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O outro lado do Sierra Burger

Arrumei confusão anos atrás fazendo uma avaliação dos melhores xis de Bento Gonçalves. A postagem deu o que falar, mas era apenas uma brincadeira que o pessoal levou muito a sério. Naquele tempo, o Sierra Burger tinha acabado de inaugurar e a avaliação deles já foi das melhores: o melhor sabor, a melhor apresentação, aroma incrível, perfeito sabor de churrasco, pão fresco. Hoje em dia, todo mundo já conhece os atributos do hambúrguer e muita gente vai até lá especialmente pela parmegiana. Mas existe um cantinho de pratos especiais no cardápio que merece ser explorado.

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Você não precisa cometer o sacrilégio de provar todos de uma vez, como eu. Mas escolha o melhor de três com essas dicas e aproveite mais do incrível aroma defumado que só o Sierra Burger oferece.

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Abri os trabalhos com o impecável assado de tira – suculento, ao ponto. Serve muito bem uma pessoa por R$ 30,00.

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O T-Bone estava igualmente delicioso: R$ 40,00.

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E a costelinha suína ao barbecue tanto quanto. O molho é da casa e dá pra sentir bem o toque caseiro. Ponto extra. R$ 42,00.

Foi uma experiência intimamente carnívora e que vale a pena para dias de grande apetite e informalidade.

Sierra Burger

Avenida Planalto, 883, Bento Gonçalves

Telefone: (54) 3701-3749

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Cobo Wine Bar, o lugar que estava faltando em Bento Gonçalves

Vinho é o elixir da vida.

Longe de mim aquela enochatice que só repele as pessoas. O que quero dizer aqui é que o vinho é muito mais do que a bebida que se bebe. É a comida que se serve junto, as risadas que acompanham, a conversa fiada e o perfume que sai das taças. Há muito tempo, o setor vinícola nacional vem trabalhando institucionalmente para descomplicar os rituais acerca do vinho e conquistar mais enoapaixonados. Continue lendo Cobo Wine Bar, o lugar que estava faltando em Bento Gonçalves

A simplicidade genuína do Cotidiano

O cotidiano pode ser uma tela em branco à espera de sua primeira pincelada; uma trilha em mata fechada ou no descampado; um clássico no Dia do Rock ou uma trilha de Tiersen. Ele não pode ser sem graça, sem música, sem cor, mas há que ser simples, como nós somos em essência.

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E se a vida é a gente que pinta, os chefs Laércio Vesterlund e Vicente Lovera escolheram bem o vermelho atijolado que transformou o casarão histórico no centro de Carlos Barbosa no Cotidiano Café e Cozinha. Uma graça de lugar, um belo balcão de confeitaria, o café tirado na hora e aquela luz natural que invade o salão.

DSC_0130O Cotidiano é multifacetado em sua proposta ao cliente. Abre cedinho, com um café da manhã estilo taberna europeia – torradas, frutas e café a R$ 7,50. Mais tarde, um almoço executivo caprichoso com opções de R$ 17,00 a R$ 22,00. À noite, só em jantares esporádicos e eventos especiais, como agora, no período da Festiqueijo.

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Tive a saborosa incumbência de provar o almoço da casa e garanto que é uma deliciosa opção cotidiana. A saladinha fresca está inclusa em todos os pratos, assim como o pão fresco do chef Laércio, um dos melhores chefs padeiros da Serra Gaúcha. São três ou quatro opções de almoço que a casa vai trocando periodicamente, respeitando a oferta de insumos para garantir o preço imbatível.

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Provei duas opções do lugar. O extracotto com purê de batatas: uma porção generosa e embebida por um excelente molho de vinho.

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Melhor ainda: porco com arroz cremoso de nata e queijos. Estava muito bem temperado e muito bem servido.

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Depois de tudo, a sobremesa também está inclusa e, nesse dia, havia creme de bergamota com calda de uva. Fechou exemplarmente o almoço que, para duas pessoas, teria saído por menos de R$ 40,00.

