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Seduzida por um vendedor de frutas de luxo

Você não tem ideia de quanto pode custar uma caixinha de frutas até ir ao Mercado Público de São Paulo e ser seduzida por um vendedor de habilidade invejável e contador de causos comoventes:

“Era uma vez uma mulher de meia idade que acabara de perder o pai. Numa viagem de trabalho a São Paulo, ela passou despretensiosamente pelo Mercadão e parou em frente a este mesmo vendedor. Ele a convidou para degustar um pedaço de pitaya e a mulher lacrimejou. Seu pai sempre quis provar daquela fruta, mas não teve tempo.
– Então, quantas a senhora vai levar em honra ao seu pai?
E ela disse:
– Com esse preço, meu filho, vai pro diabo que te carregue!
– Bem, o dinheiro está aí pra ser bem aproveitado. Aquela mulher perdeu a oportunidade de ser feliz por um momento. Você não faria o mesmo, não é, moça? Leve logo duas!”

O cara não era meramente um quitandeiro. Era um consultor de vendas de artigos de luxo, só que perecíveis. Meu irmão, que mora em São Paulo e já conhecia aquelas delícias todas, foi se afastando de mansinho e me esperou umas quatro bancas depois. Ele sacou na hora a armadilha ($$$). Eu, extasiada com a combinação de sabores, me deixei seduzir. Com essa história de filha pão-dura e algumas argumentações a mais, o cara me fez desembolsar simplesmente 400 reais em frutas. Se estou arrependida?

bancaBem… até passou pela minha cabeça sair correndo e fingir que não era comigo. Mas até a embalagem dos caras é um capítulo à parte. Eles são muito profissionais. Acomodaram cada tipo de fruta bandejinhas de isopor com respiro. Depois, todas elas em um caixote de madeira muito bem lacrado com fita adesiva. Tudo acondicionado perfeitamente para viagem. No fim das contas, rachei o prejuízo com o “namorido” e saí feliz – com um sapato a menos no guarda roupa, mas sabores a mais no meu repertório. Diante de tantas cores, você também não ficaria tentado?

Levei tudo pra casa e comecei uma doce e paulatina degustação que se estendeu por um mês. Não me pergunte como, mas as frutas aguentaram. Trouxe cinco variedades diferentes, então vou fazer um ranking pra ficar mais emocionante!!!

abacaxi

5º lugar: Abacaxi Gomo-de-Mel

É muito, muito doce e muito, muito amarelo. É bem diferente de um abacaxi comum.

É mais suculento e bem pequeno, pra consumo individual mesmo.

Pra quem gosta de cítricos, é uma explosão de sabor.

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4º lugar: Decopon
Resumidamente, é uma bergamota gigantesca, doce e sem semente.

Descobri que, na verdade, o troço é um híbrido das frutas pokan e kiyomi (???) inventado pelos japoneses.

Valeu a experiência. Quem gostou mais foi a minha filha.

cherimoia

3º lugar: Cherimoia 

É branca, macia e tem gosto de leite condensado – sério!

É uma alternativa muito louca pra quem está de dieta.

Você não acredita que aquilo é um produto da Mãe Natureza!

O consultor de frutas de luxo nos deu pra provar com gotinhas de limão siciliano por cima e ficou idêntico a mouse de limão. 🙂

pitaya

2º lugar: a famosa e emblemática Pitaya 
Ela é conhecida também como fruta do dragão por sua aparência escamosa

(agora me senti escrevendo uma reportagem para a editoria de saúde!).

É doce, mas suave. Lembra melão e fiquei sabendo que tem poucas calorias.

O preço, em compensação, é salgado. Cada uma custou mais de 40 reais e você pode não acreditar,

mas já passou um mês e ainda tem um exemplar desses intacto na minha geladeira!

morango

1º lugar: Morango com Tâmara
Morango todo mundo conhece, tâmara também não é tão difícil de encontrar.

Mas a combinação dos dois é surreal! Claro que os morangos do Mercadão eram gigantescos, doces… e caros.

Mas se eu pudesse voltar lá, eram os morangos com tâmaras que eu compraria de novo.

De tudo, o que ficou foi a experiência e meu bolso um pouco mais vazio. Sabe como é, um bom vendedor sempre consegue o que quer. Considerando uma cliente curiosa como eu, então, a venda era certa!

