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Melhor de oito, um ranking dos Xis de Bento Gonçalves

Que momento, que delícia, que absurdo de quilocalorias! Semana passada, inventei de promover o primeiro Circuito de Degustação do blog Culinarismo – nessa edição de estreia, dedicado aos xis de Bento Gonçalves. O projeto era antigo, mas não se concretizava por falta de parceria. Afinal, mesmo sendo boa de garfo, acho que não conseguiria sobreviver sozinha a um desafio desses. Então, convoquei um marido para auditar a bagunça e convidei três amigas dispostas ao sacrifício – inclusive, de rachar a conta. Ao todo, portanto, foram cinco os “jurados”.

Antes que pipoque alguma polêmica, preciso frisar que este post não tem a intenção de ultrajar ou desmerecer nenhum dos estabelecimentos avaliados. Todos têm seus pontos fortes e fracos e, naturalmente, podem coexistir. A ideia aqui é apenas dar uma ajudinha pro consumidor indeciso, apontando os diferenciais de cada um. Outro ponto importante: ainda que estivéssemos em 10 pessoas, jamais seria possível provar todos os xis da cidade, até porque certamente não conheço todos. Então, pedi aos meus convidados algumas indicações e, pinçando as sugestões em comum, cheguei a uma lista de oito estabelecimentos: Beliskão, Chicão Lanches, Magnatas do Xis, Papa Burguer, Perera, Sierra Burguer, Xis Bocão e Xis Picanha.

x todos
Pra ser justa, a degustação foi totalmente às cegas – o preço foi revelado depois de cada rodada para verificarmos se o preço valia a entrega. E a procedência só foi revelada no final dos trabalhos. Obviamente, alguns deles são inconfundíveis, mas a intenção era não poluir a avaliação das pessoas com opiniões prévias. Pedi xis salada em todas as lancherias e bolei uma metodologia com cinco quesitos a serem preenchidos com notas de 1 a 5: Preço, Apresentação, Tamanho, Sabor e Custo/Benefício. Havendo médias iguais, venceu aquele que teve maior pontuação no quesito custo/benefício.
A questão da tele-entrega não foi avaliada, porque tornaria nossa degustação muito mais cara e longa. O que fizemos foi pedir todos os xis por telefone e buscá-los em sequência. Antes da degustação, colocamos no forno em temperatura média por um período de três a quatro minutos, pra garantir que ele estivesse o mais próximo possível de quando entregue. Mesmo sem ter usufruído do serviço, deixo abaixo os telefones para encomendas e cito os estabelecimentos que não têm entrega, porque isso faz toda a diferença naqueles dias de preguicinha!
Só mais uma consideração. Ficou claro nesse ranking que nem só de sabor, nem só de preço vive um xis. Tudo é uma questão de média e de preferência. Alguns diferenciais como o pão cervejinha, por exemplo, representaram pontos a mais para alguns e pontos a menos para outros. Estar bem prensado foi importante para alguns e irrelevante para outros. Mas num quesito todos concordaram: maionese de xis não pode ser industrializada!!!
Amei essa experiência e espero que vocês também curtam. Quem sabe não repetimos em breve, avaliando cachorros-quentes ou pizzas?!

Relembrando: as notas são de 1 a 5 e as plaquinhas indicam a ordem da degustação e não sua colocação no ranking.

 x boco

8º lugar: 

Xis Bocão – média 4,0
Preço do xis salada: R$ 17,00
Sem tele-entrega, encomendas pelo telefone 3452 6253.
O Xis Bocão é o melhor da cidade pra muita gente, mas perde no preço. Foi o mais caro de todos, mas ganhou elogios pelo sabor, pelo molho e por ser bem prensado. Teve ótimas notas nos quesitos tamanho e apresentação.

x chico

7º lugar:
Chicão Lanches – média 4,08

Preço do xis salada: R$ 11,00
Sem tele-entrega, encomendas pelo telefone 9995 5735.
De uma forma geral, o xis é muito bom e o preço também. Mas as regras da degustação eram claras: o xis tinha que ser comido como veio, sem acrescentar condimentos. Sendo assim, apesar do hambúrguer suculento e macio, do presunto elogiado e da maionese com sabor caseiro, foi consenso que faltou um pouco de sabor.

x pereira

6º lugar: 

Xis do Perera – média 4,08
Preço do xis salada: R$ 10,50
Tele-entrega pelo telefone 2621 5073.
Simples e gostoso, o xis salada do Perera tem hambúrguer macio e tomate fresco. Uma das degustadoras considerou que o hambúrguer poderia ser mais grelhado, mas nada que comprometesse a nota final. O que ficou um pouco a desejar foi o tamanho, mas se justifica pelo preço.

x magnatas

5º lugar:
Magnatas do XIS – média 4,12

Preço do xis salada: R$ 12,50
Tele-entrega pelo telefone 3451 2711 (Magnatas do Centro)
Aqui a opinião foi unânime: o hambúrguer estava duro, mal passado e tinha mais sal que o necessário. Ainda assim, as notas foram elevadas pela apresentação do xis e pela maionese, que era simplesmente maravilhosa.

 x belisko

4º lugar:
Beliskão – média 4,24

Preço do xis salada: R$ 10,00
Tele-entrega pelo telefone 3451 5454.
O preço imbatível deu ao xis do Beliskão o quarto lugar. Mas não é só isso: ele também foi o maior de todos. A carne também estava macia e o xis era bem molhadinho, mas…foi detectada maionese industrializada – e de marca duvidosa!

x papa burguer

3º lugar: 

