas de Barcelona, mas que, na verdade, é originária de Madrid e só chegou a Catalunha por volta de 1940: as batatas bravas. Se estiver na Espanha, não aceite as bravas com maionese e catchup. O segredo está nos molhos aioli e picante, que não podem ser industrializados.

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DSC_7775Nossa segunda parada foi no El Pintxo de Petritxol, um restaurante basco que serve muitas carnes e essas tapas servidas no palito por um motivo estratégico: o cliente se serve no balcão dos pintxos frios e pede ao garçom os quentes. No final, a conta é paga conforme os palitos que lhe sobrarem no prato.

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No Elisabets, provei das tradicionais croquetas de jamón e aprendi um pouco mais sobre essa iguaria que vem do porco ibérico (aquele de pata negra) criado livre. O melhor jamón, diz a Cristina, é o Bellota, que só come frutinha e é curado por 36 meses. Intrigada com essa cultura desconhecida, na noite seguinte acabei visitando o Jamón Experience, um museu e restaurante dedicado à iguaria e onde se provei 100 gramas de jamón de Bellota por 25 euros (algo como 112 reais).

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DSC_7819Na última parada desse tour, mais do que desfrutar das empanadas galegas, tive uma aula sobre a história mais recente da Espanha. O bar La Llibertária é um memorial às mulheres que se rebelam contra o governo da república na Guerra Civil Espanhola, em 1936. Em fotos, documentos e recortes de jornal, o bar conta as passagens dessas cidadãs que criaram uma organização feminista chamada “Mujeres Libres” e pegaram em armas durante o movimento libertário espanhol.

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A experiência belíssima com Cristina nos fez desejar mais de Barcelona. Em sua comida, seus prédios preservados e suas ruas estreitas que desembocam em grandes avenidas, a capital da Catalunha é uma antítese intrigante, moderna e histórica, pra ser apreciada sem moderações. De volta ao lar doce lar, nos resta acompanhar as delícias do blog Sol de Barcelona, sempre desejando regressar um dia.

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Plaça San Josep Oriel, Barcelona, Espanha

sem site 🙁

El Pintxo de Petritxol

Carrer de Petritxol, 9

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Elisabets

Carrer d’Elisabets, 2

sem site 🙁

Jamón Experience

Rambla de les Flors, 88- 94

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La Llibertária

Carrer Tallers, 48

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Descobrindo trufas no Mercato Centrale de Firenze

Esse post tem o apoio de Jornal Design Serra

 

Florença veio pra mim como uma revelação, uma epifania, um acontecimento extraordinário. De dentro do táxi, a caminho do hotel, foi que se deu minha primeira impressão sobre essa cidade que realmente é divina e realmente é comédia. Sorri acompanhando a dança sincronizada dos carros, bicicletas, motos e pedestres numa disputa engraçada pelo espaço quase intransitável das ruas estreitas.

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No centro de Florença, um morador apressado jamais escolheria o carro como meio de transporte, mas pedalaria com vigor sua bicicleta sem marchas guiando-se a uma só mão enquanto a outra se concentraria em buzinar aos caminhantes distraídos que ultrapassaram os limites das calçadas estreitas. Cheguei ao hotel, não contive minha excitação: o prédio era, provavelmente, mais antigo que a descoberta do Brasil e estava maravilhosamente localizado poucos passos da Piazza Duomo.

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Com tanto a conhecer e tão pouco tempo em Florença, precisei me concentrar nas programações gastronômicas do meu roteiro e tudo o que conheci na cidade foi no intervalo entre uma e outra refeição. Foi o suficiente para sonhar com a próxima aventura pela Itália e pontuar que respirarei novamente os ares da Itália tão rápido quanto meus esforços permitirem.

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Na minha primeira refeição em território da Toscana tive sérios problemas de indecisão. No Mercato Centrale de Florença, tal qual a própria cidade, os elementos do passado e do presente convivem lado a lado. Ou, nesse caso, abaixo e acima. O mercado tem dois andares e uma boa dose de descobertas gastronômicas. No térreo, todos os ingredientes para um bom banquete italiano, mais ao estilo mercadão, propriamente.

