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Restaurantes com filosofia que merecem a sua visita

Mais um ano que se vai, mas não um ano qualquer. Nesse 2017, o blog teve dezenas de novas experiências gastronômicas: comida incrível, cozinheiros apaixonados, o resgate de ingredientes da culinária ancestral. Ao mesmo tempo, tive aquele mochilão extraordinário por Paris e o meu repertório gastronômico ganhou novos aromas e sabores.

São quatro anos de Culinarismo e quase 200 restaurantes visitados, testados, aprovados e postados. Tudo isso pra dizer que, quanto mais o tempo passa, mais forte fica o compromisso de reverberar o trabalho de restaurantes que respeitam o produtor e o produto. Tenho batido nessa tecla: dados da FAO apontam que cerca de 33% de tudo o que é produzido anualmente no mundo vai para o lixo e todas as suas fases, desde o cultivo até a mesa do restaurante, passando pelo armazenamento e preparo.

Isso não apenas dificulta o acesso global à alimentação, mas também encarece os alimentos e reflete na degradação do planeta. Então hoje quero propor sete restaurantes que entregam filosofia dentro do prato. Todos me encantam com propostas que vão muito além do prato servido.

Desejo a todos nós um 2018 mais consciente e aberto ao novo. Para o Culinarismo, comer bem faz parte da construção de um lugar melhor pra todos nós!

 

# Barlavento: onde a hidroponia é embalada por boa música

Morangos e tomates que ouvem Bob Marley: como não amar? Não tem maître, não tem requinte e não aceita cartão. O Barlavento, que muitos conhecem simplesmente por “morangos hidropônicos” é, certamente, um dos lugares mais autênticos e receptivos que o Culinarismo já visitou. Além do restaurante que costuma lotar nos fins de semana, o lugar abriga uma hospedaria e toda a área de cultivo de morangos, tomates e manjericões hidropônicos e orgânicos que são a base do cardápio. A taça Barlavento é um clássico, mas o menu também tem massas, sanduíches, etc e tal.

Rio do Vento Hidroponia

RSC-453, Km 154, Rota do Sol

Caxias do Sul – RS

Facebook/Barlavento

 

# Dois anos do genuíno slow food no Champenoise Bistrô

O Champenoise Bistrô engrandeceu o repertório gastronômico local exaltando a filosofia slow food do prato à taça. São dois anos do restaurante em Pinto Bandeira, que devolveu à vida o casarão de 1927 e materializou o projeto de vida do casal Marina e Israel: ela, enóloga com especialização em agroecologia. Ele, um chef de cozinha, pesquisador, experimentador da gastronomia orgânica e local. A casa oferece três opções de menu degustação que começam com pães de fermentação natural acompanhados de antepastos produzidos na casa. Todos os pratos refletem a sazonalidade da horta e do pomar, como essa flor de abóbora recheada com melão, copa artesanal e queijo pecorino.

Champenoise Bistrô

Linha Amadeu, Pinto Bandeira

Facebook/ champenoisebistro

# Um recanto tibetano de paz e espiritualidade

Tashiling é o restaurante tibetano que fica no Espaço Tibet, um lugar de convivência vizinho ao templo budista de Três Coroas. Ali, o ritual da refeição alimenta o corpo e reconforta o espírito. Não vale a pena perder muito tempo fotografando em vez de observar o balé dos garçons em seus trajes típicos. Eles quase levitam e seu tom de voz é sereno, pacífico. O cardápio traz algumas opções de entrada e prato principal com peixe e filé mignon, mas o que realmente representa o lugar é o Racha: pernil de cordeiro ao molho de cravos.

Espaço Tibet

Rua Alagoas, 361, bairro Águas Brancas, Três Coroas (RS)

Facebook/espacotibet.com.br

 

# Tradição e hospitalidade na Osteria Della Colombina

 Quando criou o movimento Slow Food, há quase 30 anos, o italiano Carlo Petrini o fez por acreditar na gastronomia como via de transformação. Vi de perto essa transformação quando bati à porta da Osteria Della Colombina e provei de uma comida tratada como expressão cultural. Coisas mágicas acontecem da propriedade Bettú Lazzari, no interior de Garibaldi, que pertence à família desde o primeiro imigrante a pisar no Brasil. Revitalizado como restaurante a partir de 2001, o lugar tem certificado de produção orgânica. Impressionantes 75% do que é servido aos clientes é produzido ali mesmo. A sequência é farta e cada visitante leva consigo uma pequena colombina, tradição dos imigrantes que a anfitriã Odete orgulhosamente preserva e dissemina.

