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Comida flexiteriana: uma descoberta em Barcelona

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Comer melhor, ser mais feliz, viver mais. A descoberta da cozinha flexiteriana no meu mochilão pela Europa é algo que vem me acompanhando desde então – menos como prática e mais como reflexão. Existe uma cozinha muito mais saudável e igualmente extasiante que privilegia os produtos de origem vegetal, mas não é tão taxativo como o vegetarianismo absoluto. Antes de pisar no Flax&Kale, em Barcelona, eu jamais tinha ouvido falar a respeito.

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A cozinha flexiteriana é criativa e explora ao máximo a oferta local de vegetais, cereais e legumes, ainda que tenha uma ligeira presença de produtos de origem animal, como peixes. O Flax&Kale pertence a uma empresária do ramo da gastronomia que já possui um restaurante vegetariano em Barcelona. Os pratos não são baseados apenas no prazer gastronômico, mas também em seu valor nutricional. Cerca de 80% do menu é de origem vegetal e o restante inclui espécies de pescado azul, como salmão, atum e anchova.

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A cozinha é aberta e o restaurante tem dois salões. Para uma proposta alternativa como essa, minha primeira impressão não poderia ser melhor. São muitas mesas e elas estavam todas ocupadas quando cheguei.

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O menu, em inglês, espanhol e catalão, explica a oferta da casa e divide os pratos em quatro categorias: raw food (para alimentos crus ou cozidos a baixas temperaturas, preservando seus nutrientes); glúten free; plant-based ou oily fish.

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Cada prato tem seus ingredientes muito bem descritos, assim como o modo de preparo e o porquê da escolha de determinadas técnicas de cocção. Fui aprendendo enquanto escolhia o que comer e a entrada já foi uma surpresa interessante: chips de kale. Kale é uma folha, um tipo de couve supernutritivo que dá nome ao restaurante e está presente em vários pratos. Aqui, foi servida desidratada e com alho.

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Essa salada estava simplesmente espetacular. São cenouras assadas com especiarias e servidas com abacate, folhas e brotos, tofu e semente de girassol. Tudo com molho de limão e laranja. Preço: 9 euros.

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Como prato principal, fomos em correntes opostas. Eu escolhi o que estava sendo servido na mesa ao lado: um arroz negro tailandês com “carne” de coco jovem e frutos secos. Preço: 14,50.

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O Jonathan quis desafiar a lógica pedindo a versão saudável de um clássico da humanidade, mas ele foi surpreendido pelo hambúrguer de salmão que vinha acompanhado por boniato assado, um tipo de batata doce. Super junkie, só que não! Preço: 15 euros.

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A experiência foi bastante singular e os preços valem a pena se você não converter nada para reais. Na saída, próximo ao caixa, encontramos um cardápio de sucos que o cliente pode comprar ali ou receber em casa semanalmente…

…e uma banquinha de vegetais onde pude conhecer pessoalmente o tal de kale. O Flax&Kale é um restaurante bem aberto e todos os cardápios com preços estão disponíveis no site. Vale a pena a consulta.

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Flax&Kale – Barcelona

Facebook: acesse aqui!

https://www.facebook.com/flaxandkale

Um tour pelas tapas e pela história de Barcelona

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As informações mais valiosas sobre um destino de férias estão nos blogs locais, especialmente se, como eu, você gostaria de fugir das atrações “engana-turista” e tem pouco tempo para conhecer o que realmente importa. Se vier à Serra Gaúcha, leia o Culinarismo (hehehe). Se o destino é internacional, procure os blogs de brasileiros que vivem por lá. Foi numa busca desse tipo que conheci e me apaixonei pelo blog Sol de Barcelona. Além de roteiros especiais na capital catalã, a guia Cristina Rosa oferece passeios guiados. Você pode conhecer a cidade pedalando ou caminhando de taberna em taberna em um inspirador tour de tapas. Afinal, nada melhor para entender um povo do que provar de sua comida.

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Se, de dia, os frutos do mar fazem o front vip da gastronomia catalã, a noite é das tapas e do jamón. Barcelona tem uma atmosfera excitante e sua gastronomia é também visceral e feita pra sujar os dedos. As raízes mediterrâneas e receitas camponesas compõem um repertório encantador e, além dos frutos do mar, os feijões e pimentões estão sempre presentes. Um tour de tapas com a Cristina alimenta muito mais que o corpo, porque estamos na companhia de uma incrível guia e o contexto histórico é a peça central desse quebra cabeça que estrutura a gastronomia local.

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Barcelona foi fundada por romanos no século I e a cidade se estrutura a partir do bairro Gótico. Ruínas originais da primeira muralha que cercava a cidade ainda fazem parte do cenário urbano. É ao redor dos bairros Gótico e Raval é que se desenrolam as descobertas sobre as tapas espanholas, que surgiram na Idade Média, na região da Andaluzia. Tapas não se comem sozinho. Elas servem para acompanhar a bebida e dividir com amigos.

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DSC_7755Na Pa Tapas comecei provando aquela que pode ser considerada a mais popular das tapas de Barcelona, mas que, na verdade, é originária de Madrid e só chegou a Catalunha por volta de 1940: as batatas bravas. Se estiver na Espanha, não aceite as bravas com maionese e catchup. O segredo está nos molhos aioli e picante, que não podem ser industrializados.