Papa Burguer – média 4,28
Preço do xis salada: R$ 13,00
Tele-entrega pelo telefone 3454 1515.
Inconfundível, o xis do Papa Burguer é daqueles que dividem opiniões. Alguns acham divino, outros acham meio “espalhadão”. Tem que adore o pão, outros não curtem. Ainda assim, ele arrebatou a medalha de bronze e levou nota excelente no quesito apresentação. Eu, particularmente, não vejo necessidade de colocar batata palha no xis, mas uma degustadora apontou isso como ponto positivo, então está registrado!

x sierra

2º lugar:
Sierra Burguer – média 4,52

Preço do xis salada: R$ 16,00
Tele-entrega pelo telefone 3701 3749.
Antes que alguém se manifeste dizendo que “Sierra Burguer não é xis”, tenho dois argumentos em defesa dos jurados: foi pedido xis salada, como nos demais, e seria injustiça deixa-lo de fora. O Sierra foi o único que teve nota máxima nos quesitos sabor e custo/benefício. Só perdeu a medalha de ouro pelo preço e tamanho. Fora isso, os comentários foram: o melhor sabor, a melhor apresentação, aroma incrível, perfeito sabor de churrasco, pão ótimo. Não precisa dizer mais nada, né?!

 x picanha

1º lugar: 

X Picanha – média 4,72
Preço do xis salada: R$ 12,00
Tele-entrega pelo telefone 3702 1020.
O tradicional xis quadradinho gabaritou nos quesitos preço e apresentação. Com hambúrguer bem temperado, cheirinho de manteiga no pão e um queijo muito diferente (parecido com colonial), esse xis ainda tinha uma boa porção de tomate suculento. A única crítica é que faltou um pouco de molho. Ainda, assim, é dele a medalha de ouro do primeiro Circuito de Degustação do Culinarismo…Parabéns!!!

* Um agradecimento especial às garotas que serviram como cobaias e ao exemplar maridinho que fez muito além de comer: criou um gabarito especial pra gente cortar cada xis em cinco fatias iguais, fez papel de garçom esquentando e servindo as moças e ainda forneceu um licorzinho no meio da rodada pra gente conseguir terminar o desafio!!!

La Cosina, almoço da mamãe entregue em casa

Na gastronomia, notícias boas se espalham tão rápido quanto as ruins…e essa boa nova foi soprada no meu ouvido por uma amiga querida que sempre tem ótimas dicas pro blog. Há tempos vinha procurando uma opção de comida boa e barata pra provar esta minha tese, mas sempre acabava postergando porque a linha editorial que eu defini pro blog traz dois princípios básicos: a novidade e o inusitado. De fato, tem muita coisa boa no mercado, mas alguns já são se conhecimento público e outros têm uma proposta comum.

Faltava, portanto, encontrar algo tão bacana quanto uma marmita executiva com gosto de comida caseira, que não pingasse gordura e que tivesse um preço realmente muito atrativo. O La Cosina, de Bento Gonçalves, te entrega em casa um almoço completo por R$ 10,00 sem custo de tele-entrega. Duvidou? Mas é isso mesmo…e pra comprovar se o sabor é tão bacana quanto a proposta, fiz um test drive durante cinco dias.

Na segunda, comi arroz à jardineira com frango grelhado, abóbora caramelada e saladinha.

Na terça, adorei o basicão de arroz, feijão, couve refogada e molho de carne.

Quarta-feira, fui agraciada com um bifinho a parmegiana, salada e arroz. Delícia!!!

Na quinta-feira, um purezinho de batata, tirinhas de carne aceboladas e salada.

Fechando a semana, massa ao molho sugo, frango a milanesa com abacaxi e salada.

O tempero de tudo é bem caseiro, a comida tem pouco sal e nada daquele gostinho de caldo de galinha. Toda essa semana de almoço custou um total de R$ 50,00 sendo entregue em casa pontualmente no horário combinado. O La Cosina começou há um mês em Bento Gonçalves. É um negócio superfamiliar e com capacidade limitada de produção – 25 marmitas executivas por dia. É uma solução e tanto pra quem não tem tempo de cozinhar e não quer comer fora ou precisa almoçar no trabalho. Além de o preço ser incrível, aprovei a quantidade de comida que vem na marmita, na medida exata – nem demais, nem de menos. As marmitas todas eu lavei e deixei guardadas. Elas são ótimas pra congelar comida ou guardar aquela sobrinha do jantar.

La Cosina Tele-entrega de marmita executiva Telefone: (54) 3701-3979 ou 9249-6868 www.facebook.com/lacosina.bento

O irrepreensível Irlandês

O livre arbítrio: defendo hoje e defenderei sempre. Assim sendo, como todo mundo tem direito de ser o que é (desde que isso não fira a integridade dos outros, tipo ser psicopata, canibal ou sonegar impostos), vamos partir do princípio que não é pecado gostar de carne! Pois se você pertence ao time dos carnívoros, como eu, não pode deixar de conhecer O Irlandês Stackhouse – em Gramado, bem na entrada, muito fácil de achar. Posso seguramente afirmar que esse restaurante figura no meu Top 5 e muito possivelmente ocupa lugar no pódio.

irlandes salao

O ambiente é meio pub, meio restaurante. Você pode comer em qualquer um dos espaços, dependendo do grau de sossego que desejar. A carta de cervejas traz mais de 50 rótulos nacionais e importados de primeira linha. Abri os trabalhos com uma Saint Bier Belgian Golden Ale, que eu sempre acabo pedindo quando estou em dúvida. É uma pedida espetacular. Dourada, encorpada e desce bem. Enquanto curtia a primeira rodada esperando a entrada, o músico da casa veio se apresentar e o garçom quis saber se a cerveja estava ao ponto. Plim! Ganharam um pontinho extra só pela cortesia.

irlandes entrada

Como entrada, pedi Torta Irlandesa, um tipo de escondidinho com carne

refogada na cerveja Guiness e coberta por purê de batata. Serviu bem duas pessoas. Indico!

