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Valle Rústico, equilíbrio perfeito entre eno e ecogastronomia

Existem muitos e maravilhosos restaurantes na Serra Gaúcha, todos com seu charme e seus temperos, mas se o mundo fosse acabar amanhã e eu tivesse apenas mais um jantar, não precisaria de três segundos para decidir o meu banquete final.

DSC_7194O Valle Rústico tem a estima e o respeito de toda a comunidade gastronômica da região e, a partir desse ano, o chef Rodrigo Bellora simplesmente abriu mão do cardápio em nome de um menu único. A decisão é audaciosa, mas longe de ser um capricho. Está atrelada tão e somente ao respeito pela natureza e ao que ela oferece dia a dia.

DSC_7197Esses são os princípios do movimento slow food – comida boa, limpa e justa. Cada prato do menu experiência vale por uma aula de cidadania e apesar da entrega irretocável, fica claro que a verdadeira mágica acontece muito antes da mesa. Preparar uma receita praticamente do zero, abrindo mão deliberadamente das facilidades que a indústria alimentícia oferece, é um processo complexo, delicado e, ao mesmo tempo, corajoso.

DSC_7207O Valle Rústico tem seis anos, mas a horta orgânica nasceu antes disso e foi crescendo em sua oferta até se tornar uma colônia. Hoje, alimenta até 800 pessoas por mês. São 12 hectares onde se cultiva tudo o que o restaurante necessita para seu cardápio e seu projeto que entrega semanalmente para um grupo de assinantes o melhor da produção livre de agrotóxicos.

DSC_7229Na propriedade há vaca leiteira e bezerros. A cozinha produz seu próprio queijo, iogurte, doce de leite, manteiga. Seu próprio mel, suas alcachofras, suas begônias. Suas frutas e sua cana. O milho de sua polenta. A mandioca de sua farofa. Tudo o que a terra dá é matéria-prima para o chef Rodrigo Bellora e sua equipe e o que não sai de suas próprias terras vem de produtores locais com a mesma filosofia e o mesmo cuidado no cultivo.

DSC_7239Diante de tudo isso, é uma verdadeira honra desfrutar de um menu experiência escolhido pelo chef e baseado nos seus melhores ingredientes. Você verá a seguir.

DSC_7277Pão artesanal de cereais pra abrir e água da fonte pra acompanhar a refeição.

DSC_7281Cabrito com purê de batata doce.

DSC_7283Salada de flores e folhas com degorgement de espumante.

DSC_7298Polenta com cogumelos.

DSC_7304Entrecot com chutney de beterraba.

DSC_7308Costela , feijões e farofa de alho.

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Sorbeto de amora com ricota da casa.

DSC_7323Pien de mel. Melhor coisa ever.

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E, para encerrar, gentilmente recebemos flores cremosas. Essas não são de comer, mas de passar nas mãos, deixando a lembrança de uma refeição impecável e responsável.

 

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Um tiquinho de limoncello pra encerrar de verdade e está feito o banquete do juízo final (risos).

O menu experiência do Valle Rústico sai por R$ 100,00. Harmonizado com vinhos e espumantes da região, R$ 150,00.

Valle Rústico

Linha Marcílio Dias – 15 da Graciema – Vale dos Vinhedos

Contato: 54 3067-1163 / 8123-0080

De quarta a sábado, para o jantar. Domingos, para o almoço

Site: acesse aqui!

Osteria Della Colombina: mais que uma refeição, uma contemplação

*Alerta de post longo. Desculpa, mas vale a pena

 

Quando criou o movimento Slow Food, há 26 anos, o jornalista italiano Carlo Petrini o fez por acreditar na gastronomia como via de transformação. Por acreditar no respeito ao meio ambiente, na biodiversidade e num modo de vida menos massivo. Eu também acredito nisso. A gastronomia boa, limpa e justa movimenta o corpo, a alma, comunidades inteiras, a economia e o planeta. Vi de perto essa transformação quando bati à porta da Osteria Della Colombina e provei de uma comida tratada como expressão cultural.