Osteria Della Colombina

Estrada do Sabor, comunidade Linha São Jorge, Garibaldi

Facebook/ osteriacolombina

 

# Memorável experiência na Locanda di Lucca

Quando visitei pela primeira vez esse restaurante, o anfitrião Edgar Giordani resumiu a filosofia do lugar proferindo a seguinte frase: “Não posso servir ao meu irmão alimento envenenado”. Depois dessa, você só pode sorrir e agradecer. O Locanda di Lucca é um restaurante orgânico, no interior de Bento Gonçalves – precisamente no interior do distrito de São Pedro. O menu degustação é sazonal e os conceitos de produção biodinâmica também permeiam o menu. A água saborizada da fonte está inclusa no menu degustação; o restaurante não vende refrigerante e concentra sua carta de vinhos na produção nacional. A sobremesa é um tesouro da casa com grande sabor, aroma e identidade. O sorvete de mel biodinâmico é servido com farofa de esfregolá, geleia de laranjinha kinkan e calda de merlot.

Locanda di Lucca

Linha Palmeiro 340, distrito de São Pedro, Bento Gonçalves – RS

Facebook/locandadilucca

 

# Urban Farmcy, um movimento necessário

O restaurante natureba da vez em Porto Alegre fica bem no coração de um bairro caro e exalta que a comida vegetariana pode ser incrivelmente saborosa e sedutora. A filosofia Urban Farmcy fortalece a produção urbana e hiperlocal de alimentos, reduzindo o impacto com transporte e o desperdício. Com uma filosofia raw (comida minimamente cozida) e plant based, o restaurante tem um menu colorido e cheio de sabores. Aí está a feijoada quase vegana pra comprovar. Surpreendente. No lugar das carnes, um tempero excelente e talinhos de cogumelo. A couve, o vinagrete e a farofa… tudo minuciosamente empratado.

Urban Farmcy

Rua Hilário Ribeiro, 299, Porto Alegre, Rio Grande do Sul

Facebook/urbanfarmcy

# Valle Rustico, um clássico do slow food na Serra Gaúcha

Como ativista do movimento Slow Food, o chef Rodrigo Bellora reforça na mesa o que vem defendendo em suas palestras e cook shows Brasil afora: a valorização do produto e do produtor local. Em nove passos, o menu confiança apresentado pelo Valle Rustico surpreende não pela finesse das matérias-primas. Ao contrário: será servido urtigão, mas num conceito e empratamento que poderia facilmente ser emoldurado e pendurado na parede como adorno. Os pratos já não são da estação, mas refletem a oferta da horta na semana. Por isso, já há alguns anos, o restaurante não tem menu. Você paga pela surpresa.

Valle Rustico

Via Marcílio Dias, Garibaldi (Vale dos Vinhedos)

Facebook/vallerustico

Casa Postal: um daqueles tesouros do nosso interior

Vêm a galope os ventos do novo ano e, com eles, a jornada de uma nova safra da uva. Nos quatro extremos de Bento Gonçalves, as vinícolas se aproveitaram do enoturismo enquanto esperavam os ciclos da videira, atraindo movimento em todas as estações. É bem legal essa abertura dos produtores pra receber o turista, reproduzindo os saberes locais, seja por meio do artesanato, de vivências ou da gastronomia.

Em Tuiuty, a Casa Postal já vem recebendo visitantes no seu bistrô construído acima das caves.

A pequena produção da vinícola familiar contrapõe a gigante vizinha, a Salton, e tira justamente daí o seu charme. A casa produz excelente brut pra degustar provando colombinas quentinhas.

Excelente salada abre os trabalhos enquanto o cliente decide por frango ou carne e massa ou risoto.

Eu fiquei com o entrecot com risoto de tomate e queijos, um prato que mal dei conta.

Para sobremesa, petit gateau ou sorvete com mirtilos da casa.

 

É tudo coisa de família: um recebe, um cozinha, um serve e todos acolhem muito bem. O almoço degustação completo, sem bebidas, daí por R$ 52,00.