O prato principal, obviamente, são as carnes de diversos cortes e origens. Primeiro, você opta entre bovino, suíno, peixe, frango ou cordeiro. Aí o cardápio traz uma lista grande de guarnições da qual se escolhe duas como acompanhamento. O prato é individual. Como fui acompanhada, tive a oportunidade de provar duas opções inesquecíveis.

irlandes tbone

O primeiro foi um T-bone suculento acompanhado por cebolas grelhadas e jacket potato.

Sabor nota 10, ponto da carne nota 10, visual do prato nota 10. Já poderia ir embora plenamente satisfeita…

…Mas é aí que vem o tchã! Quem gosta de experiências gastronômicas vai entender o meu ponto de vista. Qual a vantagem de conhecer novos restaurantes – e pagar bem por isso – se você não tiver coragem de provar a especialidade da casa? Fui posta à prova nesse dia, pois minhas experiências pregressas com cordeiro não tinham sido das melhores. Meti o carão e pedi o tal cordeiro totalmente na confiança, pois estava escrito em letras garrafais no cardápio: NOSSA ESPECIALIDADE. Essa era a única opção da casa que já vinha com uma sugestão de guarnições. Aceitei o prato como estava sugerido: escalopes de Cordeiro com molho acompanhado de purê de cará e couve frita. Definitivamente, não me arrependi do tiro no escuro.

irlandes cordeiro
Em todo esse ínterim, os garçons vieram à mesa saber se a carne estava no ponto, se a cerveja estava agradando, se desejávamos uma foto de lembrança. Coisa de outro planeta? Na verdade, é só atendimento de qualidade. E aliás, não sei como a gente acaba aceitando ser tratado com displicência no dia a dia, quando você está pagando pra ser servido. Por essas e outras, é que coloquei O Irlandês na minha listinha preferencial.
No caixa, fomos atendidos pelo proprietário, que ainda chamou a cozinheira pra que eu externasse pessoalmente meus elogios.

O Irlandês foi simplesmente irrepreensível. O jantar todo custou R$ 114,70 (entrada + dois pratos – sem bebida). E para a alegria do turista, a casa oferece transporte gratuito de hotéis em Gramado e te atende praticamente a qualquer horário. Aberto das 11h30min até a meia noite, o Irlandês te serve um bom almoço a qualquer horário, pois não fecha durante a tarde.

O Irlandês Stackhouse
Avenida das Hortênsias, 1511, Gramado – RS
Fone (54) 3286 3963
Aberto todos os dias das 11h30min às 24h
www.oirlandes.com.br

Hambúrgueres do mundo no interior de Farroupilha

Um passeio pelo interior da Serra Gaúcha sempre vale a pena. Se desembocar num café supercharmoso e cheio de ideias inusitadas pra cativar o cliente, é ainda melhor. Depois de uns meses fechado pra balanço, o Estação Café Blauth, no interior de Farroupilha, reabriu com rodada dupla de chopp artesanal toda sexta de noite, café da manhã americano aos domingos e um cardápio pra lá de variado, indo da tradicional pizza até petiscos mexicanos.

blauth fachadaA decoração tem um tom todo vintage que deixa o café ainda mais aconchegante. Além das fotos em P&B nas paredes, no balcão há uma coleção sensacional de caixinhas de fósforo promocionais. Hoje em dia não é mais tão comum esse tipo de brinde, afinal, o público fumante caiu muito. Mas se você foi a algum lugar bacana, ganhou uma dessas e não pretende usar, pode contribuir com a decoração do Estação Café Blauth.

Created with Nokia Smart Cam

blauth sucoPra abrir os trabalhos, fui direto nos sucos e gasosas da casa. Essa gasosa de trás é bem refrescante, de maçã verde. Mas o que realmente vale a pena é este suco de frutas vermelhas com morango, framboesa e mirtilo rusticamente batidos. Dá pra sentir os pedacinhos das frutas e do gelo. O suco dispensa totalmente a adição de açúcar e o tchan dele, sem dúvida, foi saber que os mirtilos são plantados ali mesmo, logo atrás do café. Ou seja, além de uma delícia, é um exemplo de produção consciente.

A proposta toda do lugar é legal e o cardápio deixa até uma pontinha de indecisão, mas fui ao Café Blauth especialmente pra degustar a grande vedete do menu: os novos hambúrgueres com sabores do mundo. Primeiro: esqueça suas experiências pregressas com xis. Não tem absolutamente nada a ver. Trata-se de um verdadeiro prato gourmet, com hambúrguer de picanha e ingredientes importados, inclusive. São três opções: hambúrguer americano, francês e uruguaio. Na dúvida e para melhor avaliar, lógico, pedi um de cada. Difícil escolha, mas no final elegi o meu favorito.

blauth americanoO americano é uma opção bem tradicional e com sabor marcante por conta do molho barbecue, que não podia faltar. Leva ainda picles, alface americana e bacon – tudo bem adequado à proposta. Nota 10. (repare na qualidade dos condimentos logo atrás do hambúrguer. Nada de sachê de marca ruim, é Heinz mesmo!)

blauth francesO francês, por outro lado, é um hambúrguer de sabor ultradelicado, com ingredientes importados e dedicado ao cliente que aprecia uma experiência gastronômica mais suave. O pão já é diferente, estilo brioche. No lugar da alface, rúcula e o queijo muçarela aqui é substituído por gouda. Pra um francês que se preze, não podia faltar mostarda dijon. Nota 10 também.

blauth uruguaio

Todos sabemos que gostos não se discutem, mas no meu pódio o primeiro lugar é para o hambúrguer uruguaio – rústico e suculento, como manda o figurino. O pão é cervejinha e o toque especial fica por conta de pimentões e tomates grelhados…tudo muito bem temperado com molho parrillero. Nota 1000!
Obviamente depois dessa refeição não deu sequer pra pedir uma sobremesa. Mas encarei outro suco pra encerrar, porque era simplesmente divino! Cada hambúrguer desse custou R$ 19,00. O suco sai por R$ 4,50. Continha módica perto da experiência vivida!

