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Café com Arte, agora ainda mais bistrô

O Café com Arte deu uma ligeira repaginada no visual e uma grande repaginada no seu cardápio para o inverno, incrementando a carta com refeições mais encorpadas e valorizando ingredientes mais frescos.

DSC_5500Pra quem ainda não conhece o bistrô, cabe situar. A casa está aberta ao público há, pelo menos dois anos: primeiro como café, agora como bistrô. Mantém-se no negócio a proposta que o nome sugere, de explorar diferentes tipos de manifestações artísticas. Já acomodou brechó, escola de música, galeria de arte e, nessa fase mais invernal, cedeu as paredes de um dos cômodos para o desenho à mão livre. DSC_5496DSC_5520

 

Pois o que me trouxe ao Café com Arte, além da preguiça de preparar o jantar, foram os boatos sobre uma tal pêra ao açafrão. Naturalmente, precisei dar uma boa conferida no cardápio até chegar à sobremesa – que definitivamente não foi sacrifício algum.

DSC_5499A caponata quentinha com pão da casa torrado é um agrado para os clientes.

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Para entrada, uma salada de folhas verdes com gorgonzola e figo que harmonizou perfeitamente com a pilsen marcante da Birah…

DSC_5506…que vem com um delicado formulário de avaliação pra quem se sentir apto.

DSC_5509 Tem pratos principais para todos os gostos. Por R$ 30,00, sai esse belo prato de conchillione de ricota com espinafre ao molho de alho poro e gorgonzola. Um prato encorpado para a estação. DSC_5510Outra boa pedida, tão boa que tentei reproduzir em casa no dia seguinte, é o filé mushrooms, guarnecido com cogumelos shitake, shimeji e paris, além de um tradicional arrozinho. Uma refeição completa com ingredientes frescos por R$ 44,00.

DSC_5515Depois de tudo isso, finalmente pude desfrutar da pêra cozida na calda de açafrão com especiarias e servida com sorvete de creme (R$ 18,00). Essa novidade do cardápio superou totalmente minhas expectativas….eles têm um pequeno fondue também, mas eu recomendo a pêra – sem dúvidas.

_MG_0254O jazz rolando fez toda a diferença nesse jantar. É como se eu estivesse em uma cena de Homeland, com menos terroristas e medicamentos controlados 😉

Ah, e tive a sorte de saborear a sobremesa enquanto o desenhista completava a cena de Paris que mostrei na segunda foto. Uma atração a mais!

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Café com Arte Bistrô

Rua Marques de Souza, 354, Bento Gonçalves

Telefone: (54) 2621 5302

Aberto de terça a sexta das 19h às 23h. Aos sábados das 11h às 14h30min e das 19h às 23h.

www.cafecomarte.co

Na ExpoBento, uma experiência magna e magnífica

A parceria da revista Prazeres da Mesa com a ExpoBento elevou o nível da feira a patamares nunca antes atingidos. Pra quem não sabe do que estou falando, a revista é uma das publicações de gastronomia mais influentes do país e promove um evento chamado Mesa ao Vivo, em que renomados chefs de cozinha preparam, diante do público, receitas de sua autoria que depois vão para a revista em formato de matéria.

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Pela primeira vez em sua história, o evento foi realizado fora de uma capital, num palco montado na área central da ExpoBento – que honra, hein. Tive a honra de acompanhar a maioria das aulas e posso dizer que foi um verdadeiro desfile de técnicas, ingredientes e figuras importantes. Alguns dos mais renomados chefs da região e do país cozinharam ao vivo na ExpoBento. Anotei muitas receitas e, embora eu me destaque mais em comer do que preparar, já grifei duas ou três receitas pra tentar reproduzir em casa.

Além das aulas durante a ExpoBento, o evento teve dois incríveis jantares magnos em que cinco chefs dividiram o serviço, assinando um prato cada um. Minha experiência no jantar magno do Canta Maria não poderia ter sido mais completa. Vinhos da região, gastronomia criativa e boa companhia. De minha parte, um serviço irrepreensível e inesquecível, que eu simplesmente não poderia deixar de compartilhar. Infelizmente, não tem como encontrar esse cardápio em nenhum restaurante da face da Terra, mas não tem nada aí impossível de fazer. Dá pra se arriscar em casa – com tempo, paciência e bons ingredientes, claro.