É assim que as famílias conseguem permanecer no interior, garantindo a perpetuação da cultura do vinho e a produção de melhores uvas pra melhores rótulos – safra após safra. Eu sempre digo que é um privilégio ver e viver cada vindima. Logo em breve os parreirais vão exalar o seu perfume e todas essas famílias do interior vão colher o fruto do seu trabalho, que depois será vinho nas nossas mesas.

Proponho um exercício para a próxima safra: em vez de reclamar do pequeno transtorno que a safra causa ao trânsito, que tal exaltarmos o trabalho dessas pessoas e tudo de bom que ele traz para a nossa cidade? <3 Vindima!

 

Casa Postal

Nota no Google: 4,3 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,6 de 10,0

Nota no Tripadvisor: 4,5 de 5

Rua Buarque de Macedo, 2655, distrito de Tuiuty, Bento Gonçalves

Aberto de quinta a segunda, das 9:30 às 17:30 para visitação e almoço

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Osteria Del Valle: agora aberto também no jantar

Uma chance a mais para aproveitar a Cucina di Fusione do chef Álvaro da Silva, que assina e executa o menu da Osteria Del Valle, a novidade que vem movimentando o Vale dos Vinhedos no seu acesso pelo bairro Glória. Nessa temporada, além do almoço memorável em sistema de sequência, a casa está abrindo para o jantar nas noites de sexta e sábado, numa adaptação com couvert, entrada, prato principal e sobremesa empratados.

A Osteria Del Valle, pra quem ainda ao visitou, é anexa à vinícola boutique Peculiare e funciona bem acima do varejo, o que cria um cenário perfeito para um jantar harmonizado.  Com serviço atencioso e sommelier sempre presente, a casa já tem seus fãs – como este blog aqui. Essa osteria consegue conciliar, sem perder a coerência, elementos da culinária italiana, francesa e até um toque campeiro.

O almoço vale a pena pela sequência completíssima e diferente do habitual por R$ 79,00, mas o clima da vinícola e a qualidade da harmonização também criam um cenário perfeito para o jantar. O serviço começa com uma entradinha de pão fresco de fermentação natural servido com consomê de cogumelos.

O ravióli ao molho de laranja é uma versão bem inusual e de acidez marcante. Eu gostei.

Como prato principal, o chef vai propor sempre uma proteína e um risoto. Aqui tivemos um ótimo risoto de culatelo acompanhado pelo filé com molho de aspargos.

E pra fechar uma excelente versão de tarte tatin, uma das sobremesas mais conhecidas da França. Equilibrada e deliciosa.

 

Osteria Del Valle

Nota no Google: 4,8 de 5,0

Nota no Foursquare: sem avaliações suficientes

Nota no Trip Advisor: 5,0 de 5

Via Trento, 1438-1610, Bento Gonçalves

Aberto de quinta a domingo, das 11h às 16h; e nas sextas e sábados, das 19:00 às 22:30

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Galettes francesas + cafés nobres: uma tarde de delícias no Sweez!

Fui soprar as cinco velinhas do Sweez Café, em Caxias, e quase morri na doce vitrine dedicada à confeitaria francesa. Uma coisa de encher os olhos e palpitar o coraçãozinho. E como resistir às novas estrelas da casa: crepes e galettes no tradicional estilo francês e feitos bem diante do cliente?

O crepe original francês tem origem na Bretanha e é feito com sarraceno, que naturalmente não tem glúten. É essa a receita do Sweez, num menu com 10 opções de crepe e 12 de galettes, que é como se chamam os crepes salgados.

Provei duas receitas de galette com a assinatura da Sweez: La Poulet, com blend de queijos, frango defumado com ervas frescas, ovo Miroir e cogumelos Paris salteados, por R$ 32,00.

E La Saucisse, com blend de queijos, calabresa e tomate assado, por R$ 29,00.

 

O cheirinho de café ao longe lembra que o Sweez Café tem um monte de métodos de extração, tipos de grão, origens de café.

 

 

E você pode levar amigos de todo tipo pra curtir um chá das cinco, por exemplo.

Antes de encerrar os trabalhos gastronômicos, precisei provar um dos crepes e, nessa ocasião, eu estava querendo algo de doçura equilibrada, então pedi um crepe simples com açúcar e gotas de limão. Você pode adicionar sorvete, caso queira. Esse meu custou R$ 9,50.