Estação Café Blauth
VRS-813, quilômetro 09, Desvio Blauth
Farroupilha/RS
Fone (54) 3261 9478
Aberto às sextas, sábados e domingos
Cartões: Visa e Master
Link para o facebook aqui!

 

Banquete alemão sem precedentes

Nunca entre despreparado num restaurante alemão, sob risco de não chegar aos pratos principais e deixar passar a belezura de um apfelstrudel com sorvete de creme. Esse é um programa para os fortes: gente capaz de aguentar temperos marcantes e comida em quantidade absurda.

Se a pedida é enfiar o pé na jaca meeeesmo, vale deixar a dieta pra depois e partir com tudo pro Otto Restaurante, localizado dentro do Hotel Ritta Höppner, bem em frente ao Minimundo, em Gramado. Não diga que não avisei, é uma refeição para os fortes, em um lugar encantador – um pedacinho da Alemanha bem aqui perto de nós.

Ainda escolhia o que beber quando o garçom chegou com a primeira leva, uma familiar salada de batatas e pães com mostardas diversas. Bom pra começar, mas não vale a pena perder muito tempo nisso aí, porque logo vem a parte que interessa.

As guarnições de um almoço alemão ocupam toda a mesa. Não é tão simples, mas vale a pena provar um pouquinho de cada coisa. Para mim, o ponto alto foi o bolinho de batata com purê de maçã (esse na parte de baixo da foto) e uma massa cozida no queijo com linguiça. Mas ainda tinha chucrute, repolho roxo, purê de batatas (deu pra perceber que alemães comem muita batata), arroz com cogumelos, língua ao molho de ervilha (passei) e bife a rolê. Enquanto tentava ordenar todos esses pratos, o querido do garçom já trazia as carnes…

   Pato ao molho de frutas vermelhas                                                                                          Suíno defumadinho!

   Suíno empanado ao molho de nata e ervas – muito bom!                                                 …E o famoso joelho de porco

O almoço dava direito à repetição de tudo, incluindo as guarnições que já estavam sobre a mesa. Eles não deixam nenhuma opção acabar e nada esfriar. O serviço não para. Mas chega um momento que você simplesmente não consegue mais.

Então, além de um bom café espresso, me rendi a um último pecado: o apfelstrudel com sorvete. Prefiro não pensar quanta manteiga leva essa receita, o que na verdade não faz a menor diferença depois de tanta comilança. A culinária alemã é ótima…pra ocasiões esporádicas. Alguém como eu, que não sabe o que é comer moderadamente, não deveria comer algo assim mais do que uma vez por ano! Mas superindico a experiência pra quem curte um porquinho e não tem restrição a batata!!!
O almoço sem bebida e com a sobremesa inclusa custou R$ 52,00 mais os famosos 10% = R$ 57,20.

Otto Restaurante – Hotel Ritta Höppner
Rua Pedro Candiago, 305 – Bairro Planalto
Gramado/RS Brasil
Fone: (54) 3286 1334
www.rittahoppner.com.br

O sabor cosmopolita de Buenos Aires – parte 1

Minhas férias em Buenos Aires terminaram com quilos a mais na balança e um peso extra na consciência. A cidade é linda, sob todos os aspectos. A mim, encantou cada ladrilho, vitral e fachada centenária. Em suas calçadas românticas, minha imaginação viajou pelos áureos anos do início do século passado. A história dita o tom do lugar e cada passo dá uma foto perfeita. Mas essa viagem – que lástima – não teve o mesmo brilho. A Argentina passa por maus bocados e registrou o verão mais quente em 30 anos. Não pude ficar alheia ao fato de que boa parte da população portenha passou até 20 dias sem luz, mesmo que no meu quarto de hotel o ar condicionado proporcionasse uma noite de sono tranquila.
As poucas lojas da rua Florida que aceitam cartão estavam liquidando o estoque com pagamento em dinheiro porque não tinham energia elétrica pra se manter funcionando. O recolhimento do lixo também estava prejudicado e muitos moradores reclamaram do descaso da empresa fornecedora de energia. A situação política atual é bem turbulenta. Em meio ao caos da falta de luz, a presidente Cristina tomou um belo chá de sumiço e sequer enviou uma mensagem de feliz ano novo para os argentinos.