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O andar superior aguça ainda mais os sentidos. Ali estão 12 lojas da mais autêntica gastronomia artesanal toscana. De escola de culinária a loja da Fiorentina, passando por pequenos restaurantes de especialidades diversas: peixes, sanduíches, embutidos, massas e, claro, o italianíssimo gelato. Nos restaurantes do mercado, todos os pratos são feitos com produtos do próprio mercado.

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As mesas são em forma de praça de alimentação. Então você pode escolher qualquer coisa e sentar-se ali para desfrutar de algo autêntico.

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Indecisa, dei a volta por todo o andar antes de escolher a banca da família Savini, que se dedica a pratos à base de trufas. Pontuando rapidamente, trufa nada tem a ver com chocolate. Trata-se, na verdade, de um fungo caro pra caramba que nasce embaixo da terra, próximo de carvalhos os castanheiras.

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Pedi a salada e nela a trufa estava presente em cada uma das bruschettas. O prato saiu por 15 euros…

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…o Jonathan pediu a massa e foi minha primeira experiência real com trufas em quantidade suficiente pra se sentir o sabor marcante e incomparável. A família Savini preserva desde 1920 essa tradição. São fornecedores reconhecidos na Toscana e especialistas nas raríssimas e caríssimas trufas brancas.

No Mercato Centrale, pelo precinho camarada de 20 euros, dá pra provar uma dose generosa de trufa negra, também muito apreciada. O sabor da trufa não é algo simples de descrever. Não há nada que se assemelhe. Servido assim, ralada sobre a massa fresca, ela protagoniza o prato. A sensação no paladar é de algo terroso, apimentado, que fica na boca por muito tempo.

IMG_5703Essa foi minha primeira refeição na Itália e, dali em diante, tudo o que aconteceu foi igualmente maravilhoso. Antes de deixar o Mercato Centrale, provei meu primeiro gelato italiano – de pistache. Outro momento divino no meu repertório gastronômico. Tenho ainda tanto pra contar!!!

 

Mercato Centrale de Firenze

Piazza del Mercato Centrale – Via dell’Ariento
50123 Firenze

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#Paris: Le Chemise, um bistrô com máximo custo-benefício

Este post tem o apoio de Café com Arte

 

Uma multidão caminha a passos curtos e olhos fixados no céu, refletindo a imponência metálica e as luzes piscantes da Torre Eiffel. Paris é o encanto do extraordinário, o paraíso dos apaixonados e a brisa gélida do Sena quando o inverno se aproxima. É o suprassumo do turismo clichê, mas também é muito além disso. Paris é aquilo que seus olhos permitirem ver. Nesta minha segunda passagem pela Cidade Luz, busquei conhecer a cidade por outro maravilhoso ângulo: o dos parisienses.

Naturalmente, cruzei a Champs Élysées e me perdi nos longos corredores do Louvre, mas a verdadeira Paris pude desfrutar numa sequência de carnes, peixes, guarnições e sobremesas que degustei em bistrôs tipicamente parisienses. Nesses lugares, por exemplo, não existe wifi para a clientela, serve-se muito pão junto da comida e, à parte de um cardápio extenso a que estamos acostumados, dá-se preferência ao prato do dia.

Sacré Cœur: pode chover bastante no outono parisiense
Sacré Cœur: pode chover bastante no outono parisiense

Tenho coisas incríveis a contar sobre a comida de Paris, mas começo pelo final, onde tive uma grata surpresa gastronômica a um preço mais do que justo. No meu último dia de roteiro em Paris, flanava pelas ruas e escadarias de Montmartre na trilha de Amelie Poulain (um clichê que amo) quando começou uma chuva fininha. Subi os degraus que levam à Sacre Coeur dispensando o funicular e, nesse ponto, a chuva já estava forte. Chamei um táxi e ganhei da motorista um livreto com os melhores restaurantes de Paris a preços módicos. Foi a salvação da paróquia quando ela nos deixou onde seria o almoço e o lugar estava fechado.