Excelente preço para um excelente almoço. Para esse ou para outros restaurantes ganharem ainda mais sabor, siga a dica de ouro do Culinarismo e leve uma boa companhia com você. Alguém com quem você possa rir ou alguém a quem você deseje muito ter por perto. Comer com gente chata dificulta a apreciação gastronômica, entende?!

Cotidiano Café e Cozinha
Rua Júlio de Castilhos, 100, Carlos Barbosa
Aberto de segunda a sexta, das 7h30min às 19h15min; sábados, das 8h às 22h30min; domingos, das 14h30min às 19h
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Inverno e sopas no Dolce Mattina Café

Inverno é aquela dobradinha de vinho e sopa, que a gente complementa com cobertinha de soft e maratona Netflix. Mas isso não significa que você precise se matar na cozinha. Eu, quando mordida pelo bicho da preguiça, pego uma mesa perto da brinquedoteca no Dolce Mattina Café e resolvo ao mesmo tempo a questão do tédio da Joana e da não-louça-pra-lavar.

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Experiência genuína no Champenoise Bistrô

O Champenoise Bistrô é daquelas novidades gastronômicas que atrai muitos olhares curiosos e, de fato, engrandece o repertório gastronômico local. Desde sua inauguração, em dezembro, é a vedete da rota dos espumantes de Pinto Bandeira – não somente porque extrapola os limites da culinária italiana, nem pela verdadeira obra prima servida à mesa, porque essa é apenas a ponta do iceberg. O que há de mais bonito e importante no bistrô é o que acontece nos bastidores e como os donos do negócio levam a efeito a filosofia slow food do prato à taça.

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ajudante de Culinarismo <3

Não se trata de um negócio, apenas. O pequeno restaurante é a materialização de um sonho sonhado pelo casal Marina Santos e Isarel Dedea Santos. Ela, enóloga com especialização em agroecologia. Ele, um chef de cozinha, pesquisador, experimentador da gastronomia. Suas ligações com o movimento slow food podem ser sentidas em cada prato dos menus degustação e, mais que isso, nas taças de Vinha Unna, que revelam um tesouro da vinificação ancestral. Quando você compreende a complexidade e a beleza do que é servido no bistrô, apaixona-se de pronto.

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Pra entender isso, visitei a propriedade do casal e vi de perto o cultivo orgânico de hortifrúti que serve de inspiração para o chef. Também degustei os delicados vinhos orgânicos e biodinâmicos produzidos por Marina e realmente fiquei perplexa com minha ignorância, até então, sobre a possibilidade de se vinificar uma uva que já é orgânica sem adição de nenhum tipo de levedura ou composto químico. É a natureza fazendo seu trabalho como se dava desde o Egito antigo e é um orgulho saber que tão perto de nós está uma das poucas enólogas brasileiras a resgatar essa técnica.

Tudo isso já credencia o bistrô como um acontecimento inédito e inusitado mesmo antes de se sentar à mesa. É pauta, é notícia, é um modelo de empreendedorismo pouco visto em nossa região. É uma agenda positiva que merece um olhar carinhoso. Mas aí você senta e a mágica se materializa.

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Minha reação foi agradecer aos céus pelo privilégio que começa pelos pães de fermentação natural oferecidos como couvert. O pesto é orgânico, como tudo o que é posto no prato. A manteiga é produzida pelo bistrô. A água é da fonte.

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O projeto de Marina e Israel demorou um bocado pra poder ser visto pelo público. À beira da estrada de Pinto Bandeira, a casa de 1927 que abriga o bistrô estava há muitos anos sem uso e precisou de uma completa reforma. Mas o resultado não poderia ser mais autêntico em sua confortável rusticidade.

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O bistrô abre de quinta a domingo para o almoço, com três opções de menu – ah, o menu (corações apaixonados). A entrada que muita gente vem postando no Instagram é essa aqui: uma flor de abóbora recheada com melão, copa artesanal e queijo pecorino da região. De fato, uma belíssima ideia.