Dito isto, vamo-nos ater aos quilos que ganhei em Buenos Aires, dos quais não me arrependo – embora pretenda perdê-los em breve. Verdade seja dita: o serviço dos restaurantes vai de ruim a péssimo, o atendimento é demorado, quase nenhum estabelecimento aceita cartão e existem algumas peculiaridades locais a serem entendidas. Além da ‘propina’ para o garçom, com a qual já estamos acostumados por aqui também, existe a estranhíssima taxa de ‘cubiertos’: ou seja, simploriamente falando, você paga pelos talheres que usa. Na verdade, é uma taxa adicional obrigatória pelos serviços da casa. Estranho, mas faz parte da cultura local e não vale a pena perder o sono nem as refeições memoráveis que se pode fazer por causa desses pesos a mais.
A capital portenha me ofereceu experiências incríveis que quero dividir com vocês em dois posts: a melhor carne, o melhor sushi, a melhor comida mexicana e o melhor restaurante natureba da minha vida até então! Além, claro, de drinks muito loucos em porões escuros e uma overdose de cerveja de bar em bar. A propósito, entre Quilmes e Imperial, a segunda me caiu bem melhor!
Nossa saga culinária em Buenos Aires começou com uns bons drinks no Florería Atlántico, um lugar surpreendente oculto nos porões de uma floricultura e loja de vinhos localizada no Retiro.

floreria vista geral

O Atlántico oferece muito mais que uma carta incrível de coquetéis inspirados nos países que povoaram a Argentina. Pra chegar ao bar eleito pela Drink International como o melhor da América Latina e Caribe em 2013, você deve entrar na loja e descer as escadas que se escondem atrás de uma porta de câmara frigorífica.

floreria paredesO cenário é envolvente e nos leva aos mistérios do fundo do mar, com seres mitológicos desenhados a mão nas paredes, pratinhos esmaltados e coquetéis servidos em vidrinho de azeitona (!!!). Tudo de uma displicência calculada que torna o bar ainda mais genial!

floreria comida floreria drink

Dizem que o bar pertence a três dos melhores barmans de Buenos Aires, o que não é de se duvidar, se você levar em conta a complexidade da carta de drinques. As opções são divididas por nomes de países, com bebidas típicas dos povoadores da Argentina e, no final, algumas opções extras também – como a capirinha. Impossível provar uma delícia de cada país, porque são muitas e eu certamente daria Perda Total. Mas tomamos um drinque inglês e uma francês, ambos bem ‘diferentex’.

A parilla dá o tom de Buenos Aires, claro! Ela está em todos os cardápios (praticamente todos, como vou contar no próximo post) e, além da qualidade excelente, você encontra bons pratos a um preço muito módico quando comparado ao Brasil. Conheci algumas ‘cabañas’ locais que servem os melhores cortes da Argentina, inclusive uma que cria o próprio gado. Mas o suprassumo do bom atendimento, requinte e da melhor carne da minha vida foi o La Cabaña, em Puerto Madero.

la cabana salao

Com vista para o Rio da Prata, o restaurante tem meros 79 anos de tradição, uma carta de vinhos capaz de agradar ao paladar mais exigente e uma extensa lista de clientes famosos.

Olha quem já compartilhou o mesmo recinto comigo?

la cabana madonna

Os restaurantes de Buenos Aires servem entradas deliciosas, com pães quentinhos e um bom vinagrete ou chimichurri pra acompanhar. No La Cabaña não foi diferente. Como o prato principal demora bastante em função do tempo de preparo, você vai se divertindo com alguns mimos enquanto espera. Mas não vale passar da conta na entrada, porque o bom mesmo é a carne. O Gran Baby Beef da casa leva quase uma hora pra ficar pronto, mas como fui ao restaurante pra lá da meia noite, eles apressaram um pouco o preparo dividindo o corte ao meio. Nada que comprometesse a delícia desse prato.

la cabana carne

Se você vai ao país da parilla, não dá pra sair de lá sem uma boa história pra contar. Um restaurante desse nível tem seu preço, mas considerando que é perfeitamente possível gastar menos de 100 reais em ótimas refeições para duas pessoas, então vale a pena separar 800 pesos argentinos pra ter uma experiência única dessas.

La Barrica La Barrica Chorizo

Outra parada gastronômica obrigatória – essa, muito mais roots – é o Caminito. Impossível passar por ali e não se deleitar num belo chorizo ao som de tango e acompanhado por uma Quilmes gelada. Como turista que se preze, obviamente paguei uns trocados pra tirar uma foto fake dançando tango. Mas essa está muito bem guardada!

Tenho mais pra contar, mas deixo pro próximo post! Você não vai acreditar na maravilhosa alternativa natureba que Buenos Aires oferece pra quem não come carne ou precisa desintoxicar!