 

Sweez Café

Nota no Google: 4,7 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,7 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Rua Coronel Flores, 749, sala 03, Caxias do Sul

Aberto de segunda a sábado, das 13:00 às 22:00

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Rodízio de delícias nos jantares do Café com Arte

Essa semana o Café com Arte me convidou pra conhecer os queridos expositores da Autoral Feira Criativa, que vai ter uma edição por lá no dia 02 de dezembro, com lindas peças cheias de história pra gente resolver a questão de presentes natalinos. Além dessa troca de cartões com os artesãos, que foi muito especial, tivemos um farto e colorido almoço pra conhecer a nova proposta de jantar do Café com Arte.

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Para gregos e troianos se refestelarem, porque todo mundo tem seus dias de apetite insano, o Café com Arte criou um rodízio completo, mas, ao mesmo tempo, autoral e delicado. A coisa toda começa nesse Black Friday e, a partir da semana que vem, você pode desfrutar de um jantar completo e ilimitado por R$ 65 de terça a sexta.

Por que você precisa conhecer: massas feitas na casa, ingredientes com procedência e qualidade e respeito às receitas.

A salada de culatello com parmesão e tomate seco abre a sequência.

Fetuccini de manjericão ao molho de tomate

O risoto caprese foi a minha etapa preferida: com muçarela de búfala mesmo

Um franguinho grelhado pra quem é das carnes

Essa receita de ravióli é superbem executada e tudo feito à mão, delicadamente. Dentro dele, cebolas caramelizadas. Servido com manteiga e sálvia.

Um filezinho pra quem curte, que fica muito bom com a calda de frutas vermelhas ao vinho.

Ainda um risoto de bacon com alho poro

E fechando, um último espaguete com culatelo.

A sobremesa é coisa que eu adoro demais: simples e infalível banana flambada com sorvete de creme.

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Essa é toda a sequência do que há pra comer no rodízio. Adicione-se a música, a arte em todos os cantos e o cafezinho do final. Mais uma experiência bem bolada do Café com Arte Bistrô <3

 

Café com Arte Bistrô

Nota no Google: 4,7 de 5,0

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Rua Marques de Souza nº 354, Bento Gonçalves

Aberto de terça a sábado, no almoço e no jantar

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Rolha livre nas quartas e quintas do Valle Rustico

O menu confiança do Valle Rustico, must have da gastronomia conceitual na Serra Gaúcha, há muito já ultrapassou as barreiras do que se espera para um jantar, alcançando nuance de uma quase aula sobre resgate e aproveitamento de ingredientes não-usuais e combinações extraordinárias. Nessa temporada, o Valle Rustico facilita a vida do cliente liberando a rolha nas noites de quarta e quinta. Menu de nove etapas por R$ 130,00 e você pode levar de casa o vinho ou espumante sem custo de serviço.

Como ativista do movimento Slow Food, o chef Rodrigo Bellora reforça na mesa o que vem defendendo em suas palestras e cook shows Brasil afora: a valorização do produto e do produtor local.

Em nove passos, o menu confiança apresentado pelo Valle Rustico surpreende não pela finesse das matérias-primas. Ao contrário: será servido urtigão, mas num conceito e empratamento que poderia facilmente ser emoldurado e pendurado na parede como adorno. A apresentação de cada prato é cuidadosa e a escolha do que nele vai, mais ainda. Os pratos já não são da estação, mas refletem a oferta da horta na semana. Por isso, já há alguns anos, o restaurante não tem menu. Você paga pela surpresa.

O menu confiança que testei é esse abaixo, mas é como dito antes: muda todo dia , de acordo com a oferta da horta e dos fornecedores.

O que sempre tem é essa primeira tábua de pães frescos: pão branco, pão de fermentação natural, pão de queijo e broa de milho – aqui, servidos com pesto.

A segunda entrada é uma cama de crocante de aipim com maionese picante. Sobre ela, carne de coelho. O quadradinho é um tijolinho de porco griss com mostarda de crem e urtigão, Plantas Alimentícias Não-Convencionais (Pancs) são especialidade do Valle Rustico e aparecem mais de uma vez nesse menu confiança.