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Eu, que pedi o outro menu, não me arrependi do folhado de pato com molho de espumante rosé e amoras. Detalhes citados na carta, como o “pato criado solto”, encantam e dão ainda mais significado para o que é servido.

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Essa é a entrada de dois dos menus. Depois temos um primeiro prato, um segundo prato e uma sobremesa. Os primeiros pratos, como na Itália, são massas. Um tortellini gratinado de codorna ao molho de ervas, que estava muito bom…

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e um caramelle de açafrão da terra recheado com zuchini defumado. Leve e delicado.

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As carnes, arrebatadoras. Para o menu que tinha a flor de abóbora como entrada, galinha caipira recheada com cebola doce e acompanhada de purê de moranga.

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Para o menu que tinha o folhado como entrada, carré de porco e pêssego grelhado.

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E para encerrar, sobremesas marcantes como esse gelato de espumante com calda de pitanga. Superverão!

 

A experiência tem preço justo. Os menus degustação tem preço que varia de R$ 65, R$ 75 e R$ 85. Na carta, além da Vinha Unna, figuram rótulos de outras vinícolas da região selecionadas pela enóloga.

 Champenoise Bistrô

Linha Amadeu, Pinto Bandeira

Aberto de quinta a domingo, para o almoço

Reservas: 54 9175-2732

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#barcelona : sujando as mãos em La Paradeta

*Esse post tem o apoio de La Taberna

Barcelona tem uma atmosfera excitante e sua gastronomia é também visceral, feita pra sujar os dedos e deixar uma satisfação quase culposa. Como a multidão multirracial que colore as ruas num vaivém incessante, a comida se colore com influências variadas.

Uma frutífera colore o centro de Barcelona. Como não amar?
Uma frutífera colore o centro de Barcelona. Como não amar?

Aqui, as raízes mediterrâneas e a comida camponesa compõem um repertório impossível de se desvendar em tão pouco tempo. Antes de embarcar nessa trip, me debrucei em meses de pesquisa para evitar os chamados “restaurantes turístico”, que servem comida barata e sem nenhuma ligação genuína com a cultura local.

Sagrada Família: meio clichê, mas realmente impressionante
Sagrada Família: meio clichê, mas realmente impressionante

Minhas pesquisas apontaram para clássicos da gastronomia catalã: tapas, jamón e frutos do mar. Numa ruela bucólica próximo da Sagrada Família, a deslumbrante igreja iniciada por Gaudi e ainda em obras, está o La Paradeta.

DSC_7844Esqueça o paradigma brasileiro de lagostas e finesse. Aqui, o serviço é muito simples e direto. Não há sequer cardápio.

DSC_7846Uma bancada com peixes e frutos do mar mostra ao cliente o menu do dia, como numa feira livre. Você escolhe o que deseja e o modo de preparo (frito, no vapor ou “a la plancha”), a atendente pesa e leva para a cozinha. Em minutos alguém grita o número do pedido e, basicamente, esse é o processo. Não tem frescura e o lugar é bem normalzão mesmo. A cerveja pequena custa 1,80 (euros, claro).

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Com todo o conhecimento que uma moradora da Serra Gaúcha pode ter sobre frutos do mar, olhei pra tudo aquilo e fiquei bem incerta do que pedir. Escolhi alguns clássicos, tipo atum e camarão, e outras coisas fui na surpresa mesmo. Quando a este primeiro prato, estava muitíssimo fresco e bem temperado, mas veio inteiro e deu certo trabalho pra comer.

DSC_7850Fora isso, pedimos caranguejo, que causou mais um pouco de bagunça na mesa…

DSC_7852…molusquinho no molho vermelho. Também de comer com a mão.

DSC_7858E, pra arrebatar (porque a coisa estava muito saudável), uma porção de sépia a milanesa…

Praticamente não usamos os talheres, mas deu pra entender porque os guardanapos daqui têm praticamente cinco camadas. Usa-se muito. Foi uma experiência bem genuína, que nos custou 40 euros, com bebida.