Florería Atlántico

Arroyo 872, Buenos Aires

facebook.com/FloreriaAtlantico

La Cabanã

Alicia Moreau de Justo, 380

www.lacabanabuenosaires.com.ar

La Barrica

Magallanes, 845, Caminito

www.labarrica.com.ar

Valle Rústico, uma experiência revigorante

A maioria das pessoas, quando sai para comer, espera ser atendida e servida em 10 minutos. Comemos a galope e pagamos a conta rapidinho pra desocupar a mesa. Afinal, deve haver um consenso de que lugares lotados são os melhores. Nunca lhe aconteceu de o garçom levar os pratos enquanto você ainda mastiga? Não é apenas impressão, eles estão lhe enxotando. Isso é fast food – um monstro que nós ajudamos a alimentar todos os dias, com a pressa e a completa displicência com o que entra no nosso corpo.
Mas nem todo lugar é assim… esta é a história de como subi de uma só vez pelo menos 10 degraus rumo ao meu presente de Natal…
Minha mãe teve uma experiência desagradável com seus cabelos recentemente. Como toda a mulher, ela é do tipo que vai mudando de cabelo conforme muda a vida… Para cada decepção, um tom a menos, um repicado a mais. Infelizmente, ela caiu na armadilha de testar um novo cabeleireiro. Sabe-se lá o que deu errado, mas ela saiu do salão um pouco, digamos, mudada. Nos dias que se seguiram, ela mal colocou os pés pra fora de casa. É incrível como o humor de uma mulher pode ser afetado por essas coisas…
Achei que daria uma animada levar a “muié” pra afogar as mágoas numa sequência de pizzas artesanais maravilhosa no Valle Rústico – no 15 da Graciema, bem escondidinho entre as belezas do Vale dos Vinhedos. Esse restaurante é daqueles românticos, retirados, perfeito pra brindar a dois. A vista é espetacular. Veja bem o que uma filha não faz pelo sorriso de sua mãe 😉
Nesse dia em especial, logo de cara já curti a recepção. Pra mim, o som ambiente fala muito sobre um restaurante. Você não pode agradar a gregos e troianos, mas continuar repetindo a mesma coletânea do Kenny G da década de 1990 é de doer. No Valle Rústico, tocava Franz Ferdinand quando cheguei. Não precisa dizer mais nada…
Tudo eram flores até que o garçom – um querido, por sinal – trouxe a notícia fatídica: as pizzas foram retiradas do cardápio 🙁
E agora? Sempre imaginei que esse fosse o carro-chefe da casa. Elas eram diferentes que qualquer pizza que eu tenha conhecimento na Serra Gaúcha: massa finíssima, farinhas especiais, uma combinação de coberturas irretocável. Bom, quem sabe se algumas pessoas reforçarem o coro, eles ressuscitem a sequência de pizzas. A propósito, já deixo registrado que, pra mim, a campeã das campeãs era a de camarão com gorgonzola!!!

Lamentações à parte, num restaurante como o Valle Rústico, tudo vale a pena. O cheff aprecia e entende tudo sobre carnes. Ele traz de família a tradição uruguaia de bons cortes e temperos fortes, como o chimichurri. E nessa vibe de slow food que o restaurante pratica, a única obrigação é desfrutar sem pressa do seu pedido. O cardápio traz algumas opções completas, com entrada + prato principal saem por R$ 68,00. A propósito, se você aprecia comida como eu, não pode deixar de ler um pouco sobre slow food.

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Antes da entrada, fomos seduzidos por um couvert de abobrinha com salmão defumado. Dos deuses! Pra beber, embora a carta de vinhos da casa seja boa e você também possa levar seu próprio vinho, pagando apenas a rolha, escolhemos uma Saint Bier. Tenho gostado cada vez mais dessa cerveja, especialmente a Belgian Golden Ale. Ela parece descer bem com tudo!
A entrada que pedimos também tinha abobrinha, mas o destaque era pra harmonização do azeite com os temperos. Não me pergunte do que se tratava exatamente, mas o que interessa é que estava tudo perfeitamente fresco. Muita coisa do cardápio vem diretamente da horta do restaurante.

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Como disse antes, o cheff entende tudo de carnes e as harmoniza com perfeição aos acompanhamentos, mas a fama dos risotos da casa também é grande. Sem saber se o resultado final valeria a pena, embarquei numa sugestão muito louca: risoto de linguiça defumada com funcho. Quem pensaria numa combinação tão inusitada? Paguei pra ver e fui totalmente surpreendida pelo visual e o sabor desse prato. Confesso que imaginei outra coisa e que na minha imaginação essa mistura não funcionava.

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Como o cardápio vai variando conforme a estação, talvez você não encontre esse risoto dos deuses – mas estou certa de que haverá tantos outros que valerão a pena. Nesse dia, pulei a sobremesa em prol de uma causa maior chamada dieta. Uma hora você tem que admitir que essa história de blog pode cobrar o seu precinho na balança!!! Eu, que não sou escrava dela, jamais abriria mão de um jantar como esse – que aliás, estava superbalanceado. Mas a sobremesa, sim, dá pra deixar pra próxima. Uma dica valiosa: seja lá qual for a sua escolha, na saída, não deixe de aceitar uma dose do limoncello de fabricação própria do Valle Rústico. Só de pensar, já estou salivando. O sabor é incrível e ajuda muito na digestão.

Sobre a minha mãe, acho que o convite deu uma animada. Ademais, as semanas se passaram e os fios cresceram… Não há nada que o tempo não alivie.

Valle Rústico
Linha Marcílio Dias, s/n, 15 da Graciema – Vale dos Vinhedos
No GPS:
Lat.: 29°11’55,9″
Long.: 51° 34′ 36,9″

Mapa

Telefone (54) 3459-1162 | (54) 8123-0080
www.vallerustico.com.br

Seduzida por um vendedor de frutas de luxo

Você não tem ideia de quanto pode custar uma caixinha de frutas até ir ao Mercado Público de São Paulo e ser seduzida por um vendedor de habilidade invejável e contador de causos comoventes:

“Era uma vez uma mulher de meia idade que acabara de perder o pai. Numa viagem de trabalho a São Paulo, ela passou despretensiosamente pelo Mercadão e parou em frente a este mesmo vendedor. Ele a convidou para degustar um pedaço de pitaya e a mulher lacrimejou. Seu pai sempre quis provar daquela fruta, mas não teve tempo.
– Então, quantas a senhora vai levar em honra ao seu pai?
E ela disse:
– Com esse preço, meu filho, vai pro diabo que te carregue!
– Bem, o dinheiro está aí pra ser bem aproveitado. Aquela mulher perdeu a oportunidade de ser feliz por um momento. Você não faria o mesmo, não é, moça? Leve logo duas!”