Aí, começam os pratos. Eis o espaguete de chuchu aos cogumelos. Fora os pães da entrada, o menu confiança do chef Rodrigo Bellora é sempre mais baseado em carnes e vegetais. Essa adaptação com o chuchu é a melhor imitação de pasta da vida.

Quando chegou o magret de pato, torci o nariz. Já me decepcionei algumas vezes com carnes muito duras…mas essa tinha maciez e sabor. São patos criados soltos. Produção local. Aqui, é servido com azedinha e calda de butiá que dá uma acidez bem proeminente.

A carne seguinte é um peixe Meca com caldo de peixada, servido com uma farofinha de camarão e o raminho de funcho por cima, que dá outro significado ao prato.

Variedades diferentes de milho dão origem a essa polenta, servida com cogumelos e o ovo perfeito.

Ainda vem um matambre, outra surpresa da cozinha do Valle Rustico. Macio, poderia ser comido de colher. Nessa receita bem campeira, vem recheado com farofa de pinhão e servido sobre cama de purê de batata cará, farofa e torresminho. Sobre a carne, um enfeite de salsão e mais uma Panc: Major Gomes, uma ervinha suculenta e que já foi muito desprezada por ser considerada daninha.

Depois disso, chega. É hora de adoçar a vida. O penúltimo passo do menu confiança é uma tábua de doces pra compartilhar: bananinha, pien de doce de leite, tortinha e um creme de erva mate que poderá não agradar totalmente os paladares convencionais.

O último passo do menu confiança não é de comer, mas de passar. São pétalas perfumadas pra fazer um carinho nas mãos enquanto você pede uma dose do limoncello da casa – aconselho com veemência!

Pro meu jantar de rolha livre, levei um Chardonnay ótimo da Bertolini, que o Valle Rustico também oferece na carta.  <3

 

Valle Rustico

Nota no Google: 4,6 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,9 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Via Marcílio Dias, Garibaldi (Vale dos Vinhedos)

Aberto de quarta a sábado para o jantar; aos domingos para almoço

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Nova Petrópolis: o fogo é rei na Osteria di Valli

A brasa viva dançava de um lado ao outro sob a grelha, espalhada e acomodada e pelo suis chef pra tomar conta da parrilla inteira. A cozinha de fogo é tudo o que existe de mais ancestral na gastronomia: você precisa de bons ingredientes e, sobretudo, de tempo.

Eu, que gosto de observar a cozinha e as traquitanas do cozinheiro, fiquei realizada com as mesas ao ar livre da Osteria Di Valli, em Nova Petrópolis, com vista direta para o preparo dos pratos assinatura do chef Enio Valli.

No centro de Nova Petrópolis, a casa tem um menu de massas e carnes e mesas silenciosas num salão sóbrio – quem sabe para um almoço de negócios ou um dia de chuva – mas a grande atração é mesmo comer na varanda, observando os movimentos do cozinheiro e a montagem dos pratos. E, estando acomodada com vista para o braseiro, não existe melhor opção do que se permitir o menu degustação – disponível em duas versões: filé ou cordeiro.

Ponto de partida: espetacular salada de abobrinhas finíssimas com pimentões assados na brasa, pesto, copa defumada, nozes tostadas e raspas de limão. Uma combinação harmoniosa.

A empanada assada na brasa da parrilla vem coroada por uma salsa criolla ótima…

…e abre caminho para o ravióli colorido na manteiga e sálvia, que eu pontuo como bem suculento.

Eis que chega a estrela da osteria: sobre a cama de batatas ao murro, o cordeiro preparado na lentidão do braseiro, o limão braseado e a geleia de uva. Aroma intenso e sabor ancestral, como a comida feita no fogo deve ser.

Depois de um prato tão marcante, é bom encerrar com a doçura delicada do tiramisù – molhadinho, como se pode ver na foto.

 

Osteria Di Valli

Rua Quinze de Novembro, 1860, Nova Petrópolis (RS)

Aberto de quarta a domingo: nas quartas para o almoço; de quinta a sábado para almoço e jantar e no domingo para o almoço

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Monte Belo do Sul: Casa Olga te espera com ares de nostalgia

Eu gosto mais de feijoada que de pizza. E vejam bem: eu gosto muito de pizza, mas em se tratando de feijoada é uma paixão das antigas, daquelas com cheiro e gosto da infância. Eu gosto mais de couve que de batata frita. Não adianta. São meus oito anos batendo à porta e quando eu era criança comi muita muita couve.