Le Chemise: indicado no guia dos melhores restaurantes de Paris em 2015
Le Chemise: indicado no guia dos melhores restaurantes de Paris em 2015

Abri o livreto direto no mapa e saí em busca de algo próximo da praça da República, onde eu estava. Numa caminhada breve, cheguei ao Le Chemise. Ambiente charmoso e menu com entrada + prato OU prato + sobremesa por 16 euros (ou menu completo por 20 euros). Em se tratando de viagens, se eu pudesse dar apenas uma dica valiosa, diria pra você não pensar em reais… como diria uma prima minha: “quem muito converte, pouco se diverte”. Considerando isso, foi o melhor custo-benefício da viagem – disparado.

Os combos entrada + prato principal OU prato principal + sobremesa são comuns nos bistrôs parisienses
Os combos entrada + prato principal OU prato principal + sobremesa são comuns nos bistrôs parisienses

Vejamos o menu promocional, que trazia apenas três opções para entrada, três para prato principal e três para sobremesa, que não provamos pois saímos daí direto pra uma pâtisserie. Fora isso, havia o menu da casa, com pratos a preços individuais.

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Na entrada, escolhi a sopa de cogumelos que estava realmente fresca e esquentou a alma resfriada pela chuva.

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O Jonathan foi de salada de folhas com tortilha de queijo de cabra (ou croustillant de chèvre au miel), também aprovadíssimo. A comida francesa, referência na gastronomia ocidental, apesar de toda sua manteiga, é equilibrada e leva uma boa dose de legumes e verduras.

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O vinho aproveitamos para pedir sempre em jarro de meio litro, o que considerei uma boa medida para duas pessoas no almoço. Sabe como é, foram longas caminhadas e preguiça não convinha.

 

 

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Meu prato principal foi o papardelle lindamente guarnecido por uma panelinha de ragu. A versão francesa de uma combinação que poderia estar tranquilamente em qualquer restaurante da Serra Gaúcha. Simples, mas impecável.

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Jonathan pediu o peixe no purê de batatas que tinha uma crosta perfeitamente crocante, ao passo que o lado oposto era suculento, como todo salmão deveria ser. Uma delícia sem requintes.

O turista solitário também trazia consigo o guia de restaurantes que salvou nosso almoço
O turista solitário também trazia consigo o guia de restaurantes que salvou nosso almoço

Esse foi nosso último almoço em Paris. Com tanto ainda a conhecer, nesse dia nos despedimos da gastronomia francesa para jantar uma legítima pizza italiana. Daí em diante, foi a farra da pizza e pasta. Te conto daqui uns dias, em 2016!

 

Le Chemise

Aberto para almoço e jantar

Rue de Malte, 42, Paris

Site: acesse aqui!

Eataly, um tour dos sonhos pelo universo da gastronomia

Um shopping pode parecer programa boçal para uns ou um convite ao consumo para outros tantos. De minha parte, talvez eu não entendesse esse fascínio por centros de compras até colocar meus pezinhos no Eataly Brasil. Muita gente insiste que não tem nada demais lá, que é uma febre do momento e que os preços são absurdos. Em parte, admito que uma voltinha no maior parque de diversões da gastronomia no mundo pode custar alguns milhares de reais, considerando alguns luxos da culinária como uma panela Le Creuset à venda por 1.900 reais.

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Mas tudo é uma questão de ponto de vista: eu entrei no Eataly São Paulo de mente aberta, bolso vazio e, ainda assim, tenho uma belíssima experiência pra contar.   Para quem não conhece, o Eataly reúne muitos e muitos alimentos italianos ou de produtores locais, em sua maioria orgânicos. Existem 29 lojas do Eataly no mundo. A maioria delas está na Itália e existe apenas uma no Brasil, inaugurada em maio, em São Paulo. São mais de 7.000 itens, além de 19 pontos de alimentação. Um enorme shopping da comida onde se pode comer, comprar e aprender, em cursos e oficinas de culinárias. Tem até oficinas de educação alimentar para as crianças. Oinnnn, que fofo 😉 DSC_5722 Fiz meu tour pelo Eataly começando pela livraria e já coloquei no carrinho um exemplar do maravilhoso “A História da Culinária em 100 receitas – uma incrível viagem pelos hábitos alimentares ao longo do tempo”. Estou simplesmente fascinada com essa leitura e ando carregando o livro para todos os lugares. Uma boa dica pra quem comprar algo na livraria é seguir direto para La Piazza, onde se servem queijos e embutidos pra descontrair com uma taça de vinho. DSC_5732 A área de queijos é enorme. Tem dos grandes, dos pequenos e para todo tipo de preparo. DSC_5736 DSC_5750

A área de hortifruti tem dessas coisas diferentes, como miniberinjelas, minicebolas e cenouras amarelas.