Faltou mira no jantar grego

Este é o relato de uma noite fria, estrelada e desastrada. É um daqueles momentos em que você prefere culpar a bebida, embora nem tenha entornado tanto assim. Nesse dia, atestei mais uma vez que a extrema empolgação pode comprometer suas funções motoras.

Quem me conhece sabe o quanto gosto de ocasiões temáticas. Pra uma festa à fantasia, nem preciso de pretexto. E se eu já gosto de comer, jantares temáticos são uma tentação ainda mais irresistível. Dito isto, soube que em Bento Gonçalves haveria um jantar grego e coloquei meu nome na fila sem sequer perguntar o preço (a propósito, nunca faça isso!). Não sabia nada de comida grega, além da quebradeira de pratos que deveria acontecer no final.
Dias antes do dito jantar grego, uma amiga me avisou: quebra com força, porque se o prato ficar inteiro, dá azar pra toda vida. Fiquei muitíssimo preocupada e imaginativa. Não deu outra: na hora de quebrar o bendito prato, mirei cá e acertei lá. Acho que vocês merecem saber o que deu errado, mas só no final! Antes, vamos ao que interessa: ojantar…

Ainda não contei onde foi o tal jantar grego, mas o ambiente e a anfitriã merecem apresentação especial. Pra mim, o Café com Arte, da querida Cristina Valenti, é o bistrô mais aconchegante de Bento Gonçalves. É o tipo de lugar em que você chega, senta e, depois de meia hora, já se sente à vontade pra pegar sua própria bebida e opinar sobre o cardápio. Não tem frescura… você pode levar as crianças e, com certeza, elas vão achar o que fazer.

A casa antiga é de uma requintada singeleza (pode isso?) e abriga, além do café, um brechó e uma escola de música. O futon ao ar livre é onde gosto de me recostar e deixar que o tempo passe. O cardápio é honesto e consiste em um prato do dia para almoço e jantar (preço entre R$ 25,00 e 35,00) e algumas opções de boquinha. Tem uma pizza caseira de atum que é simplesmente o sabor da infância e um bolinho sem lactose e sem glúten servido com geleia de flores de pirar o cabeção dos celíacos.
Vale a pena ligar antes de sair de casa, porque às vezes o Café fecha para eventos particulares – o que também é ótimo, se você quer reunir os amigos no seu aniversário, mas não sabe onde. O espaço é pequeno e, quando enche, você pode sentar num banquinho no corredor mesmo. Mas nesse dia em especial, o dia do Jantar Grego, foi montada uma estrutura “profi” com tenda, mesas, lustres e castiçais na parte externa do café. Essa foi a minha primeira experiência com comida grega, então achei que faltou o garçom detalhar um pouco mais o prato no momento de servir. Acabei catando as informações na internet pra publicar aqui.

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O couvert era bem simpático. Pão pita (que depois descobri ser o mesmo que pão sírio) com três tipos de pasta: 1- azeitona; 2- iogurte com pepino e alho; 3- berinjela (o melhor, para mim). Tudo tem berinjela ou azeitona. Ou seja, é pra quem aprecia pratos bem marcantes.

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A entrada foi o melhor prato, a Melitzanosalata, ou salada de berinjela. Não dá pra decifrar tudo o tinha ali, mas o sabor era complexo e delicioso. A fortidão da berinjela contrastava com a doçura de passas brancas e a crocância de nozes.

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O prato principal cuja pronúncia nem tentei era o Soutzoukakia e Moussaka. Dá resumir como almôndega de carne bovina e de carneiro com um molho vermelho bacana servido sobre uma caminha de berinjela com batatas. Legal, mas a medalha de ouro ainda permaneceu com a entrada.

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Como sempre, na hora da sobremesa eu mal conseguia respirar, que dirá comer. A tal da Baklava é uma massa folhada com nozes e castanhas. Bom também, mas nessa hora um garçom já estava posicionando uma pilha de pratos limpos no meio do salão. Era chegada a hora!