Então que almoçar na casa da vó Olga é tipo almoçar na minha própria casa, num domingo de manhã, vinte e tantos anos atrás. Nessa casa em Monte Belo do Sul, bem ao pé da praça e com vista pras torres símbolos da cidade, as irmãs Marta e Morgana prestam uma justa homenagem à vó delas, abrindo as portas para quem queira um almoço de fogão a lenha, sem mistério e com ternura A feijoadinha já é clássica, mas os sábados em que a Casa da Vó Olga funciona também se intercalam com massas frescas e outras coisas.

Uma voltinha na casa é mais que necessária. Tudo preservado numa memorabilia que levam o pensamento direto pra nossas avós. A cristaleira, as imagens santas, despertadores à beira da cama – um de cada lado. Esperando pela nona que agora mora na saudade, a máquina de costura e o forrador de botões dividem espaço com a cafeteira que faz um mimo aos convidados.

Mas isso é papo pra depois do almoço. Antes disso, na chegada, a recepção vem numa dose generosa do bom e velho limãozinho. Cumbucas de torresmo acompanham pra firmar que em almoço de fim de semana a pressa não é bem-vinda. Caminhei pela casa, percorrendo o corredor e os cômodos, agora, já não lembrava mais da minha própria casa de criança, mas das coisas que se passavam na casa da minha vó materna. Como a sala e a lareira pareciam tão grandes quando, na verdade, eu que era tão pequena.

Lembro bem de um fogão a lenha como esse na cozinha da minha vó, que, ao contrário dessa, ficava no fundo da casa. Fosse dia ou fosse noite, tinha sempre uma chaleira esquentando água e um pequeno bule de chá ao lado. Das minhas férias, na Campanha Gaúcha, é vivo na memória o chimarrão que se tomava na soleira da porta a cada entardecer. Os adultos papeando e as crianças – como eu – inventando traquinagem.

Voltei dessa viagem astral quando a anfitriã liberou os trabalhos no fogão a lenha. Hoje era dia de feijoadinha, a última do ano, mas a Casa Olga abre aos sábados com cardápio itinerante que tem também massas, carnes e o que mais vier da inspiração. A feijoadinha estava lendária e, depois desse prato montado esteticamente para a foto, ainda me servi outras duas vezes (risos!).

Depois o mousse de limão nos copinhos originais da vó. Muito amor.

A Casa Olga me trouxe um sentimento de boas lembranças que às vezes passa anos sem reviver na memória. Um almoço, um passeio na máquina do tempo. Voltarei mais vezes porque aquela menina Carol é uma companhia sempre boa de ter por perto.

Quero sempre voltar!

 

Casa Olga

Rua João Salvador, 305, Monte Belo do Sul

Aberto para almoço aos sábados ou sob reserva

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Capone Drinkeria: o prazer de um mundo clandestino em POA

Prazeres secretos moram ao lado das pequenas subversões e, embora não haja nada de proibido nos bares secretos de hoje em dia, a energia Speakeasy é uma ímã. O que acontece no lugar irrevelado, a permissão de apenas ser, a música passeando pelas entranhas, a sedução do imaginário. Al Capone dá o tom e o nome a esse lugar sem fachada, por onde detrás da pequena porta soturna existe um universo paralelo de drinks abençoados. Um lugar de imersão.

Pra chegar no Capone Drinkeria, não há placas nem letreiros. Sem luminosos ou burburinho de gente na porta. É mais um daqueles lugares que você encontra pelo número da casa e, pra mim, é quase incontrolável o desejo de encontrar o que se esconde atrás desse breu. Desci do Uber e não havia marquise contra a chuva. Foi um pulo até a porta e, num piscar, o lado chuvoso estava às minhas costas. Eu dentro, o resto fora.

 

Sentei no balcão que é o lugar dos notívagos. E ali tive uma noite embalada pelo balé das coqueteleiras e o tilintar do gelo nas taças. Distintos perfumes se elevavam no ar a cada macerar de ervas e picotar de frutas. Hipnotiza o balé coreografado dos bartenders. Por que pensar no mundo lá fora?

