A tradicional pisa das uvas nesses meses de colheita é mais que uma encenação para o divertimento dos turistas: é a representação de uma cultura enraizada na Serra Gaúcha e um retrato da evolução no fazer.

Essa produção que já fora dada apenas ao consumo das famílias locais foi encorpando, se industrializando, profissionalizando e hoje a nossa região vinícola tem grandes rótulos, além de ser um case no turismo de experiência. Eis o grande trunfo da nossa região: dentro de cada garrafa de vinho existe um bocado de história.

As atrações desses três meses de vindima são uma oportunidade de descobrir um pouco dessa cadeia de valor. Fora do circuito consagrado do Vale dos Vinhedos, por exemplo, às margens da RSC-470, a família Cainelli retomou há poucos anos a produção de vinhos – primeiro, alcançando boas vendas com variedades de mesa. Agora, tornando-se uma das atrações preferidas do turista, com uma experiência guiada pelos parreirais pelo enólogo da família Roberto Cainelli Junior, seus pais e a figura lendária do senhor Nei Tomasi.

A vinícola passa por uma reconversão de sua produção no momento, voltando-se a vinhos mais nobres e investindo variedades como a Petit Verdot, um varietal que estará no mercado em 2021, e a Alicante, que vem para estruturar os vinhos da casa. Visitando a Cainelli nessa vindima, você pode se emocionar, como eu, ouvindo as histórias da família e a notícia de que a safra desse ano deve se aproximar daquela histórica de 2005 <3

O aroma inigualável dos vinhedos de bordeau denuncia. As variedades qe decidem a safra adiantaram sua maturação em 20 dias, fungindo dos dias de chuva de fevereiro que podem reduzir um pouco o grau de açúcar da uva. Com dias quentes e noites amenas, a amplitude térmica deve garantir excelentes vinhos nessa safra. É disso que se trata um passeio da vindima da Serra Gaúcha: uma boa dose de diversão, aquela chance única de pisar a uva e, mais que isso, a compreensão desse processo incrível que o cultivo da uva e a feitura do vinho.

Pois vamos à parte que todo mundo ama: depois das explicações básicas sobre o processo e a família, o passeio da vinícola Cainelli desemboca numa caminhada curta pela propriedade até os vinhedos carregados, onde o visitante é convocado a colher sua caixinha de uva. Uma amostra do trabalho árduo que se tem nesses meses de colheita.

A recompensa vem com um merendim farto, na mesa estendida ali mesmo, debaixo dos parreirais. A cantoria típica anima o visitante, que repousa dessa pílula do que é a colheita se abastecendo de polenta, queijo e da típica torta tirolesa.

O anfitrião passa de garrafão nos ombros e não deixa ninguém de copo vazio.

Subi no tuc tuc pra continuar o passeio, dos parreirais de volta para a casa da vinícola, cada um com seu cesto de uvas, para o gran finale que é a pisa.

Longa fila, lava pés e todo mundo tem a chance terapêutica de dar boas gargalhadas provando do fazer antigo e embalado pela gaita do menino Pedrotti. A energia de um passeio como esse é revigorante. Todo mundo tem que fazer um dia <3

A vindima está só começando e essa atração da Vinícola Cainelli se repete todos os fins de semana até março, pelo valor de R$ 80,00. Ademais, a programação tem centenas de atrações. Consulte aqui!

Vinícola Cainelli
Distrito Tuiuty – Rsc 470 – Km 202,6, Bento Gonçalves
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