O cara não era meramente um quitandeiro. Era um consultor de vendas de artigos de luxo, só que perecíveis. Meu irmão, que mora em São Paulo e já conhecia aquelas delícias todas, foi se afastando de mansinho e me esperou umas quatro bancas depois. Ele sacou na hora a armadilha ($$$). Eu, extasiada com a combinação de sabores, me deixei seduzir. Com essa história de filha pão-dura e algumas argumentações a mais, o cara me fez desembolsar simplesmente 400 reais em frutas. Se estou arrependida?

bancaBem… até passou pela minha cabeça sair correndo e fingir que não era comigo. Mas até a embalagem dos caras é um capítulo à parte. Eles são muito profissionais. Acomodaram cada tipo de fruta bandejinhas de isopor com respiro. Depois, todas elas em um caixote de madeira muito bem lacrado com fita adesiva. Tudo acondicionado perfeitamente para viagem. No fim das contas, rachei o prejuízo com o “namorido” e saí feliz – com um sapato a menos no guarda roupa, mas sabores a mais no meu repertório. Diante de tantas cores, você também não ficaria tentado?

Levei tudo pra casa e comecei uma doce e paulatina degustação que se estendeu por um mês. Não me pergunte como, mas as frutas aguentaram. Trouxe cinco variedades diferentes, então vou fazer um ranking pra ficar mais emocionante!!!

abacaxi

5º lugar: Abacaxi Gomo-de-Mel

É muito, muito doce e muito, muito amarelo. É bem diferente de um abacaxi comum.

É mais suculento e bem pequeno, pra consumo individual mesmo.

Pra quem gosta de cítricos, é uma explosão de sabor.

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4º lugar: Decopon
Resumidamente, é uma bergamota gigantesca, doce e sem semente.

Descobri que, na verdade, o troço é um híbrido das frutas pokan e kiyomi (???) inventado pelos japoneses.

Valeu a experiência. Quem gostou mais foi a minha filha.

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3º lugar: Cherimoia 

É branca, macia e tem gosto de leite condensado – sério!

É uma alternativa muito louca pra quem está de dieta.

Você não acredita que aquilo é um produto da Mãe Natureza!

O consultor de frutas de luxo nos deu pra provar com gotinhas de limão siciliano por cima e ficou idêntico a mouse de limão. 🙂

pitaya

2º lugar: a famosa e emblemática Pitaya 
Ela é conhecida também como fruta do dragão por sua aparência escamosa

(agora me senti escrevendo uma reportagem para a editoria de saúde!).

É doce, mas suave. Lembra melão e fiquei sabendo que tem poucas calorias.

O preço, em compensação, é salgado. Cada uma custou mais de 40 reais e você pode não acreditar,

mas já passou um mês e ainda tem um exemplar desses intacto na minha geladeira!

morango

1º lugar: Morango com Tâmara
Morango todo mundo conhece, tâmara também não é tão difícil de encontrar.

Mas a combinação dos dois é surreal! Claro que os morangos do Mercadão eram gigantescos, doces… e caros.

Mas se eu pudesse voltar lá, eram os morangos com tâmaras que eu compraria de novo.

De tudo, o que ficou foi a experiência e meu bolso um pouco mais vazio. Sabe como é, um bom vendedor sempre consegue o que quer. Considerando uma cliente curiosa como eu, então, a venda era certa!

Faltou mira no jantar grego

Este é o relato de uma noite fria, estrelada e desastrada. É um daqueles momentos em que você prefere culpar a bebida, embora nem tenha entornado tanto assim. Nesse dia, atestei mais uma vez que a extrema empolgação pode comprometer suas funções motoras.

Quem me conhece sabe o quanto gosto de ocasiões temáticas. Pra uma festa à fantasia, nem preciso de pretexto. E se eu já gosto de comer, jantares temáticos são uma tentação ainda mais irresistível. Dito isto, soube que em Bento Gonçalves haveria um jantar grego e coloquei meu nome na fila sem sequer perguntar o preço (a propósito, nunca faça isso!). Não sabia nada de comida grega, além da quebradeira de pratos que deveria acontecer no final.
Dias antes do dito jantar grego, uma amiga me avisou: quebra com força, porque se o prato ficar inteiro, dá azar pra toda vida. Fiquei muitíssimo preocupada e imaginativa. Não deu outra: na hora de quebrar o bendito prato, mirei cá e acertei lá. Acho que vocês merecem saber o que deu errado, mas só no final! Antes, vamos ao que interessa: ojantar…

Ainda não contei onde foi o tal jantar grego, mas o ambiente e a anfitriã merecem apresentação especial. Pra mim, o Café com Arte, da querida Cristina Valenti, é o bistrô mais aconchegante de Bento Gonçalves. É o tipo de lugar em que você chega, senta e, depois de meia hora, já se sente à vontade pra pegar sua própria bebida e opinar sobre o cardápio. Não tem frescura… você pode levar as crianças e, com certeza, elas vão achar o que fazer.

A casa antiga é de uma requintada singeleza (pode isso?) e abriga, além do café, um brechó e uma escola de música. O futon ao ar livre é onde gosto de me recostar e deixar que o tempo passe. O cardápio é honesto e consiste em um prato do dia para almoço e jantar (preço entre R$ 25,00 e 35,00) e algumas opções de boquinha. Tem uma pizza caseira de atum que é simplesmente o sabor da infância e um bolinho sem lactose e sem glúten servido com geleia de flores de pirar o cabeção dos celíacos.
Vale a pena ligar antes de sair de casa, porque às vezes o Café fecha para eventos particulares – o que também é ótimo, se você quer reunir os amigos no seu aniversário, mas não sabe onde. O espaço é pequeno e, quando enche, você pode sentar num banquinho no corredor mesmo. Mas nesse dia em especial, o dia do Jantar Grego, foi montada uma estrutura “profi” com tenda, mesas, lustres e castiçais na parte externa do café. Essa foi a minha primeira experiência com comida grega, então achei que faltou o garçom detalhar um pouco mais o prato no momento de servir. Acabei catando as informações na internet pra publicar aqui.