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Minha passagem por Barcelona foi pouco para tanta fascinação, mas encerra com um balanço de 10 restaurantes em dois dias. Pulamos de tapa em tapa, de doce em doce e ainda conseguimos bebericar um bom vinho branco orgânico no jantar. Circulei por alguns pontos turísticos consagrados e algumas ruas discretas do labirinto entre as Ramblas e Raval. Vi gente de todo mundo. Meu tempo aqui não foi o bastante, mas suficiente para decretar que um dia voltarei, quem sabe breve.

Mais posts sobre Barcelona em breve 😉

La Paradeta tem seis restaurantes em Barcelona. O da Sagrada Família fica na Passaje Simó, 18.

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Vem primavera, com hambúrguer na mala!

Começou a primavera e, esplendidamente, o sol deu as caras neste último domingo, depois de tantos dias nebulosos. Foi rápido e o suficiente pra chamar gente bonita e animada para o gramado do Museu Municipal de Garibaldi.

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O Festival de Primavera é apenas uma das atrações ao ar livre que a cidade está promovendo ao longo do ano, valorizando os espaços públicos e reunindo boa música, comidas de rua e uma boa dose de espumantes locais.

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O festival foi tudo de bom e aproveitei pra finalmente conhecer os queridinhos sócios do Hambúrguer na Mala, projeto itinerante que uniu um trio da Administração, Contábeis e Gastronomia. O nome sintetiza a própria ideia do negócio, que é levar hambúrgueres aonde houver pessoas famintas.  😉

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O diferente aqui, em primeiro ponto, são as verduras – todas orgânicas e fresquinhas, direto da H2Orta Hidroponia. O cardápio é simples, mas para todos os gostos. Tem salada mix, wrap vegetariano e algumas coisinhas mais “substanciosas”, por assim dizer.

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A salada, servida com molho de mostarda e mel, abriu bem os trabalhos.

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O wrap vegetariano traz a mesma combinação de folhas e tomate seco, com uma pitada a mais de cream cheese.

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Sou muito cética em se tratando de sanduíches de atum. Em geral, eles são oleosos ou molhados – e bastante sem gracinha. Mas esse veio quentinho e com molho agridoce de pepino, num pãozinho ciabatta especial.

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Fiquei em severa dúvida pra elencar meu preferido, mas creio que ficou entre esse, de frango, e o próximo. Notou que eu “tive” que comer todos, né? Curti a escolha do pão cervejinha e o toque de bacon, claro. Esse ainda trazia molho de mostarda e as folhas, que, crocantes, criaram uma textura legal pro burguer.

 

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Você já percebeu como a ordem das coisas no sanduíche faz toda a diferença? Nesse burguer de carne, por exemplo, o molho barbecue vai na base do pãozinho, umedecendo-o sem encostar na alface, porque geralmente é isso que faz o troço todo ficar pingando na nossa mão. Aliás, isso me leva a outra reflexão: por que tanta gente fala “O” alface?

Tem Hambúrguer na Mala nas sextas do Café Di Barba (Carlos Barbosa), em algumas festas do Cultive (Garibaldi) e por aí, em algum lugar novo a cada semana. Quem sabe no seu próximo aniversário?

Hambúrguer na Mala

(54) 9656-4892 Amanda

E-mail: hamburguernamala@gmail.com

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Soprando Velas com Sapore & Piacere

A casa charmosa, de arquitetura colonial e fachada discreta, no coração da Cidade Alta, esconde um tesouro da gastronomia em Bento Gonçalves. Em ritmo de comemoração, o Sapore & Piacere completa oito anos de deliciosas experiências e, junto disso, a anfitriã Márcia Dalla Chiesa comemora seus 25 anos de carreira. Como a ocasião exige, a festa foi em grande estilo: um jantar como raramente se vê por aqui, com ingredientes locais selecionados e orgânicos e criações assinadas em parceria com o baita chef Vico Crocco, que viveu 12 anos na Europa e trouxe para Porto Alegre a inusitada proposta de sua Cozinha Contêiner.