DSC_5743 Reservada para paladares fortes, a área de pimentas tem variedades que eu desconhecia. DSC_5745 Contornando a área das frutas e legumes, que ocupa o centro do piso térreo, na outra extremidade do Eataly tem mais opções de refeição rápida, como o bar da fruta. Tudo é feito com as frutas disponíveis no próprio Eataly. DSC_5752 Tudo que há de mais saboroso e calórico pode ser encontrado ainda no térreo do Eataly…naturalmente, nem que eu quisesse poderia provar um item de cada ponto de alimentação numa visita apenas. Então pulei os sanduíches, ainda que parecessem deliciosos… DSC_5755

E fui direto para o ponto das focaccias – que, aliás, contava com uma degustazione fresca e grátis para seus visitantes, acompanhada de suco verde. Nessa prova, presunto cru, mozzarela de búfala e minirrúcula.

DSC_5760 Das focaccias, escolhi a de pesto com mozzarela de búfala vendido por peso. Um pedaço generoso, do tamanho de meia folha de ofício, sai por uns R$ 10,00. DSC_5762 No segundo piso, carnes de muitos tipos… DSC_5765 ….vinhos para todos os gostos… DSC_5770

… inclusive uma seleção de importados com preço digno de panela Le Creuset.

  DSC_5788 ….frango de padaria do Eataly pra levar. DSC_5785 …todo tipo de massa, azeite, sal, tempero. Um verdadeiro paraíso para os gourmets. DSC_5784 A essa altura, já estava circulando há mais de duas horas, mas, apesar disso, ainda não era meio-dia e o Brace – restaurante do último andar que reúne as especialidades de todos os pontos de alimentação do Eataly – não estava aberto. Como os demais pontos abrem pra almoço meia hora antes, acabei indo com meu irmão ao Rossopomodoro, o ponto da pizza e pasta no Eataly. DSC_5809 Há muito tempo, vinha desejando comer uma boa lasanha. Não dessas congeladas, mas uma de verdade, suculenta, fumegante, pronta pra comer. Não há muitos restaurantes na Serra Gaúcha que sirvam lasanha. Então, foi nela que apostei minhas fichas…e saí vencedora!!! Os sabores são impressionantes, autênticos. Dá pra sentir o tomate pelado, a carne picadinha, a suavidade do queijo. DSC_5802 O cardápio trazia muitas opções mais especiais e o cheirinho da pizza servida na mesa ao lado estava deliciosamente invadindo o meu espaço. Mas a curiosidade de conhecer o preparo de pratos comuns nas nossa cozinha foi maior, então, além da lasanha, provamos uma massa a carbonara que se mostrou muito mais forte e picante que aquela com que estou acostumada. O queijo ralado na hora foi mais um toque de mestre e a massa é servida ao dente, exatamente como o cardápio revela. DSC_5814 Nem que eu quisesse, conseguiria encerrar com a sobremesa. Não pude sequer comer toda a lasanha. Mas de qualquer forma, as opções que o Eataly oferece são aparentemente deliciosas. De gelatto a Nutella, passando pela pasticceria cheia de tentações em chocolate e creme, o Eataly traz uma experiência completa. É caro? Sim, como tudo no universo gastronômico que se propõe ao diferente pela qualidade ou pelo inusitado.   Eataly São Paulo Av. Pres. Juscelino Kubitschek, 1489, São Paulo Horário de funcionamento do mercado: todos os dias, das 8h às 23h Site: clique aqui!