Prato 1: Pien com pistaches

Chef: Idana Spassini

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A entrada fria da noite ficou sob responsabilidade da personal chef Idana Spassini, uma figura superconhecida em Bento Gonçalves, premiada como melhor chef da cidade em 2014 no ranking Divina Cozinha Top. Não precisa olhar com desconfiança: esse pien é feito apenas com coxa e sobrecoxa de frango e envolto em uma camada generosa de pistache torrado e picado. Acompanha miniradicci, bacon confit e creme de noz moscada. Fiquei surpresa pela delicadeza dos sabores, mas já suspeitava que a combinação seria perfeita. Afinal, trata-se de uma releitura inovadora para um prato de subsistência da imigração italiana que todo mundo por aqui conhece bem.

 

 Prato 2: Porcini da Serra com paçoca de pinhão

Chef: Adriano Farina

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Essa sopinha delicadamente confeitada com queijo grana padano e paçoca de pinhão sapecado poderia render uma noite de inverno agradabilíssima em frente à lareira e com uma boa taça de vinho. Basta desvendar a receita ou torcer pra que ela apareça na próxima edição da Prazeres da Mesa. Estava incrível.

 

Prato 3: Cuscuz de couve flor com ravióli negro

Chef: Yann Corderon

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Tive o imenso prazer de assistir a aula do chef francês durante a ExpoBento e ainda mais sorte por ele ter preparado o mesmo cuscuz durante a aula. Então, aprendi a fazer. É simples, nutritivo e, ao mesmo tempo, saudável. Leva muito alho e queijo grana padano, então também tem um sabor bem marcante. E serve para acompanhar qualquer coisa. Na aula, por exemplo, a guarnição era uma bela posta de peixe. Aqui, a grande estrela era um ravióli de tinta de lula recheado com frutos do mar perfeitamente ao ponto.  Pra mim, o melhor da noite.

 

Prato 4: Barriga de porco com legumes caramelados

Chef: Gabriel Lourenço

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Fiquei surpresa ao descobrir como o cozimento em baixa temperatura e longo período de tempo é capaz de realçar o sabor de qualquer corte de carne, por menos nobre que seja. Aprendi isso na aula do chef Gabriel Lourenço, que é um dos caras da Escola de Gastronomia Sal a Gosto (Caxias). É o caso dessa barriga de porco que foi assada por três horas e meia antes de chegar ao prato acompanhada de maravilhosos legumes caramelados. A carne estava macia, desfiando…nem precisei sujar a faca.

 

Prato 5: Sopa de frutas vermelhas

Cheff: Emmanuel Bassoleil

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DSC_5383Essa sobremesa é bem diferente, viu. Entretanto, tem preparo descomplicado e leva poucos ingredientes, como todo o repertório do cheff francês. No dia seguinte, na sua aula na ExpoBento, ele revelou que gosta de cozinhar a olho e sem complicação. É tão simples que vou até explicar rapidamente como faz: frutas vermelhas (morango, amora, framboesa, mirtilo) no liquidificador; vinho tinto a gosto; um pouco de açúcar para cortar a acidez do vinho, já que a sopa não vai ao fogo e, no final, um fio de licor de cassis. Pronto. Aqui, foi servido com queijo cremoso e uma pitada de flor de sal, mas o chef autorizou a servir com sorvete de creme, caso queira 😀

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A coisa toda foi muito impactante por conta dos chefs convidados e tal. Mas é um engano pensar que uma refeição é inacessível e requintada. Na verdade, esses pratos tinham, em sua maioria, ingredientes bem conhecidos e disponíveis localmente. O que aprendi de principal nessas aulas do Mesa ao Vivo é que comida não precisa ter muita frescura, mas precisa ser fresca. Basta respeitar o processo de preparo e colocar amor. Depois dessa, até me empolguei pra tirar as panelas do armário!

Cantina Pastasciutta: massa não é tudo igual!

Aquela desculpa esfarrapada a que eu sempre recorro pra justificar meus excessos: o inverno vem aí, o corpo precisa de mais calorias…além do mais, um casaquinho escuro oculta qualquer quilinho indesejado. Com a desculpa na ponta da língua, eu decreto: está aberta a temporada de gulodices e a dica de hoje vem de Gramado. O bom de morar tão perto é que dá pra fazer um bate e volta se o orçamento não bastar para as diárias, que quase dobram nessa época. A propósito, uma dica valiosa: o Airbnb já está bombando em Gramado, viu?! O preço dos apartamentos para fim de semana é bem mais camarada, apesar de os proprietários também fazerem diferenciação entre alta e baixa temporada.