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Já conhecia o restaurante de alguns impecáveis almoços. A casa encanta pela simplicidade estética, que valoriza ainda cada detalhe próprio imóvel. O serviço funciona assim: uma mesa de antepastos frescos e coloridos pra abrir o apetite e um prato do dia servido na mesa. É sempre uma surpresa comer no Sapore & Piacere…o menu é divulgado sempre pelo Facebook lá pelas dez da manhã, não antes disso. De qualquer forma, nunca decepciona.

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Voltando à ocasião do jantar de aniversário, a dupla conseguiu criar um cardápio único e integrado, apesar das particularidades impressas nos pratos de cada um. O primeiro charme da noite foi o menu, não apenas escrito a mão, mas com todos os pratos ilustrados.

 

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A noite estava fria e o creme de cogumelos caiu como luva pra esquentar o coração. Fico pensando em repetir esse tipo de receitinha em casa, mas parece que nunca vai dar certo.

 

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Quando chegou essa salada, fiquei com pena de estragar. Além das folhas e dos minibrotos do Sitio Gourmet, o prato traz copa serrana, vitelo, um pequeno molho de cogumelos, grão-de-bico e ervilhas. Estava absurdamente fresco. Além de encher os olhos, tinha sabores perfeitamente combinados e o melhor de tudo: era apenas a entrada.

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Muito estava por vir, como a truta poché com acelga mini e batata doce tostada. Sem dúvida, uma combinação elegante, delicada e inesperada. Adoro esses sabores tostados, como fizeram com a batata e, no prato seguinte, com o brócolis.

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Duas versões totalmente opostas de pato foram servidas no jantar. O primeiro, defumado, guarnecido com demi glacê e o brócolis tostadinho, contrastando com um vinagrete de cren e o frescor dos brotos e flores.

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O segundo, confit, lentamente cozido e servido com demi de laranja, farofa, purê de raízes e acelga amarela. Uma apresentação mais encorpada pra anteceder a sobremesa que arrebatou meu coraçãozinho.

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O financier de amêndoas com frutas secas chegou quentinho sobre uma cama de baba de moça e enfeitado com creme de mascarpone. Delicados pingos de ganache de chocolate e um delicado figo fecharam a afinadíssima sinfonia dessa noite. Mencionei que todo o serviço foi harmonizado com vinhos e espumantes Dalpizzol?

Os oito anos do Sapore & Piacere foram muitos bem celebrados. Como lembrança deste dia, levei pra casa o cardápio desenhado pelos chefs, que vai ficar pra posteridade na minha caixinha de tesouros.

 

Sapore & Piacere Caffe, Cucina e Altri

Rua Dr. Casagrande, 500, Bento Gonçalves

Contato: 54 | 3055-4586

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Quebrando tabus no Jamie’s Italian

Pelo menos quatro paulistas me alertaram que ir ao restaurante do Jamie Oliver em São Paulo era furada. O lugar foi sentenciado: fila infinita e comida simplória. Eu, como prefiro pagar pra ver, foquei na curiosidade e fui. Ainda que as possibilidades de encontrar o próprio Jamie fossem zero, eu queria muito experimentar o legado desse chef inglês especializado em comida italiana que já fez campanha mundial contra o McDonald’s. Li alguns de seus livros e assisti muitos episódios dos seus programas de tevê. Sei que comida rebuscada não é a promessa nem a entrega do chef. Então, já imaginei que o restaurante não se prestaria a requintes.

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De fato, existia uma fila. De fato, era longa…mas nada perto de infinita. Quando ligamos para reservar, a hostess avisou que a espera aproximada para duas pessoas seria de 45 minutos. E foi exatamente o que esperamos: 30 minutos do lado de fora e mais 15 dentro do restaurante, onde já pudemos aperitivar. Não é algo que incomode quando há tempo e disposição. Enquanto esperava, pude observar muita gente perguntando com que frequência o Jamie Oliver aparece por ali e por que ele chamou brigadeiro de porcaria em uma de suas passagens pelo Brasil.