O sabor cosmopolita de Buenos Aires – parte 2

Já disse e repito que não se pode – nem se deve – visitar Buenos Aires e manter os parâmetros de uma dieta 100% balanceada. É bom esquecer a balança e a culpa em casa, porque esse pecadinho vale a pena. Os sabores que a capital portenha oferece são únicos e incomparáveis – e harmonizam perfeitamente com uma Quilmes ou Imperial gelada. Mas esse túnel de gula tem uma luzinha no final, e dá pra compensar as refeições pesadas com opções mais equilibradas. Tá no título desse post: cosmopolita é a palavra que define a gastronomia local e nem todos os restaurantes vivem de parilla.

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Pode acreditar, em Buenos Aires comi o melhor sushi da minha vida (considerando que nunca estive no Japão), a melhor comida natureba e os melhores burritos (considerando que também não estive no México). Cheguei a esses lugares totalmente por acaso, a exceção do Lupita Mexican Bar, que foi altamente recomendado por vários blogs. O “restobar” foge um pouco da proposta comida leve, mas não pesa tanto quanto a parilla argentina.

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Eles têm três filiais em Buenos Aires e mais uma em Punta Del Este, mas acabamos escolhendo o restaurante de Puerto Madero pelo charme da paisagem e também por ser mais próximo do nosso hotel. Não tem como deixar de se impressionar com a decoração, que mistura imagens de Nossa Senhora de Guardalupe com caveiras mexicanas. Na dúvida sobre o que pedir, fomos direto no combo de seis peças, com dois tacos, duas quesadillas e dois burritos servidos com guacamole, geleia picante de tomate e geleia de jalapeños. Picoso! (tenho um segredinho sobre esse jantar, mas só conto no final).

Sobre comida oriental, a Casa de Chás e Restaurante Japonês Furaibo foi certamente a experiência mais completa que já tive. O restaurante tem algumas restrições e a principal delas é o pagamento apenas em dinheiro – o que nem faz tanta diferença mais… depois de 10 dias em Buenos Aires, você certamente já se acostumou a essa exigência local. Eles também não gostam muito que se chegue sem reserva, mas ok, não deixarão de atendê-lo se houver lugar.

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Subindo as escadas, já percebi a diferença entre este e o sushi a que estamos acostumados. Esses lugares que a gente frequenta normalmente, com festival a preço fixo e mesas superconcorridas, não passam perto do Furaibo. Ali, senti que a comida propriamente dita era apenas parte da experiência. O lugar era um verdadeiro templo. Pra começar, o restaurante funciona em uma das casas mais antigas de Buenos Aires – um sobrado com pé direito altíssimo preservado da ruína, que recria o mundo dos antigos templos budistas do Japão.

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Aberto para o almoço e jantar, o Furaibo tem uma programação de cerimônias do chá, noites de mantra e oficinas de nutrição molecular. Em minha estada na capital portenha, tive que repetir a dose de Furaibo e acabei indo ao restaurante duas vezes. Na segunda, fui surpreendida por uma experiência de música ao vivo com cítara. Vá sem pressa, sozinho ou em boa companhia, e você terá uma experiência incrível de paz, o que contribuiu muito pra eu eleger esse o meu sushi favorito.

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Agora, vos apresento o paraíso da comida saudável, localizado ironicamente em meio ao caos da rua Florida: PICNIC. Preço justíssimo e nada de muita elaboração. É pra quem está de passagem mesmo, tipo um fast food politicamente correto. Conforme informações do cardápio, eles não usam nenhum tipo de ingrediente industrializado ou produtos de origem animal. E nem por isso a comida é sem graça!

pic nic lasanha

Entrei sem saber muito do que se tratava e pedi uma lasanha da casa pela qual paguei 57 pesos com bebida (menos de 15 reais). Uau! Na volta pra casa, a primeira coisa que tentei cozinhar foi uma réplica dessa lasanha…a massa era algo como pão sírio e o recheio parecia brócolis ou couve – algo entre uma coisa e outra. Por cima, um delicioso molho vermelho um saboroso creme branco de algo desconhecido, já que eles não serviriam nada à base de leite de vaca. A água saborizada que acompanha é deliciosa e tudo é muito fresco. Com opções variadas pra comer ali ou em casa, o PICNIC te dá 50% de desconto nas comidas pra levar depois das cinco da tarde. A ideia toda do lugar é muito consciente.