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Em se tratando de comer bem, meu top 5 em Gramado é variado – vai de um temaki baratinho a um menu degustação para momentos especiais. A maioria dos bons restaurantes está no circuito avenida das Hortênsias/Borges de Medeiros, ou arredores, no máximo. Para massas, por exemplo, eis a minha indicação suprema: Cantina Pastasciutta. Não tem erro. Quer comer bem, sem frescura, mas não abre mão de ingredientes frescos? Confia e vai!

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A casa está beirando seus 35 anos, mas nem de longe perdeu o fôlego. O ambiente é de uma típica cantina, misturando as cores da bandeira italiana e muitas sacadinhas decorativas, como os escorredores de massa que fazem as vezes de lustre.

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Logo na chegada, você recebe um desses, o que é muito útil para um turista não familiarizado com a gastronomia italiana. Apesar de haver carnes e peixes no cardápio, as estrelas da casa são, de fato, as massas. Fartas, frescas, lindamente preparadas ali mesmo.

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DSC_4496A mesa de antepastos, por peso, traz uma linda variedade de queijos, cogumelos e carpaccios. Sem arrependimentos, troquei a sobremesa por essa entrada, que deu algo em torno de R$ 13.

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A porção serve tranquilamente duas pessoas e ainda sobra um pouquinho pra depois (nem preciso pontuar que pedir pra embalar é supernatural, né? Deselegante é deixar comida ir ao lixo). Essa belíssima porção de massa À Zíngara consiste em sugo, frango, presunto, linguiça da casa e nata (R$ 84,90).

Parece simples, mas tentei reproduzir dias depois e não ficou sequer parecido. Jamais ficaria, a começar pela massa fresca e terminando pela panela de ferro fumegante, sem esquecer de mencionar que o queijo ralado é um grana ralado no dia.

Essa lembrança abriu meu apetite. É impressionante: nunca canso desse esporte que é comer!

 Cantina Pastasciutta

Avenida Borges de Medeiros, 2083, Gramado

Contato: (54) 3286-2131

Site: acesse aqui!

 

 

RER Divino, um pequeno notável!

A coisa andou punk nas últimas semanas e acabei cheia de postagens deliciosas na gaveta, mas sem conseguir tempo pra organizar todo o material. Estava ansiosa pra sentar com calma e contar pra vocês a estupenda experiência que tive no RER DiVino, esse pequeno notável que torna ainda mais charmoso o centro histórico de Garibaldi. O lugar já existe há três anos e vale a visita sempre que a ocasião pedir um bom vinho ou espumante perfeitamente harmonizado.

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Pra começo de conversa, o RER DiVino é um empório e champanharia – o que, trocando em miúdos, significa que você pode ir apenas comprar vinhos ou espumantes ou desfrutar de um almoço ou jantar harmonizado. A casa serve petiscos e pratos individuais de terça a sábado e uma sequência especial de massas, risoto e carnes no almoço de domingo. Tudo isso em um espaço superprivado que comporta não mais que oito mesas.

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A primeira dica aqui é: se quiser uma mesa na adega superintimista, reserve com antecedência ou correrá o risco de perder essa experiência charmosa que acontece entre mais de 200 rótulos nacionais e importados. A ideia aqui é desfrutar de uma estada agradável, sem pressa e sem o frenesi dos restaurantes badalados. À meia luz, a adega convida a um brinde especial com alguém especial – ou alguéns. Não existe carta de vinhos: o cliente escolhe na própria adega.

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A champanharia, por outro lado, é o ambiente de maior circulação da casa, perfeito pra um tira-gosto no fim da tarde ou um jantar menos cerimonioso.

 

IMG_1540No RER Divino, você não precisa beber além da conta ou limitar a harmonização dos seus pratos. Se a pedida da noite for um bom espumante, saiba que a casa trabalha apenas com vinícolas nacionais e oferece diariamente algumas opções vendidas em taça. Isso porque, ao contrário do vinho, espumante não convém sobrar para o dia seguinte.

Feitas as honras da casa, vamos ao que interessa. Tive a oportunidade de fazer uma degustação dinâmica com todas as principais vertentes do cardápio e, com propriedade, vos digo: árdua é a tarefa da escolha. O cardápio é descomplicado, trivial, mas feito com bons ingredientes e bem empratado.

