Arquivo da tag: #comerecorreremParis

Le Procope: o restaurante de 300 anos!

As lendas são mesmo muito maiores que qualquer recorte ordinário da realidade. Diante do famoso chapéu de Napoleão esquecido no restaurante Le Procope, tive um flashback da estranheza ao repousar os olhos pela primeira vez na Monalisa. Como podem – Monalisa e a cabeça de Napoleão – ser tão pequenas? Aquele chapéu daria uma cabeça infantil, mas, ainda assim, deslumbrei. Entrei. Pedi uma mesa e dei 30 minutos de um minucioso passeio pelos salões interligados do restaurante antes de me sentar.

 

A pequeneza se limita ao chapéu. À parte disso, as poltronas, paredes, cadeiras e o veludo vermelho avalizam a imponência que só um restaurante com o título de segundo mais antigo do mundo pode ostentar.

 

A história contada nas centenas de quadros, livros emoldurados, bilhetes e memórias do Le Procope somam os mais de 300 anos de história do lugar. A empolgação de estar ali transborda.

Num ponto nobre de Saint Germain, o Le Procope abriu as portas em 1686, acredite. Foi o primeiro café literário e a primeira sorveteria da França. Hoje é um restaurante de menu francês e passagem diária de centenas de turistas – a maioria dos quais não faz ideia de onde está pisando. Exceção para o grupo de brasileiras com que cruzei no toilette e que estavam acompanhadas de uma guia!

No século 18, muito antes do advento da geladeira, o café servia 80 sabores de sorvete. Foi reduto dos mais importantes personagens da intelectualidade, política e arte francesas. Todos retratados em quadros e objetos pessoais com que  certamente presentearam o dono.

Quantos chapéus, quantas carruagens, quantos charutos e lamparinas não devem ter passado por ali? Diz-se que o primeiro esboço da Enciclopédia nasceu no Le Procope e que, numa dessas mesas, Benjamin Franklin escreveu o que seria a declaração de independência dos Estados Unidos.

Fiquei atônita por um momento diante do que seria o último bilhete escrito por Maria Antonietta antes de sua execução.

A atração indefectível do Le Procope, entretanto, é o chapéu de Napoleão, esquecido ou deixado no café como pagamento de uma dívida ainda quando era um tenente na Revolução Francesa é exposto à entrada. Antes dele, passaram por ali Molière e Voltaire. Depois de Napoleão, Balzac e Victor Hugo. É surreal imaginar.

Pra evitar a complicação de um menu extenso, muitos turistas – eu inclusive – optam pelo menu do dia, com três opções de entrada, prato e sobremesa. O almoço completo sai por 28,90 euros.

O que comi foi um gaspacho de legumes – que é naturalmente frio, mas opostamente apimentado. Inusitado sentir-se ruborizar mesmo tomando algo gelado.

O prato principal, frango supremo, foi uma delícia de sabores. A carne suculenta, o molho saboroso e a cama de batatas no ponto exato.

A sobremesa poderia ter sido creme brulée, mas Ainda bem que pedi a torta de maçãs. Estava demais! Comi tudo embalada por uma única taça de vinho tinto, pois a caminhada que estava grande até ali, tinha mais muito a prosseguir.

Durante alguns anos, o Le Procope ficou fechado; depois, voltou a operar como restaurante e com brilho apagado pelo tempo. Há uns 30 anos, foi comprado pelo grupo Les Frères Blanc, que revitalizou vários restaurantes históricos em Paris.

 

Le Procope

 13 l’Ancienne Comédie, 75006, Paris

Facebook:  clique aqui !