Não deu outra né?! Dois dias depois, com o bolso já apertado e o corpo pedindo um tempo do cardápio típico de Buenos Aires, voltamos ao PICNIC e aí eu provei um risoto integral de cogumelos –, divino. Dá pra notar que as comidas levam pouco ou nenhum sal e, ainda assim, o sabor é muito autêntico. Ah, e eles aceitam cartão, acredita?

pic nic risoto

Então é isso gente, minhas férias tiveram alguns bares, muitos tragos, um tango aqui e outro ali, alguns pesos perdidos no cassino e uma verdadeira expedição gastronômica. Trouxe pra cá, claro, as melhores passagens, mas você sabe: algumas furadas também fazem parte da viagem. Pra fugir das roubadas, uma dica básica que serve pra tudo: não acredite em ofertas mirabolantes. Comida é um negócio como outro qualquer e, se alguém está oferecendo refeições incríveis a preço de banana, algo está errado. O bom não precisa custar caro, mas também não vem de graça!
Falando sobre relação custo/benefício, estou empolgadíssima com a programação da Vindima da Serra Gaúcha. Foi um projeto que deu certo! Conto mais no próximo post!

(Ainda sobre a comida mexicana do Lupita, a pimenta do lugar e uns drinks

a mais me fizeram ceder a um assunto que fazia parte da pauta familiar há tempos.

No fim das férias, fomos buscar a nova integrante da família. Adivinha o nome dela? Lupita!)

eu e lupita

Furaibo
Adolfo Alsina, 429, Buenos Aires
www.furaiboba.com.ar

Lupita Mexican Bar
Olga Cosettini, 1091, Dique 3, Puerto Madero, Buenos Aires
www.lupitaweb.com.ar

PICNIC Buenos Aires
Florida, 102, Buenos Aires
www.facebook.com/picnicbuenosaires

O sabor cosmopolita de Buenos Aires – parte 1

Minhas férias em Buenos Aires terminaram com quilos a mais na balança e um peso extra na consciência. A cidade é linda, sob todos os aspectos. A mim, encantou cada ladrilho, vitral e fachada centenária. Em suas calçadas românticas, minha imaginação viajou pelos áureos anos do início do século passado. A história dita o tom do lugar e cada passo dá uma foto perfeita. Mas essa viagem – que lástima – não teve o mesmo brilho. A Argentina passa por maus bocados e registrou o verão mais quente em 30 anos. Não pude ficar alheia ao fato de que boa parte da população portenha passou até 20 dias sem luz, mesmo que no meu quarto de hotel o ar condicionado proporcionasse uma noite de sono tranquila.
As poucas lojas da rua Florida que aceitam cartão estavam liquidando o estoque com pagamento em dinheiro porque não tinham energia elétrica pra se manter funcionando. O recolhimento do lixo também estava prejudicado e muitos moradores reclamaram do descaso da empresa fornecedora de energia. A situação política atual é bem turbulenta. Em meio ao caos da falta de luz, a presidente Cristina tomou um belo chá de sumiço e sequer enviou uma mensagem de feliz ano novo para os argentinos.

Dito isto, vamo-nos ater aos quilos que ganhei em Buenos Aires, dos quais não me arrependo – embora pretenda perdê-los em breve. Verdade seja dita: o serviço dos restaurantes vai de ruim a péssimo, o atendimento é demorado, quase nenhum estabelecimento aceita cartão e existem algumas peculiaridades locais a serem entendidas. Além da ‘propina’ para o garçom, com a qual já estamos acostumados por aqui também, existe a estranhíssima taxa de ‘cubiertos’: ou seja, simploriamente falando, você paga pelos talheres que usa. Na verdade, é uma taxa adicional obrigatória pelos serviços da casa. Estranho, mas faz parte da cultura local e não vale a pena perder o sono nem as refeições memoráveis que se pode fazer por causa desses pesos a mais.
A capital portenha me ofereceu experiências incríveis que quero dividir com vocês em dois posts: a melhor carne, o melhor sushi, a melhor comida mexicana e o melhor restaurante natureba da minha vida até então! Além, claro, de drinks muito loucos em porões escuros e uma overdose de cerveja de bar em bar. A propósito, entre Quilmes e Imperial, a segunda me caiu bem melhor!
Nossa saga culinária em Buenos Aires começou com uns bons drinks no Florería Atlántico, um lugar surpreendente oculto nos porões de uma floricultura e loja de vinhos localizada no Retiro.