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No almoço, o cliente monta o prato escolhendo uma opção de carne, massa ou risoto. A salada e a sobremesa acompanham. Se estiver indeciso, vá nessa sugestão: salmão com risoto de gruyère e raspas de limão. para finalizar, sorvete de creme com calda de morango da casa. O preço aqui varia de R$ 16 a R$ 39, de acordo com os elementos escolhidos.

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O happy hour fica muito mais happy com essa salsicha Frankfurt com mostarda amarela. Custa algo em torno de R$ 20. Não mencionei antes, mas o RER Divino também tem uma carta de cervejas especiais.

 

 

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No jantar, você pode escolher uma opção do cardápio, como esse salmão na crosta com arroz crocante ou…

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…aproveitar a sugestão da semana, que nesse dia incluía o entrecot ao funghi.

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O jantar vale a pena, certamente, mas minha surpresa mais grata nessa visita foi o brownie  com ganache de chocolate e sorvete de creme. Logo eu, que nem sou muito fã de sobremesa. Sem sombra de dúvida, foi o melhor brownie de toda a minha existência. Nada de bolo pronto, nada de bolo de caneca…tudo feito na própria cozinha – o brownie, a calda, o ganache. Mal posso esperar pra reviver esse momento.

 

RER Divino

Rua Dante Grossi, 379, Centro, Garibaldi

Reservas: (54) 3462-2913

http://www.rerdivino.com.br/

Facebook: acesse aqui!

Almoço executivo de terça a sábado, das 11h30min às 14h30min

Aos domingos, almoço família

Happy Hour de terça a sábado

Jantar de terça a sábado

Vindima 2015 (Parte 3 de 3): Wine Garden, tudo de especial

A Vindima 2015 foi deliciante, como diria Jorge Bem Jor. Mas o verão se vai e junto dele, a colheita se encerra, dando lugar ao lento e místico processo que transforma a uva em vinho. Não sei você, mas eu não posso reclamar: vivi, provei e curti grande parte das atrações e posso afirmar com orgulho que sou uma turista da minha própria cidade!

Pra quem perdeu o bonde, o próximo fim de semana (14 e 15 de março) é a última oportunidade pra aproveitar a programação dessa festa que simboliza a união do colono e do viticultor. Depois, é bom tirar o mofo dos casaquetos que vem aí o inverno. Contudo, porém, todavia…nem todas as novidades que chegaram com a vindima estão indo embora com ela! Algumas maravilhas que Bento Gonçalves oferece poderão ser desfrutadas o ano todo.

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O Miolo Wine Garden é o meu novo “lugar preferido” pra um domingo de sol em Bento Gonçalves. Três motivos que vão te convencer rapidinho: entrada free, vinhos e espumantes pra todo tipo de bolso e um blaster espaço pra curtir a dois, com a criançada serelepe ou com os amigos.

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O wine bar aproveita toda a estrutura da Miolo, com bons banheiros, varejo, um enorme parque com lagos e um espetacular gramado pra se atirar com a família.

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Pra bem receber a criançada, um monte de lápis e desenhos pra pintar. Mas, com tanto verde, eles nem teriam tempo pra ficar entediados.

 

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O projeto estreou há menos de um mês e já está superfrequentado. O tempo ajuda, claro, mas a ideia de bebericar um bom vinho lagarteando ao sol do inverno também é bem atraente.

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O cardápio do wine bar é democrático. A carta de vinhos vai praticamente do 8 ao 80 – taças de espumante a R$ 8,00 e o nobre tinto Lote 43 a R$ 105,00 a garrafa. Suco e água para o motorista da rodada 🙂

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As opções pra comer também tem preço e sabor convidativo. O cardápio da casa estreou com algumas opções de sanduíche, uma quiche da estação, tábua de frios, bruschettas e salada de frutas. Aliás, nem tinha reparado na salada de frutas porque troco quase tudo por uma quiche… mas analisando agora, tem opções pra todos os gostos e fomes. E soube, em primeira mão, que vem por aí um cardápio quentinho pra harmonizar com os vinhos da Miolo nesse inverno.

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A vida é feita dessas coisas… dias meia boca e dias em que podemos sentar num gramado desses e dividir uma risada com alguém que nos é importante. Esse post encerra a minha série sobre a Vindima 2015, mas desejo vida longa ao Miolo Wine Garden porque o meu lugar nesse gramado eu já reservei!

Miolo Wine Garden

ERS-444, Km 21, Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves

Aberto aos sábados, domingos e feriados

Aceita cartões

Vindima 2015 (Parte 2 de 3): Mamma Gema, que fartura!