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Coisas mágicas acontecem da propriedade Bettú Lazzari, no interior de Garibaldi, que pertence à família desde o primeiro imigrante a pisar no Brasil. Por três gerações de agricultores, a mesma terra deu-lhes, mas, viúva precocemente, Odete e as quatro filhas mulheres não puderam manter o ritmo de produção das videiras e vacas leiteiras. A propriedade começou a se degradar e as mais velhas se mudaram para a cidade, num movimento de êxodo rural que se repetiu com centenas de famílias na Serra Gaúcha.

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A caçula Raísa provavelmente seria a próxima a deixar o interior se a mãe não estivesse com o ouvido ligado no radinho quando a prefeitura de Garibaldi anunciava a criação de um projeto-piloto de turismo rural. Durante dois anos, Odete e as filhas preparam a casa e a propriedade para a criação da Estrada do Sabor. Em 2001, abriram as portas para os primeiros turistas e aí começa a transformação que a comida boa, limpa e justa é capaz de promover.

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Pra começo de conversa, a propriedade agrícola tem certificado de produção orgânica. Tudo o que é produzido na horta, nos pomares e no curral é livre de agrotóxicos e vai direto da terra para a cozinha. Impressionantes 75% do que é servido aos clientes é produzido ali mesmo – incluindo o queijo, o suco e o vinho. Além de parada obrigatória na Estrada do Sabor, a família Bettú Lazzari é uma das fundadoras do convívio local do Slow Food na Serra Gaúcha. Também é um dos estabelecimentos que faz parte do Tour da Experiência, uma iniciativa do Sindicato Empresarial da Gastronomia e Hotelaria (SEGH).

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Isso é movimento, é engajamento, é a transformação de que Carlo Petrini fala. Já seria o suficiente pra esse post, mas ainda nem falei da comida. No porão da casa da família, ainda de chão batido e ornamentado com objetos centenários, serve-se muito mais que um cardápio farto. Serve-se um resgate histórico da imigração italiana, representado por objetos de família e pela honestidade de cada receita. Acompanha comigo:

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O limoncello, feito com os limões do pomar…que bebi na hora errada, antes do almoço 😉

 

 

 

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Pra abrir os trabalhos gastronômicos, uma tradicionalíssima polenta brustolada com queijo e salame.

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A sopa de capeletti, para mim, é a maior representação gastronômica da cultura, dos fazeres e dos sabores do imigrante. A sopa da dona Odete, natural e autêntica, dificilmente será superada.

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A salada orgânica tem sabor de verdade e traz a delicadeza das flores comestíveis: flor de crem e dente-de-leão.

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A sequência de pratos principais é tipicamente italiana. Ou seja, farta e forte.  O nhoque aos três queijos acompanha uma galinha ao molho lentamente cozida em molho de tomate e especiarias.

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Como se já não fosse suficiente, escalopes de carne com legumes grelhados e bacon…

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…e uma tradicional fortaia. Depois podia repetir tudo, mas nem que eu quisesse conseguiria.

 

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A mesa de doces encerra esse banquete slow food que demanda tempo, bom humor e boa companhia para ser desfrutado à altura. Tudo é feito por dona Odete: sorvete de creme e limão siciliano com goiabada; compota de laranja e os biscoitinhos típicos chamados de sfregolá.

A Osteria Della Colombina atende somente com reservas para grupos, mas você pode fazer como eu e se encaixar em um grupo maior, aproveitando a agenda de abertura da casa. Vá com tempo: essa é uma refeição que não se faz em menos de duas horas.

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Cada visitante da osteria leva consigo uma pequena colombina, tradição dos imigrantes que Odete orgulhosamente preserva e dissemina.

 

 

A experiência completa custa R$ 55,00 (bebidas à parte). E, além de tudo que come estando lá, também dá pra levar um pedacinho da osteria para casa com as geleias, compotas e conservas orgânicas de dona Odete. Espero ter conseguido expressar que não se trata apenas de uma refeição, mas de uma reflexão e uma contemplação.

Osteria Della Colombina

Estrada do Sabor, comunidade Linha São Jorge, Garibaldi

Reservas: (54) 3464 7755 ou (54) 9121 1040

E-mail: colombina@estradadosabor.com.br