 

Não se espante com a longa sequência de drinks que provei. Minha passagem pelo Capone foi sem pressa e sem carro. Só o balcão, o balé dos bartenders e aquelas conversas de olhar, de drama e risada que a gente só tem com a melhor amiga.

Scarface, como Al Capone era conhecido, é um clássico da casa que leva conhaque, limão, soda e calda de gengibre. R$ 20,00

Pergunte como a casa pode te surpreender com algo que não esteja na carta e receba esse drink ainda sem nome, mas belamente preparado com gin, bergamota e manjericão.

Depois disso, sim, era justo comer uma coisinha e o menu do Capone tem muitas e várias delicinhas de bar com preço excelente. Essas batatinhas fizeram uma cama maestral para a segunda rodadas de drinks.

Segue o baile com um Mob bubbles e o cheirinho irresistível de uvas brancas, brut, limão e vodka; e mais um French 75: gin, mais espumante, limão e uma cereja pra lembrar que o mundo é sempre cor-de-rosa dentro da taça!

O que acontece depois disso é a clara precisão de um doce. E essa taça cuja foto já não se faz satisfatória tem deixado uma lembrança saudosa. É o Oreos Cheesecake: fundo de brownie, uns biscoitos picados, chantilly e castanhas. Quero mais!

Só pra arrematar, um gin tônica com pepino e os trabalhos do Capone se encerram.

 

A casa tem suas regras e a primeira delas é que bons drinks demandam tempo e carinho e bons clientes devem ser pacientes em relação a isso. A vizinhança deve ser preservada do barulho de quem chega, de quem vai e de quem precisa fumar. Você deve estar aberto a novas experiências porque muitos drinks da casa são autorais e não convencionais. E a melhor delas: celulares não são proibidos, mas não exatamente bem-vindos.

 

Capone Drinkeria

Nota no Google: 4,7 de 5,0

Nota no Foursquare: 8,6 de 10

Nota no Trip Advisor: 4,5 de 5

Rua Castro Alves, 449, Porto Alegre

Aberto todos de segunda a sábado: das 19:00 às 23:00 até quarta e até a meia noite nas quintas, sextas e sábados

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Xis bebum? Tem disso em Bento no Longs Delivery!

Hambúrguer é bom e todo mundo gosta, mas o clássico xis gaúcho nunca perde a majestade. Em Bento Gonçalves, o Longs Delivery está fazendo o maio sucesso já no primeiro mês. A localização ajuda – bem no acesso principal do bairro Santa Helena – e a receita tem sabor de tradição. Se você tem certa idade e circulou pela noite de Bento Gonçalves, tenho certeza que já comeu muito xis do seu Longhi no pós-festa do Beliskão (risos. e entreguei a idade agora).

Então que o novo empreendimento da família é voltado pra tele-entrega, como o nome diz, mas tem um espaço bem bonitinho pra receber o cliente que não quer sujar a louça em casa ou reunir a galera (uma gíria bacana que obviamente vai entregando ainda mais a idade da pessoa).

Tem filés, massas, risotos e saladas, como essa: receita superdelícia com morangos e amendoim.

Mas o forte da casa são mesmo os xis – tradicionais e outros com a assinatura do Longhi. Tem de entrecot, salmão, lombo assado, etc…mas dois deles me seduziram de imediato e foram uma escolha bem acertada: o xis Rosbife com ovo cozido traz um espetacular creme de queijos fundidos. As fatias fininhas de rosbife com esses queijos ao redor ficou bem matador. R$ 23,00.

O mais pedido da casa, sucesso de vendas, é o xis bebum, realmente bom. Aqui, as iscas de carne são flambadas e levam molho de vinho – sabor que dá pra sentir lá no fundinho. Esse aqui eu tive que repetir. Comi o Longs e agora, pra dar gás no post, precisei pedir em casa. Isso também foi bom pra verificar que a entrega é bem eficiente.

 

Longs Delivery

Nota no Google: 5,0 de 5,0

Nota no Foursquare: não tem avaliações

Nota no TripAdvisor: não tem perfil

Rua Batista Dosso – 409 – bairro Santa Marta, Bento Gonçalves

Aberto todos os dias: de segunda a sábado, no almoço e no jantar. Aos domingos, somente para o jantar

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Tele: (54) 2621-5330