floreria vista geral

O Atlántico oferece muito mais que uma carta incrível de coquetéis inspirados nos países que povoaram a Argentina. Pra chegar ao bar eleito pela Drink International como o melhor da América Latina e Caribe em 2013, você deve entrar na loja e descer as escadas que se escondem atrás de uma porta de câmara frigorífica.

floreria paredesO cenário é envolvente e nos leva aos mistérios do fundo do mar, com seres mitológicos desenhados a mão nas paredes, pratinhos esmaltados e coquetéis servidos em vidrinho de azeitona (!!!). Tudo de uma displicência calculada que torna o bar ainda mais genial!

floreria comida floreria drink

Dizem que o bar pertence a três dos melhores barmans de Buenos Aires, o que não é de se duvidar, se você levar em conta a complexidade da carta de drinques. As opções são divididas por nomes de países, com bebidas típicas dos povoadores da Argentina e, no final, algumas opções extras também – como a capirinha. Impossível provar uma delícia de cada país, porque são muitas e eu certamente daria Perda Total. Mas tomamos um drinque inglês e uma francês, ambos bem ‘diferentex’.

A parilla dá o tom de Buenos Aires, claro! Ela está em todos os cardápios (praticamente todos, como vou contar no próximo post) e, além da qualidade excelente, você encontra bons pratos a um preço muito módico quando comparado ao Brasil. Conheci algumas ‘cabañas’ locais que servem os melhores cortes da Argentina, inclusive uma que cria o próprio gado. Mas o suprassumo do bom atendimento, requinte e da melhor carne da minha vida foi o La Cabaña, em Puerto Madero.

la cabana salao

Com vista para o Rio da Prata, o restaurante tem meros 79 anos de tradição, uma carta de vinhos capaz de agradar ao paladar mais exigente e uma extensa lista de clientes famosos.

Olha quem já compartilhou o mesmo recinto comigo?

la cabana madonna

Os restaurantes de Buenos Aires servem entradas deliciosas, com pães quentinhos e um bom vinagrete ou chimichurri pra acompanhar. No La Cabaña não foi diferente. Como o prato principal demora bastante em função do tempo de preparo, você vai se divertindo com alguns mimos enquanto espera. Mas não vale passar da conta na entrada, porque o bom mesmo é a carne. O Gran Baby Beef da casa leva quase uma hora pra ficar pronto, mas como fui ao restaurante pra lá da meia noite, eles apressaram um pouco o preparo dividindo o corte ao meio. Nada que comprometesse a delícia desse prato.

la cabana carne

Se você vai ao país da parilla, não dá pra sair de lá sem uma boa história pra contar. Um restaurante desse nível tem seu preço, mas considerando que é perfeitamente possível gastar menos de 100 reais em ótimas refeições para duas pessoas, então vale a pena separar 800 pesos argentinos pra ter uma experiência única dessas.

La Barrica La Barrica Chorizo

Outra parada gastronômica obrigatória – essa, muito mais roots – é o Caminito. Impossível passar por ali e não se deleitar num belo chorizo ao som de tango e acompanhado por uma Quilmes gelada. Como turista que se preze, obviamente paguei uns trocados pra tirar uma foto fake dançando tango. Mas essa está muito bem guardada!

Tenho mais pra contar, mas deixo pro próximo post! Você não vai acreditar na maravilhosa alternativa natureba que Buenos Aires oferece pra quem não come carne ou precisa desintoxicar!

Florería Atlántico

Arroyo 872, Buenos Aires

facebook.com/FloreriaAtlantico

La Cabanã

Alicia Moreau de Justo, 380

www.lacabanabuenosaires.com.ar

La Barrica

Magallanes, 845, Caminito

www.labarrica.com.ar

Seduzida por um vendedor de frutas de luxo

Você não tem ideia de quanto pode custar uma caixinha de frutas até ir ao Mercado Público de São Paulo e ser seduzida por um vendedor de habilidade invejável e contador de causos comoventes:

“Era uma vez uma mulher de meia idade que acabara de perder o pai. Numa viagem de trabalho a São Paulo, ela passou despretensiosamente pelo Mercadão e parou em frente a este mesmo vendedor. Ele a convidou para degustar um pedaço de pitaya e a mulher lacrimejou. Seu pai sempre quis provar daquela fruta, mas não teve tempo.
– Então, quantas a senhora vai levar em honra ao seu pai?
E ela disse:
– Com esse preço, meu filho, vai pro diabo que te carregue!
– Bem, o dinheiro está aí pra ser bem aproveitado. Aquela mulher perdeu a oportunidade de ser feliz por um momento. Você não faria o mesmo, não é, moça? Leve logo duas!”

O cara não era meramente um quitandeiro. Era um consultor de vendas de artigos de luxo, só que perecíveis. Meu irmão, que mora em São Paulo e já conhecia aquelas delícias todas, foi se afastando de mansinho e me esperou umas quatro bancas depois. Ele sacou na hora a armadilha ($$$). Eu, extasiada com a combinação de sabores, me deixei seduzir. Com essa história de filha pão-dura e algumas argumentações a mais, o cara me fez desembolsar simplesmente 400 reais em frutas. Se estou arrependida?

bancaBem… até passou pela minha cabeça sair correndo e fingir que não era comigo. Mas até a embalagem dos caras é um capítulo à parte. Eles são muito profissionais. Acomodaram cada tipo de fruta bandejinhas de isopor com respiro. Depois, todas elas em um caixote de madeira muito bem lacrado com fita adesiva. Tudo acondicionado perfeitamente para viagem. No fim das contas, rachei o prejuízo com o “namorido” e saí feliz – com um sapato a menos no guarda roupa, mas sabores a mais no meu repertório. Diante de tantas cores, você também não ficaria tentado?

Levei tudo pra casa e comecei uma doce e paulatina degustação que se estendeu por um mês. Não me pergunte como, mas as frutas aguentaram. Trouxe cinco variedades diferentes, então vou fazer um ranking pra ficar mais emocionante!!!

abacaxi

5º lugar: Abacaxi Gomo-de-Mel

É muito, muito doce e muito, muito amarelo. É bem diferente de um abacaxi comum.

É mais suculento e bem pequeno, pra consumo individual mesmo.

Pra quem gosta de cítricos, é uma explosão de sabor.

decopon decopon2

4º lugar: Decopon
Resumidamente, é uma bergamota gigantesca, doce e sem semente.

Descobri que, na verdade, o troço é um híbrido das frutas pokan e kiyomi (???) inventado pelos japoneses.

Valeu a experiência. Quem gostou mais foi a minha filha.

cherimoia

3º lugar: Cherimoia 

É branca, macia e tem gosto de leite condensado – sério!

É uma alternativa muito louca pra quem está de dieta.

Você não acredita que aquilo é um produto da Mãe Natureza!

O consultor de frutas de luxo nos deu pra provar com gotinhas de limão siciliano por cima e ficou idêntico a mouse de limão. 🙂

pitaya

2º lugar: a famosa e emblemática Pitaya 
Ela é conhecida também como fruta do dragão por sua aparência escamosa

(agora me senti escrevendo uma reportagem para a editoria de saúde!).

É doce, mas suave. Lembra melão e fiquei sabendo que tem poucas calorias.

O preço, em compensação, é salgado. Cada uma custou mais de 40 reais e você pode não acreditar,

mas já passou um mês e ainda tem um exemplar desses intacto na minha geladeira!

morango

1º lugar: Morango com Tâmara
Morango todo mundo conhece, tâmara também não é tão difícil de encontrar.

Mas a combinação dos dois é surreal! Claro que os morangos do Mercadão eram gigantescos, doces… e caros.

Mas se eu pudesse voltar lá, eram os morangos com tâmaras que eu compraria de novo.

De tudo, o que ficou foi a experiência e meu bolso um pouco mais vazio. Sabe como é, um bom vendedor sempre consegue o que quer. Considerando uma cliente curiosa como eu, então, a venda era certa!