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O couvert era bem simpático. Pão pita (que depois descobri ser o mesmo que pão sírio) com três tipos de pasta: 1- azeitona; 2- iogurte com pepino e alho; 3- berinjela (o melhor, para mim). Tudo tem berinjela ou azeitona. Ou seja, é pra quem aprecia pratos bem marcantes.

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A entrada foi o melhor prato, a Melitzanosalata, ou salada de berinjela. Não dá pra decifrar tudo o tinha ali, mas o sabor era complexo e delicioso. A fortidão da berinjela contrastava com a doçura de passas brancas e a crocância de nozes.

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O prato principal cuja pronúncia nem tentei era o Soutzoukakia e Moussaka. Dá resumir como almôndega de carne bovina e de carneiro com um molho vermelho bacana servido sobre uma caminha de berinjela com batatas. Legal, mas a medalha de ouro ainda permaneceu com a entrada.

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Como sempre, na hora da sobremesa eu mal conseguia respirar, que dirá comer. A tal da Baklava é uma massa folhada com nozes e castanhas. Bom também, mas nessa hora um garçom já estava posicionando uma pilha de pratos limpos no meio do salão. Era chegada a hora!

Havia uma grande caixa de metal com tijolos no fundo pra facilitar a vida de algum azarão e garantir que o prato ia se quebrar com a queda. A caixa devia ter algo em torno 1,5m X 1,5m. Tudo o que eu tinha de fazer era me aproximar e jogar o prato dentro dela. Infelizmente errei a mira, meu prato escorregou pela borda da caixa e alçou voo se espatifando nos pés de uma moça que desfrutava do jantar com seu acompanhante. Fiquei vermelha, paguei a conta e fui embora. Agora estou arrependida. Devia ter ficado e bebido um pouco mais.
De qualquer forma, quero salientar que a situação foi absolutamente desproposital. O meu prato enfim, caiu e quebrou. Mas quebrou no lugar errado e atingiu uma pessoa, então fiquei em dúvida se o ritual valeu. Sorte minha que não me apego a essas coisas. Tenho achado que meu ano está sendo exitoso – afinal, estou aqui escrevendo pra vocês.

Ops, ia esquecendo de contar o preço do Jantar Grego: R$ 95,00 por pessoa, sem bebida.

Enfiando o pé na jaca parte 1: Casa Valduga

Tem dia pra homenagear de tudo nessa vida: o sol, os solteiros, o orgasmo… Aproveitei que semana passada foi comemorado o Dia Mundial do Macarrão pra enfiar o pé na jaca da dieta. Pesquisando sobre o assunto, descobri que o Brasil é o terceiro maior consumidor de massas do mundo, perdendo apenas para Itália e Estados Unidos.
Obviamente, nunca havia calculado quanta massa costumo comer, mas fiz umas contas rápidas pra verificar se eu estava dentro da média de seis quilos de macarrão que um brasileiro consome por ano, em média. Bom… levando em conta quantos dias tem num ano e quantas porções de massa têm num quilo, sinto informar que devo comer por mim e mais uns três amigos celíacos. :-O
Enfim, se há lugar ideal para massamaníacos é a Serra Gaúcha. Creio que massas e pizzas sejam a especialidade em 80% dos restaurantes por aqui. Chutei baixo? Um turista ou morador da terrinha pode se esbaldar em dezenas de bons restaurantes. Mas eu, quando não quero arriscar, tenho meus preferidos.
Já tinha ido muitas vezes à Casa Valduga e achei superapropriado comemorar o Dia Mundial do Macarrão lá mesmo. A sequência completa custa R$ 52,00, que valeriam a pena só pela costelinha de porco com geleia de pimenta. Mas a experiência dá direito à música ao vivo na recepção (somente nos finais de semana e feriados) e uma refeição preparada somente com ingredientes da casa. Isso, na minha opinião, é que o torna cada restaurante único em sua proposta de comida italiana.

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É tudo muito típico. Na entrada, queijinho, salada verde que às vezes vem com uns grãozinhos de romã, radicci com bacon e pien – este último, sem demérito, prefiro passar reto. As folhas são todas orgânicas e produzidas na horta do restaurante, o que, além de saudável, garante um prato sempre fresco.

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Aí vem o galeto e o porquinho divinos… e começa o desfile de massas – algo que só vai pesar na sua consciência no dia seguinte. São todas feitas no próprio restaurante.

Não tenho bem certeza de quantas variedades são servidas, mas contei sete. São todas boas, mas a medalha de ouro vai pro torteloni com nozes.foto 2

Pra terminar, preciso fazer uma seriíssima confissão: não gosto de sagu! Calma, gente. Antes que as vaias comecem a ecoar, é que talvez eu nunca tivesse comido um sagu que prestasse de verdade. Por isso, sempre ficava com o pé atrás pra essa sobremesa queridinha da culinária italiana. Mas aí eu comi o sagu da Casa Valduga e……..bem………. não pude comer apenas uma taça. Acabei repetindo. Fiquei tão envolvida pelo sagu que esqueci de fotografá-lo!!!
Então é isso, gente. Saí de lá, digamos, macarronada, mas feliz! E como já não estava tão frio, pulei os vinhos e acompanhei o jantar com o brut rosé da casa.
O cardápio é pra se deleitar com mea culpa (porém, esporadicamente)! Qual a graça da vida sem um belo e suculento prato de macarrão? Dias atrás, alguém postou essa foto no Facebook, que eu achei sensacional e apropriada para um post com tanto carboidrato embutido como este.

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Semana que vem, tenho uma história hilária pra contar sobre um tal jantar grego e minha experiência de quebrar pratos perigosamente!