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O Mamma Gema é um restaurante tão clássico no Vale dos Vinhedos que fiquei surpresa ao descobrir, numa pesquisa rápida, que a trattoria ainda nem completou cinco anos. No inverno e no verão, a casa está sempre bem frequentada por sua localização estratégica no coração da maior região produtora de vinhos do país e, naturalmente, porque se trata de um legítimo representante da exuberância gastronomia da Serra Gaúcha. O banquete é para fortes!

DSC_4087Restaurantes típicos, a região tem vários, mas poucos alcançam a excelência do serviço e da entrega que o Mamma Gema tem. É que a comida, quando em farta quantidade, precisa ter alma. O que ocorre muito nesse sistema de rodízio “sem fim” é que a massa acaba sendo insossa, a carne passa do ponto e a gente passa dos limites sem saborear nada realmente autêntico. É por isso que eu recomendo o Mamma Gema sem pestanejar.

pizza vinhosAlém de um espirituoso proprietário que é ex-zagueiro profissional e está sempre por perto para receber o público, o lugar se diferencia também por uma grandiosa adega aberta ao público, onde o cliente pode se divertir escolhendo seu vinho em meio ao armazém de produtos coloniais. Nesse andar térreo do casarão, também funciona à noite o “Pizza entre Vinhos”, outra delícia que o só o Vale dos Vinhedos oferece. Leia mais aqui!

DSC_4057O “serviço completo” do Mamma Gema inclui muita, muitíssima comida. A saladinha em questão, embora deliciosa e tipicamente ornamentada com uvas, é só uma pegadinha perto da extravagância que se apresenta a seguir.

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Começando por um clássico, essa polentinha mole com ragu foi o prato mais marcante pra mim, de completo apelo emocional. Quem teve uma nona na infância, provavelmente vai saborear com carinho essa panelinha.

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Depois, um risoto de alcachofras bem elaborado.

 

 

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Uma tradicional massa carbonara.

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Um frango ao molho de ervas finas delicioso, que foge totalmente ao tradicional galeto servido em outros restaurantes.

DSC_4068O melhor da casa: tortelloni à bolonhesa, com pasta de salame e iscas de filé. Esse prato eu precisei repetir e ainda teria pedido pra levar uma quentinha, se cara de pau fosse o meu forte.

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Um filé básico e uma massa ao pesto, porque os rodízios italianos da Serra gaúcha nuuuuunca terminam.

 

DSC_4075E como realmente não terminam, ainda veio um ravióli maravilhoso com molho de gorgonzola e nozes…

DSC_4078…e um tradicional tortéi à moda da casa, com molho de tomate seco e castanhas torradas.

Esse banquete é para fortes, como eu disse antes, mas acho que todo mundo merece seus dias de insanidade gastronômica. Me perdoem os nutricionistas, mas prefiro pensar que um excesso de vez em quando faz parte do que eles chamam de “dieta balanceada”. 😉

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Ah, claro, um bom restaurante italiano tem vinho até na sobremesa. O Mamma Gema acertadamente escapa do tradicional sagu com creme pra servir essa releitura do clássico: um sorvete artesanal de creme com calda de vinho. Tudo isso que foi apresentado custa em torno de R$ 60,00 sem bebida.

Mamma Gema Trattoria

Estrada RS 444, Km 18,9, Vale dos Vinhedos, Bento Gonçalves (RS)

Reservas: (54) 3459-1392

Site: clique aqui!

Vindima 2015 (parte 1 de 3): passeio inebriante no Parque Dal Pizzol

Os encantos da Vindima estão por toda a parte. A história, os aromas, os cachos verdes, rosas e violáceos pendendo nos vinhedos e as taças cheias tilintando em um brinde pela fartura. É um tremendo desperdício que tantos turistas venham a Bento Gonçalves especialmente para contemplar esse espetáculo do homem e da natureza, enquanto muitos que vivem aqui jamais tenham experimentado pisar a uva e estender uma toalha à sombra dos parreirais, perdendo um mundo de sensações que se apresenta ao nosso redor.