DSC_5918Já dentro do lugar, a primeira impressão é de um salão extremamente barulhento, onde se arrastam as cadeiras e se fala demasiado alto. Mas eu estava de bom humor e a comida chega rápido. Apesar do aparente caos, existem garçons em número suficiente e o atendimento é bastante preciso. Ademais, as pessoas parecem trabalhar felizes, o que contribui, e muito, para uma avaliação positiva do serviço.

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O Jamie’s Italian preserva a tradição do confort food e estimula o uso de ingredientes frescos e da estação. Por isso, as sugestões do dia ficam bem visíveis em um quadro negro na entrada do salão principal, onde tive a sorte de sentar e apreciar ao vivo o preparo das entradas e sobremesas na cozinha aberta.

DSC_5933Além dos pratos do dia, o restaurante oferece um bom menu de entradas, pastas e carnes – todos com preço justo, diga-se de passagem. O mais importante é que as coisas parecem frescas. Mesmo antes de comer qualquer coisa, pude espiar nos pratos alheios muita cor, aroma e belas composições. Bem servido, mas sem requinte.

DSC_5936Para entrada, não pude conter minha curiosidade sobre “as melhores azeitonas do mundo”: porção a R$ 25,00. O garçom revelou os segredos desse antepasto. São azeitonas italianas orgânicas, tiradas do pé diretamente para a salmoura e servidas com pasta de azeitona preta com tomate seco e pão “carta di musica” (uma massa finíssima e crocante produzida na Sardenha e que, em tempos remotos, era usada para escrever partituras quando aos músicos faltava papel). O sabor era realmente muito bom, mas foi a história que me conquistou.

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As massas da casa têm duas opções de porção e, respectivamente, duas opções de preço. A porção pequena desse linguini aos camarões, por exemplo, custava R$ 42,00. Um prato mais generoso sai por R$ 64,00. É suave e fresco. A massa, feita no dia. O garçom indica misturar bem para incorporar massa e molho antes de comer.

DSC_5943 A berinjela a parmegiana com mozzarela  di bufala servida com pão de alho custou tão somente R$ 39,00 e estava realmente muito bom. Realmente. Mesmo. Uma coisa tão simples e tão boa.

 DSC_5958Embora os pratos principais do Jamie’s Italian sejam realmente muito bons, como frisado acima, é consenso que a prata da casa se come após o jantar. As sobremesas são de uma autenticidade e sabor dignos de repeteco. Acima, uma taça de abacaxi e romã macerados em suco de limão, pimenta dedo de moça e hortelã. Servido com frozen yogurt. Pra enfeitar, um crisp de sei-lá-o-quê. Custou R$ 16,00.

DSC_5961E, pra passar a régua, cheesecake de limão siciliano com mascarpone aveludado e cobertura de merengue italiano. Servido com lemon curd e calda de amoras. Beijinho no ombro: R$ 19,00.

O balanço final dessa experiência foi acima da média. A entrega foi legal e a conta não foi cara, em se tratando de padrões paulistas e uma assinatura internacional. Quando o assunto é restaurante, é sempre bom pagar pra ver. Se eu tivesse seguido as indicações naquele dia, jamais teria pisado do Jamie’s Italian – algo que eu poderia fazer de novo sem pestanejar.

Jamie’s Italian São Paulo

Av. Horácio Lafer, 61, Moema, São Paulo

Reservas: (11) 2365-1309

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Dona Carolina, delícia de experiência

Tenho tido ótimas experiências com pera. Essa, em especial, tinha uma surpresa oculta….vou contar o que veio antes dela…