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DSC_7775Nossa segunda parada foi no El Pintxo de Petritxol, um restaurante basco que serve muitas carnes e essas tapas servidas no palito por um motivo estratégico: o cliente se serve no balcão dos pintxos frios e pede ao garçom os quentes. No final, a conta é paga conforme os palitos que lhe sobrarem no prato.

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No Elisabets, provei das tradicionais croquetas de jamón e aprendi um pouco mais sobre essa iguaria que vem do porco ibérico (aquele de pata negra) criado livre. O melhor jamón, diz a Cristina, é o Bellota, que só come frutinha e é curado por 36 meses. Intrigada com essa cultura desconhecida, na noite seguinte acabei visitando o Jamón Experience, um museu e restaurante dedicado à iguaria e onde se provei 100 gramas de jamón de Bellota por 25 euros (algo como 112 reais).

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DSC_7819Na última parada desse tour, mais do que desfrutar das empanadas galegas, tive uma aula sobre a história mais recente da Espanha. O bar La Llibertária é um memorial às mulheres que se rebelam contra o governo da república na Guerra Civil Espanhola, em 1936. Em fotos, documentos e recortes de jornal, o bar conta as passagens dessas cidadãs que criaram uma organização feminista chamada “Mujeres Libres” e pegaram em armas durante o movimento libertário espanhol.

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A experiência belíssima com Cristina nos fez desejar mais de Barcelona. Em sua comida, seus prédios preservados e suas ruas estreitas que desembocam em grandes avenidas, a capital da Catalunha é uma antítese intrigante, moderna e histórica, pra ser apreciada sem moderações. De volta ao lar doce lar, nos resta acompanhar as delícias do blog Sol de Barcelona, sempre desejando regressar um dia.

Pa Tapas

Plaça San Josep Oriel, Barcelona, Espanha

sem site 🙁

El Pintxo de Petritxol

Carrer de Petritxol, 9

Site: clique aqui!

Elisabets

Carrer d’Elisabets, 2

sem site 🙁

Jamón Experience

Rambla de les Flors, 88- 94

Site: clique aqui!

La Llibertária

Carrer Tallers, 48

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#barcelona : sujando as mãos em La Paradeta

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Barcelona tem uma atmosfera excitante e sua gastronomia é também visceral, feita pra sujar os dedos e deixar uma satisfação quase culposa. Como a multidão multirracial que colore as ruas num vaivém incessante, a comida se colore com influências variadas.

Uma frutífera colore o centro de Barcelona. Como não amar?
Uma frutífera colore o centro de Barcelona. Como não amar?

Aqui, as raízes mediterrâneas e a comida camponesa compõem um repertório impossível de se desvendar em tão pouco tempo. Antes de embarcar nessa trip, me debrucei em meses de pesquisa para evitar os chamados “restaurantes turístico”, que servem comida barata e sem nenhuma ligação genuína com a cultura local.

Sagrada Família: meio clichê, mas realmente impressionante
Sagrada Família: meio clichê, mas realmente impressionante

Minhas pesquisas apontaram para clássicos da gastronomia catalã: tapas, jamón e frutos do mar. Numa ruela bucólica próximo da Sagrada Família, a deslumbrante igreja iniciada por Gaudi e ainda em obras, está o La Paradeta.

DSC_7844Esqueça o paradigma brasileiro de lagostas e finesse. Aqui, o serviço é muito simples e direto. Não há sequer cardápio.

DSC_7846Uma bancada com peixes e frutos do mar mostra ao cliente o menu do dia, como numa feira livre. Você escolhe o que deseja e o modo de preparo (frito, no vapor ou “a la plancha”), a atendente pesa e leva para a cozinha. Em minutos alguém grita o número do pedido e, basicamente, esse é o processo. Não tem frescura e o lugar é bem normalzão mesmo. A cerveja pequena custa 1,80 (euros, claro).

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Com todo o conhecimento que uma moradora da Serra Gaúcha pode ter sobre frutos do mar, olhei pra tudo aquilo e fiquei bem incerta do que pedir. Escolhi alguns clássicos, tipo atum e camarão, e outras coisas fui na surpresa mesmo. Quando a este primeiro prato, estava muitíssimo fresco e bem temperado, mas veio inteiro e deu certo trabalho pra comer.

DSC_7850Fora isso, pedimos caranguejo, que causou mais um pouco de bagunça na mesa…

DSC_7852…molusquinho no molho vermelho. Também de comer com a mão.

DSC_7858E, pra arrebatar (porque a coisa estava muito saudável), uma porção de sépia a milanesa…

Praticamente não usamos os talheres, mas deu pra entender porque os guardanapos daqui têm praticamente cinco camadas. Usa-se muito. Foi uma experiência bem genuína, que nos custou 40 euros, com bebida.

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Minha passagem por Barcelona foi pouco para tanta fascinação, mas encerra com um balanço de 10 restaurantes em dois dias. Pulamos de tapa em tapa, de doce em doce e ainda conseguimos bebericar um bom vinho branco orgânico no jantar. Circulei por alguns pontos turísticos consagrados e algumas ruas discretas do labirinto entre as Ramblas e Raval. Vi gente de todo mundo. Meu tempo aqui não foi o bastante, mas suficiente para decretar que um dia voltarei, quem sabe breve.

Mais posts sobre Barcelona em breve 😉

La Paradeta tem seis restaurantes em Barcelona. O da Sagrada Família fica na Passaje Simó, 18.

Site: acesse aqui!