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Bento Gonçalves tem cinco roteiros turísticos que se pode percorrer praticamente de graça. A saber, nem só do Vale dos Vinhedos vive o turismo local: temos os Caminhos de Pedra, o Vale do Rio das Antas, A Rota das Cantinas Históricas e os Encantos da Eulália. Na última semana, tive o prazer de integrar um grupo de 17 jornalistas de todo o país convidado a conhecer esses destinos do nosso interior. Foram quatro dias extenuantes, mas de uma autenticidade cultural notável. Separei essa experiência em uma série de três posts e, pra começar, vos apresento aquela que considero uma das vinícolas mais receptivas de Bento Gonçalves: a Dal Pizzol.

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Nesse dia, a programação foi especial e intensa. Uma vez por ano, a vinícola reúne convidados para fazerem a colheita simbólica no Vinhedo do Mundo, a terceira maior coleção privada de uvas, com 390 variedades de 30 países. A mim, coube a responsabilidade de colher um cacho da variedade francesa Fer. Essas e as outras 40 variedades colhidas serão vinificadas sob o comando do enólogo Dirceu Scottá, dando origem à 5ª edição do Vinum Mundi, uma edição limitada que a vinícola não vende a preço algum, apenas presenteia algumas pessoas.

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Foto: Gilmar Gomes

A Dal Pizzol que conheci, na verdade, é um parque temático, pois a produção dos vinhos em si é feita em outra estrutura, logo mais adiante, ainda em Faria Lemos. Nessa área de oito hectares, aberta o ano inteiro, são oferecidos minicursos de degustação e almoços ou jantares para grupos. A degustação de que participei foi às cegas. Embora eu tenha falhado em algumas percepções (achei que o pão fosse biscoito), é sempre interessante a experiência de ver o mundo por meio dos outros sentidos. Em tempo: um casal ou turma pequena de amigos que quiser participar pode ser encaixado em algum grupo já agendado.

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A degustação vale a pena, sobretudo se for coroada com o almoço da Dal Pizzol. O cardápio é simples, mas imbatível, e o pacote com degustação às cegas mais refeição harmonizada sai por R$ 130,00 por pessoa.

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A cantina da Dal Pizzol fica às margens de um lago arborizado, por onde os patos transitam livremente. É o que eu chamaria de “a refeição ideal”: comida de raiz, paisagem inebriante e a bebida que une as pessoas.

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Como de costume, fotos da família ornamentam a cantina, lembrando aos visitantes que essa terra em que pisamos hoje é fruto do sonho de um imigrante.

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Enfim, afora todo o contexto histórico e a beleza natural do lugar, tem a parte da comida, que muito me interessa. Sente o profissionalismo dessa batata assada. Eu até já tentei isso em casa, mas jamais consegui uma casquinha tão crocante.

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Uma dupla de massas clássicas é servida na sequência, mas é bom não se ater muito a isso porque o absolutamente incrível vem a seguir.

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É o lendário xixo da Dal Pizzol. Atenção se você quiser reproduzir a receita em casa. Precisará de uma churrasqueira giratória, azeite de oliva em abundância e muita paciência, porque os espetinhos precisam ficar girando constantemente e sendo regados até ficarem perfeitamente assados e crocantes.

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Um filezinho ao molho de vinho encerra a sequência de salgados…

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…abrindo espaço para o mousse de iogurte natural na calda de vinho, que eu adorei por manter o sabor neutro do iogurte natural e harmonizar perfeitamente com o moscatel da casa. A propósito, todos os pratos foram harmonizados, o que a partir de determinado momento comprometeu minha grafia, levando a uma extrema dificuldade de compreensão dias depois, quando precisei transcrever minhas anotações 😀

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Toda essa experiência foi completa, deliciosa e “embebedante”, mas dá para se encantar com as nuances do parque Dal Pizzol sem gastar um tostão. A visitação é gratuita e você pode estender sua toalha e cesta de piquenique na grama, deixando as crianças (e os adultos, como na imagem) se divertirem nos brinquedos.

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É um gigantesco espaço pra curtir com a família, comprando um bom vinho ou espumante no varejo da vinícola. Eles servem na temperatura ideal!

Esse é um lugar que vale a pena frequentar, sempre respeitando a natureza e o esforço da família para manter o espaço aberto ao público durante todo o ano. A vida é feita de momentos como esse, de trocas e de vivências. A mim, restará a gratidão e a lembrança maravilhosa de ter deixado uma pequena contribuição ao Vinum Mundi safra 2015.

 

Dal Pizzol Adega e Parque Temático

RS 431, Km 5, Distrito de Faria Lemos

Bento Gonçalves (RS)

Contato: (54) 3449.2255

http://www.dalpizzol.com.br/