Havia uma grande caixa de metal com tijolos no fundo pra facilitar a vida de algum azarão e garantir que o prato ia se quebrar com a queda. A caixa devia ter algo em torno 1,5m X 1,5m. Tudo o que eu tinha de fazer era me aproximar e jogar o prato dentro dela. Infelizmente errei a mira, meu prato escorregou pela borda da caixa e alçou voo se espatifando nos pés de uma moça que desfrutava do jantar com seu acompanhante. Fiquei vermelha, paguei a conta e fui embora. Agora estou arrependida. Devia ter ficado e bebido um pouco mais.
De qualquer forma, quero salientar que a situação foi absolutamente desproposital. O meu prato enfim, caiu e quebrou. Mas quebrou no lugar errado e atingiu uma pessoa, então fiquei em dúvida se o ritual valeu. Sorte minha que não me apego a essas coisas. Tenho achado que meu ano está sendo exitoso – afinal, estou aqui escrevendo pra vocês.

Ops, ia esquecendo de contar o preço do Jantar Grego: R$ 95,00 por pessoa, sem bebida.

Enfiando o pé na jaca parte 1: Casa Valduga

Tem dia pra homenagear de tudo nessa vida: o sol, os solteiros, o orgasmo… Aproveitei que semana passada foi comemorado o Dia Mundial do Macarrão pra enfiar o pé na jaca da dieta. Pesquisando sobre o assunto, descobri que o Brasil é o terceiro maior consumidor de massas do mundo, perdendo apenas para Itália e Estados Unidos.
Obviamente, nunca havia calculado quanta massa costumo comer, mas fiz umas contas rápidas pra verificar se eu estava dentro da média de seis quilos de macarrão que um brasileiro consome por ano, em média. Bom… levando em conta quantos dias tem num ano e quantas porções de massa têm num quilo, sinto informar que devo comer por mim e mais uns três amigos celíacos. :-O
Enfim, se há lugar ideal para massamaníacos é a Serra Gaúcha. Creio que massas e pizzas sejam a especialidade em 80% dos restaurantes por aqui. Chutei baixo? Um turista ou morador da terrinha pode se esbaldar em dezenas de bons restaurantes. Mas eu, quando não quero arriscar, tenho meus preferidos.
Já tinha ido muitas vezes à Casa Valduga e achei superapropriado comemorar o Dia Mundial do Macarrão lá mesmo. A sequência completa custa R$ 52,00, que valeriam a pena só pela costelinha de porco com geleia de pimenta. Mas a experiência dá direito à música ao vivo na recepção (somente nos finais de semana e feriados) e uma refeição preparada somente com ingredientes da casa. Isso, na minha opinião, é que o torna cada restaurante único em sua proposta de comida italiana.

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É tudo muito típico. Na entrada, queijinho, salada verde que às vezes vem com uns grãozinhos de romã, radicci com bacon e pien – este último, sem demérito, prefiro passar reto. As folhas são todas orgânicas e produzidas na horta do restaurante, o que, além de saudável, garante um prato sempre fresco.

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Aí vem o galeto e o porquinho divinos… e começa o desfile de massas – algo que só vai pesar na sua consciência no dia seguinte. São todas feitas no próprio restaurante.

Não tenho bem certeza de quantas variedades são servidas, mas contei sete. São todas boas, mas a medalha de ouro vai pro torteloni com nozes.foto 2

Pra terminar, preciso fazer uma seriíssima confissão: não gosto de sagu! Calma, gente. Antes que as vaias comecem a ecoar, é que talvez eu nunca tivesse comido um sagu que prestasse de verdade. Por isso, sempre ficava com o pé atrás pra essa sobremesa queridinha da culinária italiana. Mas aí eu comi o sagu da Casa Valduga e……..bem………. não pude comer apenas uma taça. Acabei repetindo. Fiquei tão envolvida pelo sagu que esqueci de fotografá-lo!!!
Então é isso, gente. Saí de lá, digamos, macarronada, mas feliz! E como já não estava tão frio, pulei os vinhos e acompanhei o jantar com o brut rosé da casa.
O cardápio é pra se deleitar com mea culpa (porém, esporadicamente)! Qual a graça da vida sem um belo e suculento prato de macarrão? Dias atrás, alguém postou essa foto no Facebook, que eu achei sensacional e apropriada para um post com tanto carboidrato embutido como este.

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Semana que vem, tenho uma história hilária pra contar sobre um tal jantar grego e minha experiência de quebrar pratos perigosamente!