Comida autêntica, preço justo e atendimento impecável foram as impressões de minha primeira visita ao Dona Carolina, restaurante estrategicamente localizado na fronteira entre Bento Gonçalves e Garibaldi, dentro do conhecido Castello Benvenutti – que abriga, ainda, loja de móveis, uma pousada e uma filial da consagrada Casa Di Paolo. Por algum motivo que não sei bem especificar, demorei até o último fim de semana para conhecer essa simpática e bem servida opção gastronômica. Demorou, mas valeu a pena. Indico e voltarei. DSC_5587 A melhor maneira de testar o atendimento de um restaurante é chegar sem avisar. Faça isso acompanhado de uma criança faminta e impaciente. Se a equipe não estiver preparada, será um desastre iminente. Não por mal, mas por falta de planejamento, cheguei sem reserva e acabei esperando algo em torno de 30 minutos, mas pude fazê-lo desfrutando de um bom espumante e sentadinha em confortáveis cadeiras no pátio central do castelo, de onde fiquei observando as pessoas lá dentro. Todas pareciam satisfeitas e contentes.

DSC_5612A decoração ao estilo cantina te coloca no clima de um jantar quente, aconchegante e em porções generosas: bem ao estilo italiano. O diferencial da casa está expresso logo na primeira página do cardápio: o Dona Carolina utiliza métodos de cozimento baseados no menor uso possível de gordura! Não existem alimentos fritos no cardápio e essa é uma preocupação que, na nossa região e em restaurantes abertos ao público, é incomum. Gostei.

DSC_5593Indecisa e com fome, não dispensei os cogumelos recheados como entrada, que estavam saborosos. Penso em repetir a receita em casa. Indaguei o garçom e pareceu simples. São recheados com os próprios cogumelos, requeijão e ervas. No restaurante, custaram R$ 13,50. Precinho camarada.

DSC_5599Falando em camarada, não posso deixar de mencionar que, apesar do excelente atendimento, o Dona Carolina não cobra taxa de serviço. E isso está claramente expresso em todas as páginas do cardápio. Recentemente, tomei uma medida que considero justa e cabível: não pagarei mais percentual de serviço se o valor não for integralmente repassado aos garçons. Parece um impropério a casa reter estas gorjetas considerando que os custos da operação já estão embutidos na comida e bebida. Gostei da postura do Dona Carolina. Se não é pra repassar ao staff, que não se cobre. DSC_5600DSC_5608Chamei o garçom mais uma vez, intrigada com o modo de preparo do prato da casa. Considerando que o Dona Carolina não utiliza fritura em seus preparos, como então eles servem bife a milanesa? O garçom perguntou à cozinha e a cozinha garantiu que os filés são assados. Mais um ponto extra! Esse prato era para uma pessoa, mas vem muitíssimo bem servido. Pedindo-se uma entrada ou uma salada, serve um casal tranquilamente. A porção individual custa R$ 59,90; para dois, R$ 89,90.

DSC_5606Como havia pedido uma porção individual, decidimos também pedir uma costelinha ao molho agridoce da qual já ouvi muito falar. A porção para uma pessoa custou R$ 39,90 e o prato fez jus à fama. Sem contar o preço, mais uma vez justo.

DSC_5623A ideia não era pedir sobremesa alguma. Já estávamos bem servidos e, na verdade, pedimos pra embalar uma parte do porquinho. Mas as sobremesas começaram a chegar para outras mesas e eu confesso que tenho o péssimo hábito de ficar observando o que as pessoas pedem e qual sua reação ao comer. Assim sendo, nos rendemos ao excesso e pedimos um mousse de chocolate com cachaça, acompanhado de farofa de paçoca e licor. R$ 14,90. Que gracinha, né?

DSC_5629Mas, com todo respeito às opiniões divergentes, o melhor mesmo está aqui…pelos mesmos R$ 14,90, comi essa estonteante pera na calda de frutas vermelhas. A surpresa está dentro da fruta: um delicioso sorvete de mel.

Saí feliz e contente, pronta pra mais uma dessas batalhas que a gente enfrenta todo dia. É por momentos assim – de pequenos, mas incomparáveis prazeres – que tudo vale a pena.

 Dona Carolina

Endereço: RSC 470, Km 221,61, Garibaldi

Telefone: (54) 3388.3355

Aberto para o jantar, das 19